{"id":31536,"date":"2021-03-23T16:29:33","date_gmt":"2021-03-23T19:29:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=31536"},"modified":"2021-03-23T16:29:34","modified_gmt":"2021-03-23T19:29:34","slug":"10-vezes-mais-do-que-os-eua-por-que-brasil-tem-tantas-mortes-de-bebes-por-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/03\/23\/10-vezes-mais-do-que-os-eua-por-que-brasil-tem-tantas-mortes-de-bebes-por-covid-19\/","title":{"rendered":"&#8217;10 vezes mais do que os EUA&#8217;: por que Brasil tem tantas mortes de beb\u00eas por covid-19"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Desde o in\u00edcio da pandemia de covid-19, 420 beb\u00eas morreram em decorr\u00eancia do novo coronav\u00edrus no Brasil, n\u00famero aproximadamente dez vezes maior do que o dos Estados Unidos, pa\u00eds com o maior n\u00famero de \u00f3bitos pela doen\u00e7a, de acordo com dados oficiais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o CDC (Centros de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as) norte-americano, 45 beb\u00eas, ou crian\u00e7as com menos de um ano, perderam a vida ap\u00f3s infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as crian\u00e7as de um a cinco anos, a discrep\u00e2ncia entre os dois pa\u00edses tamb\u00e9m fica n\u00edtida: foram 207 mortes por covid-19 no Brasil contra 52 nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros brasileiros tamb\u00e9m s\u00e3o maiores do que o do Reino Unido, que registrou apenas duas mortes por coronav\u00edrus entre beb\u00eas (menos de um ano). E superiores aos do M\u00e9xico, onde 307 crian\u00e7as entre zero e quatro anos morreram. J\u00e1 a Fran\u00e7a teve apenas quatro mortes entre zero e 14 anos devido ao novo coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, atualmente, os EUA t\u00eam o maior n\u00famero de mortos por covid-19 \u2014 529 mil, seguido por Brasil (270,6 mil) e M\u00e9xico (191,8 mil), segundo dados da Universidade Johns Hopkins. A taxa de mortalidade norte-americana pelo v\u00edrus (161,28 por 100 mil habitantes) tamb\u00e9m \u00e9 mais alta do que a brasileira (128,12 por 100 mil habitantes).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, desde o in\u00edcio da pandemia, a covid-19 matou, proporcionalmente, mais l\u00e1 do que aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>As taxas de nascimentos de beb\u00eas tamb\u00e9m s\u00e3o dados importantes nesta equa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois pa\u00edses tem taxas praticamente iguais de natalidade, segundo o Banco Mundial: 1,77 filhos por mulher nos EUA e 1,74 filhos por mulher no Brasil. Em 2019, foram registrados 3,5 milh\u00f5es de nascimentos nos Estados Unidos e 2,9 milh\u00f5es no Brasil. A popula\u00e7\u00e3o americana \u00e9 de 328,2 milh\u00f5es e a brasileira, 210 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo: o Brasil tem um n\u00famero mais elevado de mortes de beb\u00eas e crian\u00e7as pequenas por covid-19, apesar de ter menos nascimentos do que os EUA, onde, por sua vez, mais pessoas morrem em decorr\u00eancia do v\u00edrus, tanto em n\u00fameros absolutos quanto relativos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, afinal, o que est\u00e1 por tr\u00e1s desse alto n\u00famero de mortos entre beb\u00eas e crian\u00e7as pequenas no Brasil?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Raz\u00f5es\">Raz\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das mortes, na mesma base de compara\u00e7\u00e3o com outras na\u00e7\u00f5es, o Brasil tamb\u00e9m conta com um n\u00famero expressivo de crian\u00e7as internadas por covid-19. S\u00f3 neste ano, segundo o \u00faltimo boletim epidemiol\u00f3gico do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 617 beb\u00eas (menos de um ano), 591 crian\u00e7as de um a cinco anos e 849 de seis a 19 anos foram hospitalizados devido \u00e0 doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, n\u00e3o h\u00e1 uma \u00fanica resposta para o problema.