{"id":31554,"date":"2021-03-24T09:52:17","date_gmt":"2021-03-24T12:52:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=31554"},"modified":"2021-03-24T09:52:19","modified_gmt":"2021-03-24T12:52:19","slug":"com-3a-maior-media-de-casos-e-mortes-por-covid-19-do-estado-secretarios-de-saude-do-litoral-do-parana-alertam-situacao-e-o-caos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/03\/24\/com-3a-maior-media-de-casos-e-mortes-por-covid-19-do-estado-secretarios-de-saude-do-litoral-do-parana-alertam-situacao-e-o-caos\/","title":{"rendered":"Com 3\u00aa maior m\u00e9dia de casos e mortes por Covid-19 do estado, secret\u00e1rios de sa\u00fade do litoral do Paran\u00e1 alertam: &#8216;situa\u00e7\u00e3o \u00e9 o caos&#8217;"},"content":{"rendered":"\n<p>A regi\u00e3o do litoral do Paran\u00e1 tem a terceira maior m\u00e9dia de casos por 100 mil habitantes, conforme dados da Secretaria Estadual de Sa\u00fade (Sesa), de ter\u00e7a-feira (23). Na avalia\u00e7\u00e3o de seis dos sete representantes da sa\u00fade dos munic\u00edpios, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 de caos, com hospitais e unidades de atendimento para Covid-19 saturados.<\/p>\n\n\n\n<p>As sete cidades do litoral t\u00eam 24.566 casos e 502 mortes desde o come\u00e7o da pandemia, segundo dados desta ter\u00e7a-feira (23), da Sesa. Segundo os dados da secretaria, o litoral tem 8.193 casos a cada 100 mil habitantes. A incid\u00eancia de casos s\u00f3 n\u00e3o e maior que a regi\u00e3o de Foz do Igua\u00e7u, onde s\u00e3o 10.978 casos por 100 mil habitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a m\u00e9dia de mortes, o litoral \u00e9 a segunda regi\u00e3o com maior n\u00famero, com 167,4 mortes a cada 100 mil habitantes, segundo a Sesa. Neste caso, Foz do Igua\u00e7u tem 183,3 mortes a cada 100 mil habitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os representantes da sa\u00fade de seis das sete cidades ouvidos pelo G1, a principal dificuldade \u00e9 com a transfer\u00eancia de pacientes graves. Junto disso, o aumento de casos tem levantado alarme.<\/p>\n\n\n\n<p>Guaratuba, a segunda maior cidade do litoral, sentiu que desde o come\u00e7o da pandemia a cidade nunca tinha lidado com tamanha alta nos casos. Segundo o secret\u00e1rio de sa\u00fade de Guaratuba, Gabriel Modesto, isso aconteceu por causa da variante brasileira do v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cRecebemos muitos pacientes e, embora n\u00e3o tenhamos a testagem, atribu\u00edmos a essa variante brasileira do v\u00edrus. Pessoas que chegam mais graves e de faixa et\u00e1ria mais baixa. Diferente do ano passado, n\u00e3o estamos mais conseguindo dar vaz\u00e3o aos pacientes e essa \u00e9 a nossa maior dificuldade\u201d, detalhou Gabriel.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A falta de leitos, que tem preocupado o estado inteiro, tamb\u00e9m \u00e9 motivo de aten\u00e7\u00e3o no litoral. Em Antonina, por exemplo, o secret\u00e1rio de sa\u00fade Odileno Garcia Toledo contou que a cidade j\u00e1 perdeu, pacientes que esperavam por leitos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cO \u00faltimo caso foi na semana passada. Uma pessoa que estava a espera de um leito morreu, porque n\u00e3o conseguiu a vaga. \u00c9 triste demais\u201d, disse Odileno.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Outra preocupa\u00e7\u00e3o dos munic\u00edpios \u00e9 com rela\u00e7\u00e3o aos medicamentos. O secret\u00e1rio de sa\u00fade de Matinhos, Paulo Henrique de Oliveira, disse que todas as cidades do litoral vivem um momento cr\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA situa\u00e7\u00e3o \u00e9 o caos, n\u00e3o s\u00f3 para Matinhos mas para todo o litoral. H\u00e1 um desabastecimento, tanto na quest\u00e3o do oxig\u00eanio, sedativos para os pacientes, sobrepre\u00e7o destes itens. Isso coloca em escassez tanto os recursos f\u00edsicos, quanto financeiros\u201d, explicou Paulo.