{"id":34416,"date":"2021-09-09T10:56:32","date_gmt":"2021-09-09T13:56:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=34416"},"modified":"2021-09-09T10:56:33","modified_gmt":"2021-09-09T13:56:33","slug":"brasileiros-ganham-oscar-do-design-com-poltrona-biodegradavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/09\/09\/brasileiros-ganham-oscar-do-design-com-poltrona-biodegradavel\/","title":{"rendered":"Brasileiros ganham Oscar do design com poltrona biodegrad\u00e1vel"},"content":{"rendered":"\n<p>Dois estudantes do Paran\u00e1 ganharam o\u00a0Oscar\u00a0do Design com uma poltrona de biofilme bacteriano, biodegrad\u00e1vel ao couro, que \u2018n\u00e3o fere\u2019 animais.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00f3vel que se chama \u2018N\u00e3o Fere\u201d \u00e9 resultado do trabalho de conclus\u00e3o de curso dos\u00a0estudantes\u00a0Gislaine Lao e Felipe de Carvalho Ishiy, rec\u00e9m formados em Design de Produtos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os jovens da Universidade Federal do Paran\u00e1, UFPR, foram premiados pelo IF Design Talent Award 2021, que \u00e9 considerado o\u00a0Oscar do design\u00a0mundial.about:blank<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ativismo ecol\u00f3gico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O reconhecimento m\u00e1ximo veio em junho: a poltrona foi uma dos 86 projetos, entre os 5,3 mil apresentados, consagrados pelo iF.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho foi o \u00fanico representante da Am\u00e9rica Latina na competi\u00e7\u00e3o alem\u00e3 e foi considerado inteligente e inovador pelo j\u00fari internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNosso prop\u00f3sito sempre foi fazer algo para os animais\u201d, conta Ishiy, que \u00e9 vegetariano, assim como a colega. \u201cMas os animais n\u00e3o precisam de mais produtos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o pensamos: como o design est\u00e1 interferindo na vida dos animais? E chegamos \u00e0 ind\u00fastria do couro e de peles\u201d, completa Lao.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA ideia foi evoluindo at\u00e9 percebermos que j\u00e1 existe carne sint\u00e9tica e vegetal, mas poucas op\u00e7\u00f5es que substituam o couro\u201d, conclui Ishiy.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele destaca que mesmo os couros sint\u00e9ticos ou a base de planta geralmente t\u00eam algum tipo de pol\u00edmero adicionado, que poluem o meio ambiente e, por consequ\u00eancia, n\u00e3o s\u00e3o sustent\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ideia&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os estudantes seguiram a \u00e1rea conhecida como biodesign ou design with the living \u2013 design com viventes, sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Elisa Strobel.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles iniciaram testes com a kombucha. Substitu\u00edram o ch\u00e1 por borra de caf\u00e9, para reaproveitar sobras de cafeterias que seriam descartadas, e aproveitaram tamb\u00e9m o res\u00edduo de a\u00e7\u00facar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA\u00ed, colocamos na \u00e1gua, fervemos, coamos e transferimos para um recipiente.<\/p>\n\n\n\n<p>O biofilme se desenvolve no formato do recipiente, na superf\u00edcie do l\u00edquido, e tem a espessura de 1,5 cent\u00edmetro\u201d, descreve Lao.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, eles recolhem o biofilme, lavam com detergentes para matar as bact\u00e9rias e estendem em cima de um couro sint\u00e9tico para imprimir a textura.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Processo e pre\u00e7o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No total, o processo leva 3 semanas, duas para desenvolver o biofilme e uma para secar e tratar o produto. Outro diferencial \u00e9 o cheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuem trabalha com esse material relata que ele tem um cheiro avinagrado, mas o nosso tem um cheiro mais adocicado\u201d, observa Ishiy.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele estima que o produto custe cerca de R$ 150 o metro, com uma tiragem m\u00e1xima de 1,40m por 1,60m.<\/p>\n\n\n\n<p>Para fazer a poltrona, foram usados quase 3 metros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO mais custoso \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o e a obten\u00e7\u00e3o dos insumos, pois precisamos de algu\u00e9m para buscar, fazer a limpeza e a higieniza\u00e7\u00e3o, tudo no mesmo dia. \u00c9 um valor alto, mas como \u00e9 um material novo, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o caro\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cE gasta bem menos \u00e1gua. Usamos cerca de 10 litros de \u00e1gua por metro, enquanto o couro bovino requer de 8 a 10 mil litros.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fase de testes e propostas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora tenham recebido ofertas e propostas de empresas interessadas em desenvolver o material em larga escala, os designers explicam que o biofilme segue em fase de testes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 um material novo, ainda estamos aprendendo a trabalhar com ele\u201d, justifica Ishiy. Al\u00e9m da poltrona, eles tamb\u00e9m fizeram uma bolsa e uma carteira.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira ainda existe e, ap\u00f3s quase dois anos, permanece com a mesma textura e o mesmo odor.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a carteira n\u00e3o sobreviveu. J\u00e1 a poltrona teve o conceito de biodegradabilidade posto \u00e0 prova: a dupla aplicou fungos para verificar em quanto tempo ela se desintegraria.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um m\u00eas, a \u201cN\u00e3o Fere\u201d teve sua breve \u2014 mas inesquec\u00edvel \u2014 hist\u00f3ria encerrada.<\/p>\n\n\n\n<p>Com informa\u00e7\u00f5es da Galileu<\/p>\n\n\n\n<p>Governo do Estado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dois estudantes do Paran\u00e1 ganharam o\u00a0Oscar\u00a0do Design com uma poltrona de biofilme bacteriano, biodegrad\u00e1vel ao couro, que \u2018n\u00e3o fere\u2019 animais. O m\u00f3vel que se chama \u2018N\u00e3o Fere\u201d \u00e9 resultado do trabalho de conclus\u00e3o de curso dos\u00a0estudantes\u00a0Gislaine Lao e Felipe de Carvalho Ishiy, rec\u00e9m formados em Design de Produtos. 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