{"id":34637,"date":"2021-09-20T10:53:26","date_gmt":"2021-09-20T13:53:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=34637"},"modified":"2021-09-20T10:53:27","modified_gmt":"2021-09-20T13:53:27","slug":"cultivo-de-pupunha-em-guaraquecaba-alia-geracao-de-renda-a-preservacao-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/09\/20\/cultivo-de-pupunha-em-guaraquecaba-alia-geracao-de-renda-a-preservacao-ambiental\/","title":{"rendered":"Cultivo de pupunha em Guaraque\u00e7aba alia gera\u00e7\u00e3o de renda \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o ambiental"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c0 procura de novas oportunidades, o agricultor Antonio Rosa Sobrinho, o Toninho Rosa, deixou h\u00e1 cerca de 30 anos sua terra natal \u2013 a cidade de Mandagua\u00e7u, no Noroeste do Paran\u00e1 \u2013 para aportar em Guaraque\u00e7aba, no Litoral. Principal produtora de palmito do Estado, a regi\u00e3o tamb\u00e9m passava por mudan\u00e7as no mesmo per\u00edodo, com a transi\u00e7\u00e3o do extrativismo da palmeira ju\u00e7ara, esp\u00e9cie nativa amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o e cuja colheita foi proibida por lei, para uma nova alternativa que pudesse garantir a renda dos produtores, sem deixar a tradi\u00e7\u00e3o do palmito de lado.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 instalado em Guaraque\u00e7aba, Toninho participou ativamente desse processo. Para chegar a uma op\u00e7\u00e3o que fosse vi\u00e1vel para a regi\u00e3o, as terras do agricultor e de outros moradores do Litoral serviram como um laborat\u00f3rio para testar novas palm\u00e1ceas que se adaptassem ao Litoral sem comprometer a biodiversidade da Mata Atl\u00e2ntica paranaense.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho de pesquisa e extens\u00e3o rural foi liderado, na \u00e9poca, pela ent\u00e3o Emater \u2013 hoje o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paran\u00e1-Iapar-Emater (IDR-Paran\u00e1). \u201cA gente foi praticamente uma cobaia para testar o que dava certo. Plantou palmeira real, palmeira imperial, a\u00e7a\u00ed e a pupunha para acompanhar qual teria o melhor manejo\u201d, conta o agricultor.<\/p>\n\n\n\n<p>E foi justamente a pupunha, esp\u00e9cie de palmeira origin\u00e1ria da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, a melhor op\u00e7\u00e3o para aliar a gera\u00e7\u00e3o de renda \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o ambiental. Uma s\u00e9rie de fatores pesou em favor da planta, principalmente com rela\u00e7\u00e3o ao manejo. Diferentemente das outras esp\u00e9cies, a ju\u00e7ara inclusa, \u00e9 poss\u00edvel extrair o palmito sem matar o p\u00e9, j\u00e1 que ela refilha, saindo novos brotos que estar\u00e3o aptos para a produ\u00e7\u00e3o nos anos seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTemos pupunha produzindo h\u00e1 25 anos no Litoral, desde quando iniciamos a pesquisa\u201d, conta o engenheiro agr\u00f4nomo Sebasti\u00e3o Bellettini, do N\u00facleo Regional de Paranagu\u00e1 do IDR-Paran\u00e1, respons\u00e1vel pelo estudo que introduziu a cultura da pupunha na regi\u00e3o. \u201cA colheita pode ser feita em qualquer \u00e9poca do ano, apesar de no inverno o rendimento ser um pouco menor. A planta \u00e9 tamb\u00e9m muito precoce, o primeiro corte pode ser feito em 18 meses, enquanto que a ju\u00e7ara leva seis anos para produzir palmito, e uma \u00fanica vez\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista ambiental tamb\u00e9m h\u00e1 outras vantagens, ressalta o agr\u00f4nomo. \u201cN\u00e3o \u00e9 uma planta invasora, \u00e9 preciso alguns tratos culturais, porque sen\u00e3o com o tempo ela vai morrendo. Por isso, n\u00e3o se espalha deliberadamente, e n\u00e3o precisa concorrer com as esp\u00e9cies nativas. Sua fruta tamb\u00e9m serve de alimento aos passarinhos e outros animais, e a palmeira j\u00e1 passou a fazer parte da paisagem. Mas, principalmente, foi gra\u00e7as \u00e0 transi\u00e7\u00e3o para o cultivo da pupunha que os produtores deixaram de extrair o palmito de ju\u00e7ara, salvando a esp\u00e9cie da extin\u00e7\u00e3o\u201d, destaca Bellettini.