{"id":31667,"date":"2021-03-30T11:30:54","date_gmt":"2021-03-30T14:30:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=31667"},"modified":"2021-03-30T11:30:56","modified_gmt":"2021-03-30T14:30:56","slug":"pantanal-area-afetada-por-incendios-pode-levar-50-anos-para-se-regenerar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/03\/30\/pantanal-area-afetada-por-incendios-pode-levar-50-anos-para-se-regenerar\/","title":{"rendered":"Pantanal: \u00e1rea afetada por inc\u00eandios pode levar 50 anos para se regenerar"},"content":{"rendered":"\n<p>Considerado o maior bioma \u00famido do mundo, o\u00a0Pantanal\u00a0soma 150 mil km\u00b2 em territ\u00f3rio brasileiro. Est\u00e1 localizado nos Estados de\u00a0Mato Grosso\u00a0(35%) e\u00a0Mato Grosso do Sul\u00a0(65%), al\u00e9m de partes do norte do Paraguai e do leste da Bol\u00edvia, que somadas podem atingir cerca de 250 mil km\u00b2. Segundo o Instituto Centro de Vida (ICV), o Pantanal j\u00e1 perdeu 19% de sua \u00e1rea para as queimadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda conforme o ICV, e com base em dados da plataforma Global Fire Emissions Database, da Ag\u00eancia Aeroespacial dos Estados Unidos (Nasa) e do\u00a0Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), \u00f3rg\u00e3o ligado ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia, 95% dos focos de calor deste ano est\u00e3o incidindo em \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00famero de focos de inc\u00eandio registrados no Pantanal de janeiro a agosto\u00a0equivale a tudo o que queimou no bioma nos seis anos anteriores, de 2014 a 2019, segundo levantamento do Estad\u00e3o a partir de dados do Inpe. De 1.\u00ba de janeiro a 31 de agosto deste ano, foram registrados pelos sat\u00e9lites do instituto um total de 10.153 focos de inc\u00eandio na regi\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>O Estad\u00e3o conversou com a professora C\u00e1tia Nunes da Cunha, que fez p\u00f3s-doutorado em ecologia da vegeta\u00e7\u00e3o de \u00e1reas \u00famidas pelo Instituto Max-Planck da Alemanha e \u00e9 pesquisadora associada do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em\u00a0Ecologia\u00a0e Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade da Universidade Federal de Mato Grosso (PPG-ECB\/IB-UFMT).*<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais os preju\u00edzos para a biodiversidade do Pantanal, j\u00e1 que os inc\u00eandios interrompem ciclos naturais que envolvem fauna e flora da regi\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 um fogo normal, \u00e9 um inc\u00eandio. Quando o fogo fica fora do controle e se torna inc\u00eandio, significa que a temperatura atinge n\u00edveis t\u00e3o altos que ele calcina, ou seja, torra as plantas que se tornam p\u00f3. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o nova, inclusive, para pesquisadores. N\u00e3o registramos nada dessa intensidade ao longo de nossas pesquisas dentro do Pantanal.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho informa\u00e7\u00e3o de fogo dentro da regi\u00e3o, mas de forma mais branda. Por exemplo, quando analisamos o banco de sementes, estava l\u00e1 perfeito, quer dizer que tinha capacidade de se regenerar. Agora, em uma situa\u00e7\u00e3o de\u00a0inc\u00eandios\u00a0no momento atual, ainda n\u00e3o temos dados para que possamos avaliar o dano total \u00e0 regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O que podemos dizer \u00e9, com base na experi\u00eancia e de conhecimento adquiridos ao longo de anos no Pantanal. Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso aguardar e ver como ser\u00e1 a resposta da natureza, associada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, com presen\u00e7a de chuvas ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Al\u00e9m dos inc\u00eandios que est\u00e3o se alastrando, o ano n\u00e3o come\u00e7ou bem para o Pantanal. O desmatamento est\u00e1 cada vez mais acelerado. O Rio Paraguai, principal formador do Pantanal, chegou a 2,10 metros em junho, m\u00eas marcado por apontar o pico ao longo do ano, o menor n\u00edvel em quase 50 anos. A chuva tamb\u00e9m foi escassa na regi\u00e3o. Qual deve ser o cen\u00e1rio mais prov\u00e1vel para o Pantanal nos pr\u00f3ximos anos com base em estudos sobre o bioma?