{"id":32425,"date":"2021-05-28T10:22:48","date_gmt":"2021-05-28T13:22:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=32425"},"modified":"2021-05-28T10:22:50","modified_gmt":"2021-05-28T13:22:50","slug":"com-fim-da-vacinacao-industrias-de-carne-planejam-investimentos-bilionarios-no-parana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/05\/28\/com-fim-da-vacinacao-industrias-de-carne-planejam-investimentos-bilionarios-no-parana\/","title":{"rendered":"Com fim da vacina\u00e7\u00e3o, ind\u00fastrias de carne planejam investimentos bilion\u00e1rios no Paran\u00e1"},"content":{"rendered":"\n<p>O&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.aen.pr.gov.br\/modules\/noticias\/article.php?storyid=112717&amp;tit=Parana-conquista-status-internacional-de-area-livre-de-febre-aftosa-sem-vacinacao\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">novo status sanit\u00e1rio<\/a>&nbsp;alcan\u00e7ado pelo Paran\u00e1 nesta quinta-feira (27), de \u00e1rea livre de febre aftosa sem vacina\u00e7\u00e3o, vai representar um salto ainda maior na cadeia de carne do Estado, o principal produtor de prote\u00edna animal do Pa\u00eds. De olho na abertura de mercados que deve vir na esteira da chancela da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade Animal (OIE), frigor\u00edficos instalados no Paran\u00e1 come\u00e7am, desde j\u00e1, a tirar investimentos bilion\u00e1rios do papel.<\/p>\n\n\n\n<p>Com impacto maior nas ind\u00fastrias bovina e su\u00edna, cujos rebanhos s\u00e3o diretamente prejudicados pela marca da doen\u00e7a, a erradica\u00e7\u00e3o da aftosa tamb\u00e9m deve influenciar o setor leiteiro, a piscicultura e a avicultura paranaense, que hoje \u00e9 respons\u00e1vel por um ter\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o e 40,9% da exporta\u00e7\u00e3o brasileira. Cadeias como a de su\u00ednos, por exemplo, visualizam at\u00e9 dobrar a exporta\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos, tomando, finalmente, a lideran\u00e7a da produ\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Somadas, as carnes de frango, porco e boi do Paran\u00e1 totalizaram quase 6 milh\u00f5es de toneladas em 2020, representando 22,3% da produ\u00e7\u00e3o nacional. De acordo com a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, mesmo com essa escala,&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.aen.pr.gov.br\/modules\/noticias\/article.php?storyid=112714&amp;tit=Com-certificacao-da-aftosa-Parana-vai-acessar-mercados-que-pagam-mais-pela-carne\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">65% do mercado internacional<\/a>&nbsp;ainda n\u00e3o compra as carnes su\u00edna e bovina paranaense por causa do status sanit\u00e1rio vigente at\u00e9 ent\u00e3o. Esse c\u00e1lculo inclui aqueles pa\u00edses que pagam melhor pelo produto, como Jap\u00e3o, Coreia do Sul, Chile, M\u00e9xico e membros da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando o Estado consegue conter uma doen\u00e7a como a aftosa, que \u00e9 altamente transmiss\u00edvel e requer um aparato de prontid\u00e3o para dar uma resposta instant\u00e2nea, ele mostra aos importadores que tem um sistema de vigil\u00e2ncia e controle sanit\u00e1rios de qualidade, com capacidade para combater outras enfermidades que s\u00e3o mais dif\u00edceis de detectar ou que, diferente da aftosa, podem ser transmitidas aos humanos\u201d, explica o economista Gustavo Fanaya, coordenador t\u00e9cnico do Sindicato das Ind\u00fastrias de Carnes e Derivados no Estado do Paran\u00e1 (Sindicarne).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Fanaya, ainda que a entidade n\u00e3o tenha um levantamento atualizado, todas as empresas do setor se encontram em processo de expans\u00e3o \u2013 o Sindicarne representa as ind\u00fastrias de carne bovina e su\u00edna. \u201cS\u00e3o projetos em diferentes n\u00edveis e fases, mas que v\u00e3o aumentar a capacidade produtiva para acessar ou ampliar o acesso ao mercado externo. O novo status vai, certamente, alavancar ainda mais essa tend\u00eancia\u201d, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXEMPLO&nbsp;<\/strong>\u2013 Um exemplo emblem\u00e1tico nesse processo \u00e9 a Frimesa, que est\u00e1 construindo em Assis Chateaubriand, no Oeste do Estado, aquele que ser\u00e1 o maior frigor\u00edfico de su\u00ednos da Am\u00e9rica Latina. A primeira fase da obra deve ser conclu\u00edda em 2022, com a capacidade inicial de abate