{"id":3294,"date":"2019-03-29T14:16:54","date_gmt":"2019-03-29T17:16:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=3294"},"modified":"2019-03-29T14:16:55","modified_gmt":"2019-03-29T17:16:55","slug":"por-que-a-evolucao-levou-o-ser-humano-a-beber-leite-contrariando-a-biologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/03\/29\/por-que-a-evolucao-levou-o-ser-humano-a-beber-leite-contrariando-a-biologia\/","title":{"rendered":"Por que a evolu\u00e7\u00e3o levou o ser humano a beber leite, contrariando a biologia"},"content":{"rendered":"\n<p>O\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/99fb9bbd-9150-4e13-a3ac-3fa0610683f8\">leite animal<\/a>\u00a0tem concorr\u00eancia. Leites alternativos feitos com plantas como\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-47504400\">soja ou am\u00eandoas<\/a>\u00a0s\u00e3o cada vez mais populares. Estas alternativas s\u00e3o muitas vezes adotadas por adeptos do veganismo, que exclui da alimenta\u00e7\u00e3o qualquer produto de origem animal, e podem ser boas para pessoas al\u00e9rgicas ou intolerantes a lactose.<\/p>\n\n\n\n<p>Quer emagrecer, sugerimos que acesse esse link para saber mais sobre essa dica que realmente tem resultados incr\u00edveis: <\/p>\n\n\n\n<p>Mas a ascens\u00e3o de leites alternativos \u00e9 a mais recente reviravolta na saga da rela\u00e7\u00e3o da humanidade com o leite animal &#8211; que remonta a milhares de anos e teve muitos altos e baixos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando refletimos um pouco sobre o assunto, o leite parece uma coisa estranha de se beber. \u00c9 um l\u00edquido feito por uma vaca ou outro animal para alimentar seus filhotes; temos de tir\u00e1-lo de suas tetas.<\/p>\n\n\n\n<p> Em muitas culturas, \u00e9 algo quase in\u00e9dito. Em 2000, a China lan\u00e7ou uma campanha nacional para encorajar um maior consumo de leite e de produtos l\u00e1cteos por raz\u00f5es de sa\u00fade &#8211; uma campanha que teve de superar as profundas suspeitas de muitos chineses mais velhos. Um queijo, que \u00e9 essencialmente leite estragado, ainda pode fazer muitos chineses se sentirem enojados. <\/p>\n\n\n\n<p>Tendo como base a hist\u00f3ria de 300 mil anos de nossa esp\u00e9cie, beber leite \u00e9 um h\u00e1bito relativamente recente. Antes de cerca de 10 mil anos atr\u00e1s, quase ningu\u00e9m bebia leite, e isso s\u00f3 ocorria em raras ocasi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>As primeiras pessoas a beber leite regularmente foram os agricultores e pastores pioneiros da Europa Ocidental &#8211; alguns dos primeiros humanos a viver com animais dom\u00e9sticos, incluindo vacas. Hoje, beber leite \u00e9 uma pr\u00e1tica comum no norte da Europa, nas Am\u00e9ricas e em uma s\u00e9rie de outros lugares.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quando o ser humano passou a beber leite?<\/h2>\n\n\n\n<p>Existe uma raz\u00e3o biol\u00f3gica pela qual beber leite animal \u00e9 estranho.<\/p>\n\n\n\n<p>O leite cont\u00e9m um tipo de a\u00e7\u00facar chamado lactose, que \u00e9 diferente dos a\u00e7\u00facares encontrados nas frutas e outros alimentos doces. Quando somos beb\u00eas, nossos corpos produzem uma enzima especial chamada lactase que nos permite digerir a lactose no leite de nossas m\u00e3es. Mas depois que somos desmamados na primeira inf\u00e2ncia, isso acaba para muitas pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem lactase, n\u00e3o podemos digerir adequadamente a lactose no leite. Como resultado, se um adulto bebe muito leite, pode ter gases, c\u00f3licas dolorosas e at\u00e9 diarreia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/5C49\/production\/_106052632_54a79061-11f8-4bf3-8780-136d95d6baaa.jpg\" alt=\"Obra de arte do t\u00famulo de Methethi no Egito, datada de cerca de 2350 aC, mostra um antigo eg\u00edpcio ordenhando uma vaca\"\/><figcaption>Image captionObra de arte em t\u00famulo eg\u00edpcio mostra os prim\u00f3rdios do consumo de leite<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Vale notar que, em outros mam\u00edferos, a lactase n\u00e3o est\u00e1 presente em adultos &#8211; as vacas adultas n\u00e3o t\u00eam lactase ativa, nem c\u00e3es ou gatos, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, os primeiros europeus que bebiam leite provavelmente tinham muitos gases como resultado disso. Mas, ent\u00e3o, a evolu\u00e7\u00e3o come\u00e7ou: algumas pessoas come\u00e7aram a manter suas enzimas lactase ativas na idade adulta. Essa &#8220;persist\u00eancia da lactase&#8221; permitiu que eles bebessem leite sem efeitos colaterais. \u00c9 o resultado de muta\u00e7\u00f5es em uma parte do DNA que controla a atividade do gene ligado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o da lactase.