{"id":3361,"date":"2019-03-29T17:05:38","date_gmt":"2019-03-29T20:05:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=3361"},"modified":"2019-03-29T17:05:38","modified_gmt":"2019-03-29T20:05:38","slug":"poeta-itinerante-celebra-versos-e-historias-de-curitiba-que-faz-326-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/03\/29\/poeta-itinerante-celebra-versos-e-historias-de-curitiba-que-faz-326-anos\/","title":{"rendered":"Poeta itinerante celebra versos e hist\u00f3rias de Curitiba, que faz 326 anos"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Ap\u00f3s 50 anos, o poeta David Costha volta \u00e0 capital do Paran\u00e1. Em situa\u00e7\u00e3o de rua e tentando vender versos, refaz os la\u00e7os com a cidade que o inspirou arte quando crian\u00e7a.<\/h4>\n\n\n\n<p>&#8220;Ei, jovem, voc\u00ea tem um minutinho?\u201d \u00c9 assim que David Costha, 60, costuma abordar quem cruza seu caminho pelas ruas de Curitiba e de tantas outras cidades que passou, e continua passando. O poeta itinerante quer um tempo para falar sobre a palavra. Une as frases para falar sobre as suas letras. Quer discutir o pr\u00f3prio trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas ruas da capital paranaense desde o \u00faltimo dia 10, David guarda na bolsa alguns exemplares dos minilivros que escreveu, e um passado experiente. Ele \u00e9 um poeta das ruas, atualmente sem teto. Em tour pelo Sul do Pa\u00eds, tenta garantir o p\u00e3o de amanh\u00e3 vendendo versos a R$ 3.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de desembarcar em Curitiba, David passou por cidades do interior de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Paulistano, ainda tem S\u00e3o Paulo como cidade m\u00e3e. E confessa ter visto em Curitiba muito da maior cidade da Am\u00e9rica Latina, principalmente no Largo da Ordem.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um dia atipicamente ensolarado na Rua XV de Novembro, David quebra o mito do curitibano fechado: \u201c\u00c9 uma cultura pujante, um pessoal que gosta de se comunicar em diversas tem\u00e1ticas. S\u00f3 posso dizer o melhor dessa cidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela primeira vez, David vai poder comemorar o anivers\u00e1rio de Curitiba na cidade. Nesta sexta-feira (29), a cidade completa 326 anos. Mas foi h\u00e1 quase 50 anos que a aniversariante o presenteou.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi em Curitiba que, por volta dos sete anos de idade, David descobriu que queria ser artista. Ele veio visitar a cidade com a fam\u00edlia. Quando estava para retornar para S\u00e3o Paulo, sentiu vontade de ir ao banheiro. \u201cMinha m\u00e3e falou assim, entra aqui e faz nesse matinho mesmo. E corre que l\u00e1 vem o \u00f4nibus\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi no \u201cmatinho\u201d que ele encontrou um peda\u00e7o de um bra\u00e7o de viol\u00e3o. \u201cAquilo foi como se fosse um presente para mim\u201d, lembra. A madeira descartada tocou o cora\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a, que foi embora imaginando ser artista.<\/p>\n\n\n\n<p>Na adolesc\u00eancia, o garoto David gostava de ler a extinta revista Recreio. At\u00e9 que um dia descobriu o cl\u00e1ssico Meu P\u00e9 de Laranja Lima, romance de Jos\u00e9 Mauro de Vasconcelos. Mais velho, quando come\u00e7ou a receber da vida as primeiras desilus\u00f5es, encontrou ref\u00fagio nas palavras. \u201cEu fui desabafar naquilo que estava mais pr\u00f3ximo, que era um l\u00e1pis e um papel\u201d. Desde ent\u00e3o n\u00e3o parou mais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Dificuldades<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Aos 60 anos, David tem muito o que contar. J\u00e1 gravou m\u00fasicas e publicou um livro de poesias chamado Esteio, o qual, segundo ele, chegou a receber uma cr\u00edtica positiva da coluna Bilhete, de Deocleciano Torrieri Guimar\u00e3es, no jornal Folha de S. Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ainda n\u00e3o sair do arm\u00e1rio e se assumir como poeta, David continua a escrever novos versos. Mesmo assim, a vida ainda n\u00e3o lhe trouxe o estrelato de um best seller. Altos e baixos na carreira e crises com a fam\u00edlia o colocaram em situa\u00e7\u00e3o de rua.