{"id":36932,"date":"2022-03-29T15:07:02","date_gmt":"2022-03-29T18:07:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=36932"},"modified":"2022-03-29T15:07:03","modified_gmt":"2022-03-29T18:07:03","slug":"cerveja-por-que-bebida-vai-ficar-mais-cara-em-2022-com-a-guerra-na-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2022\/03\/29\/cerveja-por-que-bebida-vai-ficar-mais-cara-em-2022-com-a-guerra-na-ucrania\/","title":{"rendered":"Cerveja: por que bebida vai ficar mais cara em 2022 com a guerra na Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Bebida alc\u00f3olica mais consumida pelos brasileiros, a cerveja teve em 2021 a maior alta de pre\u00e7os no pa\u00eds em sete anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A cerveja consumida em casa ficou em m\u00e9dia 8,7% mais cara no ano passado, enquanto em bares e restaurantes subiu 4,8%.<\/p>\n\n\n\n<p>As duas varia\u00e7\u00f5es foram as maiores registradas nestes produtos no \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) desde 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>As perspectivas para 2022 s\u00e3o pouco animadoras, porque a guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia pressiona os pre\u00e7os globais da cevada e do malte, ingredientes da cerveja.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois pa\u00edses respondem por 28% das exporta\u00e7\u00f5es globais da cevada, e a R\u00fassia \u00e9 o terceiro maior fornecedor de malte ao Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"end-of-recommendations\">Fim do Talvez tamb\u00e9m te interesse<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como em fertilizantes, o Brasil \u00e9 fortemente dependente de importa\u00e7\u00f5es no setor cervejeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Veio do exterior 78% da cevada e 65% do malte consumidos no pa\u00eds em 2021, segundo dados do Sindicato Nacional da Ind\u00fastria da Cerveja (Sindicerv).<\/p>\n\n\n\n<p>O l\u00fapulo, terceiro ingrediente central da cerveja, \u00e9 praticamente 100% importado atualmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora Uruguai e Argentina sejam os principais fornecedores de mat\u00e9ria prima cervejeira para o Brasil, assim como no trigo, a alta global de pre\u00e7os causada pela redu\u00e7\u00e3o da oferta mundial de cereais em meio \u00e0 guerra tende a afetar todos os compradores.<\/p>\n\n\n\n<p>Um ponto positivo foi a valoriza\u00e7\u00e3o recente do real em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar, porque isso ajuda a contrabalan\u00e7ar a press\u00e3o no pre\u00e7o das commodities.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a Ambev, l\u00edder de mercado com 61,6% de participa\u00e7\u00e3o no Brasil, diz contar com uma prote\u00e7\u00e3o de, em m\u00e9dia, 12 meses contra varia\u00e7\u00e3o cambial ou de pre\u00e7os das principais commodities que afetam seu custo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas analistas avaliam que empresas menores podem ter maior dificuldade com eventual alta de custos, tendo que repassar aumentos para o consumidor ou ter menos lucro.<\/p>\n\n\n\n<p>A alta de pre\u00e7os j\u00e1 \u00e9 bastante percept\u00edvel nas prateleiras e aplicativos de entrega, e os consumidores adotam estrat\u00e9gias para n\u00e3o ficar sem a bebida.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a empresa de pesquisa de mercado Kantar, os brasileiros t\u00eam trocado marcas mais caras, como Heineken, Stella Artois e Eisenbahn, por outras mais populares \u2014 e baratas \u2014, com Skol, Brahma, Schin e Itaipava, na contram\u00e3o do que vinha acontecendo em anos recentes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Maior-infla\u00e7\u00e3o-em-sete-anos-\">Maior infla\u00e7\u00e3o em sete anos<\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com o Sindicerv, entidade que representa Ambev e Heineken (que juntas produzem quase 80% da cerveja nacional), a alta de pre\u00e7os em 2021 refletiu o aumento de custos da cadeia de produ\u00e7\u00e3o, principalmente energia el\u00e9trica, combust\u00edveis e commodities \u2014 o pre\u00e7o da cevada, por exemplo, subiu com a safra menor do que a esperada nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.bbc.com\/ws\/includes\/idt2\/ab2d1050-9218-4264-915d-067435872afe\/image\/816\" alt=\"Infla\u00e7\u00e3o da cerveja. Varia\u00e7\u00e3o anual, em %. Gr\u00e1fico de barras mostra a infla\u00e7\u00e3o da cerveja entre 2015 e 2021 Cerveja consumida em domic\u00edlio subiu 8,7% em 2021 e a bebida fora de casa ficou 4,8% mais cara .