{"id":35903,"date":"2021-12-09T12:51:00","date_gmt":"2021-12-09T15:51:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=35903"},"modified":"2022-01-04T14:46:48","modified_gmt":"2022-01-04T17:46:48","slug":"arma-contra-diabete-ganha-espaco-como-estrategia-de-perda-de-peso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/12\/09\/arma-contra-diabete-ganha-espaco-como-estrategia-de-perda-de-peso\/","title":{"rendered":"Arma contra diabete ganha espa\u00e7o como estrat\u00e9gia de perda de peso"},"content":{"rendered":"\n<p>Um m\u00e9todo desenvolvido para tratamento do diabete tem se revelado um importante aliado no combate \u00e0 obesidade. A caneta de semaglutida, aprovada no Brasil para tratar o diabete tipo 2, pode fazer com que pacientes percam, em m\u00e9dia, 15% do peso corporal em pouco mais de um ano. A subst\u00e2ncia consiste em um horm\u00f4nio que sinaliza ao c\u00e9rebro a sensa\u00e7\u00e3o de saciedade. A aplica\u00e7\u00e3o subcut\u00e2nea ocorre uma vez por semana, com supervis\u00e3o profissional, e j\u00e1 \u00e9 testada por pesquisas cient\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<p>O principal estudo que indica como a caneta pode ser \u00fatil para pacientes com obesidade, segundo especialistas, foi publicado em mar\u00e7o deste ano na revista cient\u00edfica The New England Journal of Medicine. Os pesquisadores demonstraram que, quando combinada a uma alimenta\u00e7\u00e3o regrada e ao aumento da atividade f\u00edsica, a dosagem semanal de 2,4 mg de semaglutida propiciou perda m\u00e9dia de peso de 15,2% em 104 semanas, ante 2,6% no grupo placebo. Participaram dos testes 1.961 adultos com alto \u00edndice de massa corp\u00f3rea. N\u00e3o houve ocorr\u00eancia de efeitos colaterais graves.<\/p>\n\n\n\n<p>Com os resultados, a caneta, cujo nome comercial no exterior \u00e9 Wegovy, foi aprovada no meio deste ano pela ag\u00eancia reguladora dos Estados Unidos (FDA, na sigla em ingl\u00eas) para tratar o sobrepeso e a obesidade, um dos principais problemas enfrentados pelos americanos. Tamb\u00e9m recebeu aval da Europa e do Canad\u00e1. No Brasil, a farmac\u00eautica dinamarquesa Novo Nordisk, que comercializa o produto, solicitou h\u00e1 alguns meses o uso da caneta \u00e0 Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) para tratar a obesidade. O pedido est\u00e1 em an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p>A caneta \u00e9 liberada por aqui apenas para tratar o diabete, mas em dosagem diferente: 1,3 mg por semana. O produto, cujo nome comercial no Pa\u00eds \u00e9 Ozempic, custa por volta de R$ 1 mil por m\u00eas e n\u00e3o est\u00e1 incorporado no rol de procedimentos do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Bem como a liraglutida, que tamb\u00e9m \u00e9 classificada como uma agonista do receptor GLP-1, o pept\u00eddeo que causa saciedade. O medicamento est\u00e1 aprovado no Pa\u00eds para tratar n\u00e3o s\u00f3 o diabete, como a obesidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Outra op\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sob o nome comercial de Saxenda, a caneta de liraglutida, tamb\u00e9m desenvolvida pela Novo Nordisk, \u00e9 comercializada no Pa\u00eds a R$ 600 por m\u00eas. Diferentemente da semaglutida, por\u00e9m, ela \u00e9 de aplica\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. N\u00e3o h\u00e1 estudo comparativo entre a efetividade das duas subst\u00e2ncias para tratar a obesidade, mas uma pesquisa conduzida pela farmac\u00eautica dinamarquesa apontou que a Saxenda pode diminuir a massa corporal em at\u00e9 8% ap\u00f3s administra\u00e7\u00e3o por um ano \u2013 \u00edndice menor que o apresentado pela semaglutida.