{"id":33001,"date":"2021-07-15T15:57:34","date_gmt":"2021-07-15T18:57:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=33001"},"modified":"2021-07-15T15:57:35","modified_gmt":"2021-07-15T18:57:35","slug":"medico-responde-as-principais-duvidas-sobre-os-riscos-de-infeccoes-fungicas-em-pacientes-internados-em-utis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/07\/15\/medico-responde-as-principais-duvidas-sobre-os-riscos-de-infeccoes-fungicas-em-pacientes-internados-em-utis\/","title":{"rendered":"M\u00e9dico responde \u00e0s principais d\u00favidas sobre os riscos de infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas em pacientes internados em UTIs"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td>As interna\u00e7\u00f5es hospitalares sempre s\u00e3o motivo de aten\u00e7\u00e3o para pacientes, m\u00e9dicos e familiares. Com a chegada da Covid-19, o assunto est\u00e1 cada vez mais em evid\u00eancia, e novas preocupa\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a surgir, como \u00e9 o caso das infec\u00e7\u00f5es hospitalares, geralmente causadas por v\u00edrus, bact\u00e9rias e fungos. As infec\u00e7\u00f5es causadas por fungos podem acometer principalmente os pacientes internados por tempo prolongado e com sistema imunol\u00f3gico debilitado. Nessas situa\u00e7\u00f5es um diagn\u00f3stico tardio ou at\u00e9 mesmo a falta dele, chegam a levar muitos pacientes ao \u00f3bito.<br><br>O m\u00e9dico especialista Marcello Mihailenko Chaves Magri, infectologista do Hospital das Cl\u00ednicas da FMUSP, responde \u00e0s principais d\u00favidas sobre o assunto, confira:<br><br>Quais as principais infec\u00e7\u00f5es que podem ser adquiridas durante uma interna\u00e7\u00e3o hospitalar?<br>R: V\u00e1rios microrganismos podem ser transmitidos dentro do ambiente hospitalar, entre os quais, destacam-se as bact\u00e9rias e os fungos. As infec\u00e7\u00f5es bacterianas e as f\u00fangicas podem apresentar altas taxas de morbidade e mortalidade. Outro aspecto que merece destaque \u00e9 que, muitas vezes, esses microrganismos podem apresentar diferentes padr\u00f5es de sensibilidade aos antimicrobianos.<br><br>O que s\u00e3o infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas?<br>R: Os fungos s\u00e3o organismos eucari\u00f3ticos, unicelulares ou multicelulares que pertencem ao Reino Fungi. Se apresentam nas formas de leveduras, bolores ou ainda podem ser dim\u00f3rficos (bolores na temperatura ambiente ou leveduras dentro do ser humano). Podem causar v\u00e1rios tipos de infec\u00e7\u00f5es nos seres humanos, desde infec\u00e7\u00f5es superficiais (unhas, pele, cabelos e etc&#8230;) at\u00e9 infec\u00e7\u00f5es invasivas, disseminadas.<br><br>Quais s\u00e3o as principais infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas invasivas hospitalares e aquelas que acometem pacientes imunodeprimidos?<br>R: O principal fungo que causa infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas invasivas hospitalares \u00e9 a levedura do g\u00eanero Candida. Nos pacientes imunodeprimidos, especialmente nos pacientes neutrop\u00eanicos, com c\u00e2ncer hematol\u00f3gico e transplantados de c\u00e9lulas tronco hematopi\u00e9ticas, al\u00e9m de Candida, os fungos filamentosos (bolores) como os do g\u00eanero Aspergillus e Fusarium s\u00e3o respons\u00e1veis por alta taxas de letalidade. Nos pacientes com aids, em determinadas fases ap\u00f3s o transplante de \u00f3rg\u00e3os s\u00f3lidos, entre as infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas oportunistas, destacam-se a candid\u00edase, a pneumocistose, a criptococose e a histoplasmose.