{"id":31796,"date":"2021-04-19T09:34:57","date_gmt":"2021-04-19T12:34:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=31796"},"modified":"2021-04-19T09:35:00","modified_gmt":"2021-04-19T12:35:00","slug":"roberto-carlos-faz-80-anos-da-rejeicao-de-gravadoras-a-sucesso-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/04\/19\/roberto-carlos-faz-80-anos-da-rejeicao-de-gravadoras-a-sucesso-internacional\/","title":{"rendered":"Roberto Carlos faz 80 anos: Da rejei\u00e7\u00e3o de gravadoras a sucesso internacional"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Maria Beth\u00e2nia tinha por volta de 18 anos quando viu Roberto Carlos pela primeira vez na TV. Foi no Programa Jovem Guarda, que o cantor apresentou, ao lado de Erasmo Carlos e Wanderl\u00e9a, de 22 de agosto de 1965 a 17 de janeiro de 1968, na Record. &#8220;Fiquei deslumbrada&#8221;, recorda a baiana. &#8220;Gostei de tudo: da voz, da interpreta\u00e7\u00e3o, do charme&#8230; Fiquei completamente comovida e arrebatada&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Antes de estourar na Record, Roberto participou de&nbsp;<em>Hoje \u00c9 Dia de Rock<\/em>, na extinta TV Rio. Foi em uma dessas apresenta\u00e7\u00f5es que, com 12 anos, o pequeno Luiz Maur\u00edcio, o Lulu Santos, acompanhado do tio Haroldo, descobriu o que queria fazer da vida: &#8220;tocar guitarra na TV&#8221;, como diria na can\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>Minha Vida&nbsp;<\/em>(1986). &#8220;Foi a ponta de um proverbial iceberg. Entramos no teatro antes da transmiss\u00e3o e vi m\u00fasicos ensaiando pela primeira vez. Aquilo mudou minha vida&#8221;, admite o \u00faltimo rom\u00e2ntico.<\/p>\n\n\n\n<p>A mem\u00f3ria afetiva de Teresa Cristina consegue ir ainda mais longe. Ela conta que aprendeu a balbuciar as primeiras palavras, quando era pequena, ouvindo a m\u00e3e, Dona Hilda, cantarolar as m\u00fasicas do Roberto Carlos enquanto lavava roupa no tanque. A m\u00e3e cantava e a filha imitava. &#8220;O \u00e1lbum de 1972, que tem&nbsp;<em>\u00c0 Janela<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>A Montanha<\/em>, foi uma cartilha. Comecei a falar ali, repetindo os versos do Roberto&#8221;, recorda a sambista. &#8220;Tenho uma rela\u00e7\u00e3o muito emotiva com esse disco&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mal sabiam Beth\u00e2nia, Lulu e Teresa que, d\u00e9cadas depois, gravariam \u00e1lbuns em homenagem ao \u00eddolo de todas as idades:\u00a0<em>As Can\u00e7\u00f5es Que Voc\u00ea Fez pra Mim<\/em>\u00a0(1993),\u00a0<em>Lulu Canta &amp; Toca Roberto e Erasmo<\/em>\u00a0(2013) e\u00a0<em>Teresa Cristina + Os Outros = Roberto Carlos<\/em>\u00a0(2012). Esses s\u00e3o apenas tr\u00eas dos mais de 140 t\u00edtulos, entre LPs e CDs, que artistas, nacionais e internacionais, j\u00e1 lan\u00e7aram com m\u00fasicas do artista.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"De-Elvis-a-Sinatra\">De Elvis a Sinatra<\/h2>\n\n\n\n<p>O pioneiro do g\u00eanero foi&nbsp;<em>S\u00f4nia Mello Interpreta Roberto e Erasmo Carlos<\/em>, lan\u00e7ado pela gravadora Odeon no distante ano de 1975. De l\u00e1 para c\u00e1, um n\u00famero incont\u00e1vel de artistas, dos mais diferentes g\u00eaneros e estilos, seguiram o exemplo da cantora pernambucana: Nara Le\u00e3o (1978), Waldick Soriano (1984), Roberto Leal (1999), Padre Marcelo Rossi (2001), Cauby Peixoto (2009), Roberta Miranda (2014) e Nando Reis (2019).