{"id":32694,"date":"2021-06-12T12:38:00","date_gmt":"2021-06-12T15:38:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=32694"},"modified":"2021-06-18T12:40:02","modified_gmt":"2021-06-18T15:40:02","slug":"vacina-para-hiv-o-estudante-que-perdeu-o-tio-para-a-aids-e-decidiu-ajudar-na-busca-por-imunizante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/06\/12\/vacina-para-hiv-o-estudante-que-perdeu-o-tio-para-a-aids-e-decidiu-ajudar-na-busca-por-imunizante\/","title":{"rendered":"Vacina para HIV: O estudante que perdeu o tio para a aids e decidiu ajudar na busca por imunizante"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>No in\u00edcio de 2008, o ent\u00e3o adolescente Thiago Storari foi ao Instituto de Infectologia Em\u00edlio Ribas, em S\u00e3o Paulo (SP), para visitar o tio que estava em seus \u00faltimos meses de vida em decorr\u00eancia de complica\u00e7\u00f5es da aids, a doen\u00e7a causada pelo v\u00edrus HIV.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em maio deste ano, Thiago retornou \u00e0 unidade de sa\u00fade. Hoje com 29 anos e estudando direito, ele voltou ao local para ser volunt\u00e1rio na pesquisa de uma vacina que est\u00e1 sendo testada contra o HIV.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o estudante, participar da pesquisa \u00e9 uma forma de ajudar a ci\u00eancia e tentar evitar que outros sofram como o tio dele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o quero que mais ningu\u00e9m fique doente por causa do HIV, nem que outra fam\u00edlia passe pelo que a minha passou&#8221;, relata \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo do qual ele est\u00e1 participando, intitulado Mosaico, \u00e9 o \u00fanico de fase tr\u00eas contra o HIV em todo o mundo atualmente. Essa \u00e9 a \u00faltima etapa antes de o imunizante, caso aprovado nessa fase, ser disponibilizado para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os respons\u00e1veis pelo estudo s\u00e3o a empresa Janssen, controlada pela Johnson &amp; Johnson, o Instituto Nacional de Alergias e Doen\u00e7as Infecciosas dos Estados Unidos (\u200bNIAID, na sigla em ingl\u00eas), a Rede de Ensaios de Vacinas contra o HIV e o Comando de Pesquisa e Desenvolvimento M\u00e9dico do Ex\u00e9rcito dos EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa \u00e9 considerada um avan\u00e7o muito importante no combate ao v\u00edrus, que teve os primeiros casos confirmados no in\u00edcio da d\u00e9cada de 80.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, diversos cientistas trabalharam para tentar descobrir um imunizante contra o HIV. J\u00e1 foram testadas outras vacinas, mas nenhuma foi considerada eficaz o suficiente para ser aplicada na popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os grandes desafios para encontrar um imunizante contra o HIV est\u00e3o o fato de ele possuir muitas variedades e sofrer diversas muta\u00e7\u00f5es para evitar ser atacado pelo sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso do estudo em fase tr\u00eas atualmente, os cientistas desenvolveram o imunizante por meio de partes diferentes do HIV \u2014 uma esp\u00e9cie de mosaico \u2014 para atuar contra os mais diversos tipos do v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>Os especialistas t\u00eam grandes expectativas sobre o estudo Mosaico porque consideram que os conhecimentos que adquiriram nas \u00faltimas d\u00e9cadas, e at\u00e9 as tentativas frustradas de encontrar um imunizante, foram fundamentais para chegar \u00e0 vacina que est\u00e1 sendo testada atualmente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"A-morte-do-tio\">A morte do tio<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/A9E5\/production\/_118939434_thiago5.jpg\" alt=\"Vagner, o tio de Thiago\"\/><figcaption>Legenda da foto,Vagner morreu em 2008, aos 37 anos. Fam\u00edlia relata que ele teve problemas de sa\u00fade ap\u00f3s abandonar o tratamento contra o HIV<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Por muitos anos, a imagem que Thiago carregou do HIV era a do tio, que se chamava Vagner, em fase terminal.<\/p>\n\n\n\n<p>Vagner contraiu o HIV em meados dos anos 90. &#8220;Ele foi infectado por usar drogas injet\u00e1veis. Pouco depois, foi preso por roubo de carga. Na pris\u00e3o, teve tuberculose duas vezes e a minha tia conta que foi l\u00e1 que ele come\u00e7ou o tratamento com antirretrovirais contra o HIV&#8221;, relata Thiago.<\/p>\n\n\n\n<p>O uso de medicamentos antirretrovirais, distribu\u00eddos gratuitamente por meio do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), permite que um paciente possa viver bem e impede que desenvolva a aids.