{"id":34104,"date":"2021-08-14T10:12:00","date_gmt":"2021-08-14T13:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=34104"},"modified":"2021-08-30T10:15:11","modified_gmt":"2021-08-30T13:15:11","slug":"islamofobia-o-que-oprime-muculmanas-no-brasil-nao-e-o-lenco-diz-pesquisadora-da-usp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/08\/14\/islamofobia-o-que-oprime-muculmanas-no-brasil-nao-e-o-lenco-diz-pesquisadora-da-usp\/","title":{"rendered":"Islamofobia: o que oprime mu\u00e7ulmanas no Brasil n\u00e3o \u00e9 o len\u00e7o, diz pesquisadora da USP"},"content":{"rendered":"\n<p>Isso porque os epis\u00f3dios de islamofobia \u2014 preconceito e ataques contra mu\u00e7ulmanos \u2014 aumentaram ap\u00f3s as not\u00edcias sobre as a\u00e7\u00f5es do Taleb\u00e3. O crescimento foi registrado pela pesquisadora Francirosy Campos, que estuda o assunto h\u00e1 mais de 20 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tudo o que algu\u00e9m faz de errado em nome da religi\u00e3o se volta contra a comunidade mu\u00e7ulmana, especialmente contra as mulheres&#8221;, diz Campos, que \u00e9 professora da Universidade de S\u00e3o Paulo, antrop\u00f3loga com p\u00f3s-doutorado na Universidade de Oxford, feminista e mu\u00e7ulmana.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisara explica que movimentos pol\u00edticos com teor religioso, como o Taleb\u00e3, n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa que a religi\u00e3o do Isl\u00e3. E que h\u00e1 muita diversidade e muitas diferen\u00e7as no mundo mu\u00e7ulmano.<\/p>\n\n\n\n<p>A opress\u00e3o das mulheres em alguns lugares, diz, n\u00e3o \u00e9 resultado da religi\u00e3o, mas do &#8220;contexto cultural e pol\u00edtico de cada lugar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O patriarcado, o machismo est\u00e3o em todas as sociedades. Os homens s\u00e3o machistas dentro do Isl\u00e3, fora do Isl\u00e3, com religi\u00e3o, sem religi\u00e3o. Mas isso n\u00e3o impede que as mulheres construam suas ag\u00eancias, suas formas de luta e suas formas de resist\u00eancia&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Leia a seguir trechos da entrevista de Campos \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; Que sentimento vem, para uma pessoa mu\u00e7ulmana, ao ver um grupo fundamentalista como o Taleb\u00e3 oprimir pessoas em nome da religi\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Francirosy Campos &#8211;<\/strong>&nbsp;Primeiro \u00e9 um sentimento de impot\u00eancia, de tristeza. A gente tem uma religi\u00e3o que nos ensinou a beleza da compreens\u00e3o, do di\u00e1logo, dos valores humanos. Porque se a gente for olhar para os objetivos da Sharia [lei isl\u00e2mica], eles s\u00e3o a preserva\u00e7\u00e3o da vida, da consci\u00eancia, da propriedade, da religi\u00e3o. E, quando voc\u00ea v\u00ea situa\u00e7\u00f5es como essa, essas pessoas n\u00e3o est\u00e3o nem chegando a 0,01% do objetivo da Sharia. N\u00e3o adianta rezar dez vezes ao dia, mais do que est\u00e1 prescrito, sendo que voc\u00ea maltrata sua m\u00e3e, maltrata um animal, n\u00e3o \u00e9 um pessoas honesta&#8230; Sua ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o vale nada. Isso \u00e9 ser extremista. E, al\u00e9m de tudo, tudo o que algu\u00e9m faz de errado (em nome da religi\u00e3o) volta para n\u00f3s, para a comunidade mu\u00e7ulmana.