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um dos cen\u00e1rios nos leva na dire\u00e7\u00e3o de que, em breve, teremos os efeitos da La Ni\u00f1a no Brasil, que j\u00e1 entrou em atividade (fen\u00f4meno clim\u00e1tico que provoca o resfriamento da superf\u00edcie das \u00e1guas do Oceano Pac\u00edfico). At\u00e9 chegar ao Pantanal demora mais, mas suponho que teremos per\u00edodos futuros secos. \u00c9 uma possibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel ainda ter a paisagem do Pantanal, como as pessoas dizem \u2018come\u00e7ando a rebrotar\u2019, mas isso \u00e9 vis\u00e3o de olhar s\u00f3 para o verde na natureza, mas podem estar nascendo ali simplesmente esp\u00e9cies n\u00e3o desej\u00e1veis, esp\u00e9cies daninhas resistentes ao fogo, no lugar de capim e plantas nativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o favor\u00e1vel. Divido o Pantanal em fun\u00e7\u00e3o de sua flora porque \u00e9 um centro que converge v\u00e1rios elementos: elementos do bioma da Amaz\u00f4nia, do Cerrado do bioma Chaquenho e tamb\u00e9m da floresta tropical seca. Estamos no meio, onde esses conjuntos se encontram formando o grande mosaico que \u00e9 o Pantanal. S\u00f3 de plantas, s\u00e3o em torno de 2 mil esp\u00e9cies no Pantanal, entre \u00e1rvores, herb\u00e1ceas, plantas tipicamente aqu\u00e1ticas, arbustos e palmeiras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 diferen\u00e7as na recupera\u00e7\u00e3o pelo tipo de solo e de vegeta\u00e7\u00e3o. O Cerrado, por exemplo, se recupera mais rapidamente que a Amaz\u00f4nia. O que prever para a recupera\u00e7\u00e3o do Pantanal?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No Pantanal, a recupera\u00e7\u00e3o varia de acordo com as caracter\u00edsticas de cada macrohabitat. H\u00e1 macrohabitats com predomin\u00e2ncia de esp\u00e9cies do dom\u00ednio do Cerrado, onde campos apresentam gram\u00edneas com folhagens duras como s\u00e3o consideradas pelos fazendeiros por causa do alto teor de lignina e com seus sistemas de rizomas subterr\u00e2neos conseguem ser resistentes ao fogo.<\/p>\n\n\n\n<p>As \u00e1rvores t\u00eam estrat\u00e9gias de prote\u00e7\u00e3o, cascas grossas e uma s\u00e9rie de situa\u00e7\u00f5es adaptativas. Nesse tipo de ambiente, vejo regenera\u00e7\u00e3o natural bastante promissora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E para as outras \u00e1reas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, \u00e1reas que passam constantemente por inc\u00eandios t\u00eam perda na composi\u00e7\u00e3o, na estrutura da vegeta\u00e7\u00e3o e, consequentemente, tamb\u00e9m significa perda de habitats para os animais. A vegeta\u00e7\u00e3o serve de abrigo\/ref\u00fagio para eles, onde escolhem seu local de prefer\u00eancia dentro desse mosaico. Se tivermos cada ano uma chuva facilitadora, sem inc\u00eandios, acredito que em cerca de 30 anos \u00e9 poss\u00edvel restaurar, como j\u00e1 observei em outros momentos e \u00e1reas que acompanhamos dentro do Pantanal.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas pulando para outro conjunto de flora, as matas ciliares e floresta inund\u00e1vel, isso muda. Essas florestas t\u00eam baixa resili\u00eancia quanto a inc\u00eandios. Para essa vegeta\u00e7\u00e3o ser\u00e3o necess\u00e1rias avalia\u00e7\u00f5es mais detalhadas. Durante esses quase 50 anos em que o Pantanal n\u00e3o teve fogo dessa magnitude, nas \u00e1reas que acompanhamos, s\u00f3 agora, observamos o aparecimento de orqu\u00eddeas, que antigamente existiam em abund\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 evid\u00eancias que estavam se regenerando, desde 1974, com o ciclo plurianual mais \u00famido. A regenera\u00e7\u00e3o, baseada nos resultados adquiridos, acreditamos que levar\u00e1 em torno de 50 anos. Caso a intensidade do inc\u00eandio seja mais grave, poder\u00e1 levar mais tempo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como se d\u00e1 a recupera\u00e7\u00e3o do local?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o natural age como um processo integrado no \u00e2mbito do ecossistema. Todas as intera\u00e7\u00f5es envolvendo plantas e animais s\u00e3o preciosas para a recupera\u00e7\u00e3o. Cada esp\u00e9cie de planta tem um lugar preferencial no gradiente de inunda\u00e7\u00e3o. At\u00e9 a natureza acomodar tudo novamente, leva tempo, a recupera\u00e7\u00e3o ocorre aos poucos, lentamente e depende das condi\u00e7\u00f5es de sazonalidade da inunda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que mais preocupa no Pantanal?