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 1996, o Brasil garante o tratamento universal e gratuito por meio do SUS a pessoas que vivem com o HIV. Atualmente, 640 mil pessoas recebem medicamentos contra o v\u00edrus no pa\u00eds, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>A sa\u00fade de Vagner piorou quando ele decidiu, por volta de 2007, suspender as medica\u00e7\u00f5es. Segundo a fam\u00edlia, o homem acreditava que estava curado do v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa decis\u00e3o foi crucial para que Vagner ficasse cada vez mais debilitado. Isso porque os antirretrovirais devem ser consumidos de modo cont\u00ednuo, pois s\u00e3o a \u00fanica forma de garantir que um paciente possa viver bem com o HIV e fique indetect\u00e1vel \u2014 quando deixa de transmitir o v\u00edrus. Sem eles, o sistema imunol\u00f3gico do paciente \u00e9 duramente afetado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Enquanto o meu tio fazia tratamento, ele estava bem. Ele se tornou pastor em uma igreja e formou fam\u00edlia. Mas quando ele acreditou que n\u00e3o precisava dos rem\u00e9dios mais, emagreceu muito e ficou muito fr\u00e1gil. Qualquer gripe que ele tinha j\u00e1 o deixava muito ruim. A gente sabia que era porque ele havia abandonado o tratamento contra o HIV&#8221;, relembra Thiago.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com a sa\u00fade cada vez mais debilitada, Vagner insistia que n\u00e3o precisava de rem\u00e9dios porque estava bem. &#8220;At\u00e9 que ele ficou t\u00e3o mal que precisou ser internado no Em\u00edlio Ribas no in\u00edcio de 2008&#8221;, comenta o sobrinho dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Thiago, na \u00e9poca com 16 anos, chegou a visitar o tio no hospital. &#8220;Ele estava muito fragilizado&#8221;, relembra.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s cerca de tr\u00eas meses de interna\u00e7\u00e3o, os m\u00e9dicos pediram que Vagner fosse levado para a casa da fam\u00edlia. &#8220;Disseram que o estado dele era irrevers\u00edvel, porque ele n\u00e3o quis fazer o tratamento, e pediram que ele morresse perto dos parentes&#8221;, diz Thiago.<\/p>\n\n\n\n<p>Em casa, Vagner estava muito magro, n\u00e3o conseguia se alimentar direito e passava quase o dia inteiro deitado em sua cama.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca, ele se separou e passou a morar com a m\u00e3e. O homem sobreviveu por mais quatro meses ap\u00f3s deixar o hospital. &#8220;O meu tio chegou a pesar 30 quilos no fim da vida, por causa da aids. Quando ele contraiu uma pneumonia, n\u00e3o resistiu&#8221;, relata o sobrinho. Vagner morreu em setembro de 2008, aos 37 anos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Volunt\u00e1rio-em-pesquisa-sobre-imunizante\">Volunt\u00e1rio em pesquisa sobre imunizante<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/F805\/production\/_118939436_thiago1.jpg\" alt=\"Profissional de sa\u00fade aplica inje\u00e7\u00e3o em Thiago em hospital de S\u00e3o Paulo\"\/><figcaption>Legenda da foto,Registro de Thiago feito no momento em que recebeu a primeira dose no estudo de vacina contra o HIV<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Desde a morte do tio, Thiago passou a conviver com o medo de ser infectado pelo HIV e viver situa\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 de Vagner. Ele admite que at\u00e9 anos atr\u00e1s desconhecia sobre o tema e hoje entende que \u00e9 poss\u00edvel viver bem por meio dos antirretrovirais.<\/p>\n\n\n\n<p>O jovem afirma que a hist\u00f3ria do tio fez com que ele tivesse um cuidado maior em rela\u00e7\u00e3o ao HIV ou outras Infec\u00e7\u00f5es Sexualmente Transmiss\u00edveis (ISTs),<\/p>\n\n\n\n<p>Quando passou a ter uma vida sexual ativa, h\u00e1 cerca de quatro anos, come\u00e7ou a fazer exames com frequ\u00eancia. &#8220;Vivi diversos conflitos internos sobre a sexualidade, por causa da religi\u00e3o. Mas aos 25 ou 26 anos, me entendi como um homem gay e sabia da import\u00e2ncia de fazer os exames com frequ\u00eancia&#8221;, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio deste ano, quando foi a um posto de sa\u00fade para fazer exames, ele viu um an\u00fancio sobre o estudo da vacina contra o HIV. No informativo, os respons\u00e1veis pela pesquisa diziam estar \u00e0 procura de volunt\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu j\u00e1 tinha visto sobre essa pesquisa em uma propaganda no Instagram. Mas fui me informar mesmo depois que vi o an\u00fancio no posto de sa\u00fade. Conversei com a m\u00e9dica, e disse que queria participar. Por ter