{"id":32285,"date":"2021-05-20T10:00:14","date_gmt":"2021-05-20T13:00:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=32285"},"modified":"2021-05-20T10:00:16","modified_gmt":"2021-05-20T13:00:16","slug":"covid-testes-insuficientes-e-desorganizados-deixam-brasil-no-escuro-para-controlar-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/05\/20\/covid-testes-insuficientes-e-desorganizados-deixam-brasil-no-escuro-para-controlar-a-pandemia\/","title":{"rendered":"Covid: testes insuficientes e desorganizados deixam Brasil no escuro para controlar a pandemia"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Mais de um ano depois do in\u00edcio da pandemia e no momento em que epidemiologistas alertam para risco de colapso no inverno, a testagem contra covid-19 no Brasil ainda \u00e9 baixa e desorganizada.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil faz 7.857 exames por 100 mil habitantes, segundo boletim epidemiol\u00f3gico do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Com esse \u00edndice, o Brasil fica semelhante \u00e0 Z\u00e2mbia, na posi\u00e7\u00e3o 88 em ranking com 111 pa\u00edses, atr\u00e1s da \u00cdndia e de vizinhos na Am\u00e9rica do Sul. (Entenda abaixo por que os n\u00fameros de testagem n\u00e3o s\u00e3o considerados precisos no Brasil)<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com a vacina\u00e7\u00e3o contra covid iniciada, epidemiologistas apontam que a testagem em massa \u00e9 essencial para apontar as tend\u00eancias da epidemia e embasar decis\u00f5es das autoridades de sa\u00fade para controlar surtos do v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos indicadores essenciais \u00e9 a propor\u00e7\u00e3o de exames positivos, que no Brasil \u00e9 de cerca de 30%, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando ele est\u00e1 alto, pode indicar descontrole da epidemia ou baixa capacidade de testagem. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) aponta que uma taxa de positividade inferior a 5% \u00e9 um indicador de que a epidemia est\u00e1 sob controle.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, nenhum Estado, desde o in\u00edcio da pandemia, apresentou valores t\u00e3o baixos,\u00a0segundo levantamento da Fiocruz.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;At\u00e9 hoje o Brasil continua testando caso que tem quase certeza de que \u00e9 covid. Assim, os assintom\u00e1ticos, que a gente sabe que transmitem covid-19, a gente n\u00e3o est\u00e1 testando praticamente ningu\u00e9m. Se a pessoa chega numa unidade de sa\u00fade sem sintoma, ou dizendo que s\u00f3 teve contato com algu\u00e9m que teve covid, \u00e9 dif\u00edcil que consiga fazer esse teste, porque a oferta \u00e9 pequena&#8221;, diz Diego Xavier, epidemiologista da Fiocruz e respons\u00e1vel pelo Monitora Covid.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Testagem-n\u00e3o-\u00e9-prioridade-no-Brasil\">&#8216;Testagem n\u00e3o \u00e9 prioridade no Brasil&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/0C8F\/production\/_118051230_gettyimages-1228550428.jpg\" alt=\"Bolsonaro segura caixa de rem\u00e9dio em pronunciamento\"\/><figcaption>Legenda da foto,CPI da Covid apura &#8216;a\u00e7\u00f5es e omiss\u00f5es&#8217; do governo federal no combate \u00e0 pandemia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A testagem em massa, ao apontar as tend\u00eancias da epidemia, deveria ser o instrumento para embasar a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas das autoridades de sa\u00fade para controlar a propaga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Sem isso, o poder p\u00fablico pode agir atrasado ou antecipar medidas dr\u00e1sticas que poderiam n\u00e3o ser necess\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o alerta que epidemiologistas fazem desde a chegada do coronav\u00edrus. A diferen\u00e7a \u00e9 que, no come\u00e7o da pandemia, a baixa disponibilidade de testes fazia com que muitos pa\u00edses tivessem que guard\u00e1-los para situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, alguns pa\u00edses conseguiram controlar a pandemia mesmo antes da vacina\u00e7\u00e3o, com teste e rastreamento de