de 7.500 su\u00ednos por dia e investimentos de R$ 840 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a finaliza\u00e7\u00e3o do projeto, a previs\u00e3o \u00e9 dobrar a produ\u00e7\u00e3o na unidade at\u00e9 2030, fechando um investimento total de R$ 1,2 bilh\u00e3o e o abate de at\u00e9 15 mil cabe\u00e7as por dia. A previs\u00e3o \u00e9 de gerar 3,5 mil empregos diretos na primeira fase de implanta\u00e7\u00e3o e 8,5 mil quando a planta estiver em pleno funcionamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA Frimesa j\u00e1 planejava ampliar a produ\u00e7\u00e3o su\u00edna, mas o investimento dessa envergadura s\u00f3 est\u00e1 sendo tirado do papel porque sab\u00edamos que o Paran\u00e1 estava se estruturando para se tornar \u00e1rea livre de febre aftosa sem vacina\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Elias Zydek, diretor-executivo da cooperativa. \u201cUm empreendimento como esse gera muito impacto. Calcula-se que a cada vaga de trabalho direta na suinocultura impacta em outras quatro, porque inclui os produtores associados, fornecedores, transportadoras, entre outros\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, a conquista do novo status sanit\u00e1rio \u00e9 resultado de esfor\u00e7os conjuntos do&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.aen.pr.gov.br\/modules\/noticias\/article.php?storyid=112756&amp;tit=Conquista-do-status-sanitario-atende-compromisso-do-Governo-com-setor-produtivo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Governo do Estado e do setor produtivo<\/a>&nbsp;paranaense, que se organizaram, investiram nas divisas sanit\u00e1rias e promoveram campanhas e audi\u00eancias p\u00fablicas com os produtores. \u201cO Paran\u00e1 ter\u00e1 agora uma grande oportunidade de ampliar o mercado de carne. Estamos muito otimistas, essa \u00e9 a conquista da d\u00e9cada\u201d, salienta Zydek, que tamb\u00e9m ocupa a vice-presid\u00eancia do Sindicarne.<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;Paran\u00e1 tem condi\u00e7\u00f5es de ultrapassar Santa Catarina, atualmente o principal produtor de carne de porco do Pa\u00eds, em at\u00e9 tr\u00eas anos. \u201cO Estado re\u00fane as melhores condi\u00e7\u00f5es, tem \u00e1rea dispon\u00edvel, espa\u00e7o para expans\u00e3o, tecnologia e \u00e9 um dos maiores produtores de gr\u00e3os do Pa\u00eds, usado na alimenta\u00e7\u00e3o dos su\u00ednos. Santa Catarina j\u00e1 est\u00e1 no limite, n\u00e3o tem mais espa\u00e7o f\u00edsico, mas mantinha a vantagem competitiva de contar com o mercado aberto para carne\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.aen.pr.gov.br\/modules\/galeria\/uploads\/65423\/C_VALE__FRANGO_4.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>Produ\u00e7\u00e3o paranaense de frango \u00e9 destaque nacional. Foto: Jonathan Campos\/AEN<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>AVICULTURA&nbsp;<\/strong>\u2013 Mesmo que j\u00e1 mantenha um bom mercado e a lideran\u00e7a disparada na exporta\u00e7\u00e3o de carne de frango, e n\u00e3o seja impactada diretamente pela vacina\u00e7\u00e3o contra a aftosa, a avicultura paranaense tamb\u00e9m \u00e9 beneficiada com o refor\u00e7o no sistema de sanidade animal. Para Irineo da Costa Rodrigues, presidente do Sindicato das Ind\u00fastrias de Produtos Av\u00edcolas do Estado do Paran\u00e1 (Sindiavipar), o Estado tem condi\u00e7\u00f5es de disputar internacionalmente esse mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Paran\u00e1 exporta carne de frango para cerca de 170 pa\u00edses, mas v\u00e1rios deles est\u00e3o se organizando para uma produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, tanto para abastecer o mercado interno como para competir com fortes produtores como o Brasil\u201d, explica. \u201cCom a chancela da OIE, o Paran\u00e1 ganha credibilidade e mostra que est\u00e1 fazendo a li\u00e7\u00e3o de casa para resolver pend\u00eancias na \u00e1rea de sanidade animal e melhorar a sua produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma quest\u00e3o que precisa ser levada a s\u00e9rio tanto pelo setor p\u00fablico como pelo privado se quisermos ser competitivos internacionalmente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, as empresas do setor est\u00e3o buscando incrementar a produ\u00e7\u00e3o e aumentar ao m\u00e1ximo a estrutura operacional. Irineo cita o exemplo da Lar, cooperativa da qual \u00e9 diretor-presidente. \u201cA