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o as florestas secas. Por serem mais relictuais (esp\u00e9cie que atualmente \u00e9 encontrada em uma \u00e1rea restrita, mas que no passado era distribu\u00edda em abund\u00e2ncia) tiveram sua expans\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul nos per\u00edodos geol\u00f3gicos mais secos e entraram tamb\u00e9m no Pantanal. Suportam seca, mas n\u00e3o t\u00eam tanta habilidade para resistir a inc\u00eandios. Em programas de estudos ecol\u00f3gicos de longa dura\u00e7\u00e3o, mantemos remedi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A inclus\u00e3o de novos regenerantes sempre foi animadora. Indiv\u00edduos jovens de esp\u00e9cies tardias demonstravam a recupera\u00e7\u00e3o dos efeitos das atividades extrativistas de inc\u00eandios antigos. Em sobrevoo, constatamos a gravidade provocada pelo inc\u00eandio. Esse tipo de floresta tem rela\u00e7\u00e3o com uma fauna muito espec\u00edfica, de mam\u00edferos e aves, inclusive.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E quanto \u00e0s plantas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 araputangas, angicos, paineiras, cedros\u2026 Com o inc\u00eandio, n\u00e3o sei em que est\u00e1gio da sucess\u00e3o natural voltar\u00e3o. Ainda n\u00e3o avaliamos o que aconteceu realmente para podermos tra\u00e7ar o tempo da recupera\u00e7\u00e3o. Essa forma\u00e7\u00e3o vegetal \u00e9 parte da diversidade do Pantanal e ocupa os macrohabitats sem inunda\u00e7\u00e3o, mas com solo apresentando satura\u00e7\u00e3o pelas chuvas. Hoje \u00e9 de grande significado ecol\u00f3gico, j\u00e1 teve seu valor econ\u00f4mico, mas foi explorada at\u00e9 o esgotamento no passado.<\/p>\n\n\n\n<p>O Pantanal, al\u00e9m de ser de \u00e1rea \u00famida, apresenta caracter\u00edstica complexa, onde o conjunto de manchas, de habitats e diferentes tipos de vegeta\u00e7\u00e3o d\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para uma fauna singular. Temos um trabalho intenso pela frente para estimar todas as perdas com os inc\u00eandios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais a\u00e7\u00f5es devem ser tomadas tamb\u00e9m pelos fazendeiros?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pecu\u00e1ria do Pantanal teve sucesso por causa dos campos nativos os inund\u00e1veis t\u00eam alta qualidade nutricional e boa palatabilidade, tornando-se poss\u00edvel a cria\u00e7\u00e3o de gado. Esta vegeta\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 adaptada a fogo intenso. Este tipo de macrohabitat me preocupa, pois carece de normatiza\u00e7\u00e3o do seu uso onde a forma tradicional de manejo deve ser o ponto de partida para promover o uso sustent\u00e1vel. H\u00e1 necessidade de restaura\u00e7\u00e3o destes campos com processo de prolifera\u00e7\u00e3o de lenhosas.<\/p>\n\n\n\n<p>Com anos mais secos se desenhando em cen\u00e1rios futuros e com a presen\u00e7a de fogo, sem d\u00favida, haver\u00e1 mais dificuldade na restaura\u00e7\u00e3o. E isso aumenta a responsabilidade dos propriet\u00e1rios rurais em atuar com manejo adequado para manter esta forma\u00e7\u00e3o vegetal \u00edmpar.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma a\u00e7\u00e3o conjunta entre ci\u00eancia, propriet\u00e1rios, gestores ambientais estaduais e federais e ONGs poder\u00e1 criar a compreens\u00e3o de um manejo adequado das \u00e1reas sob perspectivas da restaura\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Com abordagem fundamentada no uso tradicional, aliando a t\u00e9cnicas modernas de manejo sustent\u00e1vel, ser\u00e1 fundamental para sensibilizar os novos pantaneiros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em Pocon\u00e9 (MT), o Pantanal virou cemit\u00e9rio de animais a c\u00e9u aberto, com diversos deles carbonizados e feridos. Como os inc\u00eandios afetam a fauna da regi\u00e3o? Ainda n\u00e3o se pode contabilizar quantas esp\u00e9cies foram afetadas, mas h\u00e1 risco de diminui\u00e7\u00e3o ou mesmo extin\u00e7\u00e3o de animais?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Pantanal n\u00e3o tem fauna espec\u00edfica e end\u00eamica. Re\u00fane animais de v\u00e1rios biomas, igual \u00e0 situa\u00e7\u00e3o das plantas. H\u00e1 popula\u00e7\u00f5es de animais de outras \u00e1reas do Brasil e, inclusive, os considerados amea\u00e7ados. At\u00e9 agora as popula\u00e7\u00f5es desses animais estavam se recuperando. Programas de conserva\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais realizam projeto de recupera\u00e7\u00e3o, por exemplo, envolvendo a arara-azul, que no Pantanal encontra oferta de alimentos prefer\u00eancias e locais para sua nidifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro exemplo de recupera\u00e7\u00e3o populacional e que \u00e9 atrativo do turismo no Pantanal \u00e9 a on\u00e7a-pintada. As popula\u00e7\u00f5es de animais que conseguiram sair da categoria de amea\u00e7adas, hoje podem estar comprometidas novamente por causa dos inc\u00eandios. O tuiui\u00fa, um dos animais s\u00edmbolos do bioma, tamb\u00e9m foi uma esp\u00e9cie de ave afetada pelos inc\u00eandios, com seus ninhos dizimados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que se pode fazer em rela\u00e7\u00e3o a isso?