{"id":32396,"date":"2021-05-27T11:49:04","date_gmt":"2021-05-27T14:49:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=32396"},"modified":"2021-05-27T11:49:06","modified_gmt":"2021-05-27T14:49:06","slug":"vacinas-contra-covid-o-que-se-sabe-sobre-eficacia-contra-variante-da-india-e-outras-ja-identificadas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/05\/27\/vacinas-contra-covid-o-que-se-sabe-sobre-eficacia-contra-variante-da-india-e-outras-ja-identificadas-no-brasil\/","title":{"rendered":"Vacinas contra covid: o que se sabe sobre efic\u00e1cia contra variante da \u00cdndia e outras j\u00e1 identificadas no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Com o frequente surgimento de novas variantes do coronav\u00edrus no Brasil e no mundo, os cientistas est\u00e3o atentos para identificar se alguma muta\u00e7\u00e3o do v\u00edrus ser\u00e1 capaz de permitir que ele &#8220;escape&#8221; da prote\u00e7\u00e3o que as vacinas existentes hoje conferem ao corpo humano.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora o aparecimento de variantes preocupe, os resultados de estudos feitos sobre as vacinas e as variantes at\u00e9 agora (tanto em laborat\u00f3rio quanto na vida real) s\u00e3o positivos, apontam especialistas em virologia e em doen\u00e7as infecciosas ouvidos pela BBC News Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles avaliam que as vacinas (inclusive aquelas em uso no Brasil &#8211; Coronavac, Astrazeneca\/Oxford e Pfizer) t\u00eam mostrado bons resultados mesmo diante de novas variantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Alertam, no entanto, que \u00e9 uma corrida contra o tempo, j\u00e1 que o v\u00edrus est\u00e1 sofrendo constantes mudan\u00e7as. S\u00f3 a vacina\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, com medidas restritivas, \u00e9 capaz de controlar a transmiss\u00e3o e dificultar a situa\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, que n\u00e3o teria tantas condi\u00e7\u00f5es de evoluir e, eventualmente, se tornar mais amea\u00e7ador que variantes anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem isso, vivemos uma situa\u00e7\u00e3o em que o surgimento de novas variantes \u00e9, infelizmente, esperado \u2014 e os especialistas n\u00e3o descartam que, nesse cen\u00e1rio, poder\u00e1 surgir uma ou mais variantes que &#8220;escapem&#8221; das f\u00f3rmulas de vacina existentes hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As vacinas que a gente tem no Brasil e no mundo est\u00e3o dando conta das variantes. Ainda. Isso quer dizer o qu\u00ea? Que a gente tem que vacinar rapidamente, aproveitando que essas vacinas est\u00e3o funcionando, para evitar justamente que surjam novas variantes que possam realmente escapar dessas vacinas&#8221;, disse \u00e0 BBC News Brasil a bi\u00f3loga Natalia Pasternak, fundadora do Instituto Quest\u00e3o de Ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Abaixo, entenda o que a ci\u00eancia sabe at\u00e9 agora sobre a efic\u00e1cia das vacinas contra as principais variantes, as limita\u00e7\u00f5es dos testes e o que os pesquisadores ainda buscam responder.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"P1-a-variante-prevalente-no-Brasil\">P1, a variante prevalente no Brasil<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma boa not\u00edcia para o Brasil \u00e9 que os estudos feitos at\u00e9 aqui apontam que as tr\u00eas vacinas usadas no pa\u00eds s\u00e3o eficazes contra a variante P1, identificada primeiro em Manaus. Esse indicativo \u00e9 especialmente importante para o pa\u00eds porque essa variante se tornou prevalente &#8211; ou seja, \u00e9 a que mais circula hoje no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O virologista Fl\u00e1vio da Fonseca, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia e professor da UFMG, diz que, de acordo com estudos dispon\u00edveis at\u00e9 aqui, &#8220;a Coronavac parece ter sido a mais afetada em termos de efic\u00e1cia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 P1&#8221;, mas destaca que isso n\u00e3o deve ser interpretado como aus\u00eancia de efic\u00e1cia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando a gente fala sobre ser afetado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 efic\u00e1cia, n\u00e3o \u00e9 que ela deixa de ser eficaz, mas \u00e9 que sofre maior taxa de perda de efic\u00e1cia em compara\u00e7\u00e3o a outros estudos realizados com as cepas originais&#8221;, esclarece.