{"id":32329,"date":"2021-05-24T08:07:03","date_gmt":"2021-05-24T11:07:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=32329"},"modified":"2021-05-24T08:07:04","modified_gmt":"2021-05-24T11:07:04","slug":"como-a-fome-deixa-19-milhoes-de-brasileiros-mais-vulneraveis-a-covid-19-nao-ha-sistema-imune-que-resista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/05\/24\/como-a-fome-deixa-19-milhoes-de-brasileiros-mais-vulneraveis-a-covid-19-nao-ha-sistema-imune-que-resista\/","title":{"rendered":"Como a fome deixa 19 milh\u00f5es de brasileiros mais vulner\u00e1veis \u00e0 covid-19: &#8216;N\u00e3o h\u00e1 sistema imune que resista&#8217;"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>&#8220;Quem quer que tenha sido o pai de uma doen\u00e7a, a m\u00e3e foi uma dieta deficiente&#8221;, diz o m\u00e9dico Ribas Filho, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Nutrologia (Abran), em refer\u00eancia a um lema da nutrologia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A falta de alimentos em quantidade e qualidade nutricional suficientes pode acarretar em crian\u00e7as danos neurol\u00f3gicos, problemas de sa\u00fade mental, queda no rendimento escolar, diabetes, obesidade, hipertens\u00e3o e maior vulnerabilidade a doen\u00e7as infecciosas como a covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>A fome, que crescia no Brasil na \u00faltima d\u00e9cada, acabou se agravando na pandemia. Em 2020, 19 milh\u00f5es de pessoas viviam em situa\u00e7\u00e3o de fome no pa\u00eds, segundo o Inqu\u00e9rito Nacional sobre Inseguran\u00e7a Alimentar no Contexto da Pandemia da covid-19 no Brasil. Em 2018, eram 10,3 milh\u00f5es. Ou seja, em dois anos houve um aumento de 27,6% (ou quase 9 milh\u00f5es de pessoas a mais).<\/p>\n\n\n\n<p>A Unicef (bra\u00e7o da ONU voltado para crian\u00e7as e adolescentes) afirmou que, no mundo, &#8220;6,7 milh\u00f5es de crian\u00e7as menores de cinco anos podem sofrer definhamento (baixo peso para a altura) \u2014 e, portanto, tornar-se perigosamente subnutridas \u2014 em 2020 como resultado do impacto socioecon\u00f4mico da pandemia de covid-19&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O fechamento das escolas em grande parte do pa\u00eds tamb\u00e9m levou a interrup\u00e7\u00f5es da merenda escolar, fundamental na alimenta\u00e7\u00e3o de parte dos alunos da rede p\u00fablica. Sem falar da\u00a0infla\u00e7\u00e3o, que corroeu o poder de compra da popula\u00e7\u00e3o, principalmente de alimentos pela parcela mais pobre.<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto \u00e9 tamb\u00e9m imunol\u00f3gico. A piora na alimenta\u00e7\u00e3o de muitos brasileiros na pandemia tem impacto direto, segundo estudos e especialistas, na capacidade do corpo de combater invasores como o Sars-CoV-2. E por muito tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um\u00a0estudo recente da Universidade da Calif\u00f3rnia\u00a0sobre a preval\u00eancia de doen\u00e7as cr\u00f4nicas no Brasil apontou que adultos que passaram fome na inf\u00e2ncia tinham maior probabilidade de desenvolver diabetes e osteoporose d\u00e9cadas depois.<\/p>\n\n\n\n<p>A BBC News Brasil explica abaixo o que \u00e9 a fome e qual foi o impacto dela durante a pandemia no prato e no sistema imunol\u00f3gico de milh\u00f5es de brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"O-impacto-da-fome-no-sistema-imunol\u00f3gico\">O impacto da fome no sistema imunol\u00f3gico<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma dieta equilibrada \u00e9 fundamental para o sistema imunol\u00f3gico do corpo humano, embora ela por si s\u00f3 n\u00e3o seja capaz de prevenir doen\u00e7as infecciosas como a covid-19. O que comemos