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Das sete cidades do litoral, apenas a Secretaria de Sa\u00fade de Paranagu\u00e1 &#8211; que tem 156.174 habitantes, segundo o senso do IBGE de 2020 &#8211; n\u00e3o aceitou dar entrevista e n\u00e3o respondeu aos questionamentos do G1. Conforme os seis representantes da sa\u00fade ouvidos pela reportagem, as\u00a0barreiras e medidas restritivas\u00a0foram inevit\u00e1veis para conter a eleva\u00e7\u00e3o nos casos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s04.video.glbimg.com\/x240\/9375143.jpg\" alt=\"Rapaz que perdeu o pai para a Covid-19 alerta: \u2018Acreditem no v\u00edrus\u2019\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Rapaz que perdeu o pai para a Covid-19 alerta: \u2018Acreditem no v\u00edrus\u2019<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u2018Acreditem no v\u00edrus\u2019, diz rapaz que perdeu o pai<\/h2>\n\n\n\n<p>Com os casos aumentando, os secret\u00e1rios de sa\u00fade temem que o colapso acabe tomando conta do litoral. Com isso, pessoas podem morrer sem, sequer, um atendimento, como destacou o secret\u00e1rio de sa\u00fade de Guaratuba, Gabriel Modesto.<\/p>\n\n\n\n<p>Leonardo Alves Cavalcanti, 21 anos, filho do sargento Cavalcanti, que tinha 46 anos e morreu em 25 de fevereiro, v\u00edtima da Covid-19, em Paranagu\u00e1, disse que n\u00e3o faltou atendimento para o pai. Mas isso porque seu quadro se agravou um pouco antes da situa\u00e7\u00e3o no litoral piorar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEle foi para o hospital aproximadamente duas semanas antes de um pico que teve, quando precisou ser internado e intubado tinha vaga no hospital. Ele teve todo o atendimento e morreu um pouco antes do pico, mas se fosse agora n\u00e3o sabemos como seria. Em Paranagu\u00e1 tem aparecido enfrentado muitos casos\u201d, comentou Leonardo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/crnPGXXsR_45SR-CuAo9VkTBHiw=\/0x0:1920x1080\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2021\/t\/H\/rDRqVuS2uZ95RxgLhHbw\/leonardo-perde-pai-covid-paranagua.png\" alt=\"Leonardo perdeu o pai para a Covid-19 e alerta popula\u00e7\u00e3o. \u2014 Foto: Arquivo Pessoal\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Leonardo perdeu o pai para a Covid-19 e alerta popula\u00e7\u00e3o. \u2014 Foto: Arquivo Pessoal<\/p>\n\n\n\n<p>O rapaz contou que o pai, que tinha tomado a primeira dose da vacina contra a Covid-19, por ser militar, ficou 10 dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEle entrou sem nenhuma infec\u00e7\u00e3o, sem nenhuma bact\u00e9ria, era s\u00f3 a Covid-19 mesmo. Mas foi o suficiente para mat\u00e1-lo\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Leonardo pediu que as pessoas fiquem em casa e sigam as orienta\u00e7\u00f5es t\u00e3o faladas ao longo do \u00faltimo ano, como usar m\u00e1scaras, lavar as m\u00e3os, passar \u00e1lcool gel e o distanciamento.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA gente s\u00f3 sente verdadeiramente, quando \u00e9 algu\u00e9m pr\u00f3ximo que vai embora. S\u00f3 n\u00f3s sabemos a dor que \u00e9 perder algu\u00e9m da fam\u00edlia. N\u00e3o queiram experimentar essa dor e insistam nos cuidados. Acreditem no v\u00edrus e no potencial destrutivo que ele tem\u201d, concluiu o rapaz.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/OyggWUCii-oPl0Y05neQhM4D0VU=\/0x0:3000x2000\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/Q\/g\/djeBuYTze2KuH3pdNyUw\/ponte-de-guaratuba.jpg\" alt=\"Guaratuba \u00e9 um dos munic\u00edpios com mais casos e mortes, segundo a Sesa. \u2014 Foto: Arnaldo Alves\/AEN\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Guaratuba \u00e9 um dos munic\u00edpios com mais casos e mortes, segundo a Sesa. \u2014 Foto: Arnaldo Alves\/AEN<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Guaratuba<\/h2>\n\n\n\n<p>Em Guaratuba, que tem 37.527 habitantes, o pronto-socorro municipal foi adaptado para atender somente casos de Covid-19. Ao todo s\u00e3o 20 leitos covid, 8 deles com suporte para intuba\u00e7\u00e3o e, nesta segunda-feira, a cidade tinha 15 pessoas internadas, cinco delas com ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p>A transfer\u00eancia de pacientes, conforme o secret\u00e1rio de sa\u00fade, \u00e9 a maior dificuldade de Guaratuba. Nesta segunda-feira, por exemplo, oito pacientes aguardavam vagas, alguns h\u00e1 mais de 24h.