{"id":33295,"date":"2021-08-01T12:22:14","date_gmt":"2021-08-01T15:22:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=33295"},"modified":"2021-08-01T12:22:15","modified_gmt":"2021-08-01T15:22:15","slug":"mae-solo-7-filhos-apoio-em-meio-a-3-lesoes-os-desafios-da-mae-de-rebeca-andrade-para-manter-a-filha-na-ginastica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/08\/01\/mae-solo-7-filhos-apoio-em-meio-a-3-lesoes-os-desafios-da-mae-de-rebeca-andrade-para-manter-a-filha-na-ginastica\/","title":{"rendered":"M\u00e3e solo, 7 filhos, apoio em meio a 3 les\u00f5es: os desafios da m\u00e3e de Rebeca Andrade para manter a filha na gin\u00e1stica"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>&#8220;Durante muito tempo, as pessoas disseram que as pessoas negras n\u00e3o poderiam fazer alguns esportes. E a gente v\u00ea hoje, a primeira medalha [da gin\u00e1stica ol\u00edmpica feminina brasileira] \u00e9 de uma menina negra. Tem uma representatividade muito grande atr\u00e1s de tudo isso&#8221;, disse em l\u00e1grimas a ex-ginasta Daiane dos Santos na quinta-feira (29\/7), durante a transmiss\u00e3o da prata conquistada nos Jogos Ol\u00edmpicos por Rebeca Andrade, de 22 anos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 uma mulher, uma menina que veio de uma origem muito humilde, foi criada por uma m\u00e3e solo como a dona Rosa \u2014 porque o pai da Rebeca \u00e9 vivo, mas n\u00e3o \u00e9 presente na vida dela \u2014, aguentou tudo que ela aguentou, todas as les\u00f5es, e est\u00e1 a\u00ed hoje, para ser a segunda melhor atleta do mundo. Uma brasileira.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A emocionante fala de Daiane, ela mesma uma mulher negra e a primeira medalhista do Brasil em Mundiais da gin\u00e1stica, trouxe para os holofotes uma outra figura feminina forte: Rosa Santos, m\u00e3e orgulhosa da ginasta Rebeca Andrade, que fez hist\u00f3ria neste domingo (07\/08) ao ganhar medalha de ouro ol\u00edmpico na competi\u00e7\u00e3o do salto.<\/p>\n\n\n\n<p>Empregada dom\u00e9stica e m\u00e3e solo de sete filhos em Guarulhos, na Grande S\u00e3o Paulo, dona Rosa apoiou o talento da filha desde cedo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Muitos me criticaram na \u00e9poca, porque logo aos 9 anos ela [Rebeca] foi morar fora, foi se dedicar aos treinos&#8221;, disse a m\u00e3e, em entrevista ao portal UOL.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Diziam &#8216;voc\u00ea \u00e9 doida de deixar sua filha ir embora&#8217;. Mas eu tive a sabedoria e a mente aberta para deix\u00e1-la seguir seus sonhos. Eu deixei que ela voasse atr\u00e1s de um objetivo. Deixando tamb\u00e9m claro que se n\u00e3o desse certo, as portas de casa sempre estariam abertas para ela. Hoje eu vejo que agi certo, por ter ouvido o meu cora\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Ajuda-dos-filhos-e-apoio-nas-les\u00f5es\">Ajuda dos filhos e apoio nas les\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>Rosa contava com a ajuda do filho mais velho para levar Rebeca de bicicleta ou a p\u00e9 para os treinos, quando n\u00e3o tinha dinheiro para a condu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando eles viram que ela tinha esse talento, eles [os irm\u00e3os de Rebeca] se dedicaram. Quando ela achava que era hora de parar porque n\u00e3o tinha dinheiro para condu\u00e7\u00e3o, o irm\u00e3o falava: &#8216;eu levo ela a p\u00e9&#8217;. A dist\u00e2ncia era de duas horas caminhando&#8221;, disse Rosa em entrevista \u00e0 R\u00e1dio Bandeirantes logo ap\u00f3s o p\u00f3dio da filha.