afeta diretamente seu funcionamento e, por isso, como nos sentimos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para entender esses mecanismos, \u00e9 preciso primeiro entender como a fome f\u00edsica \u00e9 ativada e inibida. Nosso corpo precisa de energia para funcionar, e sua gera\u00e7\u00e3o demanda &#8220;combust\u00edvel&#8221;, no caso os nutrientes: os macro, que s\u00e3o as prote\u00ednas, carboidratos e gorduras, e os micro, que incluem vitaminas e minerais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/978A\/production\/_118449783_21c5f55a-d3de-42f9-8390-c1468b7736d1.jpg\" alt=\"Projeto Covid Sem Fome\"\/><figcaption>Legenda da foto,Uma dieta equilibrada \u00e9 fundamental para o sistema imunol\u00f3gico do corpo humano<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A ingest\u00e3o deles \u00e9 controlada pelo hipot\u00e1lamo, parte do c\u00e9rebro localizada atr\u00e1s dos olhos. C\u00e9lulas nervosas presentes ali produzem, ao serem ativadas, a sensa\u00e7\u00e3o de fome. Isso ocorre por meio de duas prote\u00ednas que &#8220;causam&#8221; a fome. Perto dali h\u00e1 outra regi\u00e3o do sistema nervoso capaz de &#8220;neutralizar&#8221; a fome, por meio de outras duas prote\u00ednas.<\/p>\n\n\n\n<p>A grosso modo, esse dois conjuntos de c\u00e9lulas nervosas est\u00e3o ligados a sinais como &#8220;estou com fome&#8221; ou &#8220;estou sem fome&#8221;. A transmiss\u00e3o desses sinais envolve tamb\u00e9m horm\u00f4nios que circulam no sangue, principalmente, que podem chegar de v\u00e1rias regi\u00f5es do corpo que cuidam da ingest\u00e3o de alimentos e do armazenamento de energia, como o intestino e o p\u00e2ncreas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que \u00e9 a fome em si e de onde v\u00eam os &#8220;dados&#8221; para o c\u00e9rebro &#8220;saber o que fazer&#8221;?<\/p>\n\n\n\n<p>Bem, a fome f\u00edsica \u00e9 a necessidade de comer, que nos leva a sair em busca de alimentos para, portanto, continuarmos vivos. \u00c9 um sinal fisiol\u00f3gico. Mas tamb\u00e9m tem a ver com subalimenta\u00e7\u00e3o e desnutri\u00e7\u00e3o, ou melhor, a impossibilidade de se alimentar ou o fato de fazer isso de forma errada. Logo, n\u00e3o se trata apenas de est\u00f4mago cheio ou vazio, mas tamb\u00e9m da carga de nutrientes no intestino delgado, por exemplo. Uma pessoa obesa pode estar desnutrida.<\/p>\n\n\n\n<p>Durval Ribas Filho, m\u00e9dico nutr\u00f3logo e presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Nutrologia (Abran), explica que o eixo intestino-c\u00e9rebro \u00e9 respons\u00e1vel por essa transmiss\u00e3o de m\u00e3o dupla. A microbiota intestinal, composta principalmente por bact\u00e9rias que colonizam o corpo logo ap\u00f3s o nascimento, produz diversas subst\u00e2ncias que modulam o sistema nervoso central. \u00c9 dessa rela\u00e7\u00e3o com o sistema nervoso central que surgem as ordens como &#8220;coma mais&#8221; ou &#8220;coma menos&#8221; e a regula\u00e7\u00e3o do metabolismo.<\/p>\n\n\n\n<p>O alimento e seus nutrientes entram como combust\u00edvel necess\u00e1rio para o funcionamento desses processos.<\/p>\n\n\n\n<p>Imagine uma cenoura, vegetal rico em uma subst\u00e2ncia antioxidante que protege a c\u00e9lula, o carotenoide. Ela \u00e9 mastigada, segue pelo trato digest\u00f3rio, \u00e9 digerida no est\u00f4mago e absorvida no intestino delgado. Depois de uma s\u00e9rie de processos de quebra, a cenoura \u00e9 transformada em macro e micronutrientes, segue pela corrente sangu\u00ednea at\u00e9 o f\u00edgado, onde \u00e9 metabolizada por meio de milhares de rea\u00e7\u00f5es enzim\u00e1ticas. Depois volta para a corrente sangu\u00ednea e, com ajuda do cora\u00e7\u00e3o, chega ao organismo como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos destinos s\u00e3o c\u00e9lulas, que para sobreviver tamb\u00e9m precisam de energia, que \u00e9 basicamente a glicose, uma das mol\u00e9culas resultantes da quebra dos nutrientes da cenoura.