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia, quando estava em casa sem nada para comer, no meio do desespero, teve um insight. E escreveu o seguinte verso:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Venha-nos amor. Em meio \u00e0s caminhadas. Entre vidas que nos seguem. Se \u00e0 si em n\u00f3s percebem-se, ou n\u00e3o. Por amar, amor. Venha-nos!<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Na sequ\u00eancia, pegou 20 centavos que tinha no bolso e fez uma c\u00f3pia. Foi para rua tentar vender. \u201cPor que a Poesia? Quando a gente sofre algum trauma na vida, a tend\u00eancia \u00e9 que a gente volte para o ninho\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>E foi voltando para o aconchego do lar das palavras que tentou e continua a tentar refazer a pr\u00f3pria casa. Alguns compraram seu sonho e desde ent\u00e3o vive de quem tem um tempo para ler e ouvi-lo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/UV5hWFkafh4YQz6PlRS0b09jpRQ=\/0x0:540x685\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2019\/7\/K\/dLO7lgQGmJguVLQmokjA\/file1.jpeg\" alt=\"Contribui\u00e7\u00e3o por versos ajuda poeta a comer, dormir e viajar \u2014 Foto: David Costha\/Arquivo Pessoal\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Contribui\u00e7\u00e3o por versos ajuda poeta a comer, dormir e viajar \u2014 Foto: David Costha\/Arquivo Pessoal<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Vis\u00f5es do poeta em Curitiba<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Assim que chegou na cidade, David foi atr\u00e1s de hist\u00f3rias. Quis explorar Curitiba e conhecer o que alguns espa\u00e7os reservavam. Na Biblioteca P\u00fablica do Paran\u00e1, ficou surpreso com o acervo, de 162 anos rec\u00e9m-completos.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi buscar saber o que era a tal da Boca Maldita, que tanto j\u00e1 tinha escutado falar em S\u00e3o Paulo. Descobriu que foi palco para milhares de pessoas que foram \u00e0s ruas em 1984 para pedir por Diretas J\u00e1. Um marco da democracia no cora\u00e7\u00e3o da capital do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>David conta que certa vez j\u00e1 recitou um livro de Paulo Leminski. Foi na cidade que descobriu que o escritor era curitibano. Ainda deseja visitar a pedreira que leva o nome de Leminski, mas por hora, segue a vida pelo Centro.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os espa\u00e7os que mais chamaram aten\u00e7\u00e3o do senhor, ainda na regi\u00e3o da Boca Maldita, est\u00e1 o Bondinho da XV. O local foi reaberto no fim do ano passado, mas o bondinho est\u00e1 na XV de Novembro desde 1973.<\/p>\n\n\n\n<p>Utilizado como espa\u00e7o de leitura, tendo mais de 2 mil livros no acervo, o bondinho marcou a mem\u00f3ria e fotos tiradas por David. \u201c\u00c9 uma interven\u00e7\u00e3o singela e provocativa no cora\u00e7\u00e3o curitibano\u201d, opina.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi conversando com um jovem que encontrou enquanto falava sobre o pr\u00f3prio trabalho que descobriu que Curitiba estava de anivers\u00e1rio no dia 29. Estendeu os parab\u00e9ns destinados aos cidad\u00e3os para senhora cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 com passagem marcada para S\u00e3o Paulo, o poeta criou amor por Curitiba. \u201cAssim como todo apaixonado, n\u00e3o vejo defeitos\u201d, diz rindo. Pensa em voltar e se instalar de vez na cidade por ter sido bem recebido e pelo n\u00edvel cultural que encontrou na capital paranaense.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 uma cidade onde o povo vive e deixa viver. Eu posso falar isso porque tenho conhecido v\u00e1rias cidades. Eu encontrei uma Curitiba alegre, jovem, com um povo educado e inteligente. Curitiba consegue fazer isso a com as pessoas. Marcar\u201d, pontua David.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/xER4hZZO6sUaZg8MvbKLnOdj4KY=\/0x0:3024x2268\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2019\/b\/D\/ULvGS3RTSPZ5VndBXVwg\/file-1.jpeg\" alt=\"Minilivros s\u00e3o oferecidos a R$ 3 com versos curtos nas ruas que o poeta passa \u2014 Foto: Natalia Filippin\/G1\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Minilivros s\u00e3o oferecidos a R$ 3 com versos curtos nas ruas que o poeta passa \u2014 Foto: Natalia Filippin<\/p>\n\n\n\n<p>G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s 50 anos, o poeta David Costha volta \u00e0 capital do Paran\u00e1. 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