{"id":31861,"date":"2021-04-22T11:27:52","date_gmt":"2021-04-22T14:27:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=31861"},"modified":"2021-04-22T11:27:55","modified_gmt":"2021-04-22T14:27:55","slug":"auxilio-emergencial-com-beneficio-reduzido-em-2021-brasil-tera-61-milhoes-na-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/04\/22\/auxilio-emergencial-com-beneficio-reduzido-em-2021-brasil-tera-61-milhoes-na-pobreza\/","title":{"rendered":"Aux\u00edlio emergencial: Com benef\u00edcio reduzido em 2021, Brasil ter\u00e1 61 milh\u00f5es na pobreza"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Com o valor menor do aux\u00edlio emergencial este ano, o Brasil deve somar 61,1 milh\u00f5es de pessoas vivendo na pobreza e 19,3 milh\u00f5es na extrema pobreza, segundo estudo publicado nesta quinta-feira (22\/04) pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de S\u00e3o Paulo (Made-USP).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2021, s\u00e3o consideradas pobres as pessoas que vivem com uma renda mensal per capita (por pessoa) inferior a R$ 469 por m\u00eas, ou US$ 1,90 por dia, conforme crit\u00e9rio adotado pelo Banco Mundial. J\u00e1 os extremamente pobres s\u00e3o aqueles que vivem com menos de R$ 162 mensais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, os brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza somavam 51,9 milh\u00f5es. Isto significa que, em 2021, o Brasil ter\u00e1 9,1 milh\u00f5es de pobres a mais do que antes da chegada do coronav\u00edrus ao pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano anterior \u00e0 pandemia, os extremamente pobres eram 13,9 milh\u00f5es. Assim, em apenas dois anos, 5,4 milh\u00f5es de brasileiros se somar\u00e3o a esse grupo que convive com a car\u00eancia extrema.<\/p>\n\n\n\n<p>Para as pesquisadoras Luiza Nassif-Pires, Lu\u00edsa Cardoso e Ana Lu\u00edza Matos de Oliveira, autoras do estudo, o aumento da mis\u00e9ria esperado para esse ano revela que o aux\u00edlio emergencial com valor m\u00e9dio de R$ 250 \u00e9 insuficiente para recompor a perda de renda da popula\u00e7\u00e3o mais pobre em meio \u00e0 pior fase da crise de sa\u00fade p\u00fablica provocada pela covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;J\u00e1 havia um crescimento da pobreza antes da pandemia, isso s\u00f3 n\u00e3o se agravou no ano passado devido ao aux\u00edlio emergencial de R$ 600 a R$ 1.200&#8221;, observa Oliveira.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O novo modelo do aux\u00edlio, que sofreu um corte significativo, est\u00e1 deixando grande parte da popula\u00e7\u00e3o desamparada&#8221;, acrescenta a economista, lembrando ainda que a queda de 4,1% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2020 s\u00f3 n\u00e3o foi maior devido ao benef\u00edcio, que permitiu a parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o manter um n\u00edvel m\u00ednimo de consumo.<\/p>\n\n\n\n<p>As economistas destacam ainda que as mulheres e a popula\u00e7\u00e3o negra s\u00e3o as mais afetadas por essa grave piora das condi\u00e7\u00f5es de vida no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/16657\/production\/_118153719_2educao..jpg\" alt=\"Menino estuda em frente a uma janela, em uma casa de tijolos aparentes\"\/><figcaption>Legenda da foto,Bolsa Fam\u00edlia, sal\u00e1rio m\u00ednimo e maior acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o levaram \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da pobreza no Brasil at\u00e9 2014<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Pobreza-vem-crescendo-desde-2015-\">Pobreza vem crescendo desde 2015<\/h2>\n\n\n\n<p>At\u00e9 2014, a pobreza diminuiu durante anos no Brasil, gra\u00e7as ao avan\u00e7o de pol\u00edticas sociais como o Bolsa Fam\u00edlia, os ganhos reais do sal\u00e1rio m\u00ednimo e a amplia\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2015, sob efeito da crise econ\u00f4mica, a tend\u00eancia se inverteu e a mis\u00e9ria voltou a crescer ano ap\u00f3s ano. A trajet\u00f3ria de alta, no entanto, foi interrompida em 2020, gra\u00e7as ao efeito do aux\u00edlio emergencial.