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas &#8220;cada refei\u00e7\u00e3o que voc\u00ea ingere, voc\u00ea est\u00e1 alimentando n\u00e3o apenas voc\u00ea, mas milh\u00f5es e trilh\u00f5es de bact\u00e9rias no seu intestino&#8221;, explica Ribas Filho.<\/p>\n\n\n\n<p>E essas bact\u00e9rias presentes no intestino t\u00eam papel fundamental nas defesas do corpo contra invasores, j\u00e1 que o sistema imunol\u00f3gico tem em sua base a &#8220;microbiota comensal&#8221;. A maioria das c\u00e9lulas imunes do corpo ficam nessa regi\u00e3o, e a microbiota intestinal atua no amadurecimento, no desenvolvimento e na regula\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 qualquer quantidade ou variedade de comida que far\u00e1 todo esse processo dar certo. &#8220;O segredo da vida est\u00e1 no meio&#8221;, resume o nutr\u00f3logo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em n\u00edveis adequados, os nutrientes fazem com que o sistema imunol\u00f3gico adquirido, aquele que foi gerado ao longo da vida, tenha uma &#8220;produ\u00e7\u00e3o maior de imunoglobulina, mais elimina\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias, mais elimina\u00e7\u00e3o de v\u00edrus, mais elimina\u00e7\u00e3o de fungos, uma resposta autoimune maior e destrui\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas, quer seja cancerosas ou infectadas por v\u00edrus&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Nutrientes tamb\u00e9m estimulam o timo (gl\u00e2ndula do sistema imunol\u00f3gico) a produzir linf\u00f3citos, que expressam citocinas anti-inflamat\u00f3rias e macr\u00f3fagos, que far\u00e3o fagocitose (processo de ingest\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o) e te defendem contra agentes bacterianos, fungicidas, f\u00fangicos, v\u00edrus e c\u00e9lulas cancerosas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>E a falta de nutrientes faz toda a diferen\u00e7a na defesa do corpo. &#8220;Quando h\u00e1 defici\u00eancia de nutrientes, h\u00e1, vamos assim dizer, uma diminui\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de imunoglobulinas, ou seja, aquelas c\u00e9lulas, aquelas prote\u00ednas que lhe protegem. E, consequentemente, voc\u00ea tem uma redu\u00e7\u00e3o na sua elimina\u00e7\u00e3o bacteriana e na sua destrui\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas infectadas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Ribas Filho, n\u00e3o \u00e9 por acaso que, em geral, pessoas desnutridas demandam mais cuidados intensivos do que atletas, por exemplo. A rela\u00e7\u00e3o direta com uma maior gravidade da doen\u00e7a vale tamb\u00e9m para obesidade, tabagismo e sedentarismo, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 que a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tirar o atraso de uma hora para a outra.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/E5AA\/production\/_118449785_dfe77b1d-a5de-4180-aac1-17a72d392292.jpg\" alt=\"Comida\"\/><figcaption>Legenda da foto,A falta de nutrientes faz toda a diferen\u00e7a na defesa do corpo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;O problema \u00e9 que muitas vezes se confunde, e se oferece uma grande quantidade de energia para aquela pessoa achando que est\u00e1 desnutrida e magra. Mas se voc\u00ea for observar em favelas, nas classes mais pobres, no Brasil e em outros pa\u00edses, a grande maioria s\u00e3o mulheres obesas. E elas est\u00e3o desnutridas. Mas porque t\u00eam uma ingest\u00e3o alt\u00edssima de calorias, de macronutrientes, principalmente carboidratos, que s\u00e3o baratos, e gorduras.