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; O fato do Taleb\u00e3 ter tomando controle do Afeganist\u00e3o pode criar ou aumentar preconceitos contra mu\u00e7ulmanos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Campos<\/strong>&nbsp;&#8211; J\u00e1 est\u00e1 acontecendo, aumentou muito. Minha \u00e1rea de pesquisa \u00e9 justamente sobre islamofobia, e eu n\u00e3o estou dando conta de ver tudo. Porque as pessoas n\u00e3o sabem o que \u00e9 o Isl\u00e3, elas n\u00e3o sabem que (a situa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds) \u00e9 um conflito pol\u00edtico, n\u00e3o sabem muitas vezes nem onde fica o Afeganist\u00e3o. Isso reverbera nos grupos mais fr\u00e1geis, que s\u00e3o as mulheres que usam len\u00e7os, que muitas vezes sofrem ataques verbais e at\u00e9 f\u00edsicos muito violentos. A gente precisa explicar o que isso representa para as mulheres afeg\u00e3s, que t\u00eam suas lutas e movimentos que n\u00e3o necessariamente s\u00e3o os mesmos daqui, e descolonizar um pouco o olhar sobre esse povo e sobre as pr\u00f3prias mulheres mu\u00e7ulmanas que est\u00e3o no Brasil. Porque h\u00e1 uma diversidade entre os mu\u00e7ulmanos &#8211; eles n\u00e3o s\u00e3o iguais, v\u00eam de culturas diferentes, t\u00eam valores diferentes. Eu fiquei vendo v\u00e1rias postagens de mulheres falando sobre o len\u00e7o, dizendo para mu\u00e7ulmanas tirarem o len\u00e7o&#8230; N\u00e3o \u00e9 o len\u00e7o que \u00e9 o problema.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; O uso do len\u00e7o pelas mulheres \u00e9 um dos aspectos mais reconhec\u00edveis do Isl\u00e3 para muitas pessoas. Essa pe\u00e7a \u00e9 sin\u00f4nimo de opress\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Campos<\/strong>&nbsp;&#8211; O uso do hijab \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o alcor\u00e2nica, mas existe o livre arb\u00edtrio. Tenho v\u00e1rias amigas mu\u00e7ulmanas que n\u00e3o usam \u2014 e elas n\u00e3o s\u00e3o mais ou menos mu\u00e7ulmanas, s\u00f3 n\u00e3o est\u00e3o seguindo um preceito religioso. Existem sociedades e fam\u00edlias que permitem que suas filhas escolham, e tem sociedades teocr\u00e1ticas, como a Ar\u00e1bia Saudita, o Ir\u00e3, que obrigam. Se existem sociedades em que as mulheres vivem sem roupas, usam pinturas corporais, porque as mulheres mu\u00e7ulmanas n\u00e3o podem vestir as vestimentas tradicionais? Porque, se algumas questionam, outras n\u00e3o questionam ou escolhem usar. Faz parte da cultura e da individualidade delas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; O que o uso do len\u00e7o representa para uma mulher mu\u00e7ulmana que escolhe fazer uso dele?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Campos &#8211;&nbsp;<\/strong>Tem v\u00e1rios significados que eu colhi nas minhas pesquisas. Para algumas mulheres, \u00e9 um empoderamento, para outras \u00e9 religiosidade, para outras \u00e9 um ato pol\u00edtico. Se voc\u00ea pensar nas opress\u00f5es contra mulheres mu\u00e7ulmanas que tiveram mais destaque na Fran\u00e7a, come\u00e7ando em 1989, a partir da\u00ed houve uma revolta t\u00e3o grande das mulheres de origem isl\u00e2mica que muitas que n\u00e3o usavam o len\u00e7o passaram a usar, como um ato pol\u00edtico. Eu, por exemplo, sou mu\u00e7ulmana h\u00e1 muitos anos e sou docente da USP h\u00e1 mais de dez anos. E eu sempre tive o desejo de usar, mas eu n\u00e3o tinha coragem. Por medo da islamofobia, ou por medo de intimidar os meus alunos, passavam mil coisas pela minha cabe\u00e7a. Mas quando eu comecei a ver a quantidade de meninas que n\u00e3o tinham a mesma estabilidade que eu, que est\u00e3o lutando para usar o len\u00e7o e recebem todo tipo de ofensa, eu resolvi usar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; O que \u00e9 essencial esclarecer sobre o Isl\u00e3 para quem n\u00e3o conhece a religi\u00e3o e s\u00f3 leu ou ouviu sobre ela em not\u00edcias sobre grupos fundamentalistas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Campos &#8211;<\/strong>&nbsp;A primeira coisa \u00e9 tirar