<\/p>\n\n\n\n<p>O palmito de pupunha tem ainda outros benef\u00edcios no aspecto comercial. Diferentemente das outras esp\u00e9cies, ele n\u00e3o oxida rapidamente, podendo ser trabalhado de forma mais pr\u00e1tica na ind\u00fastria, ser vendido in natura ou em diferentes cortes, como o espaguete de pupunha, que t\u00eam ca\u00eddo no gosto dos consumidores. Para o produtor, o manejo tamb\u00e9m n\u00e3o exige muitos cuidados. Uma vez plantado, \u00e9 preciso manter a \u00e1rea com ro\u00e7adas, sem a necessidade de uso de intensivos agr\u00edcolas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AGRICULTORES FAMILIARES&nbsp;<\/strong>\u2013O Litoral responde por 80% da pupunha produzida no Paran\u00e1, sendo que outras regi\u00f5es mais quentes, como o Norte e o Noroeste, tamb\u00e9m t\u00eam alguma participa\u00e7\u00e3o na cultura. Em 2020, a \u00e1rea plantada na regi\u00e3o chegou a 3,2 mil hectares, com quase mil produtores cultivando a palm\u00e1cea.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa que o forte da cultura est\u00e1 concentrado entre os agricultores familiares, de pequenas propriedades, j\u00e1 que a m\u00e9dia da \u00e1rea cultivada \u00e9 de tr\u00eas hectares por fam\u00edlia. Foram produzidas na regi\u00e3o, no ano passado, 11,2 mil toneladas de pupunha, com um Valor Bruto de Produ\u00e7\u00e3o (VBP) de R$ 33,6 milh\u00f5es. H\u00e1 cerca de 10,1 milh\u00f5es de p\u00e9s de pupunha plantados na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Maior produtor do Estado, Guaraque\u00e7aba responde, na compara\u00e7\u00e3o com outros munic\u00edpios do Litoral, por mais de um ter\u00e7o dessa cultura. A \u00e1rea plantada foi de 1.157 hectares, com mais de 4 mil toneladas produzidas no ano passado e o VBP de R$ 12,15 milh\u00f5es. S\u00e3o quase 500 fam\u00edlias envolvidas no cultivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cLevando em conta que cada propriedade tem em m\u00e9dia tr\u00eas pessoas, 1.500 moradores de Guaraque\u00e7aba trabalham com a pupunha, 20% da popula\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio\u201d, calcula Bellettini.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a principal fonte de renda da fam\u00edlia de Toninho Rosa, que tamb\u00e9m mant\u00e9m uma planta\u00e7\u00e3o de banana em cons\u00f3rcio com a pupunha. \u201cEu tiro cerca de R$ 2 mil com o palmito e mais R$ 500 com a banana, uma renda garantida todo o m\u00eas. Tamb\u00e9m produzo outras coisas em menor escala, mais para o consumo, como a\u00e7afr\u00e3o, batata, mandioca, inhame e verduras\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.aen.pr.gov.br\/modules\/galeria\/uploads\/68945\/20210913_AGB_PR_Agro__Palmito21.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>H\u00e1 cerca de 10,1 milh\u00f5es de p\u00e9s de pupunha plantados na regi\u00e3o. Foto: Geraldo Bubniak\/AEN<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>NATUREZA&nbsp;<\/strong>\u2013\u00c9 imposs\u00edvel pensar na paisagem de Guaraque\u00e7aba sem uma imers\u00e3o completa na natureza. Dentro de uma das \u00e1reas mais preservadas da Mata Atl\u00e2ntica do Pa\u00eds, a fauna e a flora da regi\u00e3o s\u00e3o muito diversas, e a pupunha acabou se integrando a esse ambiente. As planta\u00e7\u00f5es foram feitas em \u00e1reas j\u00e1 abertas anteriormente, seja para pastagem ou cultivo de banana, sem precisar derrubar a mata.<\/p>\n\n\n\n<p>Na propriedade de Francelino Cogrossi, na regi\u00e3o de Potinga, toda a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 org\u00e2nica, certificada pelo Instituto de Tecnologia do Paran\u00e1 (Tecpar). Da propriedade de cerca de 10 hectares, 2 s\u00e3o reservados para a pupunha, e o restante se divide com o plantio de diferentes variedades de banana, car\u00e1, aipim, inhame e batata-doce \u2013 al\u00e9m da mata nativa, \u00e9 claro.