{"id":31120,"date":"2021-03-08T11:22:42","date_gmt":"2021-03-08T14:22:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=31120"},"modified":"2021-03-08T11:22:44","modified_gmt":"2021-03-08T14:22:44","slug":"depressao-nao-e-tudo-igual-conheca-os-tipos-menos-comuns-e-que-impactam-na-qualidade-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/03\/08\/depressao-nao-e-tudo-igual-conheca-os-tipos-menos-comuns-e-que-impactam-na-qualidade-de-vida\/","title":{"rendered":"Depress\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tudo igual: conhe\u00e7a os tipos menos comuns e que impactam na qualidade de vida"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>A pandemia de covid-19 tem posto em risco n\u00e3o s\u00f3 a sa\u00fade f\u00edsica, mas mental da popula\u00e7\u00e3o. O isolamento imposto pelas medidas para conter a propaga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, a crise econ\u00f4mica, o desemprego e a pr\u00f3pria ansiedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o s\u00e3o alguns fatores que colocam \u00e0 prova nosso bem-estar psicol\u00f3gico.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que estudos mostram um aumento nos \u00edndices de depress\u00e3o, doen\u00e7a que atinge mais de 320 milh\u00f5es de pessoas no mundo, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n\n\n\n<p>A depress\u00e3o que impacta a maioria dos pacientes \u00e9 a unipolar, tamb\u00e9m conhecida como transtorno depressivo maior. A causa mais comum \u00e9 de cunho gen\u00e9tico, mas tamb\u00e9m pode ser provocada por perdas, estresse e at\u00e9 problemas neurol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas existem classes diferentes de depress\u00e3o. De acordo com a psiquiatra Ana Paula Carvalho, coordenadora da Liga de Depress\u00e3o do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), h\u00e1 tr\u00eas tipos menos conhecidos e comuns na popula\u00e7\u00e3o: depress\u00e3o psic\u00f3tica, distima e bipolar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;No caso dessas doen\u00e7as, muitas vezes o diagn\u00f3stico deixa de ser feito pelo pr\u00f3prio psiquiatra ao longo dos anos, passando despercebido e sem uma avalia\u00e7\u00e3o criteriosa. Na depress\u00e3o bipolar, por exemplo, a descoberta pode levar mais de dez anos, dificultando o tratamento&#8221;, diz a psiquiatra.<\/p>\n\n\n\n<p>Por serem mais dif\u00edceis de diagnosticar, \u00e9 importante conhecer melhor cada uma.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Depress\u00e3o-bipolar-a-mais-dif\u00edcil-de-ser-identificada\">Depress\u00e3o bipolar: a mais dif\u00edcil de ser identificada<\/h2>\n\n\n\n<p>O transtorno bipolar do tipo 1 \u00e9 a forma mais cl\u00e1ssica e \u00e9 caracterizado pela euforia (mania e hipomania). J\u00e1 o do tipo 2, que \u00e9 a depress\u00e3o bipolar, o paciente apresenta quadros de tristeza e hipomania \u2014 estado mais leve de euforia, otimismo e, \u00e0s vezes, agressividade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Geralmente, quando ocorre somente a bipolaridade \u00e9 mais f\u00e1cil de reconhecer a doen\u00e7a, j\u00e1 que o paciente apresenta sintomas evidentes. Por\u00e9m, quando o quadro depressivo aparece em conjunto, pode levar anos at\u00e9 chegar a um diagn\u00f3stico preciso&#8221;, afirma Luiz Dickeman, psiquiatra da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp).<\/p>\n\n\n\n<p>O especialista explica que, para o paciente ser caracterizado com a condi\u00e7\u00e3o, ele precisa ter epis\u00f3dios de hipomania pelo menos uma vez ao longo da vida, durante quatro dias ou mais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ele deve ser expor a atividades de risco como gastos excessivos, vontade exacerbada de fazer sexo, pouca horas de sono.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo publicado na revista Brasileira de Psiquiatria mostrou que, em m\u00e9dia, leva-se oito anos para diagnosticar um paciente com depress\u00e3o bipolar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/E3E2\/production\/_117383385_gettyimages-1285353300.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de cabe\u00e7a com nuvem de chuva\"\/><figcaption>Legenda da foto,A causa mais comum da depress\u00e3o \u00e9 de cunho gen\u00e9tico<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Outras publica\u00e7\u00f5es americanas j\u00e1 mostraram que o diagn\u00f3stico pode demorar at\u00e9 15 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O erro ocorre pelo pr\u00f3prio m\u00e9dico, que n\u00e3o investiga os sintomas a fundo e acredita que a pessoa sofra somente com a unipolar, que \u00e9 a mais comum e conhecida. Al\u00e9m disso, o paciente omite se j\u00e1 teve epis\u00f3dios de hipomania em anos, aumentando, muitas vezes, o risco de suic\u00eddio&#8221;, diz Dickeman, que tamb\u00e9m \u00e9 diretor do Instituto Brasileiro de Farmacologia Pr\u00e1tica (BIPP).