essa imagem de que a Sharia \u00e9 o mal. O que \u00e9 a Sharia? Sharia significa &#8220;caminho&#8221;, s\u00e3o as orienta\u00e7\u00f5es do Cor\u00e3o, os ensinamentos e as atitudes do Profeta Muhammad. Quem \u00e9 mu\u00e7ulmano pratica a Sharia: os mu\u00e7ulmanos rezam, os mu\u00e7ulmanos fazem jejum, isso faz parte da Sharia. O tipo de casamento isl\u00e2mico, o tipo de divis\u00e3o de heran\u00e7a etc. O que acontece \u00e9 que esses escritos, esse c\u00f3digo de conduta, passa por uma interpreta\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o quanto mais s\u00e1bio, mais erudito, quanto mais compreens\u00e3o da l\u00edngua \u00e1rabe (l\u00edngua do Cor\u00e3o), melhor a interpreta\u00e7\u00e3o. Existem diversas escolas e formas de interpreta\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00f5es literalistas, \u00e0s vezes aliadas ao analfabetismo, com pessoas que t\u00eam pouco conhecimento da l\u00edngua, podem acabar caindo para o extremismo, como aconteceu com o Taleb\u00e3 de 20 anos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o aos direitos das mulheres. As mulheres t\u00eam direitos no mundo mu\u00e7ulmano desde o s\u00e9culo 7, desde o advento do Isl\u00e3. Isso n\u00e3o quer dizer que em todas as sociedades esses direitos sejam garantidos. \u00c9 como n\u00f3s no Brasil \u2014 temos direitos, mas nem sempre eles s\u00e3o garantidos. As mulheres t\u00eam direito de voto, de escolher o marido, de usar anticoncepcional, direito ao prazer, \u00e0 heran\u00e7a, ao div\u00f3rcio, ao conhecimento. \u00c9 um grande absurdo o Taleb\u00e3 proibir o estudo das mulheres. N\u00e3o tem nada no Isl\u00e3 que diga que as mulheres n\u00e3o devam estudar, ao contr\u00e1rio: a primeira palavra revelada do Cor\u00e3o \u00e9 &#8220;leia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe uma diferen\u00e7a entre o Isl\u00e3 religi\u00e3o (que eu escrevo com m, islam) e o isl\u00e3 pol\u00edtico, que na academia a gente tecnicamente chama de islamismo. O Taleb\u00e3 est\u00e1 dentro desse isl\u00e3 pol\u00edtico, que se apropria da religi\u00e3o para uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Nessa categoria voc\u00ea pode colocar o Taleb\u00e3, a Irmandade Mu\u00e7ulmana, e outros movimentos pol\u00edticos que nascem dentro de uma perspectiva religiosa. E h\u00e1 muitas divis\u00f5es mesmo nesses movimentos pol\u00edticos, com formas diferentes de interpretar a religi\u00e3o: m\u00edstica, tradicionalista, reformista, literalista etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso tem a ver com o contexto cultural e pol\u00edtico de cada lugar, n\u00e3o com a religi\u00e3o. O patriarcado e o machismo est\u00e3o em todas as sociedades. Os homens s\u00e3o machistas dentro do Isl\u00e3, fora do Isl\u00e3, com religi\u00e3o, sem religi\u00e3o. Mas isso n\u00e3o impede que as mulheres construam suas ag\u00eancias, suas formas de luta e suas formas de resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; \u00c9 poss\u00edvel ser feminista e mu\u00e7ulmana?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Campos &#8211;&nbsp;<\/strong>Sim, claro! Desde o s\u00e9culo 18, as mulheres mu\u00e7ulmanas j\u00e1 tinham movimentos estruturados. N\u00e3o necessariamente elas chamavam de movimentos feministas, mas h\u00e1 movimentos estruturados de mulheres. O Afeganist\u00e3o \u00e9 um exemplo: as meninas, quando o Taleb\u00e3 estava no poder pela primeira vez, elas pegavam as c\u00e2meras e colocam embaixo da burca e filmavam todas as atrocidades as viol\u00eancia que elas viam.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; Malala Yousafzai, do Paquist\u00e3o, ficou mundialmente conhecida por querer estudar e ser atacada pelo Taleb\u00e3.