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas qual seria o tempo ideal? Bem, isso varia de uma pessoa para outra, mas em geral dura pelo menos tr\u00eas meses para mudan\u00e7as na alimenta\u00e7\u00e3o come\u00e7arem a surtir efeito no sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O sistema imunol\u00f3gico demanda tempo para come\u00e7ar a produzir as suas c\u00e9lulas de defesa, pois tem as c\u00e9lulas inatas, com as quais voc\u00ea j\u00e1 nasce, e outras que com o passar do tempo voc\u00ea vai se adaptando e vai recebendo e seu organismo vai se defendendo. Se n\u00f3s fiz\u00e9ssemos uma avalia\u00e7\u00e3o, por exemplo, em um paciente X que tem defici\u00eancia de zinco e c\u00e1lcio e fiz\u00e9ssemos a reposi\u00e7\u00e3o, \u00e9 l\u00f3gico, evidente, que seria o ideal. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o posso dar altas doses de vitaminas ou de minerais porque o excesso tamb\u00e9m tem a\u00e7\u00e3o pr\u00f3-oxidante. A falta \u00e9 um problema e o excesso tamb\u00e9m. Baseado nisso, \u00e9 o velho segredo da vida que est\u00e1 no meio.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Consequ\u00eancias-da-desnutri\u00e7\u00e3o-no-combate-ao-coronav\u00edrus\">Consequ\u00eancias da desnutri\u00e7\u00e3o no combate ao coronav\u00edrus<\/h2>\n\n\n\n<p>Ao longo da pandemia, grupos de pesquisa investigaram as consequ\u00eancias da nutri\u00e7\u00e3o deficiente em pacientes infectados com covid-19. E as causas para problemas de alimenta\u00e7\u00e3o v\u00e3o al\u00e9m da fome ligada \u00e0 pobreza.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos primeiros estudos sobre o tema foi publicado no European Journal of Clinical Nutrition em abril de 2020 a partir de dados de 182 pacientes de Wuhan, cidade chinesa onde come\u00e7ou oficialmente a pandemia, no fim de 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores\u00a0levantaram diversas hip\u00f3teses\u00a0para os quadros de desnutri\u00e7\u00e3o, presente em metade dos pacientes com covid-19, principalmente os idosos. Entre eles, o impacto de sintomas gastrointestinais na ingest\u00e3o de alimentos, a perda de apetite por ansiedade, a redu\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de algumas prote\u00ednas durante a resposta do corpo ante uma inflama\u00e7\u00e3o grave e o quadro de diabetes mellitus (associado a problemas no metabolismo de nutrientes).<\/p>\n\n\n\n<p>Outro estudo sobre o tema foi publicado no British Journal of Nutrition e produzido por pesquisadores de Toulouse, cidade do sul da Fran\u00e7a. Eles acompanharam 80 pacientes diagnosticados com covid-19 que foram internados em um hospital da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Do total, 30 foram diagnosticados com subnutri\u00e7\u00e3o. Esse quadro \u00e9 definido a partir de diversos crit\u00e9rios, como o \u00edndice de massa corporal (rela\u00e7\u00e3o entre peso e altura), perda de peso recente e redu\u00e7\u00e3o na ingest\u00e3o de comida.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso desses pacientes, muitos passaram a ter problema com alimenta\u00e7\u00e3o depois de contra\u00edrem covid-19, que costuma afetar o olfato e o paladar dos pacientes. Por exemplo, 46% dos pacientes reduziram pela metade o consumo de alimentos durante a infec\u00e7\u00e3o e 28% tiveram perda de apetite.