<\/p>\n\n\n\n<p>Descontrole da pandemia e falta de diagn\u00f3stico adequado, aliados principalmente a comorbidades (doen\u00e7as associadas) e vulnerabilidades socioecon\u00f4micas, passando pelo aparecimento de uma s\u00edndrome associada \u00e0 covid-19 em crian\u00e7as, ajudam a explicar o quadro tr\u00e1gico brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 uma ressalva: embora os \u00f3bitos sejam mais numerosos no Brasil em rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses do mundo, \u00e9 importante lembrar que o risco de morte nessa faixa et\u00e1ria ainda assim \u00e9 &#8220;muito baixo&#8221;, lembram os cientistas.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, 420 beb\u00eas representam apenas 0,15% do total de mortes por covid-19 no Brasil (270,6 mil).<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, a chance de um beb\u00ea (ou de uma crian\u00e7a) desenvolver sintomas graves de covid-19 e morrer por causa da doen\u00e7a \u00e9 rara, mas &#8220;n\u00e3o nula&#8221;, diz \u00e0 BBC News Brasil Fatima Marinho, m\u00e9dica epidemiologista e consultora-s\u00eanior da Vital Strategies.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As mortes nessa faixa et\u00e1ria s\u00e3o raras, mas \u00e9 preciso acabar com esse mito de que crian\u00e7as n\u00e3o morrem por covid-19&#8221;, assinala.<\/p>\n\n\n\n<p>Marinho frisa que as mortes por covid-19 entre beb\u00eas e crian\u00e7as no Brasil podem ser ainda maiores se contabilizados os \u00f3bitos por S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave (SRAG) n\u00e3o especificada.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Podemos dizer que 48% dos que faleceram por SRAG n\u00e3o especificado t\u00eam alta probabilidade de ser morte por covid-19 por crit\u00e9rios cl\u00ednicos e epidemiol\u00f3gicos&#8221;, assinala.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Marinho, dados preliminares de uma pesquisa realizada pela Vital Strategies e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em tr\u00eas capitais, mostraram que 90% dos casos de SRAG n\u00e3o especificada foram comprovados como sendo de covid-19, ap\u00f3s investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela destaca que a covid-19 tende a evoluir de forma diferente em crian\u00e7as e em adultos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/2706\/production\/_100809990_p062gtg0-1.jpg\" alt=\"Beb\u00ea\"\/><figcaption>Legenda da foto,Mortes nessa faixa et\u00e1ria s\u00e3o &#8220;raras&#8221;, mas n\u00e3o &#8220;nulas&#8221;, diz especialista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Como os pequenos normalmente n\u00e3o s\u00e3o testados para coronav\u00edrus, uma vez que s\u00e3o, na pr\u00e1tica, bem menos suscet\u00edveis a desenvolver os sintomas mais graves da doen\u00e7a (e muitos s\u00e3o assintom\u00e1ticos), seus sintomas podem ser facilmente confundidos com os de outras enfermidades, prejudicando o diagn\u00f3stico.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Pediatras devem prestar aten\u00e7\u00e3o em crian\u00e7as com falta de ar e febre, e se ocorrer diarreia e\/ou dor abdominal e\/ou tosse pensar em covid-19. A tosse foi pouco frequente na hospitaliza\u00e7\u00e3o, mais foi um sinal de alarme para morte para as crian\u00e7as. A dor abdominal e diarreia foram sintomas mais frequentes nas crian\u00e7as maiores de um ano&#8221;, assinala Marinho.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e9dicos lembram que a chance de \u00f3bito em rec\u00e9m-nascidos \u00e9 maior do que em crian\u00e7as acima de um ano porque seu sistema imunol\u00f3gico, respons\u00e1vel pela defesa do nosso organismo, ainda est\u00e1 &#8220;em forma\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, outra causa para a morte de crian\u00e7as no Brasil, que ainda est\u00e1 sendo investigada, \u00e9 a chamada &#8220;s\u00edndrome inflamat\u00f3ria multissist\u00eamica&#8221;, que pode comprometer o c\u00e9rebro, causando encefalite, ou \u00f3rg\u00e3os importantes como cora\u00e7\u00e3o e rins.<\/p>\n\n\n\n<p>No Reino Unido, 1 a cada 5 mil crian\u00e7as que se infectaram com coronav\u00edrus desenvolveram essa rea\u00e7\u00e3o do sistema imunol\u00f3gico, segundo dados do governo brit\u00e2nico.