{"id":36064,"date":"2022-01-18T12:17:29","date_gmt":"2022-01-18T15:17:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=36064"},"modified":"2022-01-18T12:17:31","modified_gmt":"2022-01-18T15:17:31","slug":"saude-mental-das-criancas-foi-afetada-durante-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2022\/01\/18\/saude-mental-das-criancas-foi-afetada-durante-a-pandemia\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade mental das crian\u00e7as foi afetada durante a pandemia"},"content":{"rendered":"\n<p>Mais do que nunca, hoje se faz necess\u00e1rio um debate profundo sobre os impactos negativos que a pandemia j\u00e1 causou, vem causando e ainda vai causar, relacionados principalmente \u00e0 sa\u00fade mental da popula\u00e7\u00e3o mais jovem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As consequ\u00eancias negativas para a sa\u00fade mental de crian\u00e7as e adolescentes ocorrem, tamb\u00e9m, por causa da quebra da rotina e da vida social das escolas, pela experi\u00eancia do isolamento social e pela perda de familiares, al\u00e9m da dificuldade de acesso \u00e0 assist\u00eancia e ao tratamento m\u00e9dico adequado com a paralisa\u00e7\u00e3o ou a falta de regularidade dos servi\u00e7os de sa\u00fade, restando apenas o atendimento virtual.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a pediatra Gesika Amorim, crian\u00e7as entre dois e quatro anos de idade perderam, praticamente, dois anos do in\u00edcio de suas vidas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cS\u00e3o crian\u00e7as que n\u00e3o conviveram em sociedade, elas n\u00e3o sabem brincar com outras crian\u00e7as, n\u00e3o conviveram em fam\u00edlia e, em muitas situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o aprenderam a cumprir regras e ordens. S\u00e3o crian\u00e7as que n\u00e3o tiveram inf\u00e2ncia\u201d, afirma a especialista em neurologia e psiquiatria, que possui mestrado em educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e dedica-se a diversos segmentos da sa\u00fade mental, a exemplo do autismo e do neurodesenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSem acesso \u00e0 nossa realidade antes da pandemia, elas conhecem uma realidade completamente an\u00f4mala, principalmente aquelas crian\u00e7as que vivem fechadas em apartamentos&#8221;, explica a pediatra.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O impacto tem acontecido tamb\u00e9m com a volta \u00e0s aulas, quando essas crian\u00e7as s\u00e3o vistas de fora, pelos professores e por outras pessoas. Esse \u00e9 um outro momento, um novo cap\u00edtulo, e certamente haver\u00e1, como j\u00e1 temos visto, uma explos\u00e3o de diagn\u00f3sticos de transtornos de neurodesenvolvimento, algo de que j\u00e1 v\u00ednhamos falando tempos atr\u00e1s\u201d, complementa.<\/p>\n\n\n\n<p>Com um evento t\u00e3o adverso em escala global, que tamb\u00e9m \u00e9 apontado como gatilho para o aumento do estresse e da viol\u00eancia, a pandemia quebrou o ciclo do desenvolvimento das crian\u00e7as, tanto pela s\u00e9rie de altera\u00e7\u00f5es na chamada \u201carquitetura cerebral\u201d quanto pela reconfigura\u00e7\u00e3o no sistema imunol\u00f3gico e nos horm\u00f4nios.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">SUIC\u00cdDIO<\/h2>\n\n\n\n<p>Ainda sobre os impactos negativos, a m\u00e9dica alerta para o estresse parental e social, que pode prejudicar o crescimento e o desenvolvimento das crian\u00e7as. O estresse cr\u00f4nico, segundo Gesika Amorim, vai comprometer, e muito, o desenvolvimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o aos jovens e jovens adultos, \u00e9 preciso tamb\u00e9m levar em conta o aumento dos casos de suic\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs adolescentes na faixa de 12 a 16 anos de idade ficaram dois anos em casa em uma fase em que a socializa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante na forma\u00e7\u00e3o de tribos e de grupos, e isso n\u00e3o aconteceu. Esses adolescentes ficaram dentro de casa convivendo on-line, no mundo virtual. A consequ\u00eancia \u00e9 que, agora, temos uma juventude que n\u00e3o sabe lidar com o embate, n\u00e3o sabe trabalhar o emocional. Estamos tendo um boom de adolescentes com transtornos comportamentais, transtornos de humor e quadros depressivos, isso porque eles n\u00e3o conhecem as emo\u00e7\u00f5es ruins e tamb\u00e9m n\u00e3o sabem viver em sociedade\u201d, diz Gesika.