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As can\u00e7\u00f5es do Roberto s\u00e3o lindas, falam de amor e t\u00eam conte\u00fado. Por essas e outras, atravessam gera\u00e7\u00f5es&#8221;, tenta explicar Roberta Miranda que, quando adolescente, cansou de sair correndo atr\u00e1s do carro do \u00eddolo s\u00f3 para v\u00ea-lo de perto. &#8220;Certa vez, levei empurr\u00e3o e ralei os joelhos. Naquele dia, at\u00e9 pux\u00e3o de cabelo, me deram&#8221;, cai na risada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/EDC3\/production\/_118076806_a48726e9-4ab4-4f47-8c3e-0fdcd573f15b.jpg\" alt=\"Roberto Carlos e apresentadores e convidados do Programa Jovem Guarda\"\/><figcaption>Legenda da foto,Apresentado por Roberto, Erasmo e Wanderl\u00e9a, Programa Jovem Guarda, da TV Record, durou quase tr\u00eas anos, de agosto de 1965 a janeiro de 1968<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>De todos os tributos, o mais bem-sucedido, comercialmente, foi&nbsp;<em>As Can\u00e7\u00f5es Que Voc\u00ea Fez pra Mim<\/em>&nbsp;(1993). Segundo estimativas extraoficiais, vendeu mais de um milh\u00e3o de c\u00f3pias. A ideia, lembra Beth\u00e2nia, partiu de um dos executivos da Polygram, Max Pierre. Segundo a cantora, Roberto e Erasmo n\u00e3o opinaram sobre os arranjos, nem participaram da sele\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas. &#8220;Ningu\u00e9m opina em repert\u00f3rio meu. Se n\u00e3o, eu n\u00e3o sei cantar&#8221;, garante Beth\u00e2nia que, \u00e0 \u00e9poca, morou dois meses em Los Angeles, onde parte do CD foi gravada.<\/p>\n\n\n\n<p>Roberto Frejat nunca gravou um \u00e1lbum s\u00f3 com m\u00fasicas do xar\u00e1. Mas, em compensa\u00e7\u00e3o, produziu um songbook:&nbsp;<em>Rei&nbsp;<\/em>(1994), que reuniu grandes nomes do rock nacional, como Skank (<em>\u00c9 Proibido Fumar<\/em>), C\u00e1ssia Eller (<em>Parei na Contram\u00e3o<\/em>) e Blitz (<em>Sentado \u00e0 Beira do Caminho<\/em>). Com o Bar\u00e3o, ele cantou&nbsp;<em>Quando&nbsp;<\/em>(1967).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sou muito f\u00e3 da fase mais rock&#8217;n&#8217;roll dos anos 1960. Mas, qualquer pessoa sensata sabe que o talento dele n\u00e3o acabou ali. Tem grandes can\u00e7\u00f5es gravadas nos anos 1970, quando fez a transi\u00e7\u00e3o de Elvis Presley para Frank Sinatra&#8221;, analisa o cantor, compositor e guitarrista.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"O-divisor-de-\u00e1guas\">O divisor de \u00e1guas<\/h2>\n\n\n\n<p>Autor dos livros Roberto Carlos em&nbsp;<em>Detalhes&nbsp;<\/em>(2006) e&nbsp;<em>O R\u00e9u e o Rei: Minha Hist\u00f3ria com Roberto Carlos<\/em>,&nbsp;<em>em Detalhes&nbsp;<\/em>(2014), o jornalista e escritor Paulo C\u00e9sar de Ara\u00fajo divide a carreira do artista em tr\u00eas fases. A primeira vai de 1965 a 1971 e corresponde ao seu auge discogr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;S\u00e3o grandes discos. Um melhor que o outro&#8221;, entusiasma-se. A segunda abrange um per\u00edodo mais longo, de 1972 a 1986. \u00c9 a consolida\u00e7\u00e3o de sua fase rom\u00e2ntica. &#8220;Cai o n\u00famero de grandes can\u00e7\u00f5es por \u00e1lbum. Roberto j\u00e1 n\u00e3o tem o pique criativo de antes&#8221;, detecta. E a terceira e \u00faltima fase: de 1987 at\u00e9 os dias atuais. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 nenhum grande disco, mas ainda temos grandes can\u00e7\u00f5es, como&nbsp;<em>Nossa Senhora&nbsp;<\/em>(1993) e&nbsp;<em>Esse Cara Sou Eu&nbsp;<\/em>(2012)&#8221;, exemplifica.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro \u00e1lbum, com&nbsp;<em>Jo\u00e3o e Maria&nbsp;<\/em>de um lado e&nbsp;<em>Fora do Tom&nbsp;<\/em>do outro, foi lan\u00e7ado em 1959, pela Polydor. Antes disso, por\u00e9m, Roberto ouviu &#8220;n\u00e3o&#8221; de pelo menos quatro gravadoras: Chantecler, RCA, Philips e Odeon. Desde ent\u00e3o, lan\u00e7ou mais de 62 \u00e1lbuns nacionais e 40 internacionais, que venderam, segundo estimativas, algo em torno de 120 milh\u00f5es de c\u00f3pias.<\/p>\n\n\n\n<p>Desses, o mais importante, na opini\u00e3o de Paulo C\u00e9sar, \u00e9&nbsp;<em>Jovem Guarda&nbsp;<\/em>(1965), que traz o megahit&nbsp;<em>Quero Que V\u00e1 Tudo Pro Inferno<\/em>. &#8220;Foi o disco que definiu a sonoridade pop moderna brasileira dos anos 1960&#8221;, sintetiza o pesquisador. &#8220;Historicamente, \u00e9 o disco mais importante da carreira do Roberto. Daquele disco em diante, todo mundo passou a copi\u00e1-lo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/10322\/production\/_118083366_14009a9a-408a-4e3c-931c-2bef2d23f551.jpg\" alt=\"Roberto Carlos com Papa Jo\u00e3o Paulo 2\u00ba\"\/><figcaption>Legenda da foto,Roberto Carlos com Papa Jo\u00e3o Paulo 2\u00ba: al\u00e9m de can\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas e ecol\u00f3gicas, Roberto escreveu can\u00e7\u00f5es religiosas, como Jesus Cristo (1970), A Montanha (1972) e Luz Divina (1991)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para o jornalista e escritor Nelson Motta, o \u00e1lbum mais relevante, musicalmente falando, \u00e9 o de 1969. &#8220;Com&nbsp;<em>N\u00e3o Vou Ficar, Sua Estupidez<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>As Curvas da Estrada de Santos<\/em>, marcou sua passagem de \u00eddolo juvenil para adulto&#8221;, destaca o compositor que teve uma de suas can\u00e7\u00f5es,&nbsp;<em>Como Uma Onda&nbsp;<\/em>(1983), em parceria com Lulu Santos, cantada por Roberto no especial da TV Globo, de 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00e1rik de Souza pensa diferente. Na opini\u00e3o do jornalista e cr\u00edtico musical, o mais importante \u00e9 o \u00e1lbum de 1971. \u00c9 o que traz a autoral&nbsp;<em>Detalhes<\/em>, a psicanal\u00edtica&nbsp;<em>Traumas<\/em>, a rebelde&nbsp;<em>Todos Est\u00e3o Surdos<\/em>, a rom\u00e2ntica&nbsp;<em>Amada Amante<\/em>&#8230; E, ainda,&nbsp;<em>Como Dois e Dois<\/em>, de Caetano Veloso, e&nbsp;<em>Debaixo dos Carac\u00f3is dos Seus Cabelos<\/em>, que Roberto comp\u00f4s para o baiano em seu ex\u00edlio pol\u00edtico, em Londres.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Junto com o parceiro Erasmo, Roberto moldou um pop brasileiro de largo espectro, utilizando elementos da MPB, rock e balada. Tudo coroado pelo excelente desempenho como cantor, de estilo cevado na melhor escola modernista, a de Jo\u00e3o Gilberto&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Amigos-de-f\u00e9\">Amigos de f\u00e9<\/h2>\n\n\n\n<p>A parceria com Erasmo come\u00e7ou em 1963, com&nbsp;<em>Parei na Contram\u00e3o<\/em>, que abre o \u00e1lbum&nbsp;<em>Splish Splash<\/em>. Roberto escreveu um trecho da letra