<\/p>\n\n\n\n<p>O benef\u00edcio foi criado em abril do ano passado, com valor de R$ 600, que podia chegar a R$ 1.200 para m\u00e3es solteiras chefes de fam\u00edlia. Foram pagas cinco parcelas nesses valores cheios e outras quatro com os valores reduzido \u00e0 metade, num total de R$ 295 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em julho de 2020, m\u00eas em que o efeito do benef\u00edcio atingiu o seu auge, a taxa de extrema pobreza do pa\u00eds foi reduzida a 2,4% e a de pobreza a 20,3%, estimam as pesquisadoras, com base em dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios) Cont\u00ednua e da Pnad Covid-19 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica).<\/p>\n\n\n\n<p>Foram os patamares mais baixos j\u00e1 registrados para esses indicadores em pelo menos 40 anos, conforme uma s\u00e9rie mais longa produzida pelo pesquisador Daniel Duque, do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas).<\/p>\n\n\n\n<p>A t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, essas mesmas taxas eram de 6,6% e 24,8% em 2019, antes da pandemia. Agora em 2021, a expectativa \u00e9 de que a extrema pobreza atinja 9,1% da popula\u00e7\u00e3o e a pobreza chegue a 28,9%.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/31BF\/production\/_118153721_3favela..jpg\" alt=\"Casas coloridas em uma favela densamente ocupada\"\/><figcaption>Legenda da foto,Popula\u00e7\u00e3o de baixa renda ficou sem aux\u00edlio nenhum de janeiro a mar\u00e7o de 2021<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Neste ano, a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda ficou sem aux\u00edlio nenhum de janeiro a mar\u00e7o. Em abril, o pagamento come\u00e7ou a ser feito primeiramente apenas atrav\u00e9s do aplicativo da Caixa, o que dificultou o uso do recurso por parte das fam\u00edlias, que t\u00eam dificuldade de acesso \u00e0 internet.<\/p>\n\n\n\n<p>O valor do benef\u00edcio foi reduzido a uma m\u00e9dia R$ 250, variando entre R$ 150 para pessoas que moram sozinhas, R$ 250 para domic\u00edlios com mais de uma pessoa e R$ 375 para m\u00e3es solo.<\/p>\n\n\n\n<p>O universo de benefici\u00e1rios foi diminu\u00eddo de 68,2 milh\u00f5es de pessoas em 2020, para 45,6 milh\u00f5es de fam\u00edlias em 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>O saque foi restrito a uma pessoa por fam\u00edlia e limitado a indiv\u00edduos que j\u00e1 receberam o aux\u00edlio em 2020 &#8211;&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-56777152\">o que significa que quem perder a renda esse ano, n\u00e3o poder\u00e1 contar com a ajuda<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O montante autorizado pelo Congresso para o aux\u00edlio emergencial em 2021 \u00e9 de R$ 44 bilh\u00f5es, comparado aos R$ 295 bilh\u00f5es do ano passado. Est\u00e1 previsto o pagamento de quatro parcelas este ano, ante nove parcelas pagas em 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estamos no pior momento da pandemia em termos sanit\u00e1rios, com diversas cidades voltando a restringir atividades e, justamente agora, foi reduzido o est\u00edmulo fiscal&#8221;, observa Oliveira, que \u00e9 professora visitante da Flacso Brasil (Faculdade Latino-\u200bAmericana de Ci\u00eancias Sociais) e coordenadora-geral da secretaria executiva da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Servi\u00e7o P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso deve ter um impacto n\u00e3o s\u00f3 para a popula\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel, mas tamb\u00e9m um efeito macroecon\u00f4mico muito grande. Ent\u00e3o \u00e9 um problema para os mais pobres e para o Brasil como um todo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Mulheres-negras-s\u00e3o-as-mais-prejudicadas-\">Mulheres negras s\u00e3o as mais prejudicadas<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora a redu\u00e7\u00e3o do est\u00edmulo fiscal afete o Brasil como um todo, s\u00e3o as mulheres negras as mais prejudicadas pela redu\u00e7\u00e3o do aux\u00edlio emergencial em 2021, aponta o estudo lan\u00e7ado nesta quinta-feira pelo Made-USP.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes da pandemia, a pobreza atingia 33% das mulheres negras, 32% dos homens negros e 15% das mulheres brancas e dos homens brancos. Com o aux\u00edlio reduzido de 2021, esses mesmos indicadores devem subir a 38%, 36% e 19%.