{"id":32431,"date":"2021-05-28T10:35:18","date_gmt":"2021-05-28T13:35:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=32431"},"modified":"2021-05-28T10:35:20","modified_gmt":"2021-05-28T13:35:20","slug":"cancer-de-mama-pandemia-pode-ter-deixado-4-mil-casos-sem-diagnostico-no-brasil-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/05\/28\/cancer-de-mama-pandemia-pode-ter-deixado-4-mil-casos-sem-diagnostico-no-brasil-diz-estudo\/","title":{"rendered":"C\u00e2ncer de mama: pandemia pode ter deixado 4 mil casos sem diagn\u00f3stico no Brasil, diz estudo"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Entre as v\u00e1rias doen\u00e7as cuja preven\u00e7\u00e3o e tratamento foram afetadas pela pandemia de coronav\u00edrus, est\u00e1 o c\u00e2ncer mais numeroso em novos casos e mortes de mulheres no Brasil, depois do de pele n\u00e3o melanoma: o de mama.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma das medidas mais importantes para a detec\u00e7\u00e3o precoce da doen\u00e7a, a mamografia para mulheres com idade entre 50 e 69 anos, foi diretamente afetada pela pandemia, conforme mostra um\u00a0levantamento\u00a0recente, publicado em abril na Revista de Sa\u00fade P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00famero de mamografias realizadas na rede p\u00fablica nesta faixa et\u00e1ria diminuiu 42% em 2020 na compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior, caindo de 1.948.471 em 2019 para 1.126.688 no ano em que a pandemia come\u00e7ou.<\/p>\n\n\n\n<p>A diferen\u00e7a de 800 mil exames n\u00e3o realizados no ano passado deve significar algo em torno de 4 mil casos de c\u00e2ncer de mama n\u00e3o diagnosticados em 2020, considerando estimativas da taxa de detec\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a nas mamografias digitais (em m\u00e9dia de 5 casos detectados para 1000 exames).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso representa uma sobrecarga em potencial da doen\u00e7a para os pr\u00f3ximos anos&#8221;, diz o estudo, assinado pela mastologista Jordana Bessa.<\/p>\n\n\n\n<p>A autora usou ainda informa\u00e7\u00f5es do DATASUS para detalhar os n\u00fameros por Estado e m\u00eas. Ainda que com algumas varia\u00e7\u00f5es regionais, o volume de mamografias realizadas em 2020 caiu na maior parte do pa\u00eds, mostrando que se trata de um problema disseminado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em janeiro (o n\u00famero de mamografias realizadas no pa\u00eds) come\u00e7ou razoavelmente bem, e a\u00ed em abril come\u00e7ou a ter uma queda muito grande. A queda foi amenizada em outubro, com a campanha Outubro Rosa, mas n\u00e3o chegou ao n\u00edvel de antes&#8221; da pandemia, detalha Bessa, formada na Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e m\u00e9dica da Rede D&#8217;or S\u00e3o Luiz em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade recomenda que mulheres com idade entre 50 e 69 anos fa\u00e7am a chamada mamografia de rastreamento, um exame de rotina mesmo sem sintomas, a cada dois anos. Representando o minist\u00e9rio, o Instituto Nacional do C\u00e2ncer (INCA) explicou \u00e0 BBC News Brasil que mesmo na pandemia as mamografias n\u00e3o foram suspensas e devem continuar sendo feitas, alinhadas a cuidados como uso de m\u00e1scara e distanciamento social.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que o \u00f3rg\u00e3o e os entrevistados destaquem a import\u00e2ncia da manuten\u00e7\u00e3o desta rotina, Jordana Bessa diz que n\u00e3o \u00e9 o que est\u00e1 acontecendo na realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A gente v\u00ea na pr\u00e1tica que as pacientes sumiram mesmo. No consult\u00f3rio, est\u00e3o voltando para colocar em dia os exames e dizem que est\u00e3o atrasadas&#8221;, conta a mastologista e autora da pesquisa, exaltando a exist\u00eancia e disponibilidade das informa\u00e7\u00f5es do DATASUS.<\/p>\n\n\n\n<p>Bessa ressalva que o levantamento inclui apenas dados da rede p\u00fablica, mas possivelmente houve queda tamb\u00e9m na rede particular. Por este e outros fatores, a estimativa de 4 mil casos n\u00e3o diagnosticados em 2020 \u00e9 conservadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados pr\u00e9vios, n\u00e3o inclu\u00eddos no estudo, mostram que nos tr\u00eas primeiros meses de 2021 o n\u00famero mensal de mamografias foi ainda menor do que em 2020 e 2019.