durante seu expediente como datil\u00f3grafo do Minist\u00e9rio da Fazenda. Segundo levantamento do ECAD, Roberto Carlos tem 676 m\u00fasicas cadastradas &#8211; a imensa maioria em parceria com o &#8220;Tremend\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A letra de&nbsp;<em>Imoral, Ilegal ou Engorda<\/em>&nbsp;(1976), por exemplo, foi composta ao telefone: Roberto em Los Angeles e Erasmo no Rio. Mas, alguns de seus cl\u00e1ssicos s\u00e3o solos, como&nbsp;<em>Namoradinha de Um Amigo Meu&nbsp;<\/em>(1966),&nbsp;<em>Como \u00c9 Grande o Meu Amor Por Voc\u00ea&nbsp;<\/em>(1967) &#8211; composta para a primeira mulher, Cleonice Rossi, a Nice &#8211; e&nbsp;<em>Por Isso Corro Demais&nbsp;<\/em>(1967). Suas favoritas s\u00e3o&nbsp;<em>Detalhes&nbsp;<\/em>(1971) e&nbsp;<em>Eu Te Amo Tanto&nbsp;<\/em>(1998) &#8211; homenagem a Maria Rita Sim\u00f5es, sua terceira esposa &#8211; e a mais regravada,&nbsp;<em>Emo\u00e7\u00f5es&nbsp;<\/em>(1981), com 92 vers\u00f5es. Para Erasmo, &#8220;o mais certo das horas incertas&#8221;, comp\u00f4s&nbsp;<em>Amigo&nbsp;<\/em>(1977).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/15142\/production\/_118083368_7056f476-6385-4f89-b98e-968e6af0574f.jpg\" alt=\"Roberto Carlos, Wanderlea e Erasmo Carlos\"\/><figcaption>Legenda da foto,Roberto tem 676 m\u00fasicas cadastradas no ECAD &#8211; a imensa maioria em parceria com Erasmo Carlos. A mais regravada \u00e9 Emo\u00e7\u00f5es (1981).<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Roberto Carlos foi muito sagaz ao perceber que a Jovem Guarda era um movimento passageiro. Quando sentiu que aquele modismo estava prestes a se extinguir, migrou para a fase rom\u00e2ntica. Talvez, se tivesse insistido mais na fase rock&#8217;n&#8217;roll, n\u00e3o tivesse se perpetuado como cantor rom\u00e2ntico&#8221;, analisa o jornalista e historiador Ricardo Cravo Albin. Al\u00e9m de m\u00fasicas que tocam o cora\u00e7\u00e3o, Roberto passou a escrever tamb\u00e9m can\u00e7\u00f5es de apelo ecol\u00f3gico, como&nbsp;<em>O Progresso<\/em>&nbsp;(1976),&nbsp;<em>As Baleias&nbsp;<\/em>(1981) e&nbsp;<em>Amaz\u00f4nia&nbsp;<\/em>(1989), e de cunho religioso, como&nbsp;<em>Jesus Cristo&nbsp;<\/em>(1970),&nbsp;<em>A Montanha<\/em>&nbsp;(1972) e&nbsp;<em>Luz Divina&nbsp;<\/em>(1991).<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das amizades mais longevas da vida de Roberto \u00e9 com a cantora Wanderl\u00e9a, a &#8220;Ternurinha&#8221;. Os dois se conheceram em 1963. Juntos, apresentaram o Programa Jovem Guarda na Record, dividiram os microfones em diversos especiais de fim de ano da Globo e chegaram a contracenar em&nbsp;<em>Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa&nbsp;<\/em>(1970), o segundo de uma trilogia iniciada com&nbsp;<em>Roberto Carlos em Ritmo de Aventura&nbsp;<\/em>(1968) e conclu\u00edda com&nbsp;<em>Roberto Carlos a 300 Quil\u00f4metros por Hora&nbsp;<\/em>(1971), todos de Roberto Farias (1932-2018). &#8220;Deus foi muito gentil ao colocar do meu lado um amigo t\u00e3o especial. Tenho pelo Roberto um amor imenso que s\u00f3 faz aumentar ao longo da jornada. Parece fermento de p\u00e3o&#8221;, brinca a cantora.