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os especialistas da fauna silvestre acreditam que os animais mais velhos com mais experi\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a eventos do fogo conseguiram sobreviver. Evid\u00eancias indicam que os inc\u00eandios t\u00eam afetado indiv\u00edduos mais jovens, com tudo isso, uma gera\u00e7\u00e3o de animais est\u00e1 comprometida.<\/p>\n\n\n\n<p>A grande preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que, sem \u00e1gua e recursos para se alimentarem, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais grave para esp\u00e9cies que o Pantanal contribui para evitar a sua extin\u00e7\u00e3o. H\u00e1 iniciativas de pesquisadores de diversas institui\u00e7\u00f5es de pesquisa regional, incluindo ONGs, empenhadas na avalia\u00e7\u00e3o do que foi perdido. Essa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para a tomada de decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E em rela\u00e7\u00e3o a preju\u00edzos para ambientes aqu\u00e1ticos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Todas as cinzas produzidas pelos inc\u00eandios s\u00e3o nutrientes, mas quando carregadas para os rios e lagoas, em grandes quantidades, causam o fen\u00f4meno conhecido na regi\u00e3o por \u2018dequada\u2019, porque as cinzas alteram a qualidade da \u00e1gua, desequilibram o ecossistema aqu\u00e1tico e causam mortalidade, principalmente dos peixes, anf\u00edbios e invertebrados aqu\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A destrui\u00e7\u00e3o do Pantanal pode trazer desequil\u00edbrios a outros biomas do Brasil?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o s\u00f3 aos biomas brasileiros, mas para todo o planeta. Com esse inc\u00eandio, estamos produzindo gases que contribuem com o efeito estufa. Liberamos, com os inc\u00eandios, o estoque de carbono tanto em forma de mat\u00e9ria org\u00e2nica acumulada (turfas tropicais) quanto da vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o que vive nesta regi\u00e3o est\u00e1 sendo comprometida, agravando o quadro de quem tem doen\u00e7as asm\u00e1ticas e al\u00e9rgicas. O que se torna mais grave em um momento em que tamb\u00e9m lidamos com a covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As a\u00e7\u00f5es adotadas pelas autoridades foram tardias no combate ao fogo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As pr\u00f3prias autoridades hoje reconhecem que o Brasil agiu tardiamente para entender a gravidade da situa\u00e7\u00e3o no Pantanal. Mesmo com a intelig\u00eancia t\u00e9cnica cient\u00edfica brasileira alertando para o aumento dos focos de calor,de desmatamento e previs\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, o governo brasileiro ignorou esses alertas.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos reconhecer o papel do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (o ICMBio, \u00f3rg\u00e3o do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente respons\u00e1vel pelas unidades de conserva\u00e7\u00e3o), da sociedade civil organizada e de ONGs atuando ao lado dos bombeiros que trabalham juntos incansavelmente no combate ao fogo e no resgate de animais feridos.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas ONGs buscaram recursos. Com eles, adquiriram equipamentos, rem\u00e9dios e alimentos para os animais, entre outras a\u00e7\u00f5es. D\u00e1 para acreditar que at\u00e9 um leil\u00e3o de quadros fizeram para buscar recursos para melhorar o atendimento emergencial para a fauna.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas iniciativas precisaram surgir para ocupar o espa\u00e7o deixado pela aus\u00eancia de a\u00e7\u00f5es de compet\u00eancia dos governos (federal, estadual e municipal), caso contr\u00e1rio, o desastre seria mais grave.