\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;A maior parte da importa\u00e7\u00e3o de cevada do Brasil vem de Argentina e Uruguai&#8221;, observa Luiz Nicolaewsky, superintendente executivo do Sindicerv. &#8220;Mas, com a quebra de safra nos Estados Unidos, eles avan\u00e7aram sobre o Mercosul, adquirindo cevada dos pa\u00edses do grupo, o que naturalmente causa escassez para o Brasil, fazendo com que os pre\u00e7os subam.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O representante da ind\u00fastria destaca ainda que o setor cervejeiro tem uma frota de 40 mil ve\u00edculos, portanto a alta de 49% dos combust\u00edveis em 2021 tamb\u00e9m atingiu em cheio os custos dos fabricantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Pesou ainda a alta do d\u00f3lar, que saiu de uma m\u00e9dia de R$ 3,94 em 2019, antes da pandemia, para R$ 5,16 em 2020 e R$ 5,39 em 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o Brasil importa a maior parte das mat\u00e9rias primas da cerveja, isso aumentou fortemente os custos de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.bbc.com\/ws\/includes\/idt2\/c4a0ea29-c07b-4374-86d9-9fc83db45ec3\/image\/816\" alt=\"Depend\u00eancia externa. Origem das principais mat\u00e9rias-primas cervejeiras em 2021, em % . Gr\u00e1fico de barras mostra a origem da cevada e do malte no Brasil 78% da cevada e 65% do malte consumidos no pa\u00eds em 2021 foram importados.\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>No caso do l\u00fapulo, Nicolaewsky destaca que o pre\u00e7o aumentou tamb\u00e9m por causa da multiplica\u00e7\u00e3o das cervejarias artesanais no Brasil e no mundo, o que ampliou a demanda pelo broto que d\u00e1 o sabor amargo caracter\u00edstico da cerveja.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Hoje, temos mais de 1,3 mil cervejarias cadastradas no Minist\u00e9rio da Agricultura, ent\u00e3o naturalmente cresce a demanda&#8221;, diz Nicolaewsky.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com essa explos\u00e3o no n\u00famero de cervejarias, as tr\u00eas maiores fabricantes \u2014 Ambev, Heineken e Petr\u00f3polis \u2014 ainda representam mais de 90% do mercado nacional, restando a todas as demais apenas 8,4% do mercado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.bbc.com\/ws\/includes\/idt2\/6c906784-bbd5-437a-826e-69e76e0edd16\/image\/816\" alt=\"Mercado cervejeiro no Brasil. Participa\u00e7\u00e3o das empresas, em %. Gr\u00e1fico de pizza mostra a participa\u00e7\u00e3o de mercado das cervejarias no Brasil .\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Infla\u00e7\u00e3o-n\u00e3o-\u00e9-resultado-s\u00f3-da-alta-de-custo-\">Infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 resultado s\u00f3 da alta de custo<\/h2>\n\n\n\n<p>Leonardo Alencar, analista-chefe de agro, alimentos e bebidas da XP Investimentos, destaca que os custos n\u00e3o s\u00e3o o \u00fanico fator na infla\u00e7\u00e3o da cerveja. Pesam tamb\u00e9m o comportamento do consumidor e a estrat\u00e9gia de pre\u00e7o das empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>A pandemia mudou os h\u00e1bitos de consumo, com menos procura por bares, restaurantes, baladas e eventos, e o aumento do consumo em casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso ajuda a explicar por que a infla\u00e7\u00e3o da cerveja consumida em domic\u00edlio foi quase o dobro da tomada fora de casa em 2021.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/10457\/production\/_123874666_2supermercado.jpg\" alt=\"Mulher comprando cerveja em um supermercado\"\/><figcaption>Legenda da foto,Pandemia levou a um aumento do consumo de cerveja em casa<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Outro ponto relevante \u00e9 que o pre\u00e7o da cerveja, no passado, era reajustado uma ou duas vezes no ano, exceto promo\u00e7\u00f5es ocasionais. Hoje em dia, algumas cervejarias \u2014 Ambev principalmente \u2014 t\u00eam plataformas de vendas e entrega, o Bees e o Z\u00e9 Delivery, em que a gest\u00e3o \u00e9 feita de maneira mais estrat\u00e9gica para gerar mais valor&#8221;, destaca Alencar.<\/p>\n\n\n\n<p>O Bees \u00e9 uma plataforma da Ambev destinada \u00e0 venda para pequenos e m\u00e9dios empreendimentos comerciais, j\u00e1 o Z\u00e9 Delivery conecta consumidores a vendedores de cerveja da sua regi\u00e3o, que entregam a bebida j\u00e1 gelada.