contatos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda em maio de 2020,\u00a0o Vietn\u00e3 foi um dos pa\u00edses que conseguiram controlar o coronav\u00edrus\u00a0&#8211; mesmo com sistema de sa\u00fade prec\u00e1rio -, ao concentrar esfor\u00e7os na realiza\u00e7\u00e3o de testes em massa e rastreamento agressivo de contatos de doentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, pa\u00edses com a vacina\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada, como o Reino Unido, usam a testagem para planejar os pr\u00f3ximos passos do relaxamento do lockdown e monitorar os riscos de novas variantes. Segundo dados de maio, foram feitos at\u00e9 agora mais de 2.300 testes por mil habitantes no Reino Unido.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a testagem n\u00e3o vem sendo usada para guiar as pol\u00edticas, como diz o epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas (RS).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A testagem n\u00e3o \u00e9 prioridade porque o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade nunca entendeu por que que se testa. Parece que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade sempre achou que testagem \u00e9 para contar caso, quando, na verdade, testagem \u00e9 uma pol\u00edtica de sa\u00fade para identificar precocemente os casos e evitar a transmiss\u00e3o da doen\u00e7a&#8221;, disse \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro da Sa\u00fade, Marcelo Queiroga, afirmou em maio de 2021 que o Brasil estuda campanha de testagem contra covid. Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa disse apenas que o programa de testagem est\u00e1 em elabora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o informou uma data para lan\u00e7amento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Brasil-atr\u00e1s-de-mais-de-80-pa\u00edses\">Brasil atr\u00e1s de mais de 80 pa\u00edses<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo boletim epidemiol\u00f3gico (de per\u00edodo at\u00e9 8 de maio) do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o Brasil faz 7.857 exames por 100 mil habitantes, o que significa pouco mais de 16,5 milh\u00f5es de exames realizados at\u00e9 o in\u00edcio de maio.<\/p>\n\n\n\n<p>Comparada a dados de outros pa\u00edses at\u00e9 a mesma data, a taxa oficial de 78,57 exames por mil habitantes do Brasil \u00e9 semelhante \u00e0 Z\u00e2mbia (78,13), que fica na posi\u00e7\u00e3o 88 entre 11 pa\u00edses em ranking da plataforma Our World in Data, da Universidade de Oxford.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.bbc.com\/ws\/includes\/idt2\/90107d43-9376-41eb-b0b0-574b8e522112\/image\/816\" alt=\"\u00cdndice de testagem do Brasil \u00e9 igual da Z\u00e2mbia. Pa\u00eds est\u00e1 em 88\u00ba lugar entre 111 pa\u00edses.  .\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Isso deixa o Brasil atr\u00e1s da \u00cdndia (217), al\u00e9m de outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, como Argentina (200), Uruguai (546) e Chile (705). A plataforma n\u00e3o tem dados de testagem do Brasil desde o segundo semestre de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, levantamentos alternativos ao do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, com base em dados divulgados pelos Estados, apontam n\u00fameros maiores de testagem. Segundo o\u00a0Painel Covid-19 &#8211; Estat\u00edsticas do Coronav\u00edrus, plataforma criada pelo analista de sistemas e matem\u00e1tico Giscard Stephanou, que explicou que re\u00fane dados das 27 secretarias estaduais de sa\u00fade sobre diferentes tipos de testes, o total at\u00e9 meados de maio chega a 48 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos reflexos da falta de uma coordena\u00e7\u00e3o nacional em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 testagem est\u00e1 na dificuldade para compila\u00e7\u00e3o dos dados sobre a quantidade de testes aplicados no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>A Fiocruz apontou que no Brasil &#8220;as testagens s\u00e3o feitas com pouco ou nenhum planejamento&#8221; e sequer h\u00e1 &#8220;um indicador confi\u00e1vel sobre seus resultados&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisadores da Fiocruz\u00a0avaliaram tr\u00eas sistemas de informa\u00e7\u00e3o diferentes sobre o tema\u00a0&#8211; Sistema Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL), eSUS-VE e SIVEP-Gripe &#8211; e conclu\u00edram que apresentam sobreposi\u00e7\u00f5es e inconsist\u00eancias entre si.