{"id":32428,"date":"2021-05-28T10:30:15","date_gmt":"2021-05-28T13:30:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=32428"},"modified":"2021-05-28T10:30:16","modified_gmt":"2021-05-28T13:30:16","slug":"reconhecimento-sanitario-internacional-contou-com-protagonismo-do-setor-produtivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/05\/28\/reconhecimento-sanitario-internacional-contou-com-protagonismo-do-setor-produtivo\/","title":{"rendered":"Reconhecimento sanit\u00e1rio internacional contou com protagonismo do setor produtivo"},"content":{"rendered":"\n<p>R$ 40 milh\u00f5es \u00e9 o investimento estimado pela Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura do Estado do Paran\u00e1 (Faep) ao longo dos \u00faltimos 24 anos para promo\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias para acabar com a vacina\u00e7\u00e3o contra a febre aftosa nos rebanhos do Paran\u00e1. Os recursos foram utilizados para mobiliza\u00e7\u00e3o do setor, viagens internacionais, congressos t\u00e9cnicos, material de divulga\u00e7\u00e3o e treinamentos para esclarecer os produtores de todos os segmentos do campo que o&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.aen.pr.gov.br\/modules\/noticias\/article.php?storyid=112717&amp;tit=Parana-conquista-status-internacional-de-area-livre-de-febre-aftosa-sem-vacinacao\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8220;selo&#8221; \u00e1rea livre<\/a>&nbsp;\u00e9 um salto inigual\u00e1vel no setor agropecu\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Para o setor de prote\u00edna animal evoluir t\u00ednhamos que avan\u00e7ar na sanidade. O carro-chefe era solucionar a febre aftosa, que era end\u00eamica. Precis\u00e1vamos de uma a\u00e7\u00e3o forte para alcan\u00e7ar as novas exig\u00eancias internacionais. Nos organizamos para ajudar o produtor, que \u00e9 o respons\u00e1vel na ponta da linha. \u00c9 ele quem precisa de orienta\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a; quem executa, compra a vacina, notifica os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos. Esse foi o alicerce da participa\u00e7\u00e3o da Faep nesse processo, promover as mudan\u00e7as\u201d, afirma Ronei Volpi, assessor da presid\u00eancia da Faep.<\/p>\n\n\n\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o mais ativa come\u00e7ou nos anos 1990, quando a vacina\u00e7\u00e3o passou a ser obrigat\u00f3ria, e marcou um per\u00edodo de intensa agita\u00e7\u00e3o no campo paranaense e forma\u00e7\u00e3o de uma infraestrutura s\u00f3lida em sanidade animal. A Faep passou a investir na organiza\u00e7\u00e3o do processo e ajudou a criar o Fundo de Desenvolvimento Agropecu\u00e1rio do Estado do Paran\u00e1 (Fundepec) em 1995, no qual Volpi \u00e9 diretor-executivo. Ele re\u00fane diversas entidades do setor agroindustrial com abrang\u00eancia estadual para promover o desenvolvimento e o aperfei\u00e7oamento da pecu\u00e1ria, al\u00e9m de viabilizar a\u00e7\u00f5es de defesa sanit\u00e1ria no Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>A capta\u00e7\u00e3o financeira para compor o Fundepec aconteceu por meio de contribui\u00e7\u00e3o dos produtores com o valor de R$ 1 por cabe\u00e7a durante quatro campanhas de vacina\u00e7\u00e3o, que eram a cada quatro meses e depois passaram a intervalos de seis meses. Hoje, o fundo conta com mais de R$ 80 milh\u00f5es, apesar de n\u00e3o ser utilizado h\u00e1 alguns anos, o que indica o fortalecimento sanit\u00e1rio. O Fundepec indeniza produtores que eventualmente tenham que sacrificar animais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1996, a Faep ajudou a articular a Lei de Sanidade Animal no Paran\u00e1, complementando a legisla\u00e7\u00e3o federal. A Lei 11.504\/1996 permitiu aperfei\u00e7oamento e moderniza\u00e7\u00e3o das normas e regras, facilitando ao produtor cumprir as responsabilidades na manuten\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria. A partir disso foram centenas de treinamentos e capacita\u00e7\u00f5es, contribuindo para a forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos da defesa sanit\u00e1ria paranaense, al\u00e9m de auxiliar na conscientiza\u00e7\u00e3o dos produtores. A combina\u00e7\u00e3o destes fatores fez com que o n\u00famero de casos de febre aftosa no Paran\u00e1 chegasse a zero.<\/p>\n\n\n\n<p>A Faep tamb\u00e9m acompanhou as tratativas com os organismos internacionais, como a Comiss\u00e3o Sul-Americana para a Luta Contra a Febre Aftosa (Cosalfa), al\u00e9m de participar regularmente das assembleias promovidas pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade Animal (OIE). Apoiou, ainda, a estrutura\u00e7\u00e3o do Conselho Estadual de Sanidade Agropecu\u00e1ria (Conesa), com o prop\u00f3sito de aproximar as entidades p\u00fablicas e privadas; a forma\u00e7\u00e3o dos Conselhos Sanit\u00e1rios Agropecu\u00e1rios (CSAs), espalhados pelo territ\u00f3rio paranaense (antes de 2000, j\u00e1 eram 150 CSAs; hoje s\u00e3o 390); e a cria\u00e7\u00e3o da Adapar.