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O alelo da persist\u00eancia da lactase surgiu no sul da Europa h\u00e1 cerca de 5 mil anos, e, depois, isso come\u00e7ou a acontecer na Europa central h\u00e1 cerca de 3 mil anos&#8221;, diz a professora Laure S\u00e9gurel, do Museu da Humanidade em Paris, coautora de uma revis\u00e3o de 2017 sobre a ci\u00eancia da persist\u00eancia da lactase.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Diferen\u00e7as geogr\u00e1ficas<\/h2>\n\n\n\n<p>O tra\u00e7o de persist\u00eancia da lactase foi favorecido pela evolu\u00e7\u00e3o e, hoje, \u00e9 extremamente comum em algumas popula\u00e7\u00f5es. No norte da Europa, est\u00e1 presente em mais de 90% das pessoas. O mesmo \u00e9 verdade em algumas popula\u00e7\u00f5es da \u00c1frica e do Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 tamb\u00e9m muitas popula\u00e7\u00f5es onde a persist\u00eancia da lactase \u00e9 muito mais rara: muitos africanos n\u00e3o t\u00eam essa caracter\u00edstica, e \u00e9 algo incomum na \u00c1sia e na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/AA69\/production\/_106052634_008d309f-91cf-4bdd-a8d7-bd26f435f930.jpg\" alt=\"Mulher asi\u00e1tica compra leite\"\/><figcaption>Image captionLatic\u00ednios podem fazer com que muitas pessoas se sintam doentes na \u00c1sia, onde o tra\u00e7o da persist\u00eancia da lactase \u00e9 incomum<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c9 dif\u00edcil entender esse padr\u00e3o, porque n\u00e3o sabemos exatamente por que beber leite e, portanto, a persist\u00eancia da lactase, era uma coisa boa, diz S\u00e9gurel: &#8220;Por que isso era t\u00e3o vantajoso por si s\u00f3?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta \u00f3bvia \u00e9 que o leite deu \u00e0s pessoas uma nova fonte de nutrientes, reduzindo o risco de passarem fome. Mas, em uma an\u00e1lise mais cuidadosa, isso n\u00e3o se sustenta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;H\u00e1 muitas fontes diferentes de alimentos, por isso \u00e9 surpreendente que uma fonte de alimento seja t\u00e3o importante, t\u00e3o diferente de outros tipos de alimentos&#8221;, diz S\u00e9gurel.<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas que n\u00e3o t\u00eam a persist\u00eancia da lactase ainda podem ingerir uma certa quantidade de lactose sem efeitos nocivos, ent\u00e3o, beber uma pequena quantidade de leite pode ser bom.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/F889\/production\/_106052636_ba0fa5fc-ddd4-44b0-aa4b-75328ca1996b.jpg\" alt=\"Homem manuseia rodas de queijo parmes\u00e3o\"\/><figcaption>Image captionQueijos duros como o parmigiano reggiano podem ter pouca ou nenhuma lactose<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m a op\u00e7\u00e3o de processar o leite como manteiga, iogurte, creme ou queijo, o que reduz a quantidade de lactose. Queijos duros como o cheddar t\u00eam menos de 10% da lactose em compara\u00e7\u00e3o com o leite, e a manteiga tem um n\u00edvel igualmente baixo. &#8220;Creme amanteigado e manteiga t\u00eam a menor quantidade de lactose&#8221;, diz S\u00e9gurel.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez por isso o queijo pare\u00e7a ter sido inventado rapidamente. Em setembro de 2018, arque\u00f3logos relataram encontrar fragmentos de cer\u00e2mica no que \u00e9 hoje a Cro\u00e1cia. Eles tinham \u00e1cidos graxos, sugerindo que a cer\u00e2mica era usada para separar a coalhada do soro de leite &#8211; um passo crucial para fazer queijo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quer emagrecer, sugerimos que acesse esse link para saber mais sobre essa dica que realmente tem resultados incr\u00edveis: <\/p>\n\n\n\n<p>Se isso estiver correto (e esta interpreta\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi questionada), as pessoas estavam produzindo queijo no sul da Europa h\u00e1 7,2 mil anos. Evid\u00eancias similares de tempos um pouco mais recentes, mas ainda assim de mais de 6 mil anos atr\u00e1s, foram encontradas em outros lugares da Europa. Isso \u00e9 bem antes da persist\u00eancia da lactase se tornar comum entre os europeus.