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/1CAA\/production\/_118083370_0b37d3bf-8968-4532-bbb5-87d28940c1a8.jpg\" alt=\"Roberto Carlos cantando\"\/><figcaption>Legenda da foto,Desde 1959, quando gravou um compacto simples de 78 rota\u00e7\u00f5es, Roberto j\u00e1 lan\u00e7ou mais de 62 \u00e1lbuns nacionais e 40 internacionais, que venderam em torno de 120 milh\u00f5es de c\u00f3pias<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Outro amigo de longa data \u00e9 o maestro Eduardo Lages. No comecinho dos anos 1970, Roberto e Erasmo foram convidados para compor a trilha-sonora da novela<em>&nbsp;O Bofe<\/em>&nbsp;(1972), de Br\u00e1ulio Pedroso. Foi na TV Globo que Roberto conheceu e fez amizade com Eduardo, que trabalhava como produtor musical dos programas&nbsp;<em>Globo de Ouro&nbsp;<\/em>e&nbsp;<em>Fant\u00e1stico &#8211; O Show da Vida<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>A parceria teve in\u00edcio em 1978 e dura at\u00e9 hoje. Em 43 anos de estrada, Eduardo calcula j\u00e1 ter regido a orquestra RC em mais de tr\u00eas mil apresenta\u00e7\u00f5es, no Brasil e no exterior. &#8220;J\u00e1 aconteceu de tudo que voc\u00ea puder imaginar. At\u00e9 cair do palco, no M\u00e9xico, eu ca\u00ed. Sorte que estava na hora da distribui\u00e7\u00e3o das rosas e ca\u00ed nos bra\u00e7os da mulherada&#8221;, diverte-se o maestro. &#8220;O clima nos bastidores \u00e9 muito descontra\u00eddo. Estamos sempre contando piadas e fazendo gra\u00e7a uns com os outros&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Os-reis-da-MPB\">Os &#8220;reis&#8221; da MPB<\/h2>\n\n\n\n<p>Roberto Carlos ganhou o cetro e a coroa de &#8220;Rei&#8221; ainda na Jovem Guarda. Apesar de reconhecer seus m\u00e9ritos, Ricardo Cravo Albin pondera que a MPB tem apenas dois &#8220;reis&#8221;: Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha (1897-1973), e Ant\u00f4nio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o Tom Jobim (1927-1994). A essa lista, Paulo C\u00e9sar de Ara\u00fajo acrescenta mais dois: Francisco Alves (1898-1952), o &#8220;rei&#8221; da voz, e Luiz Gonzaga (1912-1989), o &#8220;rei&#8221; do bai\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/6ACA\/production\/_118083372_9f781bcf-b815-4180-b413-a9e7989a21fa.jpg\" alt=\"Roberto Carlos nos anos 1980\"\/><figcaption>Legenda da foto,A vida de Roberto ser\u00e1 contada no cinema. O filme ter\u00e1 roteiro de Patr\u00edcia Andrade, dire\u00e7\u00e3o de Breno Silveira e supervis\u00e3o art\u00edstica de Nelson Motta e Gl\u00f3ria Perez<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;O Roberto conseguiu algo que nenhum outro artista conseguiu: abolir as lutas de classes. Todo mundo, do rico ao pobre, do letrado ao analfabeto, se casa ao som de suas m\u00fasicas&#8221;, brinca o pesquisador que se prepara para lan\u00e7ar seu terceiro livro dedicado ao cantor,&nbsp;<em>Roberto Carlos: Outra Vez<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra, adianta Paulo C\u00e9sar, ser\u00e1 dividida em dois volumes de mais de 500 p\u00e1ginas cada: o primeiro traz 50 m\u00fasicas comentadas, de 1941 a 1970, e o segundo, mais 50, de 1971 a 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2007, Roberto Carlos entrou na Justi\u00e7a e, alegando invas\u00e3o de privacidade, solicitou a retirada de circula\u00e7\u00e3o de Roberto Carlos em Detalhes (2006), do mesmo autor. O caso foi encerrado depois de um acordo judicial firmado entre o artista, o bi\u00f3grafo e a Editora Planeta, respons\u00e1vel pela publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 \u00e9poca, 11,7 mil exemplares foram recolhidos das livrarias. Em 2015, o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou, por unanimidade, a publica\u00e7\u00e3o de biografias sem autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do biografado ou de seus herdeiros.