{"id":33549,"date":"2021-08-09T18:19:16","date_gmt":"2021-08-09T21:19:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=33549"},"modified":"2021-08-09T18:19:17","modified_gmt":"2021-08-09T21:19:17","slug":"mudancas-climaticas-os-efeitos-alarmantes-sobre-o-mundo-hoje-segundo-novo-relatorio-da-onu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/08\/09\/mudancas-climaticas-os-efeitos-alarmantes-sobre-o-mundo-hoje-segundo-novo-relatorio-da-onu\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas: os efeitos alarmantes sobre o mundo hoje, segundo novo relat\u00f3rio da ONU"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O impacto adverso da humanidade sobre o clima \u00e9 a &#8220;constata\u00e7\u00e3o de um fato&#8221;, declaram cientistas da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em um estudo hist\u00f3rico.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio diz que as emiss\u00f5es cont\u00ednuas de gases do efeito estufa podem romper um importante limite de temperatura em pouco mais de uma d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores tamb\u00e9m mostram que um aumento do n\u00edvel do mar de cerca de dois metros at\u00e9 o final deste s\u00e9culo &#8220;n\u00e3o pode ser descartado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 uma nova esperan\u00e7a de que redu\u00e7\u00f5es profundas nas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa possam estabilizar o aumento das temperaturas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa avalia\u00e7\u00e3o do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) est\u00e1 em um documento de 42 p\u00e1ginas conhecido como Sum\u00e1rio para os Formuladores de Pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o primeiro de uma s\u00e9rie de relat\u00f3rios que ser\u00e3o publicados nos pr\u00f3ximos meses. Tamb\u00e9m \u00e9 a primeira grande revis\u00e3o da ci\u00eancia das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas desde 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu lan\u00e7amento ocorre menos de tr\u00eas meses antes de uma importante c\u00fapula do clima em Glasgow, na Esc\u00f3cia: a COP-26.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O Relat\u00f3rio do Grupo de Trabalho 1 do IPCC de hoje \u00e9 um &#8216;alerta vermelho&#8217; para a humanidade&#8221;, disse o secret\u00e1rio-geral da ONU, Ant\u00f3nio Guterres.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se unirmos for\u00e7as agora, podemos evitar a cat\u00e1strofe clim\u00e1tica. Mas, como o relat\u00f3rio de hoje deixa claro, n\u00e3o h\u00e1 tempo para delongas e nem espa\u00e7o para desculpas. Conto com os l\u00edderes do governo e todas as partes interessadas para garantir que a COP-26 seja um sucesso.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Em um tom forte e seguro, o documento do IPCC afirma &#8220;\u00e9 inequ\u00edvoco que a influ\u00eancia humana aqueceu a atmosfera, os oceanos e o solo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com um dos autores do relat\u00f3rio, o professor Ed Hawkins, da University of Reading, no Reino Unido, os cientistas n\u00e3o podiam ser mais claros neste ponto.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 uma constata\u00e7\u00e3o de um fato, n\u00e3o tem como ter mais certeza. \u00c9 inequ\u00edvoco e indiscut\u00edvel que os humanos est\u00e3o esquentando o planeta.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Usando termos esportivos, pode-se dizer que a atmosfera foi exposta ao doping, o que significa que come\u00e7amos a observar extremos com mais frequ\u00eancia do que antes&#8221;, disse Petteri Taalas, secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores dizem que desde 1970, as temperaturas da superf\u00edcie global aumentaram mais r\u00e1pido do que em qualquer outro per\u00edodo de 50 anos nos \u00faltimos 2 mil anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse aquecimento &#8220;j\u00e1 est\u00e1 causando muitos extremos clim\u00e1ticos em todas as regi\u00f5es do globo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Quer sejam ondas de calor como as vistas recentemente na Gr\u00e9cia e no oeste da Am\u00e9rica do Norte, ou inunda\u00e7\u00f5es como as da Alemanha e da China, &#8220;sua atribui\u00e7\u00e3o \u00e0 influ\u00eancia humana se fortaleceu&#8221; na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/1226D\/production\/_105894347_grey_line-nc.png\" alt=\"2px presentational grey line\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Fatoschave-do-relat\u00f3rio-do-IPCC\">Fatos-chave do relat\u00f3rio do IPCC<\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>A temperatura da superf\u00edcie global foi 1,09\u00baC mais alta na d\u00e9cada entre 2011-2020 do que entre 1850-1900<\/li><li>Os \u00faltimos cinco anos foram os mais quentes j\u00e1 registrados desde 1850<\/li><li>A recente taxa de aumento do n\u00edvel do mar quase triplicou em