<\/p>\n\n\n\n<p>Rebeca come\u00e7ou a se destacar desde cedo e teve Daiane do Santos como inspira\u00e7\u00e3o. Ela chegou a conhecer pessoalmente a estrela da gin\u00e1stica brasileira ainda em 2009, conforme v\u00eddeo gravado pela Prefeitura Municipal de Guarulhos, que ganhou as redes sociais nesta quinta-feira.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c0s vezes eu n\u00e3o estava conseguindo fazer alguma coisa e elas estavam me ensinando&#8221;, diz na reportagem uma pequena Rebeca, provavelmente aos 10 anos, ap\u00f3s conhecer Daiane e La\u00eds Souza, que treinaram em Guarulhos naquele ano devido a uma reforma no Clube Pinheiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao lado de Rebeca no come\u00e7o da carreira, dona Rosa tamb\u00e9m estava l\u00e1 quando a intensa rotina de treinos levou a atleta a sofrer les\u00f5es. Rebeca teve de operar o joelho tr\u00eas vezes entre 2015 e 2019 e, em uma dessas cirurgias, pensou em desistir.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu falava: &#8216;Voc\u00ea n\u00e3o pode desistir sem tentar. S\u00f3 acabou para voc\u00ea depois que voc\u00ea se recuperar e treinar. Vai conhecer seu corpo novamente'&#8221;, contou Rosa no programa Encontro com F\u00e1tima Bernardes, da Rede Globo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/13B4B\/production\/_119651708_rebeca1.png\" alt=\"Rebeca posa olhando para a m\u00e3e e sorrindo\"\/><figcaption>Legenda da foto,Nas redes sociais, Rebeca define a m\u00e3e como &#8220;a melhor do mundo&#8221;<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A sa\u00fade mental dos atletas de alto desempenho est\u00e1 em debate, ap\u00f3s a ginasta americana Simone Biles desistir da final ol\u00edmpica por equipes e a tenista japonesa Naomi Osaka se retirar do Aberto da Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Rosa considera que atuava como uma &#8220;psic\u00f3loga&#8221;, quando Rebeca passava por momentos dif\u00edceis.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sempre incentivei meus filhos a por os problemas para fora. A expor o que sentiam. E com a Rebeca n\u00e3o foi diferente&#8221;, disse ao UOL.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu argumentava com ela: a cobran\u00e7a faz parte dos treinos. \u00c9 como se o Chico [o treinador de Rebeca] fosse um professor que cobra seus alunos. E ela se tranquilizava, porque fora dos gin\u00e1sios, o Chico representava a figura do pai que ela n\u00e3o teve em seu dia-a-dia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil inteiro vibrou com o triunfo de Rebeca ao som de&nbsp;<em>Baile de Favela<\/em>, mas, para dona Rosa, a vit\u00f3ria teve um gosto ainda mais especial.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estou muito orgulhosa, feliz demais. Durante a competi\u00e7\u00e3o n\u00e3o consegui pensar em nada, mas quando veio a medalha passou um filme. Eu me lembrei da Rebeca aos 3 anos dando estrelinha sem m\u00e3o. Vieram \u00e0 mente tamb\u00e9m os obst\u00e1culos que tivemos que enfrentar e que conseguimos&#8221;, disse a F\u00e1tima Bernardes nesta quinta-feira.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ainda bem que ela seguiu os meus conselhos e trouxe a medalha. \u00c9 uma prata com sabor de ouro&#8221;, disse Rosa, dias antes de Rebeca ganhar o ouro ol\u00edmpico e se tornar a primeira ginasta brasileira a conseguir a premia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Durante muito tempo, as pessoas disseram que as pessoas negras n\u00e3o poderiam fazer alguns esportes. E a gente v\u00ea hoje, a primeira medalha [da gin\u00e1stica ol\u00edmpica feminina brasileira] \u00e9 de uma menina negra. 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