<\/p>\n\n\n\n<p>Por meio delas, a empresa conseguem agora reajustar a cerveja mais vezes ao longo do ano e de forma regionalizada.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ao inv\u00e9s de ter uma tabela de pre\u00e7os \u00fanica e subir para o pa\u00eds todo, num ano como 2021, com uma din\u00e2mica muito favor\u00e1vel ao agroneg\u00f3cio, a empresa pode optar, por exemplo, por subir mais os pre\u00e7os fora das capitais. E os indicadores de infla\u00e7\u00e3o captam melhor a din\u00e2mica das capitais&#8221;, observa o analista.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;At\u00e9 arrisco dizer que a alta real do pre\u00e7o da cerveja foi maior do que os indicadores captaram por conta desse maior dinamismo da precifica\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Press\u00e3o-nos-pre\u00e7os-em-2022-\">Press\u00e3o nos pre\u00e7os em 2022<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo o analista da XP e o sindicato das cervejarias, a press\u00e3o nos pre\u00e7os da cerveja \u00e9 de alta em 2022, mas ela pode ser em parte mitigada pelo c\u00e2mbio e atingir empresas grandes e menores de formas diferentes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/15277\/production\/_123874668_3ambev.jpg\" alt=\"Linha de produ\u00e7\u00e3o da cerveja Antarctica da Ambev\"\/><figcaption>Legenda da foto,Ambev estima alta de custo de 16% a 19% em 2022<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A Ambev estima uma alta de custo por hectolitro (100 litros) de 16% a 19% em 2022. No ano passado, o aumento foi de 17,4%.<\/p>\n\n\n\n<p>A estimativa foi feita pela empresa antes da explos\u00e3o da guerra na Ucr\u00e2nia, mas a cervejaria disse \u00e0 BBC News Brasil que as proje\u00e7\u00f5es est\u00e3o mantidas, devido \u00e0 sua pol\u00edtica de prote\u00e7\u00e3o de custos (chamada de&nbsp;<em>hedge<\/em>, em ingl\u00eas) de 12 meses.<\/p>\n\n\n\n<p>A Ambev declinou pedido de entrevista e disse que n\u00e3o se manifestaria nesta reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a Heineken, mesmo antes da guerra, projetava um crescimento de custos por hectolitro na casa dos 15% em 2022, devido a aumento nos pre\u00e7os de commodities, energia e frete.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Compensaremos esses aumentos de custo de insumos por meio de pre\u00e7os, o que pode levar a um consumo de cerveja menor&#8221;, disse em fevereiro Harold van den Broek, diretor financeiro do grupo, em coment\u00e1rio sobre resultados.<\/p>\n\n\n\n<p>A guerra na Ucr\u00e2nia acrescenta press\u00e3o a esse cen\u00e1rio que j\u00e1 era de aumento de custos na percep\u00e7\u00e3o das maiores empresas do setor.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil \u00e9 o terceiro maior mercado produtor de cerveja do mundo, atr\u00e1s de China e Estados Unidos, tendo produzido 151,9 milh\u00f5es de hectolitros da bebida em 2020, segundo dados do relat\u00f3rio BarthHaas Hop Report 2020\/2021, usado como refer\u00eancia pelo Sindicerv.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.bbc.com\/ws\/includes\/idt2\/fa83a857-3b62-4094-a573-f089fb8c47a0\/image\/816\" alt=\"Produ\u00e7\u00e3o de cerveja por pa\u00eds. Em milh\u00f5es de hectolitros, em 2020. Gr\u00e1fico de barras mostra os maiores pa\u00edses produtores de cerveja .\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Na ponta das mat\u00e9rias primas, R\u00fassia e Ucr\u00e2nia s\u00e3o gigantes, respondendo juntas por 28% das exporta\u00e7\u00f5es globais de cevada em volume e por 24% em valor.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois pa\u00edses tamb\u00e9m t\u00eam volumes relevante de vendas externas de malte \u2014 produzido a partir da germina\u00e7\u00e3o da cevada ou outro cereal, cujos brotos s\u00e3o ent\u00e3o tostados ou torrados.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.bbc.com\/ws\/includes\/idt2\/77c6023b-f601-487e-a149-4f5caebc503a\/image\/816\" alt=\"Maiores exportadores de cevada. Parcela no volume das exporta\u00e7\u00f5es globais em 2020, em %. Gr\u00e1fico de barras mostra os maiores pa\u00edses exportadores de cevada .