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Estrada-revisitada\">Estrada revisitada<\/h2>\n\n\n\n<p><em>Roberto Carlos: Outra Vez<\/em>&nbsp;n\u00e3o ser\u00e1 o \u00fanico livro a comemorar os 80 anos de Roberto Carlos. Os outros dois s\u00e3o&nbsp;<em>Roberto Carlos: Por Isso Essa Voz Tamanha<\/em>, do jornalista Jotab\u00ea Medeiros, e Querem Acabar Comigo &#8211; Da Jovem Guarda ao Trono, a Trajet\u00f3ria de Roberto Carlos na Vis\u00e3o da Cr\u00edtica Musical, do pesquisador Tito Guedes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/B8EA\/production\/_118083374_85b676bb-8aa7-46a1-a443-76c008ebf1c3.jpg\" alt=\"Roberto Carlos entrega flor para fas\"\/><figcaption>Legenda da foto,Entre outros compromissos, agenda de 2022 prev\u00ea show em Cachoeiro de Itapemirim, terra natal de Roberto, e tr\u00eas turn\u00eas internacionais: M\u00e9xico, EUA e Europa<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Autor de&nbsp;<em>Belchior: Apenas Um Rapaz Latino-Americano&nbsp;<\/em>(2017) e&nbsp;<em>Raul Seixas: N\u00e3o Diga Que a Can\u00e7\u00e3o Est\u00e1 Perdida&nbsp;<\/em>(2019), Jotab\u00ea cobre a carreira de Roberto desde 1986. Foi mais ou menos nesta \u00e9poca que surgiu a ideia de, um dia, contar a hist\u00f3ria do cantor, desde sua inf\u00e2ncia em Cachoeiro de Itapemirim (ES), cidade a 134 quil\u00f4metros do sul de Vit\u00f3ria, at\u00e9 os dias de hoje, no Rio de Janeiro (RJ).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Procurei fazer uma biografia que respeitasse os limites dos direitos legais de todo cidad\u00e3o, sem abordagens apelativas da intimidade do artista&#8221;, explica Jotab\u00ea que entrevistou 40 pessoas &#8211; muitas sob a condi\u00e7\u00e3o de anonimato para evitar rusgas com o biografado &#8211; e levou um ano e meio para concluir o calhama\u00e7o de 512 p\u00e1ginas.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o pesquisador Tito Guedes, do Instituto Mem\u00f3ria Musical Brasileira (IMMuB), procurou analisar a trajet\u00f3ria do cantor pelo vi\u00e9s da cr\u00edtica musical. Para tanto, analisou uma centena de textos de cr\u00edticos famosos, como S\u00e9rgio Cabral, Zuza Homem de Mello e Ant\u00f4nio Carlos Miguel, de mar\u00e7o de 1965 a abril de 2017. Ao longo de 52 anos, a obra do cantor j\u00e1 foi rotulada de &#8220;brega&#8221;, &#8220;repetitiva&#8221;, &#8220;alienada&#8221;, &#8220;oportunista&#8221; e &#8220;decadente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O discurso da cr\u00edtica em torno do Roberto sempre oscilou. Ora, o tratavam como um cantor sem valor algum. Ora, como o rei da m\u00fasica brasileira. Nos anos 1990, os cr\u00edticos reavaliaram os \u00e1lbuns lan\u00e7ados entre 1965-1969 e trataram como &#8216;cl\u00e1ssicos&#8217; discos que, na \u00e9poca do lan\u00e7amento, foram veementemente recha\u00e7ados&#8221;, d\u00e1 um exemplo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/FBB6\/production\/_118083446_fe4298b6-1608-480f-bd13-f87dfcfccd31.jpg\" alt=\"Roberto e Wanderl\u00e9a\"\/><figcaption>Legenda da foto,Roberto e Wanderl\u00e9a