{"id":35746,"date":"2021-12-14T09:21:37","date_gmt":"2021-12-14T12:21:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=35746"},"modified":"2021-12-14T09:21:40","modified_gmt":"2021-12-14T12:21:40","slug":"em-guaratuba-mar-verde-de-bananas-gera-renda-no-litoral-e-supera-desafios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/12\/14\/em-guaratuba-mar-verde-de-bananas-gera-renda-no-litoral-e-supera-desafios\/","title":{"rendered":"Em Guaratuba, mar verde de bananas gera renda no Litoral e supera desafios"},"content":{"rendered":"\n<p>Nem s\u00f3 do mar salgado vive o Litoral do Paran\u00e1. Um dos munic\u00edpios mais procurados como destino para o veraneio, Guaratuba \u00e9 tamb\u00e9m o maior produtor de banana do Estado. O mar verde desce pelos morros e se estende a perder de vista por 3,3 mil hectares plantados. Rende 61,8 mil toneladas ao ano e garante renda e trabalho para 350 fam\u00edlias locais.<\/p>\n\n\n\n<p>Guaratuba registra uma produtividade acima da m\u00e9dia brasileira: 25 toneladas por hectare. Segundo dados do IBGE para a safra 2020, a produtividade do Paran\u00e1 \u00e9 de quase 20 ton\/ha e a brasileira \u00e9 de 14 ton\/ha.<\/p>\n\n\n\n<p>A engenheira agr\u00f4noma Elaine Cristina Stolf Correa \u00e9 a segunda gera\u00e7\u00e3o a cuidar dos atuais 80 hectares do bananal plantado a partir de 1987 pelas m\u00e3os diligentes do pai, Jo\u00e3o Stolf. Ela conta que as bananeiras encontradas naturalmente ali, tinham seus cachos colhidos por extrativismo e levados de barco pela ba\u00eda para a venda na regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vindo de fam\u00edlia experiente no plantio de fumo e de arroz irrigado, Jo\u00e3o e o irm\u00e3o deram o impulso para a primeira grande onda da cultura da banana em Guaratuba, que hoje corresponde a mais de 40% do Valor Bruto da Produ\u00e7\u00e3o (VBP) do munic\u00edpio \u2013 o que corresponde a aproximadamente R$ 63,4 milh\u00f5es ao ano, conforme dados da Secretaria estadual da Agricultura e Abastecimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Elaine e a irm\u00e3 \u2013 engenheira agr\u00f4noma e engenheira ambiental, respectivamente \u2013 deram sequ\u00eancia \u00e0s ondas verdes de uma Guaratuba que se acessa por estradas de pedra, pontes e onde se pisa e se pensa na terra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Acompanhar o pai desde os 4 anos, fez brotar em Elaine o interesse pelo cultivo da terra: cursou Agronomia em Florian\u00f3polis, voltou com um olhar apurado para o manejo e a defesa sustent\u00e1vel do bananal e hoje une for\u00e7as com 55 produtores como respons\u00e1vel t\u00e9cnica da Associa\u00e7\u00e3o Pr\u00f3-Agricultura Sustent\u00e1vel de Guaratuba (APASG).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA minha filha de 7 anos n\u00e3o trabalha ainda, mas \u00e9 o controle de qualidade das nossas bananas\u201d, brinca.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PRODU\u00c7\u00c3O FAMILIAR&nbsp;<\/strong>\u2013 Pai, filha e neta. A estrutura familiar \u00e9 a base para a continua\u00e7\u00e3o da bananicultura na maioria das propriedades e \u00e9 tamb\u00e9m a analogia com que se configura o bananal. O sistema chamado \u201cm\u00e3e, filha, neta\u201d garante a produ\u00e7\u00e3o de bananas ao longo de todo o ano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTem a m\u00e3e, que seria a primeira planta, que j\u00e1 colhemos o cacho\u201d, ensina Nilton Natal Fedalto. \u201cE a filha e a neta, que s\u00e3o a continua\u00e7\u00e3o\u201d, continua Grilo, como \u00e9 conhecido, em refer\u00eancia ao segundo e terceiro troncos em ordem decrescente de espessura. O que \u00e9 externo a esse n\u00facleo familiar \u00e9 cortado.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada planta d\u00e1 um cacho s\u00f3, o que explica o ditado \u201cbananeira que j\u00e1 deu cacho\u201d.