<\/p>\n\n\n\n<p>Os sintomas, que incluem febre alta, press\u00e3o sangu\u00ednea baixa e dores abdominais, costumam aparecer cerca de um m\u00eas depois do contato com o coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>A grande maioria das crian\u00e7as que se infectam pelo coronav\u00edrus n\u00e3o desenvolve esse processo inflamat\u00f3rio ou se recupera com tratamento. Mas em alguns casos, a s\u00edndrome pode evoluir para um quadro grave e ocasionar a morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi o que aconteceu com uma paciente da pediatra Jessica Lira, que trabalha na UTI do Hospital Infantil Albert Sabin, em Fortaleza, no Cear\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>A menina tinha dois anos e desenvolveu encefalite, uma inflama\u00e7\u00e3o no c\u00e9rebro que parece ter sido impulsionada pela contamina\u00e7\u00e3o pelo coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ela teve morte encef\u00e1lica. A conversa foi dif\u00edcil, os pais estavam com muito sentimento de revolta, tinham muita dificuldade em entender como que evoluiu para isso. N\u00e3o sabiam que a covid-19 podia levar a um quadro como esse&#8221;, disse Jessica em entrevista recente \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/4E16\/production\/_100809991_p062gt6k-1.jpg\" alt=\"Beb\u00ea brincando\"\/><figcaption>Legenda da foto,Comorbidades e vulnerabilidades socioecon\u00f4micas s\u00e3o fatores de risco para crian\u00e7as com covid-19<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Comorbidades-e-vulnerabilidades-socioecon\u00f4micas\">Comorbidades e vulnerabilidades socioecon\u00f4micas<\/h2>\n\n\n\n<p>Mas s\u00e3o as comorbidades e vulnerabilidades socioecon\u00f4micas que t\u00eam maior peso na morte de crian\u00e7as por covid-19 no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo observacional desenvolvido por pediatras brasileiros liderados por Braian Sousa, ligado \u00e0 Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), e com supervis\u00e3o de Alexandre Ferraro, identificou comorbidades e vulnerabilidades socioecon\u00f4micas como fatores de risco para o pior desfecho da covid-19 em crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Individualmente, a maioria das comorbidades inclu\u00eddas foram fatores de risco. Ter mais de uma comorbidade aumentou em quase dez vezes o risco de morte. Em compara\u00e7\u00e3o com as crian\u00e7as brancas, os ind\u00edgenas, os pardos e os do leste asi\u00e1tico tiveram um risco significativamente maior de mortalidade. Tamb\u00e9m encontramos um efeito regional (maior mortalidade no Norte) e um efeito socioecon\u00f4mico (maior mortalidade em crian\u00e7as de munic\u00edpios menos desenvolvidos socioeconomicamente)&#8221;, dizem os pesquisadores no estudo publicado na plataforma medrxiv.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Al\u00e9m do impacto das comorbidades, identificamos efeitos \u00e9tnicos, regionais e socioecon\u00f4micos que moldam a mortalidade de crian\u00e7as hospitalizadas com covid-19 no Brasil. Juntando esses achados, propomos que existe uma sindemia (intera\u00e7\u00e3o entre problemas de sa\u00fade e contexto s\u00f3cioecon\u00f4mico) entre covid-19 e doen\u00e7as n\u00e3o transmiss\u00edveis, impulsionada e fomentada por desigualdades sociodemogr\u00e1ficas em grande escala&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Enfrentar a covid-19 no Brasil tamb\u00e9m deve incluir o tratamento dessas quest\u00f5es estruturais. Nossos resultados tamb\u00e9m identificam grupos de risco entre crian\u00e7as que devem ser priorizados para medidas de sa\u00fade p\u00fablica, como a vacina\u00e7\u00e3o&#8221;, concluem os pesquisadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram estudados 5.857 pacientes com menos de 20 anos, todos hospitalizados com covid-19 confirmado por laborat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Constata\u00e7\u00f5es semelhantes foram feitas pelo professor Paulo Ricardo Martins-Filho, da Universidade Federal do Sergipe (UFS), um dos pesquisadores que mais publicam sobre covid-19 no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele e sua equipe desenvolveram um estudo para estimar as taxas de incid\u00eancia e mortalidade da covid-19 em crian\u00e7as brasileiras e analisar sua rela\u00e7\u00e3o com as desigualdades socioecon\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<p>E chegaram \u00e0 conclus\u00e3o que houve diferen\u00e7as regionais importantes e uma rela\u00e7\u00e3o entre taxas de mortalidade e desigualdades socioecon\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O conhecimento das diferen\u00e7as sociogeogr\u00e1ficas nas estimativas do COVID-19 \u00e9 crucial para o planejamento de estrat\u00e9gias sociais e tomada de decis\u00e3o local para mitigar os efeitos da doen\u00e7a na popula\u00e7\u00e3o pedi\u00e1trica&#8221;, diz Martins-Filho no estudo, publicado na plataforma cient\u00edfica internacional PMC.