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/133CA\/production\/_118449787_5e37f4ba-6d8a-4d71-8173-0edcd748603f.jpg\" alt=\"Projeto Covid Sem Fome\"\/><figcaption>Legenda da foto,A falta de acesso regular a alimentos suficientes e nutritivos entre fam\u00edlias carentes colocam-nas em maior risco de desnutri\u00e7\u00e3o, fome oculta (defici\u00eancia de micronutrientes), obesidade e doen\u00e7as cr\u00f4nicas relacionadas \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Segundo os pesquisadores, ao chegarem aos hospitais, esses pacientes tinham uma concentra\u00e7\u00e3o da prote\u00edna albumina no sangue t\u00e3o baixa quanto a detectada em outras doen\u00e7as inflamat\u00f3rias graves. Essa prote\u00edna, ligada \u00e0 regula\u00e7\u00e3o do pH sangu\u00edneo, \u00e9 usada por profissionais de sa\u00fade como indicador do n\u00edvel nutricional do paciente, e a presen\u00e7a dela em n\u00edveis muito baixos \u00e9 associada a uma mortalidade maior.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00famero reduzido de pacientes envolvidos nesse estudo n\u00e3o permite conclus\u00f5es amplas sobre o impacto de subnutri\u00e7\u00e3o na mortalidade por covid-19. De todo modo, por um lado, o n\u00famero de pacientes nutridos e subnutridos que precisaram de um leito UTI era equivalente; de outro, os \u00fanicos tr\u00eas pacientes que morreram eram subnutridos. &#8220;Tendo em vista a alta preval\u00eancia, \u00e9 um elemento essencial o suporte nutricional para pacientes em tratamento por covid-19&#8221;, afirmam os\u00a0pesquisadores franceses.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Impacto-da-alimenta\u00e7\u00e3o-em-rela\u00e7\u00e3o-\u00e0-covid19\">Impacto da alimenta\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 covid-19<\/h2>\n\n\n\n<p>Para o m\u00e9dico Arnold R. Eiser, professor em\u00e9rito da Universidade da Pensilv\u00e2nia (EUA), a alimenta\u00e7\u00e3o adequada talvez seja o fator mais importante na origem da tempestade de citocinas, nome dado a uma rea\u00e7\u00e3o desmedida do sistema imunol\u00f3gico contra invasores como a covid-19 que acaba prejudicando o pr\u00f3prio corpo e em alguns casos levando \u00e0 morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Em artigo publicado no Journal of Alternative and Complementary Medicine, ele discorre sobre caracter\u00edsticas anti-inflamat\u00f3rias das dietas japonesa e mediterr\u00e2nea (ricas em \u00f4mega 3, verduras, legumes e cereais integrais, por exemplo) em compara\u00e7\u00e3o ao perfil pr\u00f3-inflamat\u00f3rio da dieta ocidental, rica em carne vermelha, latic\u00ednios e a\u00e7\u00facar, entre outros. Estes est\u00e3o ligados a rea\u00e7\u00f5es inflamat\u00f3rias do corpo e tamb\u00e9m est\u00e3o entre os fatores associados ao surgimento de doen\u00e7as cardiovasculares e obesidade, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Eiser defende mais pesquisas sobre o\u00a0papel anti-inflamat\u00f3rio\u00a0e preventivo da alimenta\u00e7\u00e3o na pandemia. &#8220;A profilaxia da supress\u00e3o de citocinas por meio de mudan\u00e7as na dieta pode ser ben\u00e9fica na redu\u00e7\u00e3o da letalidade em uma pandemia como a da covid-19. Mudan\u00e7as diet\u00e9ticas em dire\u00e7\u00e3o a uma dieta anti-inflamat\u00f3ria tamb\u00e9m t\u00eam benef\u00edcios adicionais \u00e0 sa\u00fade, incluindo redu\u00e7\u00e3o da morbidade e mortalidade cardiovascular, redu\u00e7\u00e3o da preval\u00eancia de dem\u00eancia e efeitos antidiab\u00e9ticos, de modo que a sa\u00fade p\u00fablica poderia se beneficiar mais amplamente do que apenas na pandemia de covid-19.