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo meu trabalho, tenho visto uma quantidade muito grande de meninos e de crian\u00e7as com quadros de automutila\u00e7\u00e3o, com transtornos depressivos e tentativas de suic\u00eddio, isso porque qualquer negativa, qualquer falta de sucesso na vida real \u00e9 uma experi\u00eancia extremamente dolorosa para eles&#8221;, detalha a especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;S\u00e3o crian\u00e7as que ficaram dois anos dentro de casa e desaprenderam, ou perderam, uma fase de grande aquisi\u00e7\u00e3o e desenvolvimento da pr\u00f3pria cidadania, por isso elas n\u00e3o sabem lidar com o mundo real, n\u00e3o foram preparadas, n\u00e3o sabem nem ao menos nomear o que est\u00e3o sentindo\u201d, complementa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/correiodoestado.com.br\/noticia\/midia\/237511\/1642508281306-660x440.jpg\" alt=\"spinner-noticia\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">M\u00c9DICA. A pediatra Gesika Amorim est\u00e1 preocupada com a sa\u00fade mental das crian\u00e7as depois da pandemia &#8211; Divulga\u00e7\u00e3o<\/h6>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">COMO ENFRENTAR<\/h2>\n\n\n\n<p>O acesso a atendimento e a tratamento de qualidade deve ser prioridade para que a situa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental em nosso Pa\u00eds seja de fato transformada. \u00c9 o que defende a m\u00e9dica, que vem militando mais intensamente pela causa desde o in\u00edcio da pandemia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO tratamento precisa vir a p\u00fablico, tornar-se mais acess\u00edvel a todos. Outro ponto \u00e9 o tratamento de transtornos mentais para a preven\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio, pois falar apenas n\u00e3o resolve. Os jovens n\u00e3o procuram tratamento, eles n\u00e3o t\u00eam nenhuma iniciativa. Eles s\u00f3 procuram quando veem que um outro jovem da mesma turma, algum amigo ou conhecido com que tenham alguma identifica\u00e7\u00e3o, procurou por tratamento\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, precisamos nos adaptar ao novo, a essa nova realidade que se apresentou para todos n\u00f3s.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cE precisamos ensinar os jovens a reconhecer as pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es. Precisamos ensinar os pais a serem pais, porque hoje eles se encontram perdidos. Diferentemente de n\u00f3s, que aprendemos a enfrentar as dificuldades e a viver nossa verdade e liberdade, as novas gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o sabem lidar com a adversidade, n\u00e3o aprenderam a lutar\u201d, diz Gesika.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 uma gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o sofreu e, de repente, perdeu tudo o que tinha. Seu mundo deixou de ser cor-de-rosa. Outra coisa importante \u00e9 a quebra do preconceito. \u00c9 preciso trazer a discuss\u00e3o para a m\u00eddia, discutir o adoecimento que esses jovens est\u00e3o passando. E tamb\u00e9m precisamos vencer as barreiras do preconceito do tratamento de sa\u00fade mental\u201d, finaliza a especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Correio do Estado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais do que nunca, hoje se faz necess\u00e1rio um debate profundo sobre os impactos negativos que a pandemia j\u00e1 causou, vem causando e ainda vai causar, relacionados principalmente \u00e0 sa\u00fade mental da popula\u00e7\u00e3o mais jovem.&nbsp; As consequ\u00eancias negativas para a sa\u00fade mental de crian\u00e7as e adolescentes ocorrem, tamb\u00e9m, por causa da quebra da rotina e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":36065,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"advanced_seo_description":"","jetpack_seo_html_title":"","jetpack_seo_noindex":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":{"0":"post-36064","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/1642508219379-660x440-1.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36064"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36064"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36064\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":36066,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36064\/revisions\/36066"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36065"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36064"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36064"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36064"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}