o caso do meu tio na minha fam\u00edlia, achei que seria interessante participar dessa iniciativa&#8221;, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 alguns crit\u00e9rios para se tornar volunt\u00e1rio da pesquisa. \u00c9 preciso ter entre 18 e 60 anos e n\u00e3o pode viver com o HIV. Os participantes precisam fazer parte de dois grupos sociais com alta vulnerabilidade \u00e1 infec\u00e7\u00e3o: homem que faz sexo com outro homem ou indiv\u00edduo transg\u00eanero \u2014 \u00e9 importante frisar que n\u00e3o somente esses grupos est\u00e3o suscet\u00edveis ao v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>As inscri\u00e7\u00f5es para volunt\u00e1rios permanecem abertas. Os pesquisadores pedem que mais pessoas que se enquadrem no perfil e morem nas regi\u00f5es em que esses estudos s\u00e3o conduzidos, como S\u00e3o Paulo (SP), se inscrevam na iniciativa (mais informa\u00e7\u00f5es neste&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.pesquisamosaico.com.br\/\">link<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do Brasil, a pesquisa tamb\u00e9m \u00e9 feita na Argentina, It\u00e1lia, M\u00e9xico, Peru, Pol\u00f4nia, Espanha e Estados Unidos. O estudo deve reunir cerca de 3,8 mil volunt\u00e1rios. As inscri\u00e7\u00f5es come\u00e7aram em novembro de 2019, foram suspensas em raz\u00e3o da pandemia de covid-19 no ano passado e foram retomadas por volta de junho de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Os volunt\u00e1rios s\u00e3o selecionados a partir de um question\u00e1rio. Eles devem estar dispostos a passar por avalia\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, consultas de aconselhamento e testes regulares para o HIV.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s se inscrever para participar da pesquisa, Thiago passou por triagem no Em\u00edlio Ribas no in\u00edcio de maio. Foi a primeira vez que ele retornou ao hospital, refer\u00eancia em infectologia. No local, fez uma avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e psicol\u00f3gica. Posteriormente, foi considerado apto para participar dos testes.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 26 de maio, ele foi chamado para receber a primeira dose. Por se tratar de testes cl\u00ednicos, Thiago n\u00e3o sabe se recebeu o imunizante ou um placebo \u2014 subst\u00e2ncia sem nenhum efeito no corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os volunt\u00e1rios de testes cl\u00ednicos s\u00e3o divididos em dois grupos: aqueles que recebem doses do produto ativo e os que recebem placebo. Esse m\u00e9todo \u00e9 fundamental para saber se um imunizante \u00e9 seguro e eficaz.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo \u00e9 que o grupo imunizado esteja mais protegido contra determinada doen\u00e7a infecciosa em rela\u00e7\u00e3o aos que receberam placebo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo de um ano, Thiago deve tomar mais tr\u00eas doses e far\u00e1 exames frequentes de HIV. &#8220;N\u00e3o fiquei com nenhum receio quando tomei a primeira dose. S\u00f3 de fazer parte desse estudo que vai mudar a vida de muita gente, me sinto feliz&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"A-vacina-contra-o-HIV\">A vacina contra o HIV<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/14625\/production\/_118939438_hiv.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o do v\u00edrus HIV\"\/><figcaption>Legenda da foto,Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, cientistas de todo o mundo estudaram formas de criar um imunizante contra o HIV<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Os resultados do estudo Mosaico devem ser divulgados em cerca de dois anos e meio, avaliam os cientistas.<\/p>\n\n\n\n<p>A vacina \u00e9 considerada fundamental no combate ao HIV. Por\u00e9m, \u00e9 importante frisar que, al\u00e9m dos antirretrovirais para quem vive com o v\u00edrus, houve diversos avan\u00e7os em rela\u00e7\u00e3o ao tema nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente h\u00e1 novas formas de preven\u00e7\u00e3o ao v\u00edrus, al\u00e9m dos preservativos. Uma delas \u00e9 a profilaxia pr\u00e9-exposi\u00e7\u00e3o (PrEP), comprimido com drogas antirretrovirais que previne a transmiss\u00e3o. Ela est\u00e1 dispon\u00edvel no SUS.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro avan\u00e7o \u00e9 a Profilaxia P\u00f3s-Exposi\u00e7\u00e3o (PEP), tratamento que deve ser feito ap\u00f3s suspeita de exposi\u00e7\u00e3o ao HIV. O procedimento deve ser iniciado em, no m\u00e1ximo, 72 horas ap\u00f3s o contato com o v\u00edrus e dura 28 dias. O m\u00e9todo tamb\u00e9m est\u00e1 dispon\u00edvel no SUS.