\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Como os pre\u00e7os das commodities variam globalmente e os Estados Unidos devem continuar a competir pela cevada e o malte do Mercosul, a press\u00e3o de custos afeta o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O custo da cerveja do mundo subiu, todas as cervejarias est\u00e3o sendo impactadas por isso&#8221;, observa Leonardo Alencar, da XP.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mas a regi\u00e3o onde o custo \u00e9 menor \u00e9 aqui no Brasil e as cervejarias mais verticalizadas [que controlam todas as etapas do processo produtivo], como a Ambev, sofrem menos com a alta de custos. Ela poder\u00e1 decidir entre n\u00e3o subir tanto os pre\u00e7os e ganhar participa\u00e7\u00e3o de mercado ou proteger suas margens. Outras empresas, como as artesanais, v\u00e3o sofrer com a mesma press\u00e3o de custos sem a mesma estrutura.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Como-o-consumidor-responde-\u00e0-infla\u00e7\u00e3o-\">Como o consumidor responde \u00e0 infla\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>O comportamento do consumidor afeta a din\u00e2mica de pre\u00e7os e vice-versa, porque o avan\u00e7o da infla\u00e7\u00e3o muda o consumo de cerveja.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;H\u00e1 uma migra\u00e7\u00e3o de cervejas de alto padr\u00e3o para as populares, ent\u00e3o, diminuiu a quantidade de vezes em que os consumidores tomam cervejas como Heineken, Budweiser e Stella Artois e houve um aumento de outras marcas mais baratas&#8221;, observa Hudson Romano, gerente s\u00eanior de consumo fora do lar da Kantar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/1DDF\/production\/_123874670_4copos.jpg\" alt=\"Quatro copos com quantidades decrescentes de cerveja\"\/><figcaption>Legenda da foto,Mercado brasileiro de cerveja ganhou novos consumidores, mas a frequ\u00eancia de compra caiu pela metade<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ainda segundo o analista, embora o mercado brasileiro de cerveja venha ganhando novos consumidores, a frequ\u00eancia de compra caiu pela metade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Por conta do aumento de pre\u00e7os, o consumidor continua bebendo, mas, em vez de beber tr\u00eas vezes por semana, ele bebe uma vez e meia. Essa diminui\u00e7\u00e3o no consumo \u00e9 um problema para a ind\u00fastria.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das respostas tem sido o lan\u00e7amento de novas marcas. A Ambev, por exemplo, investe em um segmento intermedi\u00e1rio entre as cervejas de alto padr\u00e3o e populares, com marcas como Brahma Duplo Malte e Spaten.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O consumo de cerveja \u00e9 muito ligado a crescimento do PIB [Produto Interno Bruto]&#8221;, observa Alencar, da XP. &#8220;Em um ano em que teremos menos crescimento, h\u00e1 um efeito disso no consumo de cerveja.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A press\u00e3o inflacion\u00e1ria tira poder aquisitivo, e deixamos de consumir um produto mais caro por um intermedi\u00e1rio. Ou trocamos um intermedi\u00e1rio por um mais barato. Isso favorece a cerveja em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais bebidas alc\u00f3olicas, porque ela \u00e9 mais barata, e as cervejas populares e intermedi\u00e1rias&#8221;, observa.<\/p>\n\n\n\n<p>Os analistas avaliam ainda que o local de consumo deve seguir a mudan\u00e7a do mercado de trabalho. Ou seja, se antes se trabalhava e bebia mais fora de casa, agora a tend\u00eancia \u00e9 o trabalho e o consumo h\u00edbrido, com mais cerveja sendo bebida em casa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os jovens est\u00e3o saindo, mas est\u00e3o indo menos a bares e baladas e mais \u00e0 casa de amigos e locais p\u00fablicos&#8221;, diz Romano, da Kantar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ainda estamos na pandemia, mas com uma liberdade muito maior que em 2020, estamos botando o p\u00e9 na \u00e1gua e cada vez mais vamos afundando, at\u00e9 a gente voltar a nadar. Mas, enquanto n\u00e3o estiver 100% seguro, as pessoas v\u00e3o continuar se preservando.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bebida alc\u00f3olica mais consumida pelos brasileiros, a cerveja teve em 2021 a maior alta de pre\u00e7os no pa\u00eds em sete anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). A cerveja consumida em casa ficou em m\u00e9dia 8,7% mais cara no ano passado, enquanto em bares e restaurantes subiu 4,8%. 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