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a taxa de extrema pobreza, antes da crise, era de 9,2% entre mulheres negras, 8,9% entre homens negros, 3,5% entre mulheres brancas e 3,4% entre homens brancos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o benef\u00edcio emergencial nos valores de 2021, a mis\u00e9ria deve chegar a percentuais muito acima dos verificados antes da crise: respectivamente, 12,3%, 11,6%, 5,6% e 5,5%.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/7FDF\/production\/_118153723_4mulhernegra..jpg\" alt=\"Mulher negra de len\u00e7o na cabe\u00e7a com olhar triste, com menino sorridente ao fundo\"\/><figcaption>Legenda da foto,&#8217;Como a posi\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho j\u00e1 \u00e9 mais vulner\u00e1vel, quando h\u00e1 uma crise, elas s\u00e3o mais atingidas&#8217;, diz pesquisadora<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;De modo geral, as mulheres est\u00e3o mais sujeitas \u00e0 pobreza&#8221;, observa Nassif-Pires, professora no Levy Economics Institute do Bard College (EUA).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Elas s\u00e3o mais propensas a terem emprego informal, est\u00e3o segregadas em ocupa\u00e7\u00f5es que pagam menos e existe um hiato salarial entre homens e mulheres mesmo dentro de uma mesma ocupa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, elas mais frequentemente t\u00eam dependentes do que os homens&#8221;, diz a economista.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ent\u00e3o, h\u00e1 toda uma quest\u00e3o que vem de antes da pandemia, mas tudo isso se agrava com a crise, porque, devido \u00e0 informalidade maior, \u00e9 mais f\u00e1cil para elas perderem o emprego&#8221;, destaca, acrescentando que a pandemia tamb\u00e9m exigiu maior produ\u00e7\u00e3o dentro de casa, em atividades de cuidado dos filhos e de idosos, que s\u00e3o no geral realizadas pelas mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em casais heterossexuais, frequentemente \u00e9 a mulher que abre m\u00e3o do emprego&#8221;, lembra a professora do Bard College. Al\u00e9m disso, com as escolas e creches fechadas, muitas mulheres tiveram que deixar seus trabalhos fora de casa por n\u00e3o terem com quem deixar as crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em resumo, como a posi\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho j\u00e1 \u00e9 mais vulner\u00e1vel, quando tem uma crise, elas s\u00e3o mais atingidas&#8221;, sintetiza Nassif-Pires.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra, a pesquisadora \u00e9 enf\u00e1tica quanto \u00e0 origem das maiores taxas de pobreza desta parcela dos brasileiros: a heran\u00e7a da escravid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Essa \u00e9 a resposta r\u00e1pida, mas, para al\u00e9m disso, h\u00e1 todo um racismo estrutural que resulta que, mesmo para um grupo de pessoas com a mesma escolaridade, h\u00e1 diferen\u00e7as no n\u00edvel salarial, nos tipos de ocupa\u00e7\u00e3o e na taxa de informalidade entre negros e brancos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ent\u00e3o existe um racismo muito forte dentro do mercado de trabalho que coloca a popula\u00e7\u00e3o negra numa posi\u00e7\u00e3o um tanto mais prec\u00e1ria em termos de trabalho formal&#8221;, observa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Estados-deveriam-complementar-aux\u00edlio\">&#8216;Estados deveriam complementar aux\u00edlio&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>Para Oliveira, a pesquisa deixa evidente que s\u00e3o as mulheres negras as que mais est\u00e3o sofrendo com a crise atual.