compara\u00e7\u00e3o com o per\u00edodo entre 1901-1971<\/li><li>A influ\u00eancia humana \u00e9 &#8220;muito provavelmente&#8221; (90%) o principal impulsionador do derretimento global das geleiras desde a d\u00e9cada de 1990 e da diminui\u00e7\u00e3o do gelo marinho do \u00c1rtico<\/li><li>\u00c9 &#8220;praticamente certo&#8221; que extremos de calor, incluindo ondas de calor, tornaram-se mais frequentes e mais intensos desde a d\u00e9cada de 1950, enquanto os eventos frios se tornaram menos frequentes e menos graves<\/li><\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/1226D\/production\/_105894347_grey_line-nc.png\" alt=\"2px presentational grey line\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>O novo relat\u00f3rio tamb\u00e9m deixa claro que o aquecimento que experimentamos at\u00e9 agora provocou mudan\u00e7as irrevers\u00edveis em escalas de tempo de s\u00e9culos a mil\u00eanios em muitos de nossos sistemas de suporte planet\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Os oceanos continuar\u00e3o a aquecer e se tornar mais \u00e1cidos. As geleiras montanhosas e polares continuar\u00e3o derretendo por d\u00e9cadas ou s\u00e9culos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As consequ\u00eancias continuar\u00e3o a piorar a cada pequeno aquecimento&#8221;, diz Hawkins.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;E para muitas dessas consequ\u00eancias, n\u00e3o h\u00e1 como voltar atr\u00e1s.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se trata do aumento do n\u00edvel do mar, os cientistas modelaram uma faixa prov\u00e1vel para diferentes n\u00edveis de emiss\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas um aumento de cerca de dois metros at\u00e9 o final deste s\u00e9culo n\u00e3o pode ser descartado. Nem mesmo um aumento de cinco metros at\u00e9 2150.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses resultados, embora improv\u00e1veis, amea\u00e7ariam com inunda\u00e7\u00f5es muitos milh\u00f5es a mais de pessoas nas \u00e1reas costeiras at\u00e9 2100.<\/p>\n\n\n\n<p>Um aspecto fundamental do relat\u00f3rio \u00e9 a taxa esperada de aumento da temperatura e o que isso significa para a seguran\u00e7a da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Quase todas as na\u00e7\u00f5es da Terra assinaram os objetivos do Acordo clim\u00e1tico de Paris em 2015, inclusive o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Este pacto visa a manter o aumento das temperaturas globais bem abaixo de 2\u00b0C neste s\u00e9culo e buscar esfor\u00e7os para mant\u00ea-lo abaixo de 1,5 \u00b0C.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo relat\u00f3rio diz que em todos os cen\u00e1rios de emiss\u00f5es considerados pelos cientistas, ambas as metas ser\u00e3o descumpridas neste s\u00e9culo a menos que grandes redu\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es de carbono ocorram.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores acreditam que um aumento de 1,5\u00baC ser\u00e1 alcan\u00e7ado at\u00e9 2040 em todos os cen\u00e1rios. Se as emiss\u00f5es n\u00e3o forem reduzidas nos pr\u00f3ximos anos, isso acontecer\u00e1 ainda mais cedo.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso foi previsto no relat\u00f3rio especial do IPCC em 2018 e este novo estudo agora o confirma a previs\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Alcan\u00e7aremos um grau e meio [de aumento] anualmente muito antes. J\u00e1 atingimos durante dois meses no El Ni\u00f1o em 2016&#8221;, disse o professor Malte Meinshausen, um dos autores do relat\u00f3rio do IPCC da Universidade de Melbourne, na Austr\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A melhor estimativa do novo relat\u00f3rio \u00e9 que isso aconte\u00e7a em meados de 2034, mas a incerteza \u00e9 enorme e varia entre agora e nunca.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>As consequ\u00eancias de superar 1,5 \u00b0 C num per\u00edodo de anos seriam indesej\u00e1veis. O mundo j\u00e1 experimentou um r\u00e1pido aumento em eventos extremos por causa de um aumento de temperatura de 1,1\u00b0 C desde os tempos pr\u00e9-industriais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/1226D\/production\/_105894347_grey_line-nc.png\" alt=\"2px presentational grey line\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"O-que-\u00e9-o-IPCC\">O que \u00e9 o IPCC?<\/h2>\n\n\n\n<p>O Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o da ONU criado em 1988 para avaliar a ci\u00eancia em torno das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>O grupo fornece aos governos informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas que eles podem usar para desenvolver pol\u00edticas sobre o aquecimento global.