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo as informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis at\u00e9 aqui, os pesquisadores dizem que as vacinas n\u00e3o est\u00e3o &#8220;amea\u00e7adas&#8221; por outras variantes conhecidas, como a brit\u00e2nica ou as identificadas no Rio de Janeiro (P1 e P.1.2).<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 variante indiana, um estudo feito no Reino Unido e divulgado em maio apontou que as vacinas da Pfizer e da AstraZeneca\/Oxford s\u00e3o &#8220;altamente efetivas&#8221; contra uma das variantes indianas do coronav\u00edrus (B.1.617.2) ap\u00f3s as duas doses. Esse estudo mediu a efetividade, ou seja, quanto as vacinas conseguem reduzir os casos de doen\u00e7a na vida real.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o estudo, da ag\u00eancia de sa\u00fade p\u00fablica da Inglaterra, a vacina da Pfizer demonstrou ser 88% eficaz contra casos sintom\u00e1ticos da variante indiana duas semanas ap\u00f3s a segunda dose, em compara\u00e7\u00e3o com 93% de efic\u00e1cia contra a variante brit\u00e2nica. E a AstraZeneca teve 60% de efetividade contra a variante indiana, em compara\u00e7\u00e3o com 66% contra a variante brit\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda n\u00e3o h\u00e1, segundo o Instituto Butantan, informa\u00e7\u00f5es sobre a efic\u00e1cia da Coronavac em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 variante indiana. No entanto, estudos est\u00e3o em andamento para conhecer melhor a rela\u00e7\u00e3o da Coronavac em rela\u00e7\u00e3o a esta e outras variantes (leia mais abaixo).<\/p>\n\n\n\n<p>Antes, estudo cl\u00ednico coordenado pelo Butantan com 12,5 mil volunt\u00e1rios j\u00e1 confirmou a efic\u00e1cia da vacina contra as variantes P1 e P2.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Variante-descoberta-na-\u00c1frica-do-Sul\">Variante descoberta na \u00c1frica do Sul<\/h2>\n\n\n\n<p>At\u00e9 agora, a \u00fanica variante que despertou maior preocupa\u00e7\u00e3o no que se refere \u00e0 efic\u00e1cia das vacinas foi aquela descoberta na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio deste ano,\u00a0a \u00c1frica do Sul chegou a suspender o uso da vacina de Oxford-AstraZeneca depois que um estudo sugeriu que a vacina oferece &#8220;prote\u00e7\u00e3o m\u00ednima&#8221;\u00a0contra casos leves e moderados da variante descoberta em territ\u00f3rio sul-africano.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ela \u00e9 a mais preocupante das variantes em rela\u00e7\u00e3o ao escape de vacinas, mas mesmo ela ainda est\u00e1 coberta pelas vacinas existentes, principalmente para preven\u00e7\u00e3o de agravamento, hospitaliza\u00e7\u00e3o e morte&#8221;, diz Pasternak. &#8220;Mesmo que tenha pequena queda na capacidade de neutraliza\u00e7\u00e3o, ainda est\u00e1 funcionando e, principalmente, funciona para preven\u00e7\u00e3o de hospitaliza\u00e7\u00e3o e morte, que \u00e9 o mais necess\u00e1rio.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Embora essa variante j\u00e1 tenha sido identificada no Brasil, os pesquisadores apontam que ela n\u00e3o conseguiu \u2014 pelo menos at\u00e9 agora \u2014 se espalhar muito no pa\u00eds a ponto de estar entre as principais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ela n\u00e3o se tornou epidemiologicamente relevante no Brasil. Por alguma raz\u00e3o que desconhecemos, a variante sul-africana n\u00e3o venceu a competi\u00e7\u00e3o no Brasil com P1 e outras cepas&#8221;, diz Fl\u00e1vio da Fonseca, acrescentando que n\u00e3o d\u00e1 para descartar que isso possa acontecer no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, os pesquisadores dizem que at\u00e9 aqui as variantes n\u00e3o comprometeram as vacinas e alertam para que todos se vacinem assim que tiverem a oportunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o teve ainda nenhuma vacina ou nenhuma variante que realmente escapou de alguma vacina a ponto de a gente falar: \u00b4puxa, n\u00e3o vai dar para usar, a gente vai ter que redesenhar essa vacina\u00b4. Isso ainda n\u00e3o aconteceu&#8221;, diz Pasternak.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e9dica especialista em doen\u00e7as infecciosas e professora da USP, Silvia Costa diz que &#8220;podemos ficar tranquilos que as vacinas est\u00e3o protegendo e, de qualquer maneira, protegem tamb\u00e9m da forma grave da doen\u00e7a&#8221;. E lembra que as duas doses s\u00e3o necess\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Todas as vacinas dispon\u00edveis no Brasil at\u00e9 o momento precisam de duas doses e essa prote\u00e7\u00e3o vai ocorrer ap\u00f3s, pelo menos, duas semanas da segunda dose. Ent\u00e3o, entre uma e outra, se o indiv\u00edduo tiver uma exposi\u00e7\u00e3o, ele pode ter a doen\u00e7a e pode ser grave. Em menos de duas semanas ap\u00f3s a segunda dose, tamb\u00e9m.