s\u00e3o amigos desde 1963. &#8220;Deus foi muito gentil ao colocar do meu lado um amigo t\u00e3o especial&#8221;, derrama-se a cantora<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Meu-pequeno-Cachoeiro\">Meu pequeno Cachoeiro<\/h2>\n\n\n\n<p>O mais esperado projeto sobre Roberto Carlos, por\u00e9m, ainda n\u00e3o tem previs\u00e3o de lan\u00e7amento. &#8220;O filme s\u00f3 foi interrompido por causa da pandemia, mas j\u00e1 estamos com o roteiro pronto&#8221;, avisa o empres\u00e1rio Dody Sirena, que trabalha com Roberto desde 1992. Tanto a dire\u00e7\u00e3o quanto o roteiro ser\u00e3o da mesma dupla de<em>&nbsp;2 Filhos de Francisco&nbsp;<\/em>(2005) e&nbsp;<em>Gonzaga &#8211; De Pai Pra Filho&nbsp;<\/em>(2012): o cineasta Breno Silveira e a roteirista Patr\u00edcia Andrade.<\/p>\n\n\n\n<p>A supervis\u00e3o art\u00edstica ser\u00e1 de Nelson Motta e Gl\u00f3ria Perez. Quando indagado sobre o que diferencia Roberto de outros astros de sua gera\u00e7\u00e3o, como Chico, Gil e Caetano, Nelson Motta aponta: &#8220;A popularidade e o alcance demogr\u00e1fico, geracional e emocional, e a excel\u00eancia como cantor&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Para escrever o roteiro do longa, Patr\u00edcia consultou revistas e jornais da \u00e9poca e teve algumas reuni\u00f5es com Roberto, que relembrou os momentos mais marcantes de sua vida. &#8220;O mais revelador foi o per\u00edodo da inf\u00e2ncia at\u00e9 a pr\u00e9-adolesc\u00eancia, quando ele andava com a ajuda de uma muleta, fazendo shows em caravanas e apresentando programas de r\u00e1dio&#8221;, adianta.<\/p>\n\n\n\n<p>Filho da costureira Laura e do relojoeiro Robertino, devidamente homenageados em&nbsp;<em>Lady Laura&nbsp;<\/em>(1978) e&nbsp;<em>Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo&nbsp;<\/em>(1979), o ca\u00e7ula de quatro irm\u00e3os sofreu um acidente na linha do trem no dia 29 de junho de 1947, durante os festejos de S\u00e3o Pedro, o padroeiro da cidade. Aos seis anos, o pequeno Zunga, seu apelido de inf\u00e2ncia, teve parte de sua perna direita amputada.<\/p>\n\n\n\n<p>O roteiro, que come\u00e7a em 1941 e vai at\u00e9 os anos 1970, j\u00e1 est\u00e1 em sua quarta vers\u00e3o. Nada demais, tranquiliza Patr\u00edcia. O de&nbsp;<em>Gonzaga &#8211; De Pai Pra Filho<\/em>, a t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, teve seis. &#8220;No caso do Roberto, ele n\u00e3o vetou nada. Apenas esclareceu fatos e sugeriu ideias&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"S\u00faditos-fi\u00e9is\">S\u00faditos fi\u00e9is<\/h2>\n\n\n\n<p>O filme ainda n\u00e3o tem t\u00edtulo definido, elenco escalado ou previs\u00e3o de estreia, mas j\u00e1 tem dois espectadores garantidos: Vera Marchisiello e Carlos Evanney. Vera \u00e9 a coordenadora do Grupo&nbsp;<em>Um Milh\u00e3o de Amigos&nbsp;<\/em>(GUMARC) e Carlos, o &#8220;cover&#8221; oficial de Roberto Carlos, desde 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>O grupo&nbsp;<em>Um Milh\u00e3o de Amigos<\/em>, fundado em 1991, tem hoje 20 mil f\u00e3s cadastrados e o maior acervo do Brasil. S\u00e3o LPs, CDs, VHS, DVDs, revistas, fotos, p\u00f4steres&#8230; Entre os itens mais raros, Vera cita a fotonovela&nbsp;<em>Assim Quis o Destino<\/em>, da revista&nbsp;<em>S\u00e9timo C\u00e9u<\/em>, de 1959; o \u00e1lbum&nbsp;<em>Louco Por Voc\u00ea<\/em>, fora de cat\u00e1logo, de 1961; e at\u00e9 um \u00e1lbum de figurinhas,&nbsp;<em>\u00cddolos da TV<\/em>, dos anos 1960.