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, ano em que o Estado interrompeu a vacina\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s autoriza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Agricultura, do Abastecimento e da Pecu\u00e1ria, a Faep ajudou a promover os encontros do F\u00f3rum Regional Paran\u00e1 Livre de Febre Aftosa Sem Vacina\u00e7\u00e3o, em parceria com outras entidades e com o Governo do Estado. Os eventos percorreram seis cidades.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Aftosa \u00e9 a\u00a0doen\u00e7a mais emblem\u00e1tica do mercado. N\u00e3o vacinar \u00e9 a diferen\u00e7a entre ter e n\u00e3o ter um servi\u00e7o oficial veterin\u00e1rio competente, organizado, com normas. Cumprimos mais de 100 exig\u00eancias e encaminhamos os processos para a OIE. \u00c9 a mesma coisa que passaporte sanit\u00e1rio de controle de doen\u00e7a. Agora com a pandemia aprendemos o qu\u00e3o importante \u00e9 ter uma \u00e1rea livre de qualquer doen\u00e7a e como o mundo enxerga isso\u201d, afirma Ronei.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.aen.pr.gov.br\/modules\/galeria\/uploads\/66561\/Ano2010_SeminarioFAEP630x420.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption>F\u00f3runs da Faep com os produtores. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Faep<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>OCEPAR&nbsp;<\/strong>\u2013 R$ 2,1 bilh\u00f5es \u00e9 o investimento planejado pelas cooperativas associadas ao Sistema Ocepar apenas no mercado de carnes em 2021, quase metade do planejamento de R$ 4,6 bilh\u00f5es estimado para esse ano. O destaque \u00e9 justamente o mercado de su\u00ednos, com cerca de R$ 770 milh\u00f5es reservados j\u00e1 de olho nos novos mercados internacionais poss\u00edveis de serem aglutinados ap\u00f3s o reconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sanidade \u00e9 o principal projeto do agroneg\u00f3cio. Trabalhamos ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas para a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre essa transforma\u00e7\u00e3o. Conseguimos, inclusive, antecipar em dois anos o reconhecimento, que viria em 2023\u201d, afirma Jos\u00e9 Roberto Ricken, presidente da Ocepar. &#8220;Essa&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.aen.pr.gov.br\/modules\/noticias\/article.php?storyid=112756&amp;tit=Conquista-do-status-sanitario-atende-compromisso-do-Governo-com-setor-produtivo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">articula\u00e7\u00e3o das entidades com a sociedade<\/a>&nbsp;e entre as entidades, inclusive com aportes privados das cooperativas, foram fundamentais para esse momento&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, a Ocepar desempenhou um papel grande na antecipa\u00e7\u00e3o do fim da vacina\u00e7\u00e3o, marcada originalmente para 2021. A primeira vers\u00e3o do Plano Estrat\u00e9gico do Programa Nacional de Erradica\u00e7\u00e3o e Preven\u00e7\u00e3o da Febre Aftosa (PNEFA), de 2017, estabeleceu uma organiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica ao processo de transi\u00e7\u00e3o para o status de \u00e1rea livre sem vacina\u00e7\u00e3o, com base em an\u00e1lises de distribui\u00e7\u00e3o espacial dos rebanhos suscet\u00edveis \u00e0 febre aftosa e movimenta\u00e7\u00e3o animal no Pa\u00eds entre 2014 e 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>O Paran\u00e1 estava no Bloco 5, com Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Pouco depois foi feito um ajuste e ficaram no bloco apenas os estados do Sul. A proposta do Estado foi de antecipar a retirada da vacina\u00e7\u00e3o contra a febre aftosa em dois anos, para 2019, sendo a \u00faltima vacina\u00e7\u00e3o realizada em novembro de 2018, saindo, desta forma, como uma regi\u00e3o \u00fanica, independente de outros estados da federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s auditoria do Minist\u00e9rio da Agricultura, foram levantados alguns pontos necess\u00e1rios, como contrata\u00e7\u00e3o de 35 m\u00e9dicos veterin\u00e1rios, constru\u00e7\u00e3o de tr\u00eas postos de fiscaliza\u00e7\u00e3o (Santa Mariana, Campina Grande do Sul e Ribeir\u00e3o Claro), reformas, aquisi\u00e7\u00e3o de equipamentos e c\u00e2meras. Fora a contrata\u00e7\u00e3o, de responsabilidade exclusiva do Estado, o custo era estimado em pouco mais de R$ 4,2 milh\u00f5es. As obras contaram com apoio da in\u00fameras entidades privadas e cooperativas, somando mais de R$ 1,5 milh\u00e3o de apoio.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro importante acontecimento foi o simulado em emerg\u00eancia sanit\u00e1ria para atendimento de foco de febre aftosa, realizado em agosto de 2019, em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Pinhais. A iniciativa, organizada pela Adapar e o Minist\u00e9rio, fez parte das atividades previstas no conv\u00eanio de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica entre o Comit\u00ea Veterin\u00e1rio Permanente do Mercosul \u2013 CVP (Brasil, Argentina, Bol\u00edvia, Chile, Paraguai e Uruguai) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).