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o Brasil, que tem cerca de 920 mil pessoas vivendo com o HIV, \u00e9 considerado um modelo na distribui\u00e7\u00e3o de medicamentos, nem todos os lugares do mundo t\u00eam o mesmo acesso aos antirretrovirais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para especialistas, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que a vacina \u00e9 a melhor forma de evitar o avan\u00e7o do HIV em todo o mundo, que atualmente tem cerca de 38 milh\u00f5es de pessoas infectadas pelo v\u00edrus. Essa imuniza\u00e7\u00e3o \u00e9 a forma mais eficaz de erradicar doen\u00e7as infecciosas.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio da busca por uma vacina contra o HIV, h\u00e1 cerca de 40 anos, o conhecimento sobre o v\u00edrus avan\u00e7ou muito. Isso se deve tamb\u00e9m a muitos estudos que n\u00e3o conseguiram atingir o objetivo de descobrir um imunizante eficaz, mas ajudaram a avan\u00e7ar no tema.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Hoje h\u00e1 muito mais conhecimento em rela\u00e7\u00e3o ao HIV e \u00e0s vacinas em geral. Agora, com as informa\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos anos e o entendimento sobre o v\u00edrus \u00e9 mais prov\u00e1vel montar um esquema de vacina\u00e7\u00e3o que d\u00ea certo, aliando conhecimento cient\u00edfico com base em tudo o que deu certo ou errado no passado&#8221;, relata o infectologista \u00c1lvaro Furtado, do Centro de Refer\u00eancia e Treinamento DST\/Aids de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo dos cientistas \u00e9 encontrar uma vacina que possa combater as in\u00fameras varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas do HIV e estimule o sistema imunol\u00f3gico de forma mais ampla, porque o v\u00edrus \u00e9 muito diverso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Por-que-vacina-contra-covid-surgiu-em-t\u00e3o-menos-tempo\">Por que vacina contra covid surgiu em t\u00e3o menos tempo?<\/h2>\n\n\n\n<p>O imunizante do estudo Mosaico \u00e9 desenvolvido por meio de um conjunto de prote\u00ednas semelhantes \u00e0s que comp\u00f5em a parte externa do HIV. Os cientistas frisam que n\u00e3o h\u00e1 risco da vacina infectar os volunt\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos especialistas que conduzem a pesquisa no Brasil, Furtado explica porque foi poss\u00edvel encontrar vacinas para a covid-19 em menos de um ano de pandemia, enquanto o HIV ainda n\u00e3o possui um imunizante efetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O HIV tem v\u00e1rias estrat\u00e9gias para encarar o sistema imunol\u00f3gico do paciente, porque possui uma varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica muito grande. \u00c9 como se o HIV fosse uma caixa de l\u00e1pis de 36 cores, enquanto a covid \u00e9 uma caixa com duas cores apenas&#8221;, diz o infectologista.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Como a varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e geogr\u00e1fica do HIV \u00e9 muito grande, o sistema imune consegue ser enganado com mais facilidade. Por isso \u00e9 preciso uma vacina que pense nisso e estimule o sistema imunol\u00f3gico a encontrar formas de combater essa varia\u00e7\u00e3o do v\u00edrus&#8221;, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda sobre a covid-19, o m\u00e9dico ressalta que foi poss\u00edvel produzir vacinas em um per\u00edodo considerado curto porque j\u00e1 havia conhecimentos sobre dois coronav\u00edrus identificados nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, o Mers e o Sars.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;J\u00e1 havia conhecimento cient\u00edfico desses primeiros coronav\u00edrus, por isso existia uma base de entendimento imunol\u00f3gico para se fazer uma vacina. J\u00e1 se conhecia a estrutura do v\u00edrus e as pe\u00e7as do quebra-cabe\u00e7a para uma vacina. Os estudos anteriores s\u00f3 n\u00e3o caminharam porque essas epidemias acabaram e n\u00e3o deu para estudar em uma popula\u00e7\u00e3o&#8221;, explica o infectologista.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O que aconteceu com a covid-19 \u00e9 que foi uma epidemia astronomicamente maior. Com o conhecimento dos dois primeiros coronav\u00edrus, foi poss\u00edvel testar vacinas em larga escala em fase um, dois e tr\u00eas&#8221;, detalha Furtado.