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nunca tivemos o perfil de permanecer com o paciente intubado aqui, ele sa\u00eda daqui em menos de 12h. Estes pacientes demandam muito uso de medica\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o era perfil do munic\u00edpio usar. Um rem\u00e9dio usado na intuba\u00e7\u00e3o que, por exemplo, us\u00e1vamos 200 ampolas por ano, hoje esse consumo n\u00e3o d\u00e1 para uma semana. Mas sabemos que n\u00e3o h\u00e1 vagas e que o sistema de sa\u00fade est\u00e1 sobrecarregado, n\u00e3o tem jeito\u201d, disse Gabriel Modesto.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o secret\u00e1rio de sa\u00fade, a compra de medicamentos, principalmente rem\u00e9dios para manter os pacientes intubados, tem sido dif\u00edcil.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Temos dificuldade com aquisi\u00e7\u00e3o de anest\u00e9sico, conseguimos comprar, mas n\u00e3o em volume que precis\u00e1vamos. Os munic\u00edpios do litoral est\u00e3o trabalhando de forma conjunta, ent\u00e3o teve momento que emprestamos rem\u00e9dios para algumas cidades, outras nos emprestaram equipamentos. A gente tem se unido para lidar nesse momento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com oxig\u00eanio, Guaratuba n\u00e3o teve problemas. \u201cA empresa tem suprido as necessidades, ampliaram os dias de entrega e t\u00eam vindo assim que a gente pede. Estamos tendo certo controle\u201d, comentou Gabriel Modesto.<\/p>\n\n\n\n<p>O lockdown na cidade, durou 77 horas, na avalia\u00e7\u00e3o do secret\u00e1rio de sa\u00fade, teve uma ades\u00e3o excelente da popula\u00e7\u00e3o. &#8220;Observamos que o com\u00e9rcio aderiu em peso, apenas um mercado foi interditado. Agora continuamos com as restri\u00e7\u00f5es, inclusive com as barreiras sanit\u00e1rias e praias interditadas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Gabriel Modesto, o servi\u00e7o de sa\u00fade est\u00e1 saturado, os profissionais t\u00eam dificuldade de fazer o manejo dos pacientes e o alerta \u00e9 para que as pessoas n\u00e3o des\u00e7am ao litoral.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Se h\u00e1 um momento de se cuidar, o momento \u00e9 esse. As pessoas tem que insistir nas medidas de cuidado, porque relaxaram ao ver esse falso controle da pandemia no fim do ano passado, e agora n\u00e3o conseguimos ter esse controle. N\u00e3o adianta descer [para o litoral], porque n\u00e3o temos a mesma possibilidade de atendimento da capital\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Guaraque\u00e7aba<\/h2>\n\n\n\n<p>Em Guaraque\u00e7aba, a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 sob controle, segundo o secret\u00e1rio de sa\u00fade Alcendino Ferreira Barbosa. Apesar disso, nesta segunda-feira (22), a cidade tinha dois pacientes internados, um deles precisando de transfer\u00eancia urgente, com satura\u00e7\u00e3o baixa.<\/p>\n\n\n\n<p>O secret\u00e1rio contou que a a principal dificuldade em Guaraque\u00e7aba \u00e9 com pessoal para trabalhar e tamb\u00e9m de estrutura.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;O munic\u00edpio \u00e9 composto por 19 ilhas e 22 comunidades rurais, todas com dif\u00edcil acesso. Por isso, temos dificuldades com n\u00famero de pessoal, al\u00e9m de que estamos em in\u00edcio de gest\u00e3o e estamos com equipamentos e ve\u00edculos sucateados\u201d, explicou.