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, um grupo de dezenas de pesquisadores europeus aventa\u00a0outras hip\u00f3teses, como a rela\u00e7\u00e3o entre alimenta\u00e7\u00e3o e os n\u00edveis de ACE2, enzima usada como porta de entrada pelo coronav\u00edrus para invadir as c\u00e9lulas humanas. Ou seja, alimentos ricos em gordura saturada (como carne vermelha e latic\u00ednios) podem deixar algumas pessoas mais vulner\u00e1veis \u00e0 doen\u00e7a. Na dire\u00e7\u00e3o oposta, alimentos com potencial antioxidante podem ser ben\u00e9ficos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a especialista em sa\u00fade p\u00fablica nutricional Amanda Avery, professora da Universidade de Nottingham (Reino Unido), outro fator poss\u00edvel passa pela rela\u00e7\u00e3o entre alimenta\u00e7\u00e3o e os conjuntos de micro-organismos (microbiota ou flora) presentes no intestino e nos pulm\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Alimentos fermentados e probi\u00f3ticos, afirma ela, t\u00eam potencial para ajudar o organismo a prevenir infec\u00e7\u00f5es como a covid-19. No intestino, por exemplo, vivem bact\u00e9rias que se nutrem do que comemos e assim se proliferam e produzem mais nutrientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os pesquisadores defendem estudos mais aprofundados sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Qualidade-da-alimenta\u00e7\u00e3o-e-disparidades-raciais\">Qualidade da alimenta\u00e7\u00e3o e disparidades raciais<\/h2>\n\n\n\n<p>Em\u00a0artigo publicado na revista cient\u00edfica The New England Journal of Medicine, um grupo de cinco pesquisadores de institui\u00e7\u00f5es dos EUA, entre elas a Universidade Harvard, e um da Universidade de Atenas (Gr\u00e9cia), tratam do impacto muito maior da pandemia sobre comunidades negras, latinas e ind\u00edgenas em territ\u00f3rio americano a partir do ponto de vista da alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo eles, essas comunidades s\u00e3o proporcionalmente mais afetadas por problemas nutricionais, obesidade e outras doen\u00e7as cr\u00f4nicas em raz\u00e3o de fatores socioecon\u00f4micos, educacionais e ambientais. &#8220;Pessoas em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar e vivendo em desertos de comidas (lugares com pouca oferta de alimentos saud\u00e1veis) t\u00eam acesso predominante a alimentos baratos e processados.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Essas disparidades ficaram ainda mais n\u00edtidas durante a pandemia, que atingiu desproporcionalmente pessoas negras, latinas e ind\u00edgenas nos EUA. Esses grupos chegaram a ter taxas de interna\u00e7\u00e3o cinco vezes maior que a dos brancos, por exemplo, e a mortalidade dos negros \u00e9 duas vezes maior.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As disparidades de sa\u00fade em nutri\u00e7\u00e3o e obesidade est\u00e3o intimamente relacionadas \u00e0s alarmantes discrep\u00e2ncias raciais e \u00e9tnicas relacionadas \u00e0 covid-19.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A qualidade da alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9, obviamente, o \u00fanico fator envolvido no impacto em minorias \u00e9tnicas ou classes menos favorecidas. Pesquisadores apontam outras raz\u00f5es, como a natureza dos empregos (mais presenciais e, portanto, expostos), o acesso desigual ao sistema de sa\u00fade, a densidade populacional das habita\u00e7\u00f5es, a falta de saneamento b\u00e1sico e a inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos EUA, o n\u00famero de fam\u00edlias latinas e negras que enfrentam a possibilidade de n\u00e3o ter o que comer \u00e9 tr\u00eas vezes maior do que entre fam\u00edlias brancas, segundo\u00a0pesquisa publicada pelo Urban Institute\u00a0a partir de dados da Pesquisa de Rastreamento do Coronav\u00edrus nos EUA. Durante a pandemia, o n\u00famero de americanos que passam fome passou de 35 milh\u00f5es para 50 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 