<br>A mucormicose \u00e9 uma infec\u00e7\u00e3o f\u00fangica invasiva, rara, causada por fungos filamentosos que, no Brasil, acometem mais frequentemente os pacientes diab\u00e9ticos descompensados.<br><br>Quais s\u00e3o os principais sintomas das infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas invasivas? Quais efeitos estas infec\u00e7\u00f5es causam no corpo?<br>R: Os sinais e sintomas das infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas invasivas dependem de fatores do hospedeiro e do fungo. Por exemplo, a criptococose, mais frequentemente causa uma meningite\/meningoencefalite subaguda ou cr\u00f4nica com ou sem acometimento pulmonar. Pode causar febre, cefal\u00e9ia, v\u00f4mitos e dor na nuca. A aspergilose pulmonar invasiva pode causar febre, queda do estado geral, tosse, falta de ar, escarro com sangue e nos exames radiol\u00f3gicos de pulm\u00e3o les\u00f5es pulmonares importantes. A mucormicose pode causar mais frequentemente uma rinossinusite grave podendo, se n\u00e3o diagnosticada precocemente, acometer a \u00f3rbita e o c\u00e9rebro. J\u00e1 a candidemia, que \u00e9 a infec\u00e7\u00e3o por fungos do g\u00eanero C\u00e2ndida, no sangue se manifesta por quadros febris em pacientes internados nos hospitais, especialmente ap\u00f3s procedimentos cir\u00fargicos abdominais e interna\u00e7\u00e3o prolongada em terapia intensiva.<br><br>Qual o tipo mais grave de infec\u00e7\u00e3o f\u00fangica? E o mais comum?<br>R: Todas as infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas invasivas se n\u00e3o diagnosticadas e tratadas podem levar o paciente ao \u00f3bito. Alguns exemplos importantes s\u00e3o:<br>Candidemia: pode se apresentar com febre e evoluir para sepse e choque s\u00e9ptico se n\u00e3o tratada.<br>Aspergilose: \u00e9 causada pelo fungo Aspergillus, presente no ar. No caso de aspergilose invasiva, apresenta\u00e7\u00e3o mais agressiva da infec\u00e7\u00e3o, o fungo se espalha rapidamente pelos pulm\u00f5es e, por vezes, atinge at\u00e9 c\u00e9rebro, cora\u00e7\u00e3o, f\u00edgado ou rins pela corrente sangu\u00ednea.<br>Mucormicose: tamb\u00e9m podem causar infec\u00e7\u00f5es agressivas nos pulm\u00f5es. Entretanto, outras manifesta\u00e7\u00f5es poss\u00edveis s\u00e3o infec\u00e7\u00f5es na face pelos seios nasais, no c\u00e9rebro, nos olhos e no aparelho gastrointestinal. Em casos avan\u00e7ados, a doen\u00e7a pode ainda atingir m\u00faltiplos \u00f3rg\u00e3os. Por conta disso, a mortalidade pela doen\u00e7a pode evoluir de 30 a 80%, dependendo da infec\u00e7\u00e3o e do n\u00edvel de imunocomprometimento do paciente.<br>Neurocriptococose: \u00e9 uma infec\u00e7\u00e3o f\u00fangica extremamente grave especialmente nos pacientes com aids, acometendo o Sistema Nervoso Central, sangue, pulm\u00f5es, pele entre outros \u00f3rg\u00e3os.<br>Histoplasmose disseminada: essa infec\u00e7\u00e3o ocorre mais frequentemente nos pacientes imunodeprimidos, especialmente nos pacientes com aids. \u00c9 extremamente grave e fatal nesses pacientes. Pode causar quadros cl\u00ednicos muito semelhantes \u00e0 tuberculose disseminada. Pode causar doen\u00e7as nos pulm\u00f5es, f\u00edgado, ba\u00e7o, pele, c\u00e9rebro, medula \u00f3ssea e etc.<br><br>Estas infec\u00e7\u00f5es costumam ser confundidas com outro tipo de diagn\u00f3stico? Quais?<br>R: As infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas invasivas, dependendo do fungo e do hospedeiro, podem apresentar quadros semelhantes \u00e0s infec\u00e7\u00f5es por bact\u00e9rias, micobact\u00e9rias e outros fungos, tumores ou doen\u00e7as reumatol\u00f3gicas.<br><br>Qual \u00e9 o sinal de alerta para o risco de uma infec\u00e7\u00e3o f\u00fangica invasiva?