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Segundo Alcedino, a cidade sentiu com a falta de medicamentos. &#8220;Alguns antibi\u00f3ticos, mas logo ser\u00e1 sanado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/ow4KWPvktwd8DmW0nHb8jUcCMGw=\/0x0:1280x960\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2021\/U\/N\/CU1D5qQeeEEfWAANUIBQ\/whatsapp-image-2021-03-01-at-10.08.06.jpeg\" alt=\"Prefeitura de Matinhos montou barreiras sanit\u00e1rias na entrada da cidade \u2014 Foto: Arquivo pessoal\/Almir Alves\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Prefeitura de Matinhos montou barreiras sanit\u00e1rias na entrada da cidade \u2014 Foto: Arquivo pessoal\/Almir Alves<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Matinhos<\/h2>\n\n\n\n<p>Matinhos, que tem 35.219 habitantes, foi o primeiro munic\u00edpio a adotar medidas restritivas, inclusive de barreiras, segundo a Secretaria Municipal de Sa\u00fade. Conforme o secret\u00e1rio Paulo Henrique de Oliveira, a decis\u00e3o trouxe certo conforto no enfrentamento \u00e0 pandemia.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201dGra\u00e7as \u00e0s medidas que tomamos no dia 26 de fevereiro, conseguimos uma diminui\u00e7\u00e3o efetiva dos casos, o que nos permitiu, por exemplo, n\u00e3o precisar fechar tudo&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, nesta segunda-feira, Matinhos tinha cinco pacientes internados: um intubado e quatro fazendo uso de oxig\u00eanio continuo.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o faltem equipamentos, conforme o secret\u00e1rio, a prefeitura teve que fazer um esfor\u00e7o para ampliar os atendimentos. &#8220;Triplicamos o n\u00famero de leitos, porque t\u00ednhamos pacientes aguardando at\u00e9 para ficar em observa\u00e7\u00e3o. T\u00ednhamos um m\u00e9dico para atendimento, hoje ampliamos para tr\u00eas m\u00e9dicos de dia e dois \u00e0 noite&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O secret\u00e1rio de sa\u00fade da cidade, que \u00e9 respons\u00e1vel por um hospital e maternidade e tamb\u00e9m por uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no balne\u00e1rio Praia Grande, alertou que as pessoas n\u00e3o devem se expor ao v\u00edrus agora.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cN\u00f3s nos antecipamos, at\u00e9 mesmo nas medidas restritivas, para que n\u00e3o haja nenhuma situa\u00e7\u00e3o de se perder uma vida por falta ou omiss\u00e3o do poder p\u00fablico. Mas tamb\u00e9m precisamos do apoio da popula\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/YA6KVK_5dk1doeGrhl_bpqWafd4=\/0x0:914x468\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2021\/I\/9\/SwFIyuSuCO2vPLxqAnDQ\/matinhos.png\" alt=\"Matinhos e Pontal do Paran\u00e1 proibiram o acesso \u00e0s praias. \u2014 Foto: Cesar Ramires\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Matinhos e Pontal do Paran\u00e1 proibiram o acesso \u00e0s praias. \u2014 Foto: Cesar Ramires<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pontal do Paran\u00e1<\/h2>\n\n\n\n<p>A cidade de Pontal do Paran\u00e1 transformou o pronto-atendimento (PA) em ala Covid-19 e deixou outra unidade de atendimento em Shangrila para casos gerais. Por l\u00e1, nesta segunda-feira, eram cinco pacientes e nenhum intubado, mas dois com quadros graves esperando vagas de UTI, segundo a Secretaria Municipal de Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>A maior dificuldade no munic\u00edpio, conforme a secret\u00e1ria de sa\u00fade Carmen Moura, \u00e9 n\u00e3o conseguir transferir os pacientes graves.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cAntes, o paciente grave conseguia vaga e era mandado para o hospital, agora tem que ficar tr\u00eas ou quatro dias at\u00e9 sair uma vaga. Como a nossa estrutura n\u00e3o \u00e9 a hospitalar, a situa\u00e7\u00e3o se agrava e dificulta at\u00e9 mesmo para os pacientes\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos dias, a demanda por atendimentos aumentou e, com isso, tamb\u00e9m a sobrecarga dos funcion\u00e1rios. Segundo a secretaria, o que est\u00e1 acontecendo hoje \u00e9 o que as equipes da sa\u00fade mais temiam no ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO maior problema hoje \u00e9 o agravamento do quadro. N\u00f3s tivemos, por um ano, como segurar esse momento, agora o que est\u00e1 acontecendo \u00e9 o que t\u00ednhamos medo l\u00e1 atr\u00e1s. O sistema n\u00e3o d\u00e1 conta de atender todos os casos\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em Pontal do Paran\u00e1, que tem 27.915 habitantes, pacientes do grupo de risco positivados pela Covid-19 t\u00eam recebido vistas di\u00e1rias, segundo a secret\u00e1ria. \u201cFazemos o monitoramento da oximetria, porque a\u00ed conseguimos identificar sinais de agravamento precocemente. Nossa maior angustia \u00e9 n\u00e3o ter leitos de UTI para mandar estes pacientes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda em Pontal, a t\u00e9cnica de enfermagem Rosiane Denise Basilio, 41 anos, disse que a cidade estaria faltando oxig\u00eanio, equipamentos, medicamentos e at\u00e9 suprimentos para os profissionais como luvas e m\u00e1scaras.