{"id":31374,"date":"2021-03-16T11:12:06","date_gmt":"2021-03-16T14:12:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=31374"},"modified":"2021-03-16T11:12:07","modified_gmt":"2021-03-16T14:12:07","slug":"que-e-a-verdade-como-ves-por-carlos-colect","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/03\/16\/que-e-a-verdade-como-ves-por-carlos-colect\/","title":{"rendered":"\u201c&#8230;que \u00e9 a Verdade?\u201d&#8230; como v\u00eas?  por Carlos Colect"},"content":{"rendered":"\n<p>Inicio\neste texto com as seguintes quest\u00f5es: O que voc\u00ea v\u00ea \u00e9 realmente o que voc\u00ea v\u00ea?\nVoc\u00ea realmente pode confiar nos teus sentidos? Tudo isto o que se apresenta \u00e9,\nde fato, uma realidade ou verdade absoluta? O teu sofrimento e o teu medo tem\nsido baseado no que voc\u00ea considera real ou no que os outros te imp\u00f5em? Fa\u00e7o\ntais questionamentos porque estamos no meio de um caos pand\u00eamico, segundo as\nmuitas palavras afirmadas e infinitas imagens mostradas. Diante de todo o bombardeio\nde informa\u00e7\u00f5es, podemos considerar e aceitar tudo como uma verdade ou mentira absoluta\ne inquestion\u00e1vel? <\/p>\n\n\n\n<p>Pois bem, <em>\u201c&#8230;que \u00e9 a\nverdade?\u201d<\/em>(Jo\u00e3o 18.38), perguntou Pilatos ao Cristo, sem obter uma resposta\naud\u00edvel. Essa quest\u00e3o ecoa desde os prim\u00f3rdios da humanidade. Para o fil\u00f3sofo\nNietzsche, a verdade \u00e9 um ponto de vista; para o relativismo, a verdade \u00e9\nrelativa; para a filosofia sofista, algo declarado com convic\u00e7\u00e3o e por longo\ntempo se torna uma verdade. Em outro aspecto, a verdade \u00e9 t\u00e3o somente uma\ncren\u00e7a. Suponhamos que algu\u00e9m encontre um corpo e uma faca ao seu lado e, ao\npegar a faca, algu\u00e9m fotografe. A cena mostra a verdade? Como explicar que n\u00e3o\nse trata do assassino, mas de um inocente? A verdade, ent\u00e3o, neste olhar da justi\u00e7a,\n\u00e9 tratada como interpreta\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Na palavra grega (<em>aletheia<\/em>)\nou hebraica (<em>emet<\/em>), temos um sentido\ninteressante: algo oculto que foi revelado. Sobre este conceito, fica a inc\u00f3gnita:\na humanidade suportaria a inexist\u00eancia do oculto? E se tudo fosse revelado?\nPenso que o oculto mant\u00e9m viva a ra\u00e7a humana. Ser\u00edamos feitos para toda a\nverdade? Suportar\u00edamos descobrir toda a verdade sobre n\u00f3s mesmos? Hoje,\ncompreende-se que a mente trabalha com pouca verdade (revela\u00e7\u00e3o). Grande parte\ndela est\u00e1 oculta em cerca de 95% no campo ps\u00edquico inconsciente, de acordo com\na neuroci\u00eancia e psican\u00e1lise, ou na energia e mat\u00e9ria escura do Universo,\nsegundo a f\u00edsica. E nas rela\u00e7\u00f5es pessoais? Haveria alguma rela\u00e7\u00e3o que suporte\ntoda a revela\u00e7\u00e3o do oculto (verdade)? Haveria algu\u00e9m capaz de cobrar a verdade\nde algu\u00e9m se n\u00e3o houver contato com a sua pr\u00f3pria verdade? Outra quest\u00e3o surge:\na verdade liberta? A mente revelada conduz para fora do inconsciente e nos torna\nmais esclarecidos a ponto de compreender que a noite precisa existir e faz\nparte do dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao observarmos o quanto de oculto existe na vida, \u00e9 poss\u00edvel conjecturar\nque n\u00e3o nascemos para a verdade plena ou que ainda n\u00e3o estamos preparados para\nela. Nossa mente n\u00e3o est\u00e1 configurada para a <em>aletheia<\/em> gr. &#8211; oculto revelado, pois carrega em si um entendimento\nde maldade, por isso, declaramos \u201ca verdade d\u00f3i\u201d, tornando-a hostil \u00e0 nossa\nvis\u00e3o. Neste entendimento comum de que a verdade \u00e9 algo que causa e gera dor, tendemos\nao caminho da ilus\u00e3o, contudo, travestida de verdade. Preferimos a &#8216;mentira&#8217;\nsobre si mesmos a revela\u00e7\u00e3o de quem realmente somos. Preferimos a \u2018mentira\u2019 expressa\nna boca da multid\u00e3o a verdade que se revela no \u00edntimo. Preferimos as sombras projetadas\nna caverna, como afirmou o fil\u00f3sofo Plat\u00e3o, a imagem fora da caverna, pois a\nverdade conduz ao desconforto da mudan\u00e7a. Ela se oculta em nosso inconsciente\ncomo na caixa dada por Zeus a Pandora que, ao abri-la, descobre os males do\nmundo, por\u00e9m, ali tamb\u00e9m habita a verdadeira esperan\u00e7a. Na oculta\u00e7\u00e3o da verdade\nsobre n\u00f3s mesmos (tamb\u00e9m necess\u00e1ria para prote\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria de nossa psique)\nreside somente a pseudoesperan\u00e7a, geradora de frustra\u00e7\u00e3o. Quem deseja a\nEsperan\u00e7a, ou seja, quem deseja o que de fato esperar, precisa estar disposto a\nabrir, em algum momento da vida, a sua caixa de Pandora e libertar seus males.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade, neste \u00e2ngulo, trata-se apenas de fragmentos que se\nespalham pelo mundo e, aos poucos, emergem do mar dos pensamentos da humanidade.\nA vida n\u00e3o pode receber toda a verdade, num \u00fanico momento. Desta forma, penso\nque nem tudo precisa e pode ser revelado no conv\u00edvio social. Caso contr\u00e1rio,\nn\u00e3o haveria rela\u00e7\u00f5es sociais. Como diria Freud, uma <em>hipocrisia<\/em> precisa haver, isto \u00e9, uma atua\u00e7\u00e3o teatral. Como assim\nevidencia a palavra &#8220;hypocrisis&#8221; que, em latim, traz a ideia do ato\nde fingir como um ator. Nem todo pensamento \u00e9 expressado, nem todo sorriso\ncorresponde ao interior, nem toda palavra \u00e9 ver\u00eddica, nem toda a\u00e7\u00e3o est\u00e1 de\nacordo com o que se pensa&#8230; mas, n\u00e3o tem problema, isso n\u00e3o \u00e9 simplesmente\nmaldade ou falsidade, tamb\u00e9m faz parte do nosso mecanismo de sobreviv\u00eancia.\nPermita que as pessoas n\u00e3o revelem toda a verdade. Permita que uma parte\npermane\u00e7a oculta. Da mesma forma, n\u00e3o revele toda a tua verdade, para o bem do\noutro. O outro, nem sempre, precisa da tua verdade. Nem mesmo a tua mente te\nrevela toda a tua verdade, pois te seria muito incomodo, por isso, grande parte\ndela \u00e9 inconsciente.