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro de seus relat\u00f3rios de avalia\u00e7\u00e3o abrangentes sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas foi lan\u00e7ado em 1992. O sexto desta s\u00e9rie ser\u00e1 dividido em quatro volumes. O novo relat\u00f3rio &#8211; de cientistas do Grupo de Trabalho 1 do IPCC &#8211; \u00e9 o primeiro desses volumes a ser lan\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/1226D\/production\/_105894347_grey_line-nc.png\" alt=\"2px presentational grey line\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Veremos ondas de calor ainda mais intensas e frequentes&#8221;, disse outro dos autores do relat\u00f3rio do IPCC, Friederike Otto, da Universidade de Oxford, no Reino Unido.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tamb\u00e9m veremos um aumento nos eventos de fortes chuvas em escala global, al\u00e9m de mais tipos de secas em algumas regi\u00f5es do mundo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O relat\u00f3rio mostra claramente que j\u00e1 estamos vivendo as consequ\u00eancias das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em todos os lugares. Mas vamos experimentar mudan\u00e7as adicionais e simult\u00e2neas que aumentam a cada n\u00edvel maior de aquecimento&#8221;, disse a professora Carolina Vera, vice-presidente do grupo de trabalho que produziu o documento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Ent\u00e3o-o-que-pode-ser-feito\">Ent\u00e3o, o que pode ser feito?<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora este relat\u00f3rio seja mais claro e seguro sobre as desvantagens do aquecimento, os cientistas est\u00e3o mais esperan\u00e7osos de que, se pudermos cortar as emiss\u00f5es globais de gases do efeito estufa pela metade at\u00e9 2030 e zerar as emiss\u00f5es l\u00edquidas em meados deste s\u00e9culo, poderemos interromper e possivelmente reverter o aumento de temperaturas.<\/p>\n\n\n\n<p>Zerar as emiss\u00f5es l\u00edquidas envolve a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa tanto quanto poss\u00edvel usando tecnologia limpa e, em seguida, enterrando quaisquer libera\u00e7\u00f5es restantes usando a captura e armazenamento de carbono, ou absorvendo-as com o plantio de \u00e1rvores.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A ideia anterior era que poder\u00edamos obter temperaturas maiores mesmo ap\u00f3s zerar as emiss\u00f5es l\u00edquidas&#8221;, diz outro coautor, Piers Forster, da Universidade de Leeds, no Reino Unido.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mas agora esperamos que a natureza seja gentil conosco e se formos capazes de atingir o zero l\u00edquido, esperamos n\u00e3o obter nenhum aumento adicional de temperatura. Dever\u00edamos eventualmente ser capazes de reverter parte desse aumento de temperatura e resfri\u00e1-la um pouco.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Embora as proje\u00e7\u00f5es futuras de aquecimento sejam mais claras do que nunca neste relat\u00f3rio e muitos impactos simplesmente n\u00e3o possam ser evitados, os autores alertam contra o fatalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Reduzir o aquecimento global realmente minimiza a probabilidade de atingirmos esses pontos de inflex\u00e3o&#8221;, diz Otto, da Universidade de Oxford. &#8220;N\u00e3o estamos condenados.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Um ponto de inflex\u00e3o ou uma limiar de controle se refere a quando parte do sistema clim\u00e1tico da Terra sofre uma mudan\u00e7a abrupta em resposta a seu aquecimento cont\u00ednuo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os l\u00edderes pol\u00edticos, o relat\u00f3rio \u00e9 mais um em uma longa hist\u00f3ria de alertas. Com a aproxima\u00e7\u00e3o da c\u00fapula do clima COP-26 de novembro, ela ganha um peso maior.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Cinco-impactos-futuros\">Cinco impactos futuros<\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Em todos os cen\u00e1rios de emiss\u00f5es, as temperaturas chegar\u00e3o, em 2040, 1,5\u00b0 C acima dos n\u00edveis de 1850-1900<\/li><li>\u00c9 prov\u00e1vel que o \u00c1rtico esteja praticamente sem gelo em um setembro, pelo menos em uma ocasi\u00e3o antes de 2050 em todos os cen\u00e1rios avaliados<\/li><li>Alguns eventos extremos &#8220;sem precedentes no registro hist\u00f3rico&#8221; acontecer\u00e3o com mais frequ\u00eancia com o aquecimento de 1,5\u00b0 C<\/li><li>Eventos extremos relacionados ao n\u00edvel do mar que ocorreram uma vez por s\u00e9culo no passado recente devem ocorrer pelo menos anualmente em mais da metade dos locais onde h\u00e1 medi\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s at\u00e9 2100<\/li><li>Provavelmente haver\u00e1 aumentos de inc\u00eandios florestais em muitas regi\u00f5es<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O impacto adverso da humanidade sobre o clima \u00e9 a &#8220;constata\u00e7\u00e3o de um fato&#8221;, declaram cientistas da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em um estudo hist\u00f3rico. 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