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;N\u00e3o temos mais condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, nem mentais, para trabalhar. 15 anos trabalhando, nunca vi nada parecido, \u00e9 uma doen\u00e7a que deixa a gente impotente, n\u00e3o tem o que fazer. Est\u00e3o brincando com os pacientes\u201d, disse a t\u00e9cnica de enfermagem.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u00c0 reportagem, a secret\u00e1ria de sa\u00fade disse que a cidade n\u00e3o tem falta de equipamentos, nem de oxig\u00eanio. Ela explicou que os insumos para os profissionais s\u00e3o liberados, mas com controle.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cRespirador, por exemplo, chegamos a emprestar um para Guaratuba porque precisavam e n\u00e3o poder\u00edamos deixar uma pessoa precisando se est\u00e1vamos sobrando. O oxig\u00eanio tem sido reposto diariamente, ainda n\u00e3o tivemos falta, mas tivemos que fazer adapta\u00e7\u00f5es porque o paciente no ventilador gasta muito. Os suprimentos, como luvas, est\u00e3o dispon\u00edveis, mas n\u00e3o fica um estoque de materiais, \u00e9 reposto conforme a necessidade\u201d, disse Carmen Moura.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre os medicamentos, a secret\u00e1ria de sa\u00fade de Pontal do Paran\u00e1 disse que a preocupa\u00e7\u00e3o existe.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Ao mesmo tempo, estamos tentando fazer compras de insumos e medicamentos. Assinamos um documento autorizando a compra de medicamentos pelo cons\u00f3rcio de munic\u00edpios, porque n\u00e3o sabemos por quanto tempo vai durar\u201d, disse a secret\u00e1ria de sa\u00fade de Pontal.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Segundo Carmen Moura, a realidade \u00e9 muito cr\u00edtica, mas n\u00e3o \u00e9 exclusiva de Pontal.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o s\u00f3 no litoral, mas aqui ainda tem o agravante pelo fluxo de pessoas. Temos pessoas morrendo pela doen\u00e7a e pessoas passando fome, vivemos numa angustia enorme. Existem problemas? Existem. Falta estrutura? Falta. Mas n\u00e3o somos hospital e temos feito o que podemos. Era um momento que n\u00e3o esper\u00e1vamos chegar\u201d, desabafou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Antonina<\/h2>\n\n\n\n<p>Antonina vive uma realidade um pouco melhor do que as outras cidades do litoral, segundo o secret\u00e1rio de sa\u00fade Odileno Garcia Toledo. Na segunda-feira, por exemplo, a cidade n\u00e3o tinha nenhum paciente internado com Covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o secret\u00e1rio de sa\u00fade, a cidade de 18.949 habitantes tem registrado uma grande procura de atendimento de pacientes com dificuldade de respirar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Temos dois locais de atendimento, um que \u00e9 a ala Covid anexa ao hospital, e o outro que \u00e9 um centro de enfrentamento. A quantidade de atendimentoS aumentou significativamente, o hospital tem recebido uma m\u00e9dia de 15 pacientes e o centro de 30 a 40 por dia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O secret\u00e1rio de sa\u00fade contou que a cidade tem enfrentado dificuldade em comprar medicamentos, desde o mais simples at\u00e9 os anest\u00e9sicos ou antiinflamat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;As empresas querem vender para hospitais de refer\u00eancia, que comprem em grande quantidade. Quando pedimos pouca coisa, nem mandam or\u00e7amento. Os munic\u00edpios pequenos sentem essa dificuldade&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Com isso, Antonina tem sofrido com falta de alguns rem\u00e9dios. &#8220;Isso sem contar o sobrepre\u00e7o. Antes compr\u00e1vamos uma caixa de luva, por exemplo, a R$ 20. Hoje est\u00e1 a R$ 120. Uma ampola de um rem\u00e9dio importante na seda\u00e7\u00e3o custava em m\u00e9dia R$ 6 e est\u00e3o vendendo a R$ 58&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com as dificuldades, o secret\u00e1rio afirmou que a situa\u00e7\u00e3o de Antonina pode ser considerada sob controle.