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os problemas apontados, est\u00e3o atraso e perdas no fluxo de dados de testagem, falta de informa\u00e7\u00f5es e exist\u00eancia de campos n\u00e3o preenchidos ou mal preenchidos e notifica\u00e7\u00e3o exclusiva de casos positivos j\u00e1 confirmados por teste.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/7FAF\/production\/_115978623_bd94e89f-10c3-4829-9680-30cfac65ee22.jpg\" alt=\"Pessoa n\u00e3o identificada segura vidro com dose de vacina\"\/><figcaption>Legenda da foto,Mesmo com vacina\u00e7\u00e3o, testagem em massa \u00e9 essencial para apontar as tend\u00eancias da epidemia e embasar decis\u00f5es para controlar surtos do v\u00edrus<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mesmo com essas limita\u00e7\u00f5es, no entanto, os pesquisadores apontam que os dados dispon\u00edveis sobre testes no Brasil podem contribuir para o monitoramento mais preciso da ocorr\u00eancia de covid no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Xavier diz que os Estados tiveram que agir sem uma coordena\u00e7\u00e3o, o que dificultou o controle da testagem e, consequentemente, dos dados sobre os testes pelo governo central. &#8220;Foi a transfer\u00eancia de responsabilidade: o governo federal joga para o governador, que joga para o prefeito, que joga pra popula\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Erramos muito nessa parte de testagem. H\u00e1 um ano, pa\u00edses controlaram a doen\u00e7a sem vacina na \u00c1sia, testando e rastreando. No Brasil, a gente n\u00e3o consegue nem confiar na informa\u00e7\u00e3o de testagem, porque \u00e9 desestruturada&#8221;, disse Xavier, um dos pesquisadores da Fiocruz respons\u00e1veis pelo trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele aponta que, no Brasil, o indicador que vem sendo usado para embasar decis\u00f5es locais sobre restri\u00e7\u00f5es para tentar conter o v\u00edrus \u00e9 a ocupa\u00e7\u00e3o de leitos de UTI, em vez da testagem. N\u00e3o deveria ser assim, diz Xavier. &#8220;Esse indicador (UTI) j\u00e1 mostra pra gente quando a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 extremamente grave.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro sintoma da falta de coordena\u00e7\u00e3o, a perda de testes devido ao vencimento sem uso tamb\u00e9m \u00e9 um problema no Brasil. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade admitiu ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal que existe o risco de perder milh\u00f5es de testes para covid-19, segundo a&nbsp;<em>Folha de S.Paulo<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>No documento, segundo o jornal, o minist\u00e9rio afirma que guardava em abril 4,3 milh\u00f5es de exames em Guarulhos (SP), dos quais havia estimativa de perda de pelo menos 2,3 milh\u00f5es por causa do vencimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Procurado pela BBC News Brasil para comentar a baixa testagem no Brasil e a falta de coordena\u00e7\u00e3o, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade disse que &#8220;a testagem para diagn\u00f3stico da covid-19 cresce constantemente no pa\u00eds&#8221; e que, de janeiro a maio deste ano, a pasta registrou 7,9 milh\u00f5es de testes RT-PCR realizados.<\/p>\n\n\n\n<p>O minist\u00e9rio disse, ainda, que a distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada de acordo com as demandas dos Estados e que o n\u00famero subiu de uma m\u00e9dia di\u00e1ria de exames de 1.148 em mar\u00e7o de 2020 para 63.982 testes di\u00e1rios em abril de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de um ano depois do in\u00edcio da pandemia e no momento em que epidemiologistas alertam para risco de colapso no inverno, a testagem contra covid-19 no Brasil ainda \u00e9 baixa e desorganizada. 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