<\/p>\n\n\n\n<p>O treinamento consistiu em simular o foco em tr\u00eas propriedades rurais do munic\u00edpio e incluiu todos os desdobramentos que um caso real teria. Foram aproximadamente 90 propriedades visitadas e mais de 300 ve\u00edculos inspecionados e desinfetados durante o evento de campo. O resultado final demonstrou que o Estado do Paran\u00e1, por meio da Adapar, possu\u00eda condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e estruturais para enfrentamento de desafios emergenciais que possam ocorrer no Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>E, segundo ele, tudo isso fez parte do ponto de partida. \u201cAgora \u00e9 preciso ter sabedoria e profissionalismo para manter esse status. H\u00e1 uma demanda a n\u00edvel internacional muito alta e temos condi\u00e7\u00f5es de atender, ocupar novos espa\u00e7os. Temos produtores interessados em come\u00e7ar nesse ramo. Tendo condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias e a tend\u00eancia \u00e9 a atividade crescer, porque os investimentos ser\u00e3o altos\u201d, afirma Ricken.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A ideia \u00e9 efetivar cada vez mais a transforma\u00e7\u00e3o da soja e do milho em prote\u00edna. A rentabilidade de gr\u00e3os n\u00e3o chega a 2%. Em carne chega a 4,6%. \u00c9 mais rent\u00e1vel e mais seguro para quem vive do campo\u201d, acrescenta o diretor-presidente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.aen.pr.gov.br\/modules\/galeria\/uploads\/66561\/Reuniao_Sanidade_PR_Credito_Imprensa_SIstema_Ocepar_24_04_2019_1.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>Ocepar ajudou a reunir o setor produtivo para discutir febre aftosa. Foto: Marli Vieira da Silveira\/Ocepar<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>FETAEP E OUTROS&nbsp;<\/strong>\u2013 A&nbsp;Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paran\u00e1 (Fetaep)&nbsp;tamb\u00e9m esteve presente ao longo desses anos no contato direto com os produtores.&nbsp;Ela representa cerca de 1 milh\u00e3o de trabalhadores rurais, entre agricultores familiares e assalariados rurais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sempre estivemos presentes na divulga\u00e7\u00e3o, orienta\u00e7\u00e3o, nas campanhas de vacina\u00e7\u00e3o. O sindicato investiu em di\u00e1logo e orienta\u00e7\u00e3o. Utiliz\u00e1vamos o r\u00e1dio no come\u00e7o de tudo, faz\u00edamos reuni\u00f5es com agricultores, e agora migramos para as redes sociais. Sempre fizemos recomenda\u00e7\u00f5es para o cumprimento dos protocolos e, agora, para a campanha de cadastramento&#8221;, afirma Marcos Brambilla, diretor-presidente da entidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m destacou a uni\u00e3o do setor. &#8220;Todas as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas sempre falaram a mesma l\u00edngua. Tivemos um&nbsp;alinhamento natural. N\u00e3o tem como dimensionar a alegria dos trabalhadores com essa conquista. Todo o setor ser\u00e1 beneficiado de alguma maneira. \u00c9 um momento hist\u00f3rico&#8221;, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Participaram do processo&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.aen.pr.gov.br\/modules\/noticias\/article.php?storyid=112712&amp;tit=Conquista-sobre-aftosa-tem-50-anos-e-envolve-vacina-na-serragem-e-palestras-em-igrejas-veja-linha-do-tempo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ao longo dos \u00faltimos 50 anos<\/a>&nbsp;associa\u00e7\u00f5es, sindicatos, sociedades rurais, cooperativas, todos com contribui\u00e7\u00f5es relevantes para a conquista do status.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AFTOSA&nbsp;<\/strong>\u2013 A febre aftosa, tamb\u00e9m conhecida por \u201cFoot and Mouth Disease\u201d, \u00e9 uma enfermidade causada por um v\u00edrus da fam\u00edlia Picornaviridae, g\u00eanero Aphtov\u00edrus. \u00c9 muito contagiosa e acomete naturalmente animais biungulados dom\u00e9sticos e selvagens, como bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos e su\u00ednos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os preju\u00edzos podem ocorrer de forma direta, devido aos sinais cl\u00ednicos, com redu\u00e7\u00e3o da produtividade e da produ\u00e7\u00e3o do rebanho e consequente diminui\u00e7\u00e3o da rentabilidade da pecu\u00e1ria. E, indiretamente, por meio dos embargos econ\u00f4micos impostos pelos pa\u00edses importadores.<\/p>\n\n\n\n<p>AEN<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>R$ 40 milh\u00f5es \u00e9 o investimento estimado pela Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura do Estado do Paran\u00e1 (Faep) ao longo dos \u00faltimos 24 anos para promo\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias para acabar com a vacina\u00e7\u00e3o contra a febre aftosa nos rebanhos do Paran\u00e1. 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