{"id":31158,"date":"2021-03-10T08:24:15","date_gmt":"2021-03-10T11:24:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=31158"},"modified":"2021-03-10T08:24:16","modified_gmt":"2021-03-10T11:24:16","slug":"como-brasileiro-virou-programador-usando-celulares-quebrados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/03\/10\/como-brasileiro-virou-programador-usando-celulares-quebrados\/","title":{"rendered":"Como brasileiro virou programador usando celulares quebrados"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>&#8220;Tinha um aparelho que esquentava t\u00e3o r\u00e1pido que eu precisava colocar no congelador. Em outros eu s\u00f3 conseguia usar parte da tela.&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>C\u00e9zar Pauxis assim descreve uma rotina de &#8220;relacionamentos problem\u00e1ticos&#8221; com os muitos telefones celulares usados que teve durante a adolesc\u00eancia \u2014 os \u00fanicos que cabiam no or\u00e7amento familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas foi em meio a &#8220;gambiarras&#8221; e com uma dose cavalar de perseveran\u00e7a que o paraense desafiou l\u00f3gica e pobreza: Pauxis se tornou um autodidata em programa\u00e7\u00e3o e, aos 17 anos, viu-se disputado por empresas de tecnologia brasileiras depois que um tu\u00edte seu viralizou em meio em meio a profissionais da \u00e1rea no apagar das luzes de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu estava pedindo ajuda para comprar um computador celular melhorzinho porque, para variar, o que eu estava usando tinha quebrado,&#8221; conta o jovem \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Vaquinha-viral\">Vaquinha viral<\/h2>\n\n\n\n<p>Em uma quest\u00e3o de dias, a thread superou 90 mil curtidas e 20 mil compartilhamentos, al\u00e9m de resultar em enxurrada de doa\u00e7\u00f5es. A visibilidade tamb\u00e9m despertou interesse profissional no caso do paraense. Ele foi contatado por uma s\u00e9rie de empresas que incluiu a Picpay, a empresa de pagamentos eletr\u00f4nicos com sede em Vit\u00f3ria (ES) e que, curiosamente, estava sendo usada por Pauxis na vaquinha virtual.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Aprender programa\u00e7\u00e3o do zero, nas condi\u00e7\u00f5es que o Cezar tinha, \u00e9 muito dif\u00edcil. Quando ele contou sua hist\u00f3ria no Twitter, a comunidade tech passou a acompanhar,&#8221; diz Diogo Carneiro, diretor t\u00e9cnico da Picpay.<\/p>\n\n\n\n<p>Programar em celulares \u00e9 mais complicado que em computadores por conta da diferen\u00e7a de tamanho de telas e pelo fato de que \u00e9 necess\u00e1rio digitar bastante, o que pode ser desconfort\u00e1vel em condi\u00e7\u00f5es normais \u2014 o que dir\u00e1 em celulares com problemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 1\u00ba de mar\u00e7o deste ano, Pauxis \u00e9 um dos mais novos funcion\u00e1rios da empresa, na fun\u00e7\u00e3o de desenvolvedor. Trabalhando remotamente de Bel\u00e9m, ele mora sozinho em um apartamento, pois a fam\u00edlia se mudou h\u00e1 alguns anos para a pequena cidade de Carutapera, no interior do Maranh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria de Pauxis viajou al\u00e9m do mundo tech. Mais precisamente chegou ao site Raz\u00f5es Para Acreditar, que organiza doa\u00e7\u00f5es para pessoas consideradas inspiradoras. Uma nova vaquinha virtual arrecadou em janeiro fundos de mais de R$ 80 mil que ser\u00e3o usados em obras para, literalmente, terminar a casa em que fam\u00edlia vive em Carutapera.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/943E\/production\/_117505973_6ededcf4-67f3-4fb4-b095-74f0025e2e86.jpg\" alt=\"Interior da modesta casa em que a fam\u00edlia de Pauxis vive em Carutapera (MA)\"\/><figcaption>Legenda da foto,Pauxis tamb\u00e9m recebeu ajuda para completar a constru\u00e7\u00e3o da casa em que vivia com a fam\u00edlia no interior do Maranh\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;A gente n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es financeiras para achar uma casa pronta, ent\u00e3o precisou viver em uma inacabada&#8221;, conta Pauxis, que tamb\u00e9m pretende usar parte da verba fazer um curso formal de programa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Interesse-pelos-bots\">Interesse pelos &#8216;bots&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>O paraense, que aprendeu a ler aos tr\u00eas anos de idade, tinha 14 quando come\u00e7ou a se interessar pelos chamados &#8220;bots&#8221;, aplica\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas que rodam na internet enquanto desempenham algum tipo de tarefa pr\u00e9-determinada.