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Fica claro que precisamos de pol\u00edticas espec\u00edficas voltadas para esse grupo&#8221;, diz a pesquisadora. &#8220;Precisamos tamb\u00e9m entender como a pol\u00edtica fiscal e a pol\u00edtica econ\u00f4mica como um todo impactam especificamente essa parcela da popula\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A professora da Flacso-Brasil destaca, por exemplo, que cortes de recursos destinados \u00e0 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia social afetam diretamente essa popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a pandemia traz o risco de que avan\u00e7os conquistados nas \u00faltimas d\u00e9cadas na redu\u00e7\u00e3o da desigualdade racial e de g\u00eanero se percam, caso o Estado n\u00e3o d\u00ea uma resposta, na forma de medidas de apoio a essa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Recomendamos a continua\u00e7\u00e3o do aux\u00edlio enquanto a pandemia durar e o pagamento de aux\u00edlios adicionais por Estados e munic\u00edpios, para complementar esse valor t\u00e3o baixo do aux\u00edlio federal de 2021&#8221;, diz Cardoso, pesquisadora de p\u00f3s-doutorado na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/CDFF\/production\/_118153725_5crianas..jpg\" alt=\"Um menino e tr\u00eas meninas negras no batente de uma porta em casa de tijolos sem acabamento\"\/><figcaption>Legenda da foto,&#8217;A pobreza tem um car\u00e1ter geracional. \u00c9 muito prov\u00e1vel que impacto que as fam\u00edlias est\u00e3o sofrendo agora tenha reflexos no futuro&#8217;, afirma economista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Al\u00e9m disso, indicamos tamb\u00e9m a elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas voltadas aos jovens e crian\u00e7as que est\u00e3o em casa, como pol\u00edticas de acesso \u00e0 internet para os alunos de escolas p\u00fablicas, porque a pobreza tem um car\u00e1ter geracional&#8221;, afirma a economista e dem\u00f3grafa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ent\u00e3o esse impacto de agora que as fam\u00edlias est\u00e3o sofrendo n\u00e3o vai durar apenas um ano ou dois. \u00c9 muito prov\u00e1vel que isso se estenda e tenha reflexos no futuro tamb\u00e9m.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Cardoso, a demora do governo para retomar o aux\u00edlio em 2021 e os baixos valores estabelecidos mostram o descaso do governo com a popula\u00e7\u00e3o e com o combate \u00e0s desigualdades. &#8220;Essas coisas deveriam ser prioridades&#8221;, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 viabilidade de se estender o aux\u00edlio enquanto durar a pandemia, Nassif-Pires avalia que a restri\u00e7\u00e3o financeira imposta pelo teto de gastos \u00e9 uma limita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O espa\u00e7o fiscal poderia existir, mas existe um embate pol\u00edtico por esse espa\u00e7o&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Pensando de forma estrat\u00e9gica, o custo do aux\u00edlio emergencial n\u00e3o \u00e9 somente o seu valor de face, porque h\u00e1 um retorno disso. Ele faz com que a economia continue funcionando, ent\u00e3o seu custo l\u00edquido \u00e9 muito menor do que aquele que vai aparecer no Or\u00e7amento.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a professora destaca que o aux\u00edlio emergencial tem papel fundamental no controle da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As pessoas que est\u00e3o na extrema pobreza e na pobreza n\u00e3o t\u00eam a possiblidade de escolher cuidar de sua sa\u00fade. Elas est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o de vida ou morte di\u00e1ria e n\u00e3o podem deixar de trabalhar, mesmo que estejam doentes ou trabalhando em situa\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias e expostas \u00e0 pandemia&#8221;, diz a economista.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Manter a economia funcionando apesar da emerg\u00eancia de sa\u00fade, \u00e0s custas de as pessoas precisarem se expor para sobreviver, tem impacto sobre a pr\u00f3pria continuidade da pandemia. O problema econ\u00f4mico \u00e9 resultado do problema sanit\u00e1rio.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o valor menor do aux\u00edlio emergencial este ano, o Brasil deve somar 61,1 milh\u00f5es de pessoas vivendo na pobreza e 19,3 milh\u00f5es na extrema pobreza, segundo estudo publicado nesta quinta-feira (22\/04) pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de S\u00e3o Paulo (Made-USP). 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