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Redu\u00e7\u00e3o-mesmo-em-casos-com-n\u00f3dulo-\">Redu\u00e7\u00e3o mesmo em casos com n\u00f3dulo<\/h2>\n\n\n\n<p>No pedido para uma mamografia, o m\u00e9dico deve preencher um pequeno question\u00e1rio, respondendo por exemplo: &#8220;A paciente tem algum n\u00f3dulo na mama?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Se responder que sim, isso quer dizer que o m\u00e9dico encontrou um caro\u00e7o na mama que pode ser benigno ou maligno, e a mamografia \u00e9 um dos exames que ajudar\u00e1 a investigar isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Jordana Bessa diz que casos assim exigem aten\u00e7\u00e3o \u2014 e assist\u00eancia em sa\u00fade \u2014 redobrada, j\u00e1 que a taxa de detec\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer \u00e9 maior quando h\u00e1 n\u00f3dulos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu levantamento, ela coletou tamb\u00e9m n\u00fameros de mamografias realizadas em 2019 e 2020 em cujo pedido m\u00e9dico a presen\u00e7a de n\u00f3dulos foi afirmativa.<\/p>\n\n\n\n<p>O volume destas mamografias caiu de 137.570 em 2019 para 89.408 em 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, dezenas de milhares de mulheres com n\u00f3dulos detectados deixaram de fazer mamografias no primeiro ano da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mais ou menos 50 mil mulheres com n\u00f3dulos palp\u00e1veis est\u00e3o sumidas. Onde est\u00e3o essas mulheres que n\u00e3o foram fazer a mamografia? Preocupa mesmo&#8221;, diz a m\u00e9dica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/3F52\/production\/_118701261_16_10_2019_outobrorosabairrodapaz_foto_jeffersonpeixoto_secom_pms-8.jpg\" alt=\"Mulher apalpa o peito, de blusa, dentro de sala\"\/><figcaption>Legenda da foto,&#8217;Em casos de sintomas, as pessoas n\u00e3o devem deixar de procurar consulta&#8217;, alerta o m\u00e9dico Arn Migowski, do INCA<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Problemas-antigos-\">Problemas antigos<\/h2>\n\n\n\n<p>Enquanto h\u00e1 mulheres que, na pandemia, deixaram de fazer a mamografia, h\u00e1 aquelas que tentaram muito e enfrentaram problemas antigos no acesso a esse exame, agravados pela crise gerada pela covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Um&nbsp;<a href=\"https:\/\/cbr.org.br\/perfil-do-medico-especialista\/\">relat\u00f3rio<\/a>&nbsp;de 2019 do Col\u00e9gio Brasileiro de Radiologia e Diagn\u00f3stico por Imagem (CBR) mostrou que a taxa de mam\u00f3grafos dispon\u00edveis do SUS era de 1,3 para cada 100 mil habitantes; na rede privada, de 6,16.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, as diretrizes do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade n\u00e3o falam em um n\u00famero ideal, mas consideram diferentes variantes e particularidades locais. Como par\u00e2metro, por\u00e9m, uma portaria de 2002 determinava um m\u00ednimo de 0,42 aparelhos para cada 100 mil habitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o relat\u00f3rio do CBR, por\u00e9m, \u00e9 comum que hospitais p\u00fablicos tenham dificuldades para manuten\u00e7\u00e3o dos aparelhos, e que tamb\u00e9m faltem profissionais habilitados para utiliz\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p>A dom\u00e9stica Severina Maria, de 55 anos e moradora de Niter\u00f3i (RJ), conta que tenta desde outubro de 2019 fazer uma mamografia pela rede p\u00fablica, atrav\u00e9s do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Al\u00e9m da rotina de bienal, ela precisa fazer o exame tamb\u00e9m por acompanhamento, j\u00e1 que teve g\u00e2nglios encontrados na mama h\u00e1 cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quase dois anos, Severina j\u00e1 escutou no posto do M\u00e9dico de Fam\u00edlia do Engenho do Mato que o aparelho estava quebrado e tamb\u00e9m que a fila de mulheres \u00e0 sua frente estava grande, nunca conseguindo a marca\u00e7\u00e3o do exame.