<\/p>\n\n\n\n<p>Pauxis tinha curiosidade especial pelos bots no aplicativo Telegram. Come\u00e7ou, sempre com o aux\u00edlio de um celular usado, a buscar informa\u00e7\u00f5es em comunidades de programadores.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A \u00faltima vez que tive computador em casa foi aos cinco, seis anos de idade&#8221;, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ent\u00e3o, tive que usar o celular. As pessoas com quem conversava me avisaram do quanto era dif\u00edcil programar em celular, mas a minha curiosidade era maior.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/E25E\/production\/_117505975_bd8abea2-763d-49bc-be0e-c6877028dd06.jpg\" alt=\"Celular defeituoso\"\/><figcaption>Legenda da foto,Falhas fizeram com que Pauxis por v\u00e1rias vezes perdesse todo o trabalho<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Outro obst\u00e1culo eram os problemas nos aparelhos. Falhas fizeram com que Pauxis por v\u00e1rias vezes perdesse todo o trabalho feito e frequentemente o obrigavam a ficar sem trabalhar nos projetos por meses a fio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Era muito desmotivador quando isso acontecia. S\u00f3 que eu nunca pensei em desistir.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, ele conseguiu criar dois bots para o Telegram que respondiam a pesquisas. Pauxis, por\u00e9m, hesitava em pedir ajuda financeira aos contatos que fez online. Durante anos ele evitou inclusive tornar sua hist\u00f3ria p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu tinha e ainda tenho muito medo de as pessoas me interpretarem mal e acharem que eu estou tentando me vitimizar&#8221;, diz o adolescente.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tenho criado projetos com programa\u00e7\u00e3o todos esses anos sempre somente em celulares quebrados. Mas \u00e9 o que eu amo fazer e sempre fiz de gra\u00e7a simplesmente para poder ajudar os usu\u00e1rios, por isso relutei em pedir doa\u00e7\u00f5es ou cobrar pelo servi\u00e7o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O mundo deu voltas para C\u00e9zar Pauxis desde ent\u00e3o e, durante a conversa com a reportagem ele j\u00e1 tinha um smartphone novo em folha em m\u00e3os. Mas o paraense n\u00e3o quer esquecer os percal\u00e7os passados. E quer que sua hist\u00f3ria sirva de incentivo para outras pessoas que se encontrem em situa\u00e7\u00f5es semelhantes a que ele viveu.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu gosto da ideia de inspirar e motivar outras pessoas a n\u00e3o desistir. Queria que elas vissem tamb\u00e9m que a gente n\u00e3o precisa de muita coisa para seguir um sonho.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Muita gente tem celulares ou outros equipamentos que \u00e0s vezes est\u00e3o largados em alguma gaveta. Elas poderiam doar esses equipamentos, pois isso pode ajudar demais quem precisa,&#8221; acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>O desafio agora para Pauxis \u00e9 um outro tipo de programa\u00e7\u00e3o: a cozinha.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;At\u00e9 agora eu s\u00f3 sei fazer arroz e macarr\u00e3o&#8221;, brinca o adolescente.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Tinha um aparelho que esquentava t\u00e3o r\u00e1pido que eu precisava colocar no congelador. Em outros eu s\u00f3 conseguia usar parte da tela.&#8221; C\u00e9zar Pauxis assim descreve uma rotina de &#8220;relacionamentos problem\u00e1ticos&#8221; com os muitos telefones celulares usados que teve durante a adolesc\u00eancia \u2014 os \u00fanicos que cabiam no or\u00e7amento familiar. 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