<\/p>\n\n\n\n<p>Moradora de Sinop, no Mato Grosso, a estudante de medicina veterin\u00e1ria Laura Foss, de 22 anos, conta ter perdido cerca de 12 kg desde que come\u00e7ou a usar a liraglutida h\u00e1 cinco meses. \u201cTem dado muito certo, do jeito que nenhum tratamento deu at\u00e9 hoje\u201d, conta a estudante. \u201cMas o medicamento por si s\u00f3 n\u00e3o faz milagre. Eu tamb\u00e9m fiz atividade f\u00edsica, regulei a minha alimenta\u00e7\u00e3o e estou tentando fazer isso virar um h\u00e1bito de vida\u201d, pondera.<strong>CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando come\u00e7ou, por indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, a fazer o tratamento com Saxenda, Laura conta que estava pesando mais de 90 kg e tinha \u00edndice de massa corp\u00f3rea (IMC) de quase 34. Acima de 30, o indicador aponta que h\u00e1 obesidade. Ela relata que o quadro se agravou durante o primeiro ano de pandemia e que, entre outras complica\u00e7\u00f5es, estava apresentando resist\u00eancia insul\u00ednica, o que a fez procurar a nova solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cuidados importantes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Endocrinologista da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e presidente da Abeso (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira para o Estudo da Obesidade e da S\u00edndrome Metab\u00f3lica), a m\u00e9dica Cintia Cercato explica que o recomendado \u00e9 come\u00e7ar a usar os chamados agonistas da GLP-1 com doses menores e, aos poucos, aumentar a aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o cheia, complementa, costuma ocorrer ap\u00f3s alguns meses, quando o m\u00e9dico avalia que o corpo do paciente j\u00e1 est\u00e1 acostumado com a subst\u00e2ncia. Especialistas em sa\u00fade ouvidos pelo Estad\u00e3o apontam que o acompanhamento profissional \u00e9 imprescind\u00edvel. Segundo Cercato, uma das principais d\u00favidas de pacientes interessados pela caneta \u00e9 o fato de as subst\u00e2ncias injetadas por elas terem sido estudadas, em um primeiro momento, para tratar o diabete. Por\u00e9m, a endocrinologista aponta que isso n\u00e3o \u00e9 um problema. \u201cEste tipo de medica\u00e7\u00e3o (agonista da GLP-1) sensibiliza o p\u00e2ncreas a produzir de forma mais eficiente a insulina para controlar a glicemia\u201d, explica a m\u00e9dica.<strong>CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEnt\u00e3o, no caso de pessoas que s\u00e3o diab\u00e9ticas, melhora a produ\u00e7\u00e3o da insulina, mas em uma pessoa que n\u00e3o \u00e9 diab\u00e9tica a glicemia vai continuar normal. N\u00e3o \u00e9 um rem\u00e9dio que vai causar a hipoglicemia\u201d, acrescenta Cercato. A aprova\u00e7\u00e3o da caneta de semaglutida pela ag\u00eancia reguladora americana, acredita a especialista, \u00e9 importante para abrir caminho para o tratamento contra a obesidade no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nota, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Nutri\u00e7\u00e3o (Asbran) apontou que o uso da caneta de semaglutida \u201cvem sendo apontado para o tratamento da obesidade, que \u00e9 uma doen\u00e7a, e n\u00e3o deve ser encarado como medicamento para emagrecimento\u201d. A entidade defendeu \u00e9tica profissional na prescri\u00e7\u00e3o e cautela no uso, especialmente para se evitar efeitos adversos e ganho r\u00e1pido de peso ap\u00f3s interrup\u00e7\u00e3o do tratamento. \u201cA Asbran espera que estudos mais aprofundados sejam feitos para avalia\u00e7\u00e3o de uso prolongado do f\u00e1rmaco e que o mesmo, caso seja aprovado pela Anvisa, n\u00e3o esteja dispon\u00edvel sem a devida prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica\u201d, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p>Estad\u00e3o Conte\u00fado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um m\u00e9todo desenvolvido para tratamento do diabete tem se revelado um importante aliado no combate \u00e0 obesidade. A caneta de semaglutida, aprovada no Brasil para tratar o diabete tipo 2, pode fazer com que pacientes percam, em m\u00e9dia, 15% do peso corporal em pouco mais de um ano. 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