{"id":31877,"date":"2021-04-23T15:32:14","date_gmt":"2021-04-23T18:32:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=31877"},"modified":"2021-04-23T15:32:17","modified_gmt":"2021-04-23T18:32:17","slug":"sequelas-da-covid-19-prejudicarao-saude-do-brasileiro-por-uma-decada-diz-especialista-em-utis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/04\/23\/sequelas-da-covid-19-prejudicarao-saude-do-brasileiro-por-uma-decada-diz-especialista-em-utis\/","title":{"rendered":"Sequelas da covid-19 prejudicar\u00e3o sa\u00fade do brasileiro por uma d\u00e9cada, diz especialista em UTIs"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O fim da pandemia de coronav\u00edrus nem aparece ainda no horizonte, mas j\u00e1 est\u00e1 claro para muita gente que os impactos ser\u00e3o sentidos por muitos anos mesmo quando a circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus estiver controlada no mundo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e1rea da sa\u00fade p\u00fablica, esse cen\u00e1rio cr\u00edtico deve durar pelo menos uma d\u00e9cada, estima Suzana Lobo, diretora-presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), em entrevista \u00e0 BBC News Brasil. O problema, segundo ela, se agrava ainda mais por causa das desigualdades de acesso a sa\u00fade no Brasil, tanto regionais quanto socioecon\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O servi\u00e7o de urg\u00eancia e emerg\u00eancia vai sofrer muita press\u00e3o tanto pelos problemas pr\u00e9vios dessa desigualdade de distribui\u00e7\u00e3o de leitos como o que a gente v\u00ea pela frente, que vai ter outras ondas, vai ter agravamento de comorbidades dos sobreviventes da covid, a desassist\u00eancia provocada pela restri\u00e7\u00e3o de acesso a pacientes que n\u00e3o foram ao hospital porque tinham medo, doen\u00e7as psicossom\u00e1ticas, condi\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas agudizadas&#8230; Os desafios do Brasil para a pr\u00f3xima d\u00e9cada s\u00e3o enormes&#8221;, enumera Lobo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua avalia\u00e7\u00e3o, muitos pa\u00edses ricos tamb\u00e9m n\u00e3o estavam preparados para enfrentar a pandemia, mas &#8220;o que faz a diferen\u00e7a \u00e9 depois voc\u00ea virar a chave e come\u00e7ar fazer as coisas certas&#8221;. No curto prazo, Lobo defende o controle do espalhamento da doen\u00e7a na popula\u00e7\u00e3o, com medidas como restri\u00e7\u00f5es \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de pessoas &#8220;na hora certa e no local certo, onde os leitos est\u00e3o saturados&#8221; e uso obrigat\u00f3rio de m\u00e1scara.<\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00e9dio e no longo prazo, as sa\u00eddas passam por pontos como redu\u00e7\u00e3o de desigualdades e a amplia\u00e7\u00e3o do n\u00famero de profissionais capacitados para atender \u00e0s novas demandas da pandemia, conforme diagn\u00f3stico apresentado por ela e outros colegas ao ministro da Sa\u00fade, Marcelo Queiroga.<\/p>\n\n\n\n<p>O principal obst\u00e1culo \u00e9 obviamente financeiro. A falta de recursos para a sa\u00fade ante uma demanda crescente ser\u00e1 potencializada pelo aumento do rombo nas contas p\u00fablicas e pela emenda constitucional do teto de gastos, que limitou o aumento de despesas p\u00fablicas at\u00e9 2030.<\/p>\n\n\n\n<p>Um ano antes da pandemia, um estudo publicado no peri\u00f3dico BMC Medicine j\u00e1 apontava que\u00a0a restri\u00e7\u00e3o financeira em programas de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria poderia levar a quase 30 mil mortes evit\u00e1veis no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>A BBC News Brasil lista abaixo quatro desafios importantes de sa\u00fade p\u00fablica para o pa\u00eds nos pr\u00f3ximos meses e anos, al\u00e9m da falta de verbas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Milhares de pacientes com sequelas da covid-19;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Demanda reprimida de cirurgias eletivas que foram canceladas na pandemia;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Impacto negativo no tratamento de doen\u00e7as como c\u00e2ncer;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Vacina\u00e7\u00e3o lenta e novas ondas de infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1. Sequelas da covid e o mito dos&nbsp;<\/strong><strong>&#8216;<\/strong><strong>recuperados<\/strong><strong>&#8216;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em um dado momento da pandemia, quando o n\u00famero de mortes por covid no pa\u00eds j\u00e1 passava de 100 mil (hoje s\u00e3o 365 mil), o governo de Jair Bolsonaro decidiu a exaltar diariamente o n\u00famero de &#8220;recuperados&#8221; da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo da estrat\u00e9gia, considerada negacionista por especialistas, era fazer frente a uma &#8220;cobertura maci\u00e7a de fatos negativos&#8221;, como chegou a dizer o ministro da Secretaria de Governo, o general da reserva Luiz Eduardo Ramos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/1DD8\/production\/_113904670_manifestacion_organos_pt-nc.png\" alt=\"Manifesta\u00e7\u00f5es da covid-19 em outros \u00f3rg\u00e3os e sistemas\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>O conceito de recuperado inclui pessoas que foram diagnosticadas pela doen\u00e7a, mas n\u00e3o morreram. S\u00f3 que muitas delas nem poderiam ser consideradas recuperadas, muito menos curadas, por causa da chamada covid longa.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade persistente tem atingido centenas de milhares de pessoas ao redor com mundo com sintomas que duram semanas ou meses, e alguns deles podem ser inclusive permanentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo de um ano de pandemia, cientistas e profissionais de sa\u00fade ao redor do mundo descobriram que a covid estava associada a mais de 50 manifesta\u00e7\u00f5es de sa\u00fade relacionadas a diversas partes do corpo. Foram identificados danos neurol\u00f3gicos, psicol\u00f3gicos, pulmonares, imunol\u00f3gicos, renais, card\u00edacos, motores, entre muitos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 dezenas deles, como cansa\u00e7o extremo, falta de ar, perda de olfato, dores nas articula\u00e7\u00f5es, problemas de mem\u00f3ria, depress\u00e3o, dores nas articula\u00e7\u00f5es e erup\u00e7\u00f5es na pele.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo pesquisadores de universidades dos Estados Unidos, do M\u00e9xico e da Su\u00e9cia, que analisaram dezenas de estudos sobre o tema com 48 mil pacientes ao todo, os cinco sintomas mais comuns da covid prolongada s\u00e3o fadiga (58%), dor de cabe\u00e7a (44%), dificuldade de aten\u00e7\u00e3o (27%), perda de cabelo (25%) e falta de ar (24%).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 dados dispon\u00edveis sobre o n\u00famero de pessoas atingidas por essa condi\u00e7\u00e3o no Brasil, mas \u00e9 poss\u00edvel ter a dimens\u00e3o a partir de outros pa\u00edses. No Reino Unido, por exemplo, pa\u00eds com um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o brasileira, estima-se que 300 mil pessoas enfrentem a chamada covid longa.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, 1 em cada 10 pessoas que contra\u00edram o v\u00edrus continua doente tr\u00eas meses depois dos primeiros sintomas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/53E8\/production\/_114908412_gettyimages-107429904.jpg\" alt=\"Mulher com fadiga na cama\"\/><figcaption>Legenda da foto,Muitos pacientes com covid persistente enfrentam fadiga debilitante<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O impacto dessa condi\u00e7\u00e3o prolongada, ainda cercada de d\u00favidas e incompreens\u00e3o, deve ser sentido por anos na vida desses pacientes e no sistema de sa\u00fade, em raz\u00e3o do aumento da demanda por tratamentos, profissionais, medicamentos e reabilita\u00e7\u00e3o, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O fardo \u00e9 real e significativo&#8221;, afirmou Hans Kluge, diretor da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) na Europa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"2-Explos\u00e3o-da-fila-de-cirurgias-eletivas\">2. Explos\u00e3o da fila de cirurgias eletivas<\/h2>\n\n\n\n<p>&#8220;O incentivo (de R$ 250 milh\u00f5es) aos munic\u00edpios \u00e9 para zerar a fila de espera de cirurgias eletivas de m\u00e9dia complexidade e diminuir o tempo de espera daqueles que aguardam por procedimentos agendados.&#8221; Esse an\u00fancio de verba extra do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade brasileiro, de janeiro de 2020, mal poderia esperar que a fila fosse come\u00e7ar a explodir poucos meses depois, com a pandemia de covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>As cirurgias eletivas s\u00e3o consideradas necess\u00e1rias, mas n\u00e3o urgentes e podem ser agendadas. Entre as mais demandadas est\u00e3o as oftalmol\u00f3gicas (tratamento de catarata, por exemplo), a corre\u00e7\u00e3o de h\u00e9rnias e a retirada da ves\u00edcula biliar.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio de 2020, pa\u00edses, Estados e munic\u00edpios t\u00eam suspendido muitos procedimentos do tipo por causa da sobrecarga do sistema de sa\u00fade (leitos, profissionais e insumos) e dos riscos de cont\u00e1gio por covid-19. Na Inglaterra, por exemplo, a fila desses pacientes passou de 1.600 pessoas para quase 388 mil em um ano de pandemia, \u00e9 a pior marca desde 2008.