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Com a pandemia piorou, porque est\u00e3o focando mais na covid. Mas nunca foi f\u00e1cil marcar mamografia n\u00e3o. Sempre foi dif\u00edcil. S\u00f3 consegui fazer mamografia pelo SUS uma vez, em 2018, o resto foi tudo pagando&#8221;, conta a dom\u00e9stica, que diz ter pedido em outras ocasi\u00f5es ajuda de familiares para pagar consultas e exames particulares, mas agora enfrenta o desemprego e uma situa\u00e7\u00e3o financeira mais dif\u00edcil.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/14B4A\/production\/_118701848_severina.jpg\" alt=\"Severina sorri para selfie, em frente a port\u00e3o de madeira\"\/><figcaption>Legenda da foto,Severina Maria precisa fazer mamografia para acompanhar g\u00e2nglios que teve h\u00e1 cerca de cinco anos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em nota, a Prefeitura de Niter\u00f3i garantiu que &#8220;n\u00e3o h\u00e1 demanda reprimida de mamografia na cidade&#8221;, onde h\u00e1 dois mam\u00f3grafos e uma cl\u00ednica conveniada para atendimento ao p\u00fablico. Questionada pela BBC News Brasil sobre o que poderia explicar a dificuldade encontrada pela paciente, a assessoria de imprensa da prefeitura afirmou que iria averiguar a situa\u00e7\u00e3o dela em particular, mas n\u00e3o deu retorno at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Bel\u00e9m (PA), o estudante e profissional de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o Victor Arcanjo, de 30 anos, tenta desde novembro de 2020 marcar uma mamografia para a m\u00e3e, que tem 59 anos. Foi naquele m\u00eas que um m\u00e9dico entregou a ela um pedido de realiza\u00e7\u00e3o do exame com o aviso: &#8220;Urgente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Victor n\u00e3o sabe o motivo da urg\u00eancia, pois n\u00e3o estava na consulta, mas por motivos de sa\u00fade da m\u00e3e, \u00e9 ele quem vem correndo atr\u00e1s de atendimento m\u00e9dico para ela nos \u00faltimos meses. Na Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade (UBS) em que s\u00e3o atendidos, o mam\u00f3grafo ficou quebrado por um tempo e depois o m\u00e9dico respons\u00e1vel ficou ausente, por demandas externas referentes \u00e0 pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, mam\u00f3grafo e m\u00e9dico voltaram, mas Victor e a m\u00e3e est\u00e3o agora com um problema burocr\u00e1tico, tentando regularizar o cadastro para atendimento m\u00e9dico devido a uma mudan\u00e7a de endere\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O que a gente sente \u00e9 frustra\u00e7\u00e3o. \u00c9 um exame important\u00edssimo, urgente, e n\u00e3o conseguimos h\u00e1 seis, sete meses. Como fica a cabe\u00e7a?&#8221;, indaga o universit\u00e1rio. &#8220;N\u00e3o tem muita gente trabalhando no posto, pois est\u00e3o concentrados no atendimento \u00e0 covid. As informa\u00e7\u00f5es ficam desencontradas. N\u00e3o que n\u00e3o deva ter essa concentra\u00e7\u00e3o com a covid, mas a gente fica frustrado com problemas que poderiam ser tratados mais r\u00e1pido.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A BBC News Brasil n\u00e3o conseguiu contato, por e-mail ou telefone, com a UBS mencionada por Victor e nem sua assessoria de imprensa.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o m\u00e9dico Arn Migowski, chefe da Divis\u00e3o de Detec\u00e7\u00e3o Precoce e Apoio a Organiza\u00e7\u00e3o de Rede do INCA, diz que no Brasil h\u00e1 tamb\u00e9m o problema do desperd\u00edcio de mamografias \u2014 aquelas realizadas anualmente e antes da idade indicada, tanto na rede p\u00fablica quanto na particular.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mesmo antes da pandemia, e agora mais do que nunca, deve-se evitar fazer o rastreamento fora das necessidades. Do que analisamos at\u00e9 agora, com dados pr\u00e9vios, esse padr\u00e3o n\u00e3o mudou na pandemia: a quantidade de mamografias certamente caiu, mas a distribui\u00e7\u00e3o de procedimentos inadequados n\u00e3o mudou. \u00c9 um equ\u00edvoco, pois n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia de benef\u00edcios&#8221;, diz o m\u00e9dico do INCA.