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Campos&nbsp;<\/strong>&#8211; Olha, eu n\u00e3o acho que a Malala \u00e9 um grande exemplo de resist\u00eancia. Onde ela sofreu o atentado, 80 crian\u00e7as foram assassinadas pelos Estados Unidos, e ela nunca falou sobre essas crian\u00e7as. \u00c9 uma viol\u00eancia, um absurdo o que aconteceu com ela, mas eu n\u00e3o a considero um s\u00edmbolo. Ela silencia sobre a morte dessas crian\u00e7as e sobre a morte das mulheres do Afeganist\u00e3o pela Inglaterra. Ela foi muito usada pelos Estados Unidos para falar o que eles queriam que uma mulher mu\u00e7ulmana falasse. Ent\u00e3o, eu acho que o s\u00edmbolo de resist\u00eancia s\u00e3o as mulheres do Afeganist\u00e3o que resistem ao Taleb\u00e3 todos os dias. Considero mais s\u00edmbolo a Benazir Bhutto (ex-primeira ministra do Paquist\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; Qual o impacto da islamofobia para as mulheres mu\u00e7ulmanas no Brasil?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Campos &#8211;&nbsp;<\/strong>O impacto da islamofobia \u00e9 muito grande. A islamofobia no Brasil \u00e9 de classe. O que minha pesquisa aponta \u00e9 que a islamofobia afeta muito mais as mulheres revertidas (convertidas) ao Isl\u00e3, de classe m\u00e9dia baixa, jovens e acima de 40 anos. As mulheres que andam de metr\u00f4, de \u00f4nibus, que andam a p\u00e9, que t\u00eam subempregos, s\u00e3o essas que s\u00e3o as mais afetadas. Se voc\u00ea anda de carro, voc\u00ea est\u00e1 mais protegida. Mas vai pegar um metr\u00f4 \u00e0s seis da tarde de len\u00e7o. \u00c9 uma vulnerabilidade. As mulheres nascidas no Isl\u00e3 tamb\u00e9m sofrem intoler\u00e2ncia, mas elas t\u00eam mais apoio. A mulher que se converte, ela vai sozinha, ela n\u00e3o faz parte de uma comunidade, n\u00e3o tem uma fam\u00edlia mu\u00e7ulmana para dar apoio.<\/p>\n\n\n\n<p>A gente achava que as redes sociais teriam a maior parte das agress\u00f5es, mas muitas das agress\u00f5es s\u00e3o nas ruas. Desde puxar o len\u00e7o, fazer coment\u00e1rios pejorativos at\u00e9 pedradas. Tem mulheres que j\u00e1 sofreram pedradas, foram perseguidas, empurradas.<\/p>\n\n\n\n<p><em>[Nota da reda\u00e7\u00e3o: No Brasil, entre 800 mil e 1,2 milh\u00e3o de pessoas s\u00e3o mu\u00e7ulmanas, segundo estimativas da Fambras, a Federa\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es Mu\u00e7ulmanas do Brasil. Destas, cerca de 100 mil s\u00e3o convertidas, ou seja, n\u00e3o nasceram em fam\u00edlias isl\u00e2micas.]<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; A preocupa\u00e7\u00e3o de feministas ocidentais com as mulheres no Afeganist\u00e3o \u00e9 leg\u00edtima?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Campos &#8211;\u00a0<\/strong>A preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 leg\u00edtima. O que n\u00e3o \u00e9 leg\u00edtimo \u00e9 que as mulheres falem pelas outras mulheres. Por exemplo: eu sou uma mulher que sempre vai estar do lado das mulheres, quer sejam mu\u00e7ulmanas ou n\u00e3o, sejam elas negras, brancas, n\u00e3o importa. Mas eu n\u00e3o posso falar por elas. Eu sou uma mu\u00e7ulmana que usa len\u00e7o, mas n\u00e3o posso falar por todas as mu\u00e7ulmanas que usam len\u00e7o, eu n\u00e3o sou eleita para isso, n\u00e3o sou uma representante. Eu represento o meu lugar, como acad\u00eamica, que fala aquilo que pesquisa h\u00e1 mais de 20 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Isso porque os epis\u00f3dios de islamofobia \u2014 preconceito e ataques contra mu\u00e7ulmanos \u2014 aumentaram ap\u00f3s as not\u00edcias sobre as a\u00e7\u00f5es do Taleb\u00e3. 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