Lar tinha apenas uma planta de abate de frango h\u00e1 cerca de dois anos, e hoje est\u00e1 operando quatro unidades em cidades diferentes. O abate no per\u00edodo passou de 340 mil para 920 mil aves por dia\u201d, afirma. H\u00e1 no horizonte&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.aen.pr.gov.br\/modules\/noticias\/article.php?storyid=110853\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">R$ 2,4 bilh\u00f5es de investimentos<\/a>&nbsp;planejados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO frango \u00e9 uma cadeia bastante complexa, que exige uma estrutura robusta para garantir a sanidade e a produtividade. Isso vem desde a nutri\u00e7\u00e3o at\u00e9 o zelo total nas granjas, frigor\u00edficos e no transporte para a comercializa\u00e7\u00e3o\u201d, explica. \u201cAssim como o fim da vacina\u00e7\u00e3o contra aftosa, Paran\u00e1 e Brasil tamb\u00e9m podem avan\u00e7ar para conter a salmonela. O controle pode ser dif\u00edcil, mas n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel e vai representar muito para a abertura de mercados e para manter a competitividade da carne de frango\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PROCESSAMENTO&nbsp;<\/strong>\u2013 Al\u00e9m do abate e da venda de carne in natura, o processamento das prote\u00ednas animais tamb\u00e9m ganha cada vez mais for\u00e7a no Estado. H\u00e1 duas semanas, a JBS anunciou a&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.aen.pr.gov.br\/modules\/noticias\/article.php?storyid=112441\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">amplia\u00e7\u00e3o de sua planta em Rol\u00e2ndia<\/a>, no Norte do Paran\u00e1. O investimento de R$ 1,85 bilh\u00e3o ser\u00e1 usado para a constru\u00e7\u00e3o da maior f\u00e1brica de empanados e salsichas do mundo e a expans\u00e3o da atual unidade de aves.<\/p>\n\n\n\n<p>Com previs\u00e3o de produzir at\u00e9 mil toneladas de alimentos preparados por dia a partir do quarto trimestre de 2022, h\u00e1 expectativa de criar cerca de 2,6 mil novos empregos diretos. Presente em 14 munic\u00edpios, incluindo unidades de produ\u00e7\u00e3o, centros de distribui\u00e7\u00e3o, incubat\u00f3rios e f\u00e1bricas de ra\u00e7\u00e3o, a companhia planeja mais investimentos no Estado para os pr\u00f3ximos anos. No Paran\u00e1, a JBS emprega 14,2 mil pessoas, al\u00e9m de gerar outros 42 mil empregos indiretos e contar com mais de 2 mil produtores integrados.<\/p>\n\n\n\n<p>Darlan Jos\u00e9 Carvalho, diretor de Neg\u00f3cios da JBS no Paran\u00e1, ressalta que o Estado \u00e9 prioridade na expans\u00e3o dos neg\u00f3cios da empresa. \u201cDecidimos colocar um investimento importante no Paran\u00e1 porque \u00e9 um estado que tem em seu DNA a produ\u00e7\u00e3o de frango, com produtores bastante competitivos e que conhecem a atividade\u201d, afirma. \u201cO Estado tem uma infraestrutura log\u00edstica muito boa e agora as conquistas na sanidade animal, que \u00e9 um item importante para acessar mercados internacionais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na industrializa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 perspectivas de novos investimentos tamb\u00e9m por parte da BRF, Coopavel, Copacol, Fr\u00edsia, Castrolanda, C.Vale e diversas outras cooperativas e empresas, montante que ultrapassa R$ 2 bilh\u00f5es apenas neste ano, no c\u00e1lculo da Ocepar.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o secret\u00e1rio estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, o principal recado que o Paran\u00e1 passa \u00e9 mostrar ao mundo uma estrutura produtiva mais desenvolvida e sadia, com um servi\u00e7o de inspe\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria de qualidade. \u201cTudo isso vai refletir em novos neg\u00f3cios e na gera\u00e7\u00e3o de empregos, que foi o motivo para lutarmos por essa chancela. O aumento na produ\u00e7\u00e3o, com a expans\u00e3o de novas plantas e abertura de mais turnos, significa mais gente trabalhando\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>AEN<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O&nbsp;novo status sanit\u00e1rio&nbsp;alcan\u00e7ado pelo Paran\u00e1 nesta quinta-feira (27), de \u00e1rea livre de febre aftosa sem vacina\u00e7\u00e3o, vai representar um salto ainda maior na cadeia de carne do Estado, o principal produtor de prote\u00edna animal do Pa\u00eds. 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