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele lembra que a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 de mamografias bienais para mulheres com 50 a 69 anos, al\u00e9m do atendimento em casos suspeitos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em casos de sintomas, as pessoas n\u00e3o devem deixar de procurar consulta, como nos casos com n\u00f3dulos, que normalmente t\u00eam progn\u00f3stico pior.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Efeito-cascata-\">Efeito cascata<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/16B2\/production\/_118701850_gettyimages-86514761.jpg\" alt=\"Mulher posicionada em frente a mam\u00f3grafo, observada por profissional\"\/><figcaption>Legenda da foto,Mesmo em casos nos quais foram encontrados n\u00f3dulos, houve redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de mamografias: de 137.570 em 2019 para 89.408 em 2020<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Jordana Bessa acrescenta que a estimativa de milhares de casos n\u00e3o detectados na pandemia se torna ainda mais preocupante quando considerados os gargalos nas etapas posteriores de tratamento \u2014 ou seja, depois da pandemia, podem n\u00e3o s\u00f3 chegar quadros da doen\u00e7a represados, como mais avan\u00e7ados, o que j\u00e1 \u00e9 um problema no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Infelizmente, cerca de mais ou menos um ter\u00e7o (dos casos) \u00e9 diagnosticado com linfonodo j\u00e1 palp\u00e1vel no Brasil&#8221;, explica a mastologista.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tem muitas outras barreiras a serem vencidas (al\u00e9m da mamografia). Tem o tempo entre a pessoa apresentar o n\u00f3dulo palp\u00e1vel e fazer o exame de bi\u00f3psia; tem o tempo entre ela fazer o exame de bi\u00f3psia e fazer a cirurgia; o tempo entre fazer a cirurgia e come\u00e7ar a quimio&#8221;, enumera a mastologista.<\/p>\n\n\n\n<p>Um&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.thebreastonline.com\/article\/S0960-9776(19)30008-6\/fulltext\">estudo<\/a>&nbsp;publicado em 2019, por exemplo, mostrou que entre 4.912 pacientes com c\u00e2ncer de mama tratadas em 28 institui\u00e7\u00f5es pelo Brasil em 2001 e 2006, 23,3% tiveram diagn\u00f3stico na fase 1 a doen\u00e7a; 53,5% j\u00e1 na fase 2; e 23,2% na fase 3.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses seja dificultada por diferen\u00e7as na coleta e apresenta\u00e7\u00e3o dos dados, a preval\u00eancia de diagn\u00f3sticos tardios est\u00e1 longe de ser uma exclusividade do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Em geral, diagn\u00f3sticos mais tardios significam tratamentos mais invasivos e chances menores de sobreviv\u00eancia. Por esses e outros motivos, o rastreamento \u00e9 t\u00e3o importante.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Fazer um diagn\u00f3stico tardio acaba gerando mais custos para o sistema, porque a gente poderia fazer um tratamento menos invasivo. \u00c9 aquele problema que vai gerando um gasto econ\u00f4mico atr\u00e1s do outro, porque um linfonodo palp\u00e1vel, por exemplo precisa de quimioterapia, precisa de radioterapia. E um outro trabalho j\u00e1 mostrou que, mesmo com todas as limita\u00e7\u00f5es, a sobrevida no Brasil ainda \u00e9 muito boa quando o diagn\u00f3stico \u00e9 precoce, acima de 90%. Ent\u00e3o vale a pena insistir nisso.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o INCA, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade publicou em dezembro de 2020 uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.in.gov.br\/en\/web\/dou\/-\/portaria-gm\/ms-n-3.712-de-22-de-dezembro-de-2020-295788198\">portaria<\/a>\u00a0estabelecendo uma verba de R$ 150 milh\u00f5es para os Estados fortalecerem a preven\u00e7\u00e3o e controle do c\u00e2ncer durante a pandemia de coronav\u00edrus, inclusive o de mama. O \u00f3rg\u00e3o afirmou ainda que foram realizadas oficinas com gestores estaduais no in\u00edcio de 2021 orientando-os sobre a detec\u00e7\u00e3o precoce no per\u00edodo da crise sanit\u00e1ria causada pela covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre as v\u00e1rias doen\u00e7as cuja preven\u00e7\u00e3o e tratamento foram afetadas pela pandemia de coronav\u00edrus, est\u00e1 o c\u00e2ncer mais numeroso em novos casos e mortes de mulheres no Brasil, depois do de pele n\u00e3o melanoma: o de mama. 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