<\/p>\n\n\n\n<p>Dito isso, h\u00e1 claramente um padr\u00e3o por tr\u00e1s de quais popula\u00e7\u00f5es evolu\u00edram com altos n\u00edveis de persist\u00eancia de lactase e quais n\u00e3o, diz o professor de gen\u00e9tica Dallas Swallow, da University College London, na Inglaterra.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqueles com este tra\u00e7o s\u00e3o pastores, pessoas que criam gado. Ca\u00e7adores-coletores, que n\u00e3o mant\u00eam animais, n\u00e3o adquiriram as muta\u00e7\u00f5es. Nem os &#8220;jardineiros da floresta&#8221;, que cultivavam plantas, mas n\u00e3o tinham gado.<\/p>\n\n\n\n<p>Faz sentido que as pessoas que n\u00e3o tivessem acesso ao leite animal n\u00e3o estivessem sob grande press\u00e3o evolucion\u00e1ria para se adaptar a beb\u00ea-lo. A quest\u00e3o \u00e9: por que alguns grupos pastoris adquiriram a caracter\u00edstica e outros n\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/146A9\/production\/_106052638_eaa8914e-aa73-497f-aa89-e2803588253e.jpg\" alt=\"Menino africano tira leite de vaca\"\/><figcaption>Image captionUm mist\u00e9rio duradouro \u00e9 o motivo pelo qual apenas alguns grupos de pastores adquiriram persist\u00eancia de lactase, enquanto outros, n\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>S\u00e9gurel aponta para povos do leste asi\u00e1tico, como os da Mong\u00f3lia, que t\u00eam algumas das taxas mais baixas de persist\u00eancia de lactase, apesar de dependerem muito do leite de seus animais como alimento.<\/p>\n\n\n\n<p>As muta\u00e7\u00f5es eram comuns em popula\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas na Europa e no oeste da \u00c1sia, ent\u00e3o, teria sido poss\u00edvel que se espalhassem para esses grupos do leste asi\u00e1tico, mas isso n\u00e3o aconteceu. &#8220;Esse \u00e9 o grande enigma&#8221;, diz S\u00e9gurel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os benef\u00edcios de beber leite<\/h2>\n\n\n\n<p>A pesquisadora especula que o consumo de leite pode ter outras vantagens al\u00e9m de seu valor nutricional. As pessoas que mant\u00eam gado est\u00e3o expostas \u00e0s suas doen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez, beber leite de vaca forne\u00e7a anticorpos contra algumas dessas infec\u00e7\u00f5es. De fato, o efeito protetor do leite \u00e9 considerado um dos benef\u00edcios para amamentar crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2599\/production\/_106052690_c6a3d122-2015-4725-9516-f4e060ab4fdc.jpg\" alt=\"Mulher amamenta beb\u00ea\"\/><figcaption>Image captionO efeito protetor do leite \u00e9 considerado um benef\u00edcio da amamenta\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mas algumas das misteriosas aus\u00eancias da persist\u00eancia da lactase poderiam ser apenas um acaso: se algu\u00e9m em um grupo de pastores conseguiu a muta\u00e7\u00e3o certa, por exemplo. At\u00e9 muito recentemente, havia muito menos pessoas na Terra, e as popula\u00e7\u00f5es locais eram menores, de modo que alguns grupos poderiam ficar de fora por puro azar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Acho que o mais coerente \u00e9 que haja uma correla\u00e7\u00e3o com o estilo de vida, com o pastoreio&#8221;, diz Swallow. &#8220;Mas voc\u00ea tem de ter a muta\u00e7\u00e3o primeiro.&#8221; S\u00f3 ent\u00e3o a sele\u00e7\u00e3o natural poderia entrar em a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso dos pastores mong\u00f3is, Swallow ressalta que eles tipicamente bebem leite fermentado, que tem um teor de lactose mais baixo. Indiscutivelmente, a facilidade com que o leite pode ser processado para ser mais comest\u00edvel faz com que a ascens\u00e3o da persist\u00eancia da lactase seja ainda mais enigm\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Como \u00e9ramos muito bons nos adaptando culturalmente ao processamento e fermenta\u00e7\u00e3o do leite, tenho dificuldades em apontar a raz\u00e3o pela qual nos adaptamos geneticamente&#8221;, diz Catherine Walker, aluna de doutorado de Swallow.