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/119F6\/production\/_117628127_0af5010b-f5f4-4368-9f80-f375fd82f8ff.jpg\" alt=\"UTI de hospital em S\u00e3o Paulo\"\/><figcaption>Legenda da foto,Hospitais lotados levaram pa\u00edses, Estados e munic\u00edpios a adiarem cirurgias eletivas e tratamentos, gerando filas enormes e at\u00e9 mortes<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 dados atualizados sobre o tamanho da fila brasileira. Em 2018, o Conselho Federal de Medicina falava em 900 mil pessoas na fila da rede p\u00fablica. Segundo dados atuais do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), em 2020 houve uma queda de 1 milh\u00e3o de cirurgias eletivas em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, montante que se soma \u00e0 fila hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p>De 2018 para 2019, o Brasil havia conseguido ampliar em quase 10% a realiza\u00e7\u00e3o desses procedimentos. Se o pa\u00eds atingisse o mesmo patamar a partir de 2021, levaria quase cinco anos apenas para zerar essa demanda represada pela pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso sem considerar outros fatores que possam levar ao aumento da demanda, como as sequelas deixadas pela pr\u00f3pria covid.<\/p>\n\n\n\n<p>Estados como o Mato Grosso do Sul j\u00e1 t\u00eam anunciado medidas para tentar desafogar a fila, como recursos extras e mutir\u00f5es. Mas se espera uma explos\u00e3o ainda maior da demanda quando a pandemia perder for\u00e7a de vez.<\/p>\n\n\n\n<p>No setor privado, houve ainda um impacto financeiro significativo. A queda de procedimentos eletivos levou diversos hospitais a ficarem no vermelho, porque a receita caiu, mas os custos se mantiveram fixos, aponta levantamento da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Hospitais Privados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"3-Mais-de-50-dos-pacientes-com-c\u00e2ncer-atrasaram-tratamento-\">3. Mais de 50% dos pacientes com c\u00e2ncer atrasaram tratamento<\/h2>\n\n\n\n<p>Os efeitos da pandemia foram sentidos no Brasil e outros pa\u00edses tamb\u00e9m no tratamento e no diagn\u00f3sticos de outras doen\u00e7as, como c\u00e2ncer.<\/p>\n\n\n\n<p>Kluge, diretor da OMS na Europa, Hans Kluge, afirmou que o impacto da pandemia no tratamento do c\u00e2ncer foi &#8220;catastr\u00f3fico&#8221;. Na regi\u00e3o, a \u00e1rea oncol\u00f3gica sofreu interrup\u00e7\u00f5es parciais ou totais em um ter\u00e7o dos pa\u00edses europeus.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Sara Bainbridge, da institui\u00e7\u00e3o filantr\u00f3pica brit\u00e2nica Macmillan Cancer Support, o ano de 2020 foi devastador para muitas pessoas que vivem com c\u00e2ncer e enfrentaram &#8220;atrasos angustiantes ou interrup\u00e7\u00f5es no tratamento ou no diagn\u00f3stico&#8221;. Estimativas apontam dezenas de milhares de pessoas no pa\u00eds deixaram de receber o primeiro diagn\u00f3stico da doen\u00e7a e assim iniciar o tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de metade dos pacientes com c\u00e2ncer no mundo sofreram atrasos no tratamento, entre eles adiamentos na radioterapia ou quimioterapia e cancelamentos de consultas e bi\u00f3psias, apontou um levantamento liderado por Rachel Riera, professora da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e coordenadora no hospital S\u00edrio Liban\u00eas, em parceria com a OMS a partir da revis\u00e3o de dezenas de estudos sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto da covid no tratamento, no diagn\u00f3stico e na pr\u00f3pria sa\u00fade dos pacientes oncol\u00f3gicos pode levar a um aumento do n\u00famero de mortes por c\u00e2ncer. Um estudo liderado por pesquisadores da University College London, do Reino Unido, estimou que pode haver\u00a0quase 18 mil mortes a mais associadas ao c\u00e2ncer ao longo de 12 meses.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"4-Novas-ondas-de-covid-e-vacina\u00e7\u00e3o\">4. Novas ondas de covid e vacina\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Como se n\u00e3o bastassem os problemas citados acima, a pandemia ainda n\u00e3o acabou. Isso significa que o sistema de sa\u00fade brasileiro continuar\u00e1 pressionado por meses (ou anos) com os infectados pela covid em si.