<\/p>\n\n\n\n<p>Acerca disto, sobre tudo o que temos visto e ouvido no \u00e2mbito social, n\u00e3o importa o que \u00e9 verdade plena ou mentira absoluta, pois desconhecemos o todo, apenas temos imagens fragmentadas e nebulosas. H\u00e1 um grande abismo de inc\u00f3gnitas. Tudo o que possu\u00edmos s\u00e3o as nossas interpreta\u00e7\u00f5es e olhares estabelecidos a partir do local em que nos encontramos; a partir de nossas experi\u00eancias, conte\u00fados ps\u00edquicos e intelectuais. No entanto, a interpreta\u00e7\u00e3o do que adentra os sentidos pode provocar sa\u00fade ou adoecimento, movimento ou in\u00e9rcia. A crian\u00e7a, por exemplo, que interpreta ter um bicho pap\u00e3o debaixo de sua cama pode paralisar pelo medo de algo que n\u00e3o est\u00e1 sob a sua cama, e sim na sua percep\u00e7\u00e3o. Nisto, portanto, est\u00e1 a import\u00e2ncia: na percep\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Por este \u00e2ngulo de vis\u00e3o, \u00e9 pela percep\u00e7\u00e3o nascida dos sentidos ou afec\u00e7\u00f5es do corpo que o meu ser tem a pot\u00eancia de agir aumentada ou diminu\u00edda.Em conformidade com o pensamento do Mestre Galileu, descrita no livro b\u00edblico:<em>A candeia do corpo s\u00e3o os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo ter\u00e1 luz; Se, por\u00e9m, os teus olhos forem maus, o teu corpo ser\u00e1 tenebroso. <\/em>(<a href=\"https:\/\/www.bibliaonline.com.br\/acf\/mt\/6\/22,23+\">Mateus 6:22,23<\/a>). Neste texto, os <em>\u201colhos\u201d<\/em>, de acordo com o grego, \u00e9 <em>\u03bf\u03c6\u03c4\u03b1\u03bb\u03bc\u03bf\u03c2 ophthalmos<\/em>, que diz respeito aos olhos mentais e a faculdade de conhecer, isto \u00e9, os olhos s\u00e3o s\u00edmbolos da percep\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia. A condi\u00e7\u00e3o de uma percep\u00e7\u00e3o boa ou m\u00e1 corresponde ao n\u00edvel de consci\u00eancia que estabelecer\u00e1 os estados de luz (a\u00e7\u00e3o) ou trevas (in\u00e9rcia). Interessante pensar que a palavra \u201cbons\u201d, usada no texto grego, \u00e9 <em>\u03b1\u03c0\u03bb\u03bf\u03c5\u03c2 haplous<\/em>, cujo sentido est\u00e1 entrela\u00e7ado a ideia de simplicidade e pureza. E o que \u00e9 o puro, sen\u00e3o aquilo que est\u00e1 livre de artificialidade, sem misturas? Quando falamos que algo \u00e9 puro, estamos falando que nele n\u00e3o h\u00e1 mistura. Deste modo, a percep\u00e7\u00e3o boa est\u00e1 num n\u00edvel de consci\u00eancia pura, que n\u00e3o se mistura com o que lhe adentra os sentidos. H\u00e1 uma boa capacidade de discernimento. Em outra forma, se o teu n\u00edvel de consci\u00eancia e lucidez te permitir n\u00e3o se misturar com as afec\u00e7\u00f5es que adv\u00e9m dos sentidos, ent\u00e3o, teu ser n\u00e3o ter\u00e1 a pot\u00eancia diminu\u00edda nos afetos de tristeza, e sim aumentada nos afetos de alegria. Assim sendo, tenha discernimento e n\u00e3o entregue os teus ouvidos a tudo o que lhe \u00e9 falado, nem os teus olhos a tudo o que lhe \u00e9 mostrado. A verdade ou a mentira n\u00e3o seria voc\u00ea quem faz, segundo a sua interpreta\u00e7\u00e3o e percep\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p> <em>Por Carlos Colect \u2013 psicanalista\/fil\u00f3sofo<\/em> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inicio este texto com as seguintes quest\u00f5es: O que voc\u00ea v\u00ea \u00e9 realmente o que voc\u00ea v\u00ea? Voc\u00ea realmente pode confiar nos teus sentidos? Tudo isto o que se apresenta \u00e9, de fato, uma realidade ou verdade absoluta? 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