<\/p>\n\n\n\n<p>Fabiano Alves Gomes, psiquiatra e professor da Queen&#8217;s University, no Canad\u00e1, explica que, enquanto a preval\u00eancia da depress\u00e3o unipolar \u00e9 de aproximadamente 15%, as formas mais cl\u00e1ssicas do transtorno bipolar (tipo 1 e tipo 2) t\u00eam preval\u00eancia em cerca de 3% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste tipo, o tratamento mais indicado n\u00e3o \u00e9 com antidepressivos, e sim, com estabilizadores de humor. &#8220;\u00c9 poss\u00edvel atingir recupera\u00e7\u00e3o completa principalmente se tratada adequadamente e no in\u00edcio&#8221;, afirma Gomes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Distimia-menos-conhecida-entre-os-pr\u00f3prios-pacientes\">Distimia: menos conhecida entre os pr\u00f3prios pacientes<\/h2>\n\n\n\n<p>O transtorno depressivo persistente ou distimia \u00e9 uma depress\u00e3o cr\u00f4nica, caracterizada por sintomas que duram por at\u00e9 dois anos ou mais. A causa ainda \u00e9 pouco conhecida pelos m\u00e9dicos, mas os especialistas acreditam que seja multifatorial.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela \u00e9 menos comum, e o pr\u00f3prio paciente pode n\u00e3o reconhec\u00ea-la por achar que os sinais est\u00e3o relacionados \u00e0 personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 a t\u00edpica pessoa que reclama toda hora, que tem uma vis\u00e3o pessimista das coisas e vive em uma rotina de lamenta\u00e7\u00f5es. O que dificulta o diagn\u00f3stico \u00e9 que na grande maioria dos casos, familiares e amigos acham que \u00e9 o &#8216;jeito&#8217; dela e que vai passar com a idade&#8221;, afirma Carvalho.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, os sintomas podem evoluir para uma depress\u00e3o mais grave. &#8220;O paciente demora a procurar ajuda porque acredita que n\u00e3o \u00e9 nada e o quadro depressivo s\u00f3 piora.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c0s vezes, permanece com o problema por 20 anos, at\u00e9 ir ao m\u00e9dico. O dist\u00eamico est\u00e1 abaixo da linha da normalidade&#8221;, refor\u00e7a a especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferentemente da unipolar, na qual os neurotransmissores s\u00e3o afetados, a distimia n\u00e3o altera as fun\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas do paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 uma pessoa funcional, que come, dorme, consegue trabalhar. O grande problema \u00e9 que a doen\u00e7a provoca um impacto bem grande na qualidade de vida, j\u00e1 que o indiv\u00edduo reclama o tempo todo, est\u00e1 sempre de mau humor e sofre com baixa autoestima&#8221;, diz Dickeman.<\/p>\n\n\n\n<p>O tratamento mais indicado \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o de medicamentos em doses geralmente mais altas do que os da depress\u00e3o unipolar, al\u00e9m de psicoterapia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Depress\u00e3o-psic\u00f3tica-a-forma-mais-grave-do-transtorno\">Depress\u00e3o psic\u00f3tica: a forma mais grave do transtorno<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de tristeza, o paciente sempre apresenta sintomas psic\u00f3ticos como alucina\u00e7\u00f5es e del\u00edrios. &#8220;\u00c9 uma altera\u00e7\u00e3o dos cinco sentidos. Voc\u00ea pode ouvir e ver coisas, sentir cheiros e at\u00e9 toques na pele&#8221;, explica Dickeman.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerada rara pelos m\u00e9dicos, a depress\u00e3o do tipo psic\u00f3tica \u00e9 provocada por luto, traumas ou cobran\u00e7a excessiva em rela\u00e7\u00e3o a si mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o psiquiatra da Unifesp, ela \u00e9 mais f\u00e1cil de diagnosticar, j\u00e1 que os sintomas s\u00e3o percebidos nos primeiros atendimentos. Por\u00e9m, o que acontece muitas vezes, \u00e9 que a doen\u00e7a causa um desgaste familiar muito grande, e o paciente fica fora de si com frequ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/4B8A\/production\/_117383391_gettyimages-1214867035.jpg\" alt=\"Homem sentado com a cabe\u00e7a baixa na beira da cama\"\/><figcaption>Legenda da foto,A depress\u00e3o tamb\u00e9m pode ser provocada por perdas, estresse e at\u00e9 problemas neurol\u00f3gicos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Quase n\u00e3o \u00e9 conhecida pelas pessoas e acaba surpreendendo todos que convivem, porque os sintomas s\u00e3o exacerbados. \u00c0s vezes, os sintomas s\u00e3o confundidos com os da esquizofrenia&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste quadro depressivo, as chances de rea\u00e7\u00f5es suicidas s\u00e3o maiores e, por isso, familiares devem ficar atentos. \u00c9 necess\u00e1rio ter um acompanhamento m\u00e9dico frequente at\u00e9 a melhora dos sintomas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 fundamental distinguir os v\u00e1rios tipos de depress\u00e3o, pois o tratamento \u00e9 diferente. A depress\u00e3o psic\u00f3tica exige associa\u00e7\u00e3o de antipsic\u00f3ticos. Todas podem ser feitas com t\u00e9cnicas de estimula\u00e7\u00e3o magn\u00e9tica e eletroconvulsoterapia que proporcionam bons resultados. Caso n\u00e3o sejam tratados, os pacientes permanecem deprimidos e al\u00e9m dos sofrimentos ps\u00edquicos apresentam perda de funcionalidade, dificuldades cognitivas, adoecimento fisico e risco de suic\u00eddio&#8221;, diz Fabiano Alves Gomes.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pandemia de covid-19 tem posto em risco n\u00e3o s\u00f3 a sa\u00fade f\u00edsica, mas mental da popula\u00e7\u00e3o. O isolamento imposto pelas medidas para conter a propaga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, a crise econ\u00f4mica, o desemprego e a pr\u00f3pria ansiedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o s\u00e3o alguns fatores que colocam \u00e0 prova nosso bem-estar psicol\u00f3gico. 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