{"id":32326,"date":"2021-05-24T08:03:28","date_gmt":"2021-05-24T11:03:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=32326"},"modified":"2021-05-24T08:03:29","modified_gmt":"2021-05-24T11:03:29","slug":"filha-encomenda-pelucia-personalizada-com-roupa-da-mae-que-morreu-apos-cancer-simbologia-do-que-e-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/05\/24\/filha-encomenda-pelucia-personalizada-com-roupa-da-mae-que-morreu-apos-cancer-simbologia-do-que-e-amor\/","title":{"rendered":"Filha encomenda pel\u00facia personalizada com roupa da m\u00e3e que morreu ap\u00f3s c\u00e2ncer: &#8216;Simbologia do que \u00e9 amor&#8217;"},"content":{"rendered":"\n<p>Com uma blusa e um \u00f3culos que eram da m\u00e3e que morreu ap\u00f3s um c\u00e2ncer no c\u00e9rebro, uma das filhas decidiu transformar o que era uma simples recorda\u00e7\u00e3o em uma homenagem \u00e0 pessoa mais importante da vida dela.<\/p>\n\n\n\n<p>A pe\u00e7a de roupa escolhida ap\u00f3s a perda da m\u00e3e estava guardada dentro de um saco de organza e uma caixa de madeira na casa de Claudia Regina Rabe, em Curitiba. Mas, ap\u00f3s dez meses convivendo com a saudade da m\u00e3e, ela decidiu encomendar uma pel\u00facia personalizada com os itens.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Eu pegava aquela blusinha, cheirava e devolvia l\u00e1. Em um certo momento vi uma postagem do &#8216;ursinho da mem\u00f3ria&#8217; e gostei da ideia. Na hora que eu peguei aquele ursinho, aqueceu meu cora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 que eu vejo a m\u00e3e ali, mas eu sinto, \u00e9 uma simbologia do que \u00e9 o amor. \u00c9 uma coisa concreta, ent\u00e3o eu beijo e abra\u00e7o e isso acaba me acalmando&#8221;, diz ela.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ana Lucia de Noronha tinha 63 anos e deixou quatro filhas e cinco netos. Claudia \u00e9 a filha mais velha, com 43 anos, e ela conta que os objetos da m\u00e3e foram repartidos entre elas ap\u00f3s seis meses da morte. Cada filha ficou com algum item que remetia \u00e0 m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Guardei como todo mundo guarda por muito tempo, apenas dentro do guarda-roupa, mas no d\u00e9cimo m\u00eas da morte da m\u00e3e, agora em maio, apostei nesse urso como forma de homenagem \u00e0 ela. Deu muito certo, deixo ao lado da minha cama e parece que isso diminuiu um pouco a dist\u00e2ncia entre n\u00f3s&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/CwN4FAebA7Wx7QSHhIFgEN12Teg=\/0x0:1080x1074\/1008x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2021\/o\/B\/pvvjgkRQuUVMGsLXs4Vw\/159804734-3546039715504986-6591359588987348640-n.jpg\" alt=\"A m\u00e3e Ana Lucia de Noronha e a filha Claudia Regina Rabe \u2014 Foto: Arquivo pessoal \"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A m\u00e3e Ana Lucia de Noronha e a filha Claudia Regina Rabe \u2014 Foto: Arquivo pessoal<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A doen\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com Claudia, a m\u00e3e sentiu dores fortes de cabe\u00e7a e pensou que era por causa da dor de dente provocada por um problema de canal.<\/p>\n\n\n\n<p>A idosa foi levada pela fam\u00edlia at\u00e9 o dentista, fez o tratamento, mas mesmo assim a dor persistiu, somada ainda com n\u00e1useas. A outra filha de Ana Lucia a levou ao m\u00e9dico para examin\u00e1-la. No local, ela realizou uma tomografia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Na volta da tomografia, o m\u00e9dico chamou a minha irm\u00e3 e falou que ela tinha que ser operada com urg\u00eancia porque a m\u00e3e estava com uma mancha na cabe\u00e7a, um glioblastoma multiforme n\u00edvel 4, que j\u00e1 tinha tomado todo o lado esquerdo e estava indo para o lado direito. Foi muito assustador&#8221;, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de morar em Curitiba, Ana Lucia estava passando alguns meses na casa da outra filha em Rio Azul, na regi\u00e3o central do Paran\u00e1. Devido \u00e0 necessidade de fazer a cirurgia, as equipes transferiram ela para um hospital em Campo Largo, na Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00f3s n\u00e3o pud\u00edamos entrar, mas vimos ela da janela do quarto do hospital. No dia anterior \u00e0 cirurgia, eu chamei os irm\u00e3os dela, alguns familiares e preparei uma faixa escrito: &#8216;m\u00e3e, vai dar tudo certo&#8217;. Ela leu a faixa, estava bem l\u00facida, agradeceu, deu tchau e tudo. Ela n\u00e3o queria sair da janela, parece que ela estava pressentindo que aquela era uma despedida, seria a \u00faltima vez que \u00edamos nos ver, nos falar&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/nNFHY33nL31Cw6x5q1CE8P6U8as=\/0x0:1440x1440\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2021\/G\/o\/f9gO5XSuq2D9AN2XrX2A\/188400456-3746464115462544-8732194052010132023-n.jpg\" alt=\"Claudia levou uma faixa com mensagens para a m\u00e3e que estava internada no hospital  \u2014 Foto: Arquivo pessoal \"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Claudia levou uma faixa com mensagens para a m\u00e3e que