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Brasil estava preparado para lidar com essa situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muitas ONGs atuam na linha de frente, no combate ao fogo e resgate dos animais, e outras refor\u00e7am, em \u00e2mbito nacional, a necessidade de uma infraestrutura, de planejamento estrat\u00e9gico para o Brasil poder atender emerg\u00eancias no combate ao inc\u00eandio no Pantanal e outros desastres. O Brasil n\u00e3o est\u00e1 preparado ainda para lidar com a situa\u00e7\u00e3o. Foi clara a demonstra\u00e7\u00e3o dos efeitos negativos que os desmanches das institui\u00e7\u00f5es da \u00e1rea ambiental e da intelig\u00eancia t\u00e9cnica nacional de alertas provocaram ao Pantanal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Investiga\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal v\u00ea ind\u00edcios de queimadas deliberadas para cria\u00e7\u00e3o de \u00e1rea de pasto onde antes era mata nativa. As queimadas teriam come\u00e7ado em fazendas da regi\u00e3o, em espa\u00e7os in\u00f3spitos, dentro das fazendas, onde n\u00e3o h\u00e1 nada perto. Quais s\u00e3o as poss\u00edveis origens do fogo? Quem s\u00e3o os respons\u00e1veis pelo Pantanal em chamas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica da per\u00edcia mostrou que a origem do fogo \u00e9 antr\u00f3pica, ligada ao homem. Neste sentido, avalio que as autoridades competentes devem agir no rigor da lei. Os respons\u00e1veis precisam ser punidos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais a\u00e7\u00f5es devem ser tomadas para combater e evitar queimadas t\u00e3o devastadoras no Pantanal?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil deve usar toda sua excel\u00eancia de infraestrutura de monitoramento para realizar planejamento estrat\u00e9gico para controlar trag\u00e9dias de fogo ou inunda\u00e7\u00f5es. A fiscaliza\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m devem ser mais efetivas contra os inc\u00eandios no Pantanal. Al\u00e9m disso, a popula\u00e7\u00e3o local e o homem pantaneiro precisam ser treinados sobre o manejo correto do fogo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil deve preparar a sociedade, em especial aquelas pessoas que t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com o fogo, para fazer uso correto. \u00c9 papel do Estado investir em educa\u00e7\u00e3o, conscientiza\u00e7\u00e3o e respeito ao Pantanal. Em meio ao turista engajado, sabe-se tamb\u00e9m que h\u00e1 aquelas pessoas que n\u00e3o respeitam, podendo atirar em animais, e que sujam e colocam fogo na natureza.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Professora C\u00e1tia Nunes da Cunha, p\u00f3s-doutorado em ecologia da vegeta\u00e7\u00e3o de \u00e1reas \u00famidas pelo Instituto Max-Planck da Alemanha, pesquisadora associada do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia em \u00c1reas \u00damidas (INCT-INAU). Pesquisadora Associada do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ecologia e Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade da Universidade Federal de Mato Grosso (PPG-ECB\/IB-UFMT). Pesquisadora Associada do Centro de Pesquisas do Pantanal (CPP). Tamb\u00e9m coordenou o N\u00facleo de Estudos Ecol\u00f3gicos do Pantanal (NEPA) da UFMT, por 25 anos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Exame<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/clipping\/2020\/09\/24\/163565-pantanal-area-afetada-por-incendios-pode-levar-50-anos-para-se-regenerar.html#\"><\/a><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Considerado o maior bioma \u00famido do mundo, o\u00a0Pantanal\u00a0soma 150 mil km\u00b2 em territ\u00f3rio brasileiro. Est\u00e1 localizado nos Estados de\u00a0Mato Grosso\u00a0(35%) e\u00a0Mato Grosso do Sul\u00a0(65%), al\u00e9m de partes do norte do Paraguai e do leste da Bol\u00edvia, que somadas podem atingir cerca de 250 mil km\u00b2. Segundo o Instituto Centro de Vida (ICV), o Pantanal j\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":31668,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"advanced_seo_description":"","jetpack_seo_html_title":"","jetpack_seo_noindex":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[],"class_list":{"0":"post-31667","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-meio-ambiente"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/regeneracao_pantanal_1.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31667"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31667"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31667\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31669,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31667\/revisions\/31669"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31668"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31667"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31667"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31667"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}