diferente nas favelas brasileiras, que somam cerca de 13 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo feito em duas favelas de S\u00e3o Paulo no in\u00edcio da quarentena investigou a inseguran\u00e7a alimentar entre mar\u00e7o e junho de 2020 a partir de 909 chefes de fam\u00edlia. A conclus\u00e3o dos pesquisadores foi a de que a falta de acesso regular a alimentos suficientes e nutritivos por essas fam\u00edlias colocam-nas em maior risco de desnutri\u00e7\u00e3o, fome oculta (defici\u00eancia de micronutrientes), obesidade e doen\u00e7as cr\u00f4nicas relacionadas \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pesquisa, 88% das fam\u00edlias s\u00e3o chefiadas por mulheres jovens que trabalham como faxineiras, auxiliares de cozinha e em servi\u00e7os de vendas, algumas das categorias profissionais mais expostas ao cont\u00e1gio da covid-19. A cada dez, nove relataram incertezas sobre a compra ou o recebimento de alimentos, seis comiam menos do que deveriam e cinco viveram inseguran\u00e7a alimentar moderada ou grave. Os fatores associados \u00e0 fome s\u00e3o baixa renda, baixa escolaridade e morar em casa sem filhos (o que reduz o valor do Bolsa Fam\u00edlia ou do aux\u00edlio emergencial).<\/p>\n\n\n\n<p>Um quinto das fam\u00edlias recebia Bolsa Fam\u00edlia, principal fator de prote\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica. Ao longo da pandemia, os pesquisadores avaliaram o acesso a alimentos nas duas favelas (Heli\u00f3polis e Vila S\u00e3o Jos\u00e9) a cada seis meses, e ficou claro como a trajet\u00f3ria da escassez de alimentos (saud\u00e1veis ou n\u00e3o) era marcada por altos e baixos. O aux\u00edlio emergencial deu um certo al\u00edvio, mas a interrup\u00e7\u00e3o, a redu\u00e7\u00e3o do valor e a limita\u00e7\u00e3o para benefici\u00e1rios trouxe de volta a inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o, entretanto, n\u00e3o come\u00e7ou com a pandemia, mas se agravou com ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista \u00e0 BBC News Brasil, a nutricionista Luciana Tomita, professora da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e uma das pesquisadoras respons\u00e1veis pelo estudo em S\u00e3o Paulo, disse que o mais chocante foi encontrar quase metade das fam\u00edlias j\u00e1 nas primeiras semanas da pandemia em situa\u00e7\u00e3o de escassez de alimentos moderada ou grave. &#8220;A redu\u00e7\u00e3o da renda dessa popula\u00e7\u00e3o foi quase autom\u00e1tica&#8221;, disse Tomita.<\/p>\n\n\n\n<p>Grande parte dessas fam\u00edlias tem empregos tempor\u00e1rios, sem carteira assinada, de renda inst\u00e1vel e insuficiente. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma dificuldade de oferta e acesso a alimentos e ainda mais nutritivos. Perto das comunidades h\u00e1 f\u00e1cil acesso a alimentos ultraprocessados. Os pre\u00e7os tamb\u00e9m foram monitorados.\u00a0Os pesquisadores relataram\u00a0ouvir como resposta ao n\u00e3o consumo de alimentos saud\u00e1veis a frase &#8220;\u00e9 caro e n\u00e3o enche barriga&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"E-quais-s\u00e3o-as-sa\u00eddas-poss\u00edveis\">E quais s\u00e3o as sa\u00eddas poss\u00edveis?