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Estamos conseguindo manter os pacientes. Nossa maior dificuldade \u00e9 com os casos graves, quando temos\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/Q79oYwFA7bMKv-zPfOOevSYN3v0=\/0x0:890x593\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2021\/8\/R\/BkCUnRR8ArtxrsSC9r8g\/normal-img-5675.jpg\" alt=\"Morretes tem conseguido manter a situa\u00e7\u00e3o sob controle, diz secret\u00e1rio de sa\u00fade. \u2014 Foto:  Arnaldo Alves\/AEN\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Morretes tem conseguido manter a situa\u00e7\u00e3o sob controle, diz secret\u00e1rio de sa\u00fade. \u2014 Foto: Arnaldo Alves\/AEN<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Morretes<\/h2>\n\n\n\n<p>Assim como em Antonina, Morretes tamb\u00e9m tem conseguido manter a situa\u00e7\u00e3o da Covid-19 sob controle. Nesta segunda-feira, dois pacientes aguardavam vaga para transfer\u00eancia e isso \u00e9 a maior dificuldade do munic\u00edpio, segundo o diretor do hospital da cidade, Manoel Medeiros Machado.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Consigo prestar o primeiro atendimento, tento estabilizar, mas mais do que isso n\u00e3o temos como fazer. Os pacientes s\u00e3o intubados, mas precisam de suporte mais avan\u00e7ado em hospital, e a nossa grande dificuldade \u00e9 conseguir transfer\u00eancia\u201d, explicou.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Segundo Manoel, metade do hospital da cidade atende Covid-19 e a outra parte continua com o pronto-atendimento. A preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com a alta na demanda dos casos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tenho apenas dois respiradores, um que funciona por completo e outro que n\u00e3o tem o monitor, mas que d\u00e1 para ser usado. Mantemos a situa\u00e7\u00e3o sob controle, mas dentro do limite\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Morretes tem 16.446 habitantes e sentiu falta de rem\u00e9dios, principalmente para manter os pacientes intubados.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Ainda temos medicamentos, dentro da nossa realidade de suporte, mas estamos com departamento acionado, at\u00e9 mesmo para compra de oxig\u00eanio, pois tememos o colapso a curto prazo\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Manoel Medeiros Machado alertou que n\u00e3o \u00e9 o momento de as pessoas sa\u00edrem de casa. E pontuou quatro aspectos que explicam sua avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Temos a vacina para todos? Temos vagas em hospitais que posam dar suporte? Conseguimos respiradores para dar suporte m\u00ednimo na cidade? Hoje conseguimos com facilidade comprar rem\u00e9dios? Para todas estas perguntas a resposta \u00e9 n\u00e3o. Ent\u00e3o o melhor rem\u00e9dio neste momento \u00e9 manter, aqueles que podem, o isolamento social e as medidas t\u00e3o divulgadas ao longo do \u00faltimo ano\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>G1PR<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A regi\u00e3o do litoral do Paran\u00e1 tem a terceira maior m\u00e9dia de casos por 100 mil habitantes, conforme dados da Secretaria Estadual de Sa\u00fade (Sesa), de ter\u00e7a-feira (23). Na avalia\u00e7\u00e3o de seis dos sete representantes da sa\u00fade dos munic\u00edpios, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 de caos, com hospitais e unidades de atendimento para Covid-19 saturados. 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