<br>R: Existem micoses que s\u00e3o end\u00eamicas em determinadas regi\u00f5es, ou seja, muitas pessoas daquela regi\u00e3o poder\u00e3o se infectar, embora uma minoria desenvolve a doen\u00e7a. Existem v\u00e1rios fatores de risco que aumentam a chance de um indiv\u00edduo adquirir uma infec\u00e7\u00e3o f\u00fangica invasiva. Destacam-se os pacientes imunodeprimidos e os pacientes hospitalizados, especialmente em terapia intensiva.<br><br>Como podemos evit\u00e1-las?<br>R: Para as infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas invasivas adquiridas no ambiente hospitalar existem v\u00e1rias estrat\u00e9gias propostas pelas comiss\u00f5es de controle de infec\u00e7\u00e3o hospitalar para reduzir as taxas de infec\u00e7\u00e3o de corrente sangu\u00ednea, campanha de lavagem das m\u00e3os, pneumonia relacionada \u00e0 ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica entre outras. Algumas situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas em pacientes imunodeprimidos est\u00e1 indicada profilaxia com antif\u00fangicos para evitar essas infec\u00e7\u00f5es.<br><br>Existe tratamento?<br>R: Os protocolos de tratamento existentes hoje compreendem medicamentos antif\u00fangicos e at\u00e9 mesmo a remo\u00e7\u00e3o cir\u00fargica dos fungos, quando necess\u00e1rio. No caso da aspergilose, por exemplo, a terapia de primeira linha recomendada \u00e9 voriconazol ou isavuconazol, por\u00e9m estudos comprovam que o isavuconazol apresenta algumas vantagens farmacol\u00f3gicas que permitem o uso tamb\u00e9m por pacientes criticamente enfermos no ambiente de UTI com insufici\u00eancia renal e di\u00e1lise. Existem situa\u00e7\u00f5es onde os fungos podem ser resistentes ou o uso de antif\u00fangicos pr\u00e9vios podem selecionar cepas resistentes. Nessas situa\u00e7\u00f5es, a anfotericina lipossomal pode salvar o paciente com uma candidemia persistente, por exemplo, em uso de equinocandina.<br><br>O paciente com COVID-19 est\u00e1 mais suscet\u00edvel a pegar este tipo de infec\u00e7\u00e3o?<br>R: Os pacientes com as formas moderadas e graves da COVID-19 podem evoluir com quadros inflamat\u00f3rios importantes, fen\u00f4menos tromboemb\u00f3licos, altera\u00e7\u00f5es nas barreiras mucosas do trato digest\u00f3rio e les\u00f5es pulmonares que levam o paciente a necessitar de oxig\u00eanio ou at\u00e9 ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica e corticoide. Esses fatores podem contribuir para um aumento do risco para desenvolver essas infec\u00e7\u00f5es. As infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas possuem uma incid\u00eancia relevante, sobretudo, em pacientes cujo sistema imunol\u00f3gico perdeu a efetividade no combate a doen\u00e7as, em virtude de outras condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas, como \u00e9 o caso de pacientes graves da Covid-19. Figuram tamb\u00e9m nessa lista pacientes com aids, transplantados, pessoas que passaram por cirurgias complexas, pacientes oncol\u00f3gicos submetidos a longos per\u00edodos de tratamento com quimioterapia e aqueles submetidos a v\u00e1rias linhas de antibioticoterapia e cortic\u00f3ides em ambiente de UTI.<br><br>Houve aumento de casos de infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas ap\u00f3s o in\u00edcio da pandemia de Covid-19?<br>R: As infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas invasivas mais relatadas desde o in\u00edcio da pandemia de COVID-19 s\u00e3o candid\u00edase invasiva, aspergilose e mucormicose. Desde 2020 v\u00e1rios pa\u00edses t\u00eam dado destaque a essas infec\u00e7\u00f5es, como, por exemplo, Aspergilose na Europa e M\u00e9xico e mucormicose na \u00cdndia.