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rios fatores podem ter promovido a persist\u00eancia da lactase, n\u00e3o apenas um. Swallow suspeita que a chave pode estar nos benef\u00edcios nutricionais do leite, que \u00e9 rico em gordura, prote\u00edna, a\u00e7\u00facar e micronutrientes como c\u00e1lcio e vitamina D. \u00c9 tamb\u00e9m uma fonte de \u00e1gua limpa. Dependendo de onde sua comunidade viveu, voc\u00ea pode ter evolu\u00eddo para tolerar isso por um motivo em detrimento de outro.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o est\u00e1 claro se a persist\u00eancia da lactase ainda \u00e9 ativamente favorecida pela evolu\u00e7\u00e3o e, portanto, se ela se disseminar\u00e1 mais, diz Swallow.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2018, ela foi coautora de um estudo com um grupo de pastores na regi\u00e3o de Coquimbo, no Chile, que adquiriu a muta\u00e7\u00e3o de persist\u00eancia de lactase quando seus ancestrais cruzaram com os europeus rec\u00e9m-chegados, 500 anos atr\u00e1s. A caracter\u00edstica agora est\u00e1 se espalhando pela popula\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 sendo favorecida pela evolu\u00e7\u00e3o, como ocorreu no norte da Europa h\u00e1 5 mil anos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/73B9\/production\/_106052692_58395122-2957-4c74-93c8-04a47213af51.jpg\" alt=\"Vacas leiteiras mastigam a alfafa\"\/><figcaption>Image captionVacas leiteiras mastigam a alfafa no noroeste da Fran\u00e7a, uma parte do mundo onde as pessoas se adaptaram a beber leite h\u00e1 cerca de 3 mil anos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mas este \u00e9 um caso especial, porque o povo coquimbo \u00e9 fortemente dependente do leite. Globalmente, a imagem \u00e9 muito diferente. &#8220;Eu acho que est\u00e1 se estabilizado, exceto em pa\u00edses onde a popula\u00e7\u00e3o tem depend\u00eancia do leite e h\u00e1 escassez [de outros alimentos]&#8221;, diz Swallow. &#8220;No Ocidente, onde temos dietas boas, as press\u00f5es seletivas n\u00e3o est\u00e3o realmente presentes.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O consumo de leite animal est\u00e1 em decl\u00ednio?<\/h2>\n\n\n\n<p>Em novembro de 2018, o jornal brit\u00e2nico The Guardian publicou uma reportagem com o t\u00edtulo &#8220;Como nos apaixonamos pelo leite&#8221;, descrevendo a ascens\u00e3o mete\u00f3rica das empresas que vendem leite de aveia e nozes e sugerindo que o leite tradicional est\u00e1 enfrentando uma grande batalha.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas as estat\u00edsticas contam uma hist\u00f3ria diferente. De acordo com o relat\u00f3rio de 2018 da IFCN Dairy Research Network, organiza\u00e7\u00e3o de pesquisa sobre a ind\u00fastria l\u00e1ctea, a produ\u00e7\u00e3o global de leite vem aumentando a cada ano desde 1998, em resposta \u00e0 crescente demanda.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, 864 milh\u00f5es de toneladas de leite foram produzidas em todo o mundo. A tend\u00eancia n\u00e3o d\u00e1 sinais de desacelera\u00e7\u00e3o: a IFCN estima que a demanda por leite subir\u00e1 em 35% at\u00e9 2030, para 1,17 bilh\u00e3o de toneladas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, isso mascara algumas tend\u00eancias locais. Um estudo de 2010 sobre o consumo de alimentos constatou que, nos Estados Unidos, o consumo de leite caiu nas \u00faltimas d\u00e9cadas &#8211; embora tenha sido substitu\u00eddo por refrigerantes, n\u00e3o por leite de am\u00eandoa.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa queda foi equilibrada pela crescente demanda nos pa\u00edses em desenvolvimento, especialmente na \u00c1sia &#8211; algo que o IFCN tamb\u00e9m observou.