<\/p>\n\n\n\n<p>A vacina contra a covid-19 tem sido fundamental para evitar novos casos e mortes pela doen\u00e7a pelo mundo. Pa\u00edses com boa parte da popula\u00e7\u00e3o imunizada t\u00eam retomado, aos poucos, a rotina de antes da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa \u00e9 de que, assim como no caso da covid-19, uma vacina eficaz impe\u00e7a o aumento de novas infec\u00e7\u00f5es pelo HIV. Segundo estat\u00edsticas globais, s\u00e3o registradas mais de 1 milh\u00e3o de novas infec\u00e7\u00f5es pelo v\u00edrus no mundo por ano.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O objetivo \u00e9 ver se a vacina \u00e9 segura e se tem efic\u00e1cia acima de 50%. Se reduzir em 50% a transmiss\u00e3o de HIV no mundo, ela j\u00e1 muda a hist\u00f3ria do v\u00edrus&#8221;, pontua o especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;J\u00e1 reduziria \u00e0 metade os casos. Mas \u00e9 preciso haver uma cobertura vacinal grande para ter essa efetividade populacional&#8221;, ressalta Furtado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Estamos-com-grande-expectativa\">&#8216;Estamos com grande expectativa&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/D48E\/production\/_118941445_thiago2.jpg\" alt=\"Thiago Storari\"\/><figcaption>Legenda da foto,Estudante decidiu ser volunt\u00e1rio por considerar que estudo de vacina representa um avan\u00e7o muito importante<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para chegar aos resultados do estudo Mosaico, um comit\u00ea internacional ter\u00e1 acesso aos dados das pesquisas feitas em diferentes pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Precisamos avaliar os volunt\u00e1rios ap\u00f3s o per\u00edodo das vacinas. O HIV n\u00e3o \u00e9 como a covid-19 em que a pessoa sai na rua sem m\u00e1scara e pode pegar. \u00c9 preciso avaliar se ela teve rela\u00e7\u00e3o desprotegida, se passou por alguma situa\u00e7\u00e3o de risco (de infec\u00e7\u00e3o pelo HIV) e fazer exames frequentes&#8221;, explica Furtado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se der certo, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que comece a ser introduzida, principalmente, antes de uma pessoa come\u00e7ar a ter vida sexual&#8221;, acrescenta o m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso a vacina seja considerada eficaz, Furtado considera que ser\u00e1 um momento hist\u00f3rico. &#8220;Estamos com grande expectativa, por ser uma vacina desenvolvida tamb\u00e9m com base nos resultados dos estudos anteriores&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele aponta que a descoberta da vacina pode ser tamb\u00e9m o caminho para chegar a uma cura do v\u00edrus para as pessoas que vivem com HIV. &#8220;&#8216;\u00c0 medida em que h\u00e1 sucesso em uma vacina para preven\u00e7\u00e3o, abre-se espa\u00e7o para desenvolver novas linhas de pesquisa para a cura&#8221;, declara.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Thiago, o estudo em fase tr\u00eas simboliza a esperan\u00e7a. Ele conta que os familiares, que viram o tio dele sofrer intensamente no passado, ficaram felizes ao descobrir sobre a pesquisa da vacina.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu contei para o pessoal da minha fam\u00edlia que estou participando do estudo. Uma tia comentou que \u00e9 uma forma de fechar um ciclo. Ela viu o irm\u00e3o falecer por complica\u00e7\u00f5es da aids e agora, com a ci\u00eancia mais avan\u00e7ada, o sobrinho ajuda na busca pela preven\u00e7\u00e3o&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio de 2008, o ent\u00e3o adolescente Thiago Storari foi ao Instituto de Infectologia Em\u00edlio Ribas, em S\u00e3o Paulo (SP), para visitar o tio que estava em seus \u00faltimos meses de vida em decorr\u00eancia de complica\u00e7\u00f5es da aids, a doen\u00e7a causada pelo v\u00edrus HIV. Em maio deste ano, Thiago retornou \u00e0 unidade de sa\u00fade. Hoje [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":32695,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"advanced_seo_description":"","jetpack_seo_html_title":"","jetpack_seo_noindex":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":{"0":"post-32694","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/118926086_thiago3.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32694"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32694"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32694\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32696,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32694\/revisions\/32696"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32695"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32694"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32694"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32694"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}