estava internada no hospital \u2014 Foto: Arquivo pessoal<\/p>\n\n\n\n<p>No dia seguinte, em 20 de julho do ano passado, dona Ana Lucia teve a terceira parada card\u00edaca e morreu. O c\u00e2ncer j\u00e1 havia ocupado os dois lados do c\u00e9rebro. Claudia Regina lembra que n\u00e3o levou dez dias entre as primeiras dores de cabe\u00e7a e a morte da m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O m\u00e9dico j\u00e1 tinha falado que o quadro tinha se agravado muito e que eles iriam tentar fazer a cirurgia, mas que talvez ela ficaria com sequelas, como n\u00e3o se lembrar mais de ningu\u00e9m, ficar vegetando. Acredito que a morte foi na verdade a cura dela, pois n\u00e3o merecia ficar nessa situa\u00e7\u00e3o, ela era muito feliz, animada. Como n\u00e3o teve Covid, conseguimos fazer um vel\u00f3rio e nos despedir&#8221;, conta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Objeto que traz sentimentos<\/h2>\n\n\n\n<p>O &#8220;ursinho da mem\u00f3ria&#8221; foi feito por Joelma Cristina Magalh\u00e3es, que tem um ateli\u00ea em Curitiba. Segundo ela, a pel\u00facia tinha como objetivo inicial servir para que as m\u00e3es preservassem pe\u00e7as importantes, como as roupas de beb\u00ea dos filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, depois a ideia expandiu tamb\u00e9m como forma de recorda\u00e7\u00e3o dos entes que j\u00e1 morreram.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em meio a um mundo cada vez mais complicado e cheio de dor, fazer esses ursinhos \u00e9 como se fosse um abra\u00e7o que eu posso dar nas fam\u00edlias, uma esp\u00e9cie de consolo. Eu fazia s\u00f3 com roupas de beb\u00ea, o que j\u00e1 deixava as mam\u00e3es encantadas. At\u00e9 que uma cliente me pediu pra fazer com o pijama da m\u00e3e dela j\u00e1 falecida. Depois dessa primeira n\u00e3o parei mais&#8221;, diz Joelma.<\/p>\n\n\n\n<p>Claudia chegou a postar o resultado do trabalho em uma rede social. A postagem dela teve quase 11 mil curtidas e diversas mensagens de pessoas afirmando terem gostado da ideia.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Estou impressionada com a repercuss\u00e3o que teve a postagem da Claudia. \u00c9 muito gratificante fazer algo que mexe com a emo\u00e7\u00e3o das pessoas, s\u00f3 eu sei o que \u00e9 ver a emo\u00e7\u00e3o de cada uma delas quando recebem a pel\u00facia em m\u00e3os. S\u00e3o mem\u00f3rias e lembran\u00e7as afetivas que ressurgem mais fortes no cora\u00e7\u00e3o. As minhas pel\u00facias s\u00e3o aquele tipo de lembran\u00e7a gostosa, que pode abra\u00e7ar quando o cora\u00e7\u00e3o apertar&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Segundo Claudia Regina, o ursinho de pel\u00facia n\u00e3o &#8220;devolveu&#8221; a m\u00e3e de volta para ela, mas confortou de alguma forma a saudade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;No come\u00e7o, depois que ela faleceu, na minha cabe\u00e7a a m\u00e3e estava ainda l\u00e1 morando com a minha irm\u00e3, ela n\u00e3o tinha morrido, s\u00f3 estava l\u00e1 e iria voltar algum dia. Depois que a ficha foi caindo de que ela completou o ciclo na terra. Hoje eu consigo lembrar e contar a hist\u00f3ria dela sem me desesperar. Foi um simples gesto que me entregou carinho e calma, um objeto que traz sentimentos&#8221;, completa a filha.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/ve_8gRQngrX2RJR83cUtJU6Wl5c=\/0x0:541x434\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2021\/6\/R\/AhNSxSRvA9tBD5GyFJZw\/2.png\" alt=\"'Ursinho da mem\u00f3ria' em homenagem \u00e0 Ana Lucia de Noronha  \u2014 Foto: Arquivo pessoal \"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8216;Ursinho da mem\u00f3ria&#8217; em homenagem \u00e0 Ana Lucia de Noronha \u2014 Foto: Arquivo pessoal<\/p>\n\n\n\n<p>G1PR<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com uma blusa e um \u00f3culos que eram da m\u00e3e que morreu ap\u00f3s um c\u00e2ncer no c\u00e9rebro, uma das filhas decidiu transformar o que era uma simples recorda\u00e7\u00e3o em uma homenagem \u00e0 pessoa mais importante da vida dela. A pe\u00e7a de roupa escolhida ap\u00f3s a perda da m\u00e3e estava guardada dentro de um saco de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":32327,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"advanced_seo_description":"","jetpack_seo_html_title":"","jetpack_seo_noindex":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":{"0":"post-32326","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/1.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32326"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32326"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32326\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32328,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32326\/revisions\/32328"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32327"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32326"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32326"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32326"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}