<br><br>Recentemente, vimos not\u00edcias sobre a Mucormicose na \u00cdndia. Ele est\u00e1 de alguma maneira atrelado \u00e0 cepa indiana da Covid-19? Existe chances desse tipo de fungo se desenvolver no Brasil tamb\u00e9m?<br>R: A mucormicose ganhou interesse mundial com o crescimento de casos de Covid-19 na \u00cdndia, onde cerca de 15 mil casos de mucormicose foram documentados recentemente. \u00c9 uma micose invasiva envolvendo fungos filamentosos hialinos da ordem Mucorales (Rhizopus sp, Mucor sp, Rhizomucor sp, Lichtheimia sp, entre outros), que a imprensa vem denominando erroneamente como micose por &#8220;fungos negros&#8221;. A princ\u00edpio n\u00e3o h\u00e1 nenhuma evid\u00eancia que a cepa indiana esteja relacionada aos casos de mucormicose. \u00c9 Importante pontuar que n\u00e3o \u00e9 esperado que a mucormicose aqui no Brasil assuma a mesma propor\u00e7\u00e3o que a observada na \u00cdndia. Antes do advento da Covid-19, a \u00cdndia j\u00e1 registrava altas taxas de incid\u00eancia de mucormicose. O elevado n\u00famero de casos de mucormicose em pacientes com Covid-19 na \u00cdndia pode estar relacionado, entre outros fatores, com a elevada incid\u00eancia de diabetes na popula\u00e7\u00e3o desse pa\u00eds (muitos sem diagn\u00f3stico e tratamento), favorecendo o surto de mucormicose nos pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e em uso de elevadas doses de cortic\u00f3ides para tratamento da Covid-19.<br><br>Sobre Cresemba\u00ae (isavuconazol):<br>O isavuconazol \u00e9 um antif\u00fangico da classe dos az\u00f3licos, dispon\u00edvel nas apresenta\u00e7\u00f5es intravenosa e oral. \u00c9 o antif\u00fangico de primeira linha mais completo para o tratamento da aspergilose invasiva e mucormicose. Combina\u00e7\u00e3o \u00fanica de efic\u00e1cia, amplo espectro, formula\u00e7\u00f5es IV e orais intercambi\u00e1veis e perfil de seguran\u00e7a. J\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa, na Argentina e no Peru.<br><br>Sobre AmBisome\u00ae (anfotericina B):<br>A anfotericina B \u00e9 um antibi\u00f3tico antif\u00fangico usado para tratar infec\u00e7\u00f5es graves causadas por fungos. \u00c9 usado para infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas severas oportunistas e\/ou end\u00eamicas e infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas oportunistas sist\u00eamicas.<br><br>Sobre a United Medical<br>A United Medical atua h\u00e1 mais de 30 anos no mercado farmac\u00eautico brasileiro com um portf\u00f3lio de produtos inovadores focados nas \u00e1reas de especialidades. O core business da United Medical \u00e9 dedicado principalmente nos mercados de Oncologia, Hematologia, Infectologia, HIV e Doen\u00e7as Raras. A United Medical tem se caracterizado ao longo desses anos em trazer produtos inovadores e representar empresas internacionais de grande relev\u00e2ncia no mercado mundial em biotecnologia, contribuindo para a evolu\u00e7\u00e3o no tratamento dos pacientes em solo brasileiro. Desde 2019 a United Medical faz parte da canadense Knight Therapeutics.<br><br>Assessoria<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As interna\u00e7\u00f5es hospitalares sempre s\u00e3o motivo de aten\u00e7\u00e3o para pacientes, m\u00e9dicos e familiares. Com a chegada da Covid-19, o assunto est\u00e1 cada vez mais em evid\u00eancia, e novas preocupa\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a surgir, como \u00e9 o caso das infec\u00e7\u00f5es hospitalares, geralmente causadas por v\u00edrus, bact\u00e9rias e fungos. 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