<\/p>\n\n\n\n<p>Parte dessa produ\u00e7\u00e3o \u00e9 vendida em uma cantina que ele mant\u00e9m na beira da PR-405, o acesso terrestre para Guaraque\u00e7aba. O palmito, por\u00e9m, tem destino certo para uma das nove f\u00e1bricas instaladas no Litoral, que transformam o miolo da pupunha em conserva, para ser comercializado no Paran\u00e1 e em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1rea que Francelino vive e produz sempre pertenceu \u00e0 fam\u00edlia, que buscou prezar pela agricultura org\u00e2nica. \u201cAntes de a estrada ser aberta, nos anos 1960, a gente nem conhecia veneno ou adubo qu\u00edmico\u201d, lembra o agricultor, que diz que o manejo da pupunha tamb\u00e9m entrou nesse processo. \u201cDepois de plantar, a manuten\u00e7\u00e3o dela \u00e9 igual \u00e0 da banana. Eu n\u00e3o uso agrot\u00f3xico nenhum, tenho certificado org\u00e2nico, fa\u00e7o s\u00f3 a ro\u00e7ada, limpo as touceiras. Cada vez que ro\u00e7a, o mato que apodrece ali vira adubo para a terra\u201d, explica o agricultor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDesde o in\u00edcio, fomos orientados pela Emater para o sistema de cultivo, mantendo o espa\u00e7amento entre as \u00e1rvores. Se ficar muito junto, no refilho ela folheia muito e fica fininha, uma planta disputa com a outra. Se for muito espa\u00e7ado, o trabalho para a ro\u00e7ada \u00e9 maior\u201d, ressalta. \u201cTenho 2,5 mil p\u00e9s e n\u00e3o pretendo aumentar, j\u00e1 d\u00e3o um rendimento bom\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PESQUISA&nbsp;<\/strong>\u2013 Iniciado nos anos 1990, o estudo que introduziu o cultivo de pupunha no Litoral nunca parou. Junto com a Embrapa Florestas, o IDR-Paran\u00e1 avalia agora o melhoramento gen\u00e9tico da planta, com a sele\u00e7\u00e3o das sementes cultivadas na regi\u00e3o e as da que v\u00eam originalmente da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 cerca de 40 esp\u00e9cies de pupunha, uma diversidade bastante grande, com frutos, caules e folhas diferentes, apesar de o palmito ser o mesmo. H\u00e1 varia\u00e7\u00e3o na quantidade de \u00f3leo nos frutos, a presen\u00e7a de espinhos no caule e folhas e a diferen\u00e7a na precocidade, crescimento e perfilhamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cJ\u00e1 temos plantas selecionadas por serem mais precoces, que d\u00e3o um melhor perfilhamento, s\u00e3o mais f\u00e1ceis de colher e que produzem mais na ind\u00fastria\u201d, destaca Sebasti\u00e3o Bellettini, cujo mestrado e doutorado foram focados na pupunha. \u201cJ\u00e1 levamos essas sementes a campo, os produtores est\u00e3o fazendo as mudas e agora ser\u00e3o levadas ao local definitivo onde ser\u00e3o cultivadas, para podermos observar a diferen\u00e7a dessas plantas\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>S\u00c9RIE\u00a0<\/strong>\u2013 A pupunha de Guaraque\u00e7aba faz parte da s\u00e9rie de reportagens\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aen.pr.gov.br\/modules\/noticias\/editoria.php?topic_id=131\" target=\"_blank\">\u201cParan\u00e1 que alimenta o mundo\u201d<\/a>, produzida pela Ag\u00eancia de Not\u00edcias do Paran\u00e1 (AEN). O material mostra o potencial do agroneg\u00f3cio paranaense, com textos publicados sempre \u00e0s segundas-feiras. A previs\u00e3o \u00e9 que as reportagens se estendam durante todo o ano de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>AEN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 procura de novas oportunidades, o agricultor Antonio Rosa Sobrinho, o Toninho Rosa, deixou h\u00e1 cerca de 30 anos sua terra natal \u2013 a cidade de Mandagua\u00e7u, no Noroeste do Paran\u00e1 \u2013 para aportar em Guaraque\u00e7aba, no Litoral. 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