&nbsp;Carlos Henrique Andrade, t\u00e9cnico em agropecu\u00e1ria do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paran\u00e1 \u2013 Iapar-Emater (IDR-Paran\u00e1), explica essa organiza\u00e7\u00e3o. \u201cA planta que j\u00e1 deu cacho n\u00e3o absorve mais nutrientes do solo. A filha dela, que vai produzir no pr\u00f3ximo ano, come\u00e7a a absorver os nutrientes da planta-m\u00e3e at\u00e9 come\u00e7ar a formar o novo cacho, e assim sucessivamente\u201d, explica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A parte do tronco que vai ao solo sofre decomposi\u00e7\u00e3o e a renova\u00e7\u00e3o \u00e9 cont\u00ednua, com as &#8220;novas gera\u00e7\u00f5es&#8221;. Para produzir esse \u00fanico cacho, a planta leva um ano e meio em m\u00e9dia \u2013 um ano para emitir a flor que vai dar origem ao cacho e mais outros quatro a sete meses para \u201cengordar\u201d as bananas, dependendo da temperatura.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSai um bot\u00e3o e depois vai abrindo folha por folha, cada folha tem uma penca. E vai abrindo at\u00e9 que no final s\u00f3 tem as que s\u00e3o de flor masculina e n\u00e3o d\u00e3o mais fruto\u201d, afirma a produtora e agr\u00f4noma Elaine.<\/p>\n\n\n\n<p>O cacho depois \u00e9 ensacado em pl\u00e1sticos, que podem ter diferentes cores para identificar mais facilmente quais est\u00e3o na mesma fase de matura\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MERCADO&nbsp;<\/strong>\u2013 Com as bananas ainda verdes, os cachos colhidos s\u00e3o levados \u00e0s etapas de lavagem, despenca e embalagem. No barrac\u00e3o da empresa Banaze, localizado na comunidade Caovi, em Guaratuba, Vagner Souza da Silva dispensa em poucos segundos um cacho que pesa, em m\u00e9dia, 35 quilos para a caturra e 25 quilos para a prata, ficando apenas o enga\u00e7o \u2013 suporte que sustenta os cachos. Habilidade de quem trabalha h\u00e1 sete anos na \u00e1rea.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Destinada ao mercado interno e ao consumo in natura, a produ\u00e7\u00e3o da maioria dos bananicultores de Guaratuba \u00e9 repassada a um intermedi\u00e1rio da Ceasa de Curitiba e vendida direto no box ou ainda na pedra, que \u00e9 quando o produtor transporta e vende seu produto diretamente em uma unidade da Ceasa.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m venda para a merenda escolar. No caso da produ\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia da Elaine, 90% vai para o Rio Grande do Sul, por meio de um atacadista, onde fica na estufa at\u00e9 amarelar por uns tr\u00eas ou quatro dias e da\u00ed segue para os supermercados.<\/p>\n\n\n\n<p>A banana, ali\u00e1s, \u00e9 a fruta mais consumida pelos brasileiros: em m\u00e9dia 16,3 gramas ao dia por pessoa, de acordo com a Pesquisa de Or\u00e7amentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) de 2017\/2018. O caminho at\u00e9 o consumidor, por\u00e9m, envolve muito trabalho, dedica\u00e7\u00e3o e supera\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>DESAFIOS&nbsp;<\/strong>\u2013 Um desafio recente para toda a cadeia produtiva da banana em Guaratuba \u00e9 a recupera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a destrui\u00e7\u00e3o causada pelo ciclone-bomba de 2020, que praticamente dizimou as \u00e1reas da esp\u00e9cie caturra (ou nanica) no munic\u00edpio, e prejudicou bastante as de banana-prata, por\u00e9m com perdas menores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Andr\u00e9 Fagundes Resende, com 22 anos de trabalho nos bananais, presenciou os efeitos da tempestade. &nbsp;\u201cDerrubou quase tudo aqui, o que n\u00e3o derrubou o vento rasgou e ca\u00edram as folhas. A gente foi colhendo os cachos da banana-prata, que \u00e9 mais resistente\u201d, relembra ele, que \u00e9 funcion\u00e1rio na Banaze.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de fatores e desastres clim\u00e1ticos e da lida di\u00e1ria para manter o bananal nutrido, os produtores lutam diariamente contra pragas. Para combater a&nbsp;<em>Sigatoka-negra<\/em>, doen\u00e7a da&nbsp;bananeira&nbsp;temida em todo o mundo, os bananicultores de Guaratuba contam com o monitoramento da equipe do IDR Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cToda semana visitamos o bananal em algumas plantas previamente estipuladas e verificamos a ocorr\u00eancia, ou n\u00e3o, da doen\u00e7a. Esse monitoramento acontece para que os produtores possam visualizar se h\u00e1 a entrada da doen\u00e7a e ent\u00e3o fazem a aplica\u00e7\u00e3o dos defensivos recomendados pela pesquisa\u201d, explica Nilo Bragagnolo, engenheiro agr\u00f4nomo do IDR Paran\u00e1.