<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/AAE9\/production\/_114935734_gettyimages-157288292.jpg\" alt=\"arroz e feij\u00e3o\"\/><figcaption>Legenda da foto,Durante a pandemia, houve alta dos pre\u00e7os de alimentos no Brasil, que afetam mais as fam\u00edlias mais pobres<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Segundo a legisla\u00e7\u00e3o brasileira, a seguran\u00e7a alimentar e nutricional &#8220;consiste na realiza\u00e7\u00e3o do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a inseguran\u00e7a alimentar ocorre em tr\u00eas n\u00edveis, segundo a escala Ebia. Leve, quando h\u00e1 incerteza ou receio a respeito da capacidade de passar fome em um futuro pr\u00f3ximo ou em conseguir alimentos; moderada, situa\u00e7\u00e3o em que h\u00e1 restri\u00e7\u00e3o na quantidade e na qualidade do alimento para a fam\u00edlia; e grave, quando as pessoas que relatam passar fome, quando n\u00e3o se consome comida por um dia inteiro ou mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em\u00a0estudo sobre a fome durante a pandemia de covid-19, publicada na revista SER Social, a soci\u00f3loga Sirl\u00e2ndia Schappo, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), diz: &#8220;a aus\u00eancia do direito humano \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o envolve n\u00e3o apenas a falta de renda ou da disponibilidade de alimentos, mas de v\u00e1rios outros fatores, como o n\u00e3o acesso ao alimento, a falta de condi\u00e7\u00f5es adequadas para produzir o alimento, o n\u00e3o acesso \u00e0 terra, a falta de condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade ou de habita\u00e7\u00e3o, entre outras&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das propostas do estudo coliderado por Tomita nas duas favelas paulistanas \u00e9 a agricultura familiar, setor respons\u00e1vel por produzir 75% dos alimentos consumidos no Brasil, segundo dados da FAO (bra\u00e7o da ONU para alimenta\u00e7\u00e3o e agricultura).<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora tamb\u00e9m acompanhou estudantes de uma escola p\u00fablica em Heli\u00f3polis onde constru\u00edram uma horta pedag\u00f3gica com a inten\u00e7\u00e3o de incentivar a alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e a produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. E ficou claro que o sucesso do projeto depende em envolver a comunidade como um todo. &#8220;Seguran\u00e7a alimentar e nutricional \u00e9 isso, n\u00e9? Acesso a alimentos saud\u00e1veis, seguros, em quantidade e qualidade.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, Tomita defende a amplia\u00e7\u00e3o de programas de transfer\u00eancia de renda, como o Bolsa Fam\u00edlia e o aux\u00edlio emergencial. Para ela, o benef\u00edcio precisa atender bem tamb\u00e9m os idosos e os adultos que n\u00e3o t\u00eam filhos, &#8220;com um valor que permita comprar alimentos, botij\u00e3o de g\u00e1s e materiais b\u00e1sicos de necessidade e higiene para que consiga garantir o seu direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada e saud\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O pagamento do aux\u00edlio emergencial come\u00e7ou em abril de 2020, sendo R$ 600 ou R$ 1.200 para m\u00e3es chefes de fam\u00edlia. Depois de cinco parcelas, o valor caiu pela metade. O \u00faltimo dos repasses, de R$ 300 ou R$ 600, ocorreu em dezembro. O programa foi retomado em 2021 com quatro parcelas de R$ 250 e menos benefici\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Estima-se que o custo dos pagamentos para 68 milh\u00f5es de pessoas tenha chegado a R$ 300 bilh\u00f5es em 2020, quase dez vezes o valor do Bolsa Fam\u00edlia, que beneficia cerca de 14 milh\u00f5es de fam\u00edlias com repasse m\u00e9dio de quase R$ 200.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC Brasil<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Quem quer que tenha sido o pai de uma doen\u00e7a, a m\u00e3e foi uma dieta deficiente&#8221;, diz o m\u00e9dico Ribas Filho, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Nutrologia (Abran), em refer\u00eancia a um lema da nutrologia. 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