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Costa coordena uma pesquisa de covid-19 feita com 22 mil profissionais de sa\u00fade do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da USP, majoritariamente vacinados com a Coronavac.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma nova fase da pesquisa, Costa diz que a equipe est\u00e1 avaliando anticorpos neutralizantes e imunidade celular dos vacinados para mostrar, de forma mais aprofundada, a prote\u00e7\u00e3o que a Coronavac propicia em rela\u00e7\u00e3o a variantes (inclusive a indiana).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Teste-in-vitro-teste-da-vida-real-e-suas-limita\u00e7\u00f5es\">Teste &#8216;in vitro&#8217;, teste da vida real e suas limita\u00e7\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>Como os cientistas chegam a essas respostas sobre efic\u00e1cia das vacinas contra as variantes?<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores apontam que h\u00e1 uma limita\u00e7\u00e3o do que \u00e9 poss\u00edvel testar rapidamente em laborat\u00f3rio. Geralmente, o primeiro passo quando surge uma nova variante \u00e9 testar as vacinas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua capacidade de produ\u00e7\u00e3o de anticorpos neutralizantes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;In vitro, eu pego amostra do sangue do indiv\u00edduo que participa do estudo, vou expor essa amostra a diferentes variantes do v\u00edrus e avaliar a quantidade e tipos de anticorpos que o plasma do indiv\u00edduo foi capaz de produzir na presen\u00e7a das diferentes variantes&#8221;, explica Costa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 assim que se verifica se, caso a pessoa fosse exposta \u00e0quela variante, teria produ\u00e7\u00e3o suficiente para neutralizar as variantes.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema \u00e9 que isso testa apenas uma parte da resposta do corpo a um v\u00edrus, explica Pasternak.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Anticorpos neutralizantes s\u00e3o uma face da nossa resposta imune \u2014 e uma face muito f\u00e1cil de testar com exame de sangue, por isso que a gente faz esse teste rapidamente. Mas a gente tem outras respostas imunes &#8211; os anticorpos que n\u00e3o s\u00e3o neutralizantes, mas que sinalizam para outras c\u00e9lulas do sistema imune, que s\u00e3o importantes; tem a resposta celular, formada pelos linf\u00f3citos T, que tamb\u00e9m \u00e9 muito importante \u2014 talvez mais importante do que a resposta de anticorpos para essa doen\u00e7a \u2014, e isso n\u00e3o se testa facilmente num exame de sangue.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que os cientistas consideram esse tipo de teste um bom indicativo, mas n\u00e3o uma resposta final.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Para saber realmente se aquela vacina protege contra aquela variante, a gente precisa testar isso no campo, no mundo real. Ent\u00e3o, a gente precisa acompanhar uma popula\u00e7\u00e3o que usou aquela vacina e ver qual \u00e9 a incid\u00eancia da doen\u00e7a com aquela variante circulando&#8221;, diz Pasternak.<\/p>\n\n\n\n<p>Costa aponta outra limita\u00e7\u00e3o dos estudos: &#8220;Quando estou avaliando, tanto na vida real, quanto em em vitro, \u00e9 s\u00f3 aquele momento. \u00c9 uma fotografia do que est\u00e1 acontecendo com aquele indiv\u00edduo, por exemplo, quatro semanas ap\u00f3s a segunda dose da vacina. No decorrer do tempo, n\u00f3s n\u00e3o sabemos o que vai acontecer.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>E isso tem a ver com as principais quest\u00f5es, ainda sem resposta, que os cientistas buscam responder em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vacina contra a covid-19: Quanto tempo de imunidade as vacinas nos conferem? Ser\u00e1 necess\u00e1rio vacinar a popula\u00e7\u00e3o de forma peri\u00f3dica?<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o frequente surgimento de novas variantes do coronav\u00edrus no Brasil e no mundo, os cientistas est\u00e3o atentos para identificar se alguma muta\u00e7\u00e3o do v\u00edrus ser\u00e1 capaz de permitir que ele &#8220;escape&#8221; da prote\u00e7\u00e3o que as vacinas existentes hoje conferem ao corpo humano. 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