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, um estudo de 2015 sobre h\u00e1bitos de consumo de pessoas em 187 pa\u00edses descobriu que o consumo de leite era mais comum entre pessoas mais velhas, o que sugere que \u00e9 menos popular entre os jovens, embora isso n\u00e3o diga nada sobre o consumo de produtos l\u00e1cteos, como iogurte.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C1D9\/production\/_106052694_df619af3-8181-4f1a-8c98-e0470b02f287.jpg\" alt=\"Asi\u00e1ticos bebem um copo de leite\"\/><figcaption>Image captionEnquanto o consumo de leite caiu nos EUA, a demanda est\u00e1 crescendo na \u00c1sia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ainda assim, parece improv\u00e1vel que leites alternativos afetem o crescente apetite mundial por leite de origem animal, pelo menos na pr\u00f3xima d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<p>Walker acrescenta que leites alternativos &#8220;n\u00e3o s\u00e3o um substituto natural&#8221; para a vers\u00e3o animal. Muitos n\u00e3o t\u00eam os mesmos nutrientes. Ela diz que eles s\u00e3o mais \u00fateis para os veganos e para as pessoas al\u00e9rgicas ao leite &#8211; sendo esta \u00faltima uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 prote\u00edna do leite que nada tem a ver com a lactose.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 particularmente not\u00e1vel que grande parte do crescimento da demanda por leite ocorra na \u00c1sia, onde a maioria das pessoas n\u00e3o \u00e9 persistente em lactase. Quaisquer que sejam as vantagens que as pessoas possam ver no leite, elas superam os potenciais problemas digestivos ou a necessidade de processar o leite.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o tem pressionado as pessoas nos pa\u00edses em desenvolvimento a manterem mais animais n\u00e3o tradicionais, como lhamas, para que possam obter os benef\u00edcios do leite mesmo que o leite de vaca n\u00e3o esteja dispon\u00edvel ou seja muito caro.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, um estudo publicado em janeiro descreveu uma &#8220;dieta planet\u00e1ria&#8221; projetada para maximizar a sa\u00fade e minimizar nosso impacto no meio ambiente. Embora isso implique reduzir drasticamente a carne vermelha e outros produtos de origem animal, ela inclui o equivalente a um copo de leite por dia.<\/p>\n\n\n\n<p>O leite, ao que parece, n\u00e3o est\u00e1 em baixa. Pelo contr\u00e1rio, est\u00e1 em alta &#8211; mesmo que nossos corpos parem de evoluir em resposta a isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Leia a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bbc.com\/future\/story\/20190218-when-did-humans-start-drinking-cows-milk\">vers\u00e3o original desta reportagem<\/a>\u00a0(em ingl\u00eas) no site\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bbc.com\/future\">BBC Future<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O\u00a0leite animal\u00a0tem concorr\u00eancia. Leites alternativos feitos com plantas como\u00a0soja ou am\u00eandoas\u00a0s\u00e3o cada vez mais populares. Estas alternativas s\u00e3o muitas vezes adotadas por adeptos do veganismo, que exclui da alimenta\u00e7\u00e3o qualquer produto de origem animal, e podem ser boas para pessoas al\u00e9rgicas ou intolerantes a lactose. Quer emagrecer, sugerimos que acesse esse link para saber mais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3295,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"advanced_seo_description":"","jetpack_seo_html_title":"","jetpack_seo_noindex":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[55],"tags":[],"class_list":{"0":"post-3294","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-curiosidades"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/leite.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3294"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3294"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3294\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3296,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3294\/revisions\/3296"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3295"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3294"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3294"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3294"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}