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados compilados pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam que 1,8 milh\u00e3o de pessoas no Brasil foram internadas em 2020 e 2021 por casos suspeitos ou confirmados de covid grave. O sistema de sa\u00fade colapsou ou esteve \u00e0 beira do colapso em praticamente todos os Estados do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/15B9A\/production\/_117868988_gettyimages-1232064038.jpg\" alt=\"Parentes participam de vel\u00f3rio de v\u00edtima da covid\"\/><figcaption>Legenda da foto,Grande parte dos Estados brasileiros entraram em colapso pro causa da alta de demanda dos pacientes infectados<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Apesar de alguns sinais positivos de uma melhora da situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica e tr\u00e1gica, o v\u00edrus continua circulando com for\u00e7a no pa\u00eds e a vacina\u00e7\u00e3o caminha a passos lentos. Ou seja, enquanto a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o estiver imunizada, o Brasil continuar\u00e1 a enfrentar ondas da doen\u00e7a que lotam hospitais, matam cada vez mais jovens e agravam a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o de 2020, o ministro da Economia, Paulo Guedes, falou que com &#8220;R$ 5 bilh\u00f5es a gente aniquila o coronav\u00edrus&#8221;. S\u00f3 o aux\u00edlio emergencial custou quase R$ 300 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e1rea da sa\u00fade, um levantamento do Senado Federal aponta que o enfrentamento brasileiro \u00e0 pandemia demandou dos cofres da Uni\u00e3o mais R$ 63 bilh\u00f5es em a\u00e7\u00f5es diretas, como compra de equipamentos, testes e medicamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a doen\u00e7a n\u00e3o for controlada, milhares de pessoas continuar\u00e3o a ficar doentes e os gastos gigantescos dominar\u00e3o o or\u00e7amento nacional para sa\u00fade, que j\u00e1 enfrentava restri\u00e7\u00f5es antes da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada leito de UTI custa de R$ 2.500 a R$ 3.000 por dia, segundo dados da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ou seja, uma unidade com 30 leitos de UTI custa pelo menos R$ 2,3 milh\u00f5es por m\u00eas. O pa\u00eds aumentou a oferta de UTIs em um ter\u00e7o na pandemia, e a implanta\u00e7\u00e3o de cada um dos leitos, seguindo os crit\u00e9rios b\u00e1sicos, \u00e9 estimada em R$ 180 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da satura\u00e7\u00e3o dos hospitais, o outro grande desafio atual \u00e9 o programa de vacina\u00e7\u00e3o, considerado a principal porta de sa\u00edda da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>No papel, o cronograma atual do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade prev\u00ea 563 milh\u00f5es de doses, e a entrega de 154 milh\u00f5es delas no primeiro semestre de 2021, considerando apenas vacinas aprovadas pela Anvisa: Coronavac, AstraZeneca-Oxford e Pfizer.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.bbc.com\/ws\/includes\/idt2\/fd1d046a-8f98-4342-be7a-6d0e1e35ee92\/image\/816\" alt=\"Cronograma previsto de entregas mensais de vacina contra covid-19. Em mar\u00e7o, governo Bolsonaro mudou cinco vezes previs\u00e3o de doses abaixo, em milh\u00f5es.  .\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Isso seria suficiente para imunizar o grupo priorit\u00e1rio inteiro, mas n\u00e3o significa que todas essas 78 milh\u00f5es de pessoas estariam vacinadas antes de julho \u2014 o Brasil tem conseguido aplicar cerca de metade das doses dispon\u00edveis e h\u00e1 um intervalo de semanas entre a primeira e a segunda dose.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas os constantes atrasos em importa\u00e7\u00f5es de insumos e vacinas, al\u00e9m de problemas na produ\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rio nacional e a n\u00e3o aprova\u00e7\u00e3o de outros imunizantes por parte da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) fazem com que esse cronograma seja cada vez mais dif\u00edcil de ser atingido.<\/p>\n\n\n\n<p>A tend\u00eancia, at\u00e9 o momento, \u00e9 que o in\u00edcio da vacina\u00e7\u00e3o dos adultos n\u00e3o priorit\u00e1rios deva acontecer pelo menos em meados do segundo semestre de 2021, enquanto a de jovens com menos de 25 anos deve acontecer s\u00f3 em 2022. A situa\u00e7\u00e3o dos menores de idade \u00e9 ainda mais incerta.<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo recente da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) apontou que que Brasil precisa vacinar 2 milh\u00f5es por dia para controlar pandemia em at\u00e9 um ano. Mas desde o in\u00edcio da vacina\u00e7\u00e3o, s\u00f3 ultrapassou tr\u00eas vezes a marca de 1 milh\u00e3o de vacinados.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fim da pandemia de coronav\u00edrus nem aparece ainda no horizonte, mas j\u00e1 est\u00e1 claro para muita gente que os impactos ser\u00e3o sentidos por muitos anos mesmo quando a circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus estiver controlada no mundo. 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