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A maior extravag\u00e2ncia que cometi foi &#8216;capturar&#8217; um fio de cabelo do Roberto que estava solto sobre a camisa dele. Guardo at\u00e9 hoje em um estojo transparente lacrado&#8221;, orgulha-se Vera, que j\u00e1 perdeu a conta de a quantos shows do Rei j\u00e1 assistiu &#8211; muitos deles em outros estados, como Minas, S\u00e3o Paulo e Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem tamb\u00e9m guarda uma &#8220;lembran\u00e7a pessoal&#8221; do \u00eddolo \u00e9 Carlos Evanney. Todos os anos, Carlos costuma ir, sempre no dia 19 de abril, ao pr\u00e9dio onde o cantor mora, no bairro da Urca, Zona Sul do Rio, para lhe dar os parab\u00e9ns. Em 2003, Roberto resolveu descer at\u00e9 a garagem para cumprimentar os f\u00e3s. Uma admiradora de S\u00e3o Paulo trouxe um bolo, que o aniversariante repartiu entre os &#8220;convidados&#8221;. Um dos peda\u00e7os foi cuidadosamente embrulhado em um guardanapo de papel e entregue a Carlos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Bicho, guardei o bolo at\u00e9 hoje, acredita? N\u00e3o tive coragem de comer! Quando come\u00e7ou a dar bichinho, desidratei a fatia e mandei envernizar&#8221;, esclarece o cantor baiano que, antes da pandemia, fazia uma m\u00e9dia de quatro shows por m\u00eas em bares, boates e churrascarias. &#8220;Vou aos lugares que o Roberto, hoje em dia, n\u00e3o pode ir mais. O p\u00fablico sente como se estivesse assistindo a um show dele. Na hora das rosas, ent\u00e3o, a confus\u00e3o \u00e9 igual! Agrade\u00e7o a Deus todos os dias por Ele ter me feito parecido com o Rei&#8221;, acredita.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"P\u00e9-na-t\u00e1bua\">P\u00e9 na t\u00e1bua<\/h2>\n\n\n\n<p>Para tristeza de Evanney, Roberto Carlos j\u00e1 avisou que, para evitar aglomera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pretende aparecer na janela de casa para saudar a multid\u00e3o na cal\u00e7ada. &#8220;A Globo fez v\u00e1rios convites para o Roberto participar da programa\u00e7\u00e3o. Mas, neste momento, ele n\u00e3o se sente seguro para sair de casa&#8221;, explica Dody.<\/p>\n\n\n\n<p>Para 2022, Roberto j\u00e1 tem tr\u00eas turn\u00eas agendadas: uma para o M\u00e9xico, em fevereiro; outra pelos EUA, em abril; e uma terceira pela Europa, prevista para julho. Al\u00e9m disso, h\u00e1 o Projeto&nbsp;<em>Emo\u00e7\u00f5es em Alto Mar<\/em>, em mar\u00e7o, e o Projeto&nbsp;<em>Emo\u00e7\u00f5es na Praia do Forte<\/em>, na Bahia, na semana do Dia dos Namorados, em junho. A agenda inclui, ainda, um show em sua cidade natal, Cachoeiro de Itapemirim.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Embora n\u00e3o venda nem toque mais tanto quanto antes, Roberto continua a ser o cach\u00ea mais caro do mercado. Seus shows, aqui e l\u00e1 fora, est\u00e3o sempre lotados. Em 1965, quando lan\u00e7ou\u00a0<em>Quero Que Tudo V\u00e1 Para o Inferno<\/em>, Roberto chegou ao topo e, desde ent\u00e3o, n\u00e3o saiu mais de l\u00e1&#8221;, afirma Paulo C\u00e9sar de Ara\u00fajo.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Beth\u00e2nia tinha por volta de 18 anos quando viu Roberto Carlos pela primeira vez na TV. 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