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, essas crian\u00e7as acabam ficando mais vulner\u00e1veis a doen\u00e7as, incluindo o coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Claro que quanto mais casos tivermos e, por consequ\u00eancia, mais hospitaliza\u00e7\u00f5es, maior \u00e9 o n\u00famero de mortos em todas as faixas et\u00e1rias, incluindo crian\u00e7as. Mas se a pandemia estivesse controlada, esse cen\u00e1rio poderia evidentemente ser minimizado&#8221;, diz \u00e0 BBC News Brasil Renato Kfouri, presidente do Departamento Cient\u00edfico de Imuniza\u00e7\u00f5es da Sociedade Brasileira de Pediatria.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/6E5D\/production\/_105635282_baby1.jpg\" alt=\"Beb\u00ea dormindo\"\/><figcaption>Legenda da foto,&#8221;Maioria das crian\u00e7as que morrem tem comorbidades&#8221;, diz pediatra na linha de frente<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Linha-de-frente\">Linha de frente<\/h2>\n\n\n\n<p>&#8220;A maioria das crian\u00e7as que morrem tem comorbidades, especialmente pacientes oncol\u00f3gicos (com c\u00e2ncer) ou com sobrepeso e obesidade. H\u00e1 tamb\u00e9m aqueles com problemas nos pulm\u00f5es e no cora\u00e7\u00e3o. Mas isso n\u00e3o \u00e9 uma regra. Vemos beb\u00eas e crian\u00e7as saud\u00e1veis morrendo por covid, algo n\u00e3o t\u00e3o presente na primeira onda&#8221;, diz \u00e0 BBC News Brasil Lohanna Tavares, infectologista pedi\u00e1trica da Comiss\u00e3o de Controle de Infec\u00e7\u00e3o do Hospital Infantil Albert Sabin em Fortaleza, no Cear\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Pediatras acreditam que as mortes dessas crian\u00e7as saud\u00e1veis podem estar relacionadas a fatores externos, como desnutri\u00e7\u00e3o e outras doen\u00e7as, como dengue, por exemplo, mas essa correla\u00e7\u00e3o ainda precisa ser estudada.<\/p>\n\n\n\n<p>Tavares refor\u00e7a outro fator que vem contribuindo para o aumento \u2014 e j\u00e1 identificado nos estudos sobre o tema: a falta de assist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os leitos hospitalares e o acesso aos cuidados pedi\u00e1tricos s\u00e3o bem menores para as crian\u00e7as do que para os adultos. V\u00e1rias enfermarias de hospitais pedi\u00e1tricos foram substitu\u00eddas por leitos para adultos. Evidentemente, a necessidade maior \u00e9 dos adultos. Mas a restri\u00e7\u00e3o de leitos pedi\u00e1tricos gera um ac\u00famulo de pacientes nas emerg\u00eancias, o que faz com que o pr\u00f3prio pediatra pondere mais a interna\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ou seja, ele s\u00f3 vai internar as crian\u00e7as que estiverem mais acometidas, com um quadro mais grave, quando o ideal seria deixar em observa\u00e7\u00e3o casos que podem gerar complica\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o h\u00e1 leitos suficientes. Quando se diminui o n\u00famero de leitos pedi\u00e1tricos, o sistema fica sobrecarregado e a assist\u00eancia fica, assim, prejudicada&#8221;, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, n\u00e3o h\u00e1 vacinas dispon\u00edveis para menores de 16 anos. &#8220;Mas estudos j\u00e1 est\u00e3o sendo feitos com esse p\u00fablico&#8221;, lembra Kfouri, da SBP.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o in\u00edcio da pandemia de covid-19, 420 beb\u00eas morreram em decorr\u00eancia do novo coronav\u00edrus no Brasil, n\u00famero aproximadamente dez vezes maior do que o dos Estados Unidos, pa\u00eds com o maior n\u00famero de \u00f3bitos pela doen\u00e7a, de acordo com dados oficiais. 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