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A pulveriza\u00e7\u00e3o dos fungicidas costuma acontecer de 6 a 8 vezes ao ano em Guaratuba, uma m\u00e9dia bem abaixo da praticada em muitos pa\u00edses produtores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>S\u00c9RIE\u00a0<\/strong>\u2013 A banana de Guaratuba faz parte da s\u00e9rie de reportagens\u00a0\u201cParan\u00e1 que alimenta o mundo\u201d, \u00a0desenvolvida pela Ag\u00eancia Estadual de Not\u00edcias (AEN). O material mostra o potencial do agroneg\u00f3cio paranaense. Os textos s\u00e3o publicados sempre \u00e0s segundas-feiras.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.aen.pr.gov.br\/sites\/default\/arquivos_restritos\/files\/imagem\/2021-12\/banana008_1.jpg\" alt=\"Em Guaratuba, mar verde de bananas gera renda no Litoral e supera desafios\"\/><figcaption>Foto: Gilson Abreu\/AEN<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Banana est\u00e1 no programa Voca\u00e7\u00f5es Regionais Sustent\u00e1veis&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A banana est\u00e1 entre os produtos que o projeto&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.aen.pr.gov.br\/Noticia\/Programa-de-vocacoes-regionais-sustentaveis-reune-mais-de-50-produtores-rurais-do-Litoral\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Voca\u00e7\u00f5es Regionais Sustent\u00e1veis (VRS) Mata Atl\u00e2ntica<\/a>, desenvolvido pelo Governo do Estado, elencou com potencial de mercado, com o objetivo de introduzir inova\u00e7\u00e3o e agregar valor.<\/p>\n\n\n\n<p>O coordenador do VRS na Invest Paran\u00e1, que presta assessoria t\u00e9cnica aos produtores e empreendedores locais, Bruno Banzato, conta que produtores e propriet\u00e1rios de pequenas agroind\u00fastrias dos munic\u00edpios de Morretes, Antonina e Guaraque\u00e7aba (o segundo maior produtor de banana no Paran\u00e1; o terceiro \u00e9 Novo Itacolomi, na regi\u00e3o Norte) participaram na primeira oficina da cadeia de valor da banana e seus derivados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA oficina foi um trabalho inicial. Estamos desenvolvendo agora as an\u00e1lises econ\u00f4micas, ambientais e sociais. Acreditamos muito no potencial desses produtos e no trabalho de agregar valor. Queremos contar a hist\u00f3ria desse produto, a qualidade, a originalidade, para que o produtor tenha uma renda maior\u201d, destaca Banzato.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O incentivo ao processamento da banana busca oferecer mais produtos derivados da fruta, como as balas com embalagens verde (Antonina) e laranja (Bananina) que receberam o reconhecimento de Indica\u00e7\u00e3o de Proced\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais produtos podem entrar logo para a lista de ofertas incentivadas: banana-passa de Guaraque\u00e7aba, chips de banana de Morretes e, se depender da Elaine, a farinha de banana verde da propriedade da fam\u00edlia, em Guaratuba.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O programa Voca\u00e7\u00f5es Regionais Sustent\u00e1veis \u00e9 uma pol\u00edtica integrada entre diversas institui\u00e7\u00f5es governamentais. Al\u00e9m da Secretaria do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel e do Turismo participam as secretarias de Justi\u00e7a, Fam\u00edlia e Trabalho; da Agricultura e Abastecimento e do Desenvolvimento Urbano e Obras P\u00fablicas, o Paranacidade, o Instituto \u00c1gua e Terra (IAT), o IDR-Paran\u00e1 e o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (Ipardes), e universidades e comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>AEN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nem s\u00f3 do mar salgado vive o Litoral do Paran\u00e1. Um dos munic\u00edpios mais procurados como destino para o veraneio, Guaratuba \u00e9 tamb\u00e9m o maior produtor de banana do Estado. O mar verde desce pelos morros e se estende a perder de vista por 3,3 mil hectares plantados. 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