{"id":30938,"date":"2021-03-04T13:19:33","date_gmt":"2021-03-04T16:19:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=30938"},"modified":"2021-03-04T13:19:34","modified_gmt":"2021-03-04T16:19:34","slug":"mulher-rica-faz-seis-horas-de-trabalho-domestico-a-menos-que-mulher-pobre-diz-ibge","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/03\/04\/mulher-rica-faz-seis-horas-de-trabalho-domestico-a-menos-que-mulher-pobre-diz-ibge\/","title":{"rendered":"Mulher rica faz seis horas de trabalho dom\u00e9stico a menos que mulher pobre, diz IBGE"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Mulheres que pertencem aos 20% de maior renda da popula\u00e7\u00e3o brasileira gastam em m\u00e9dia 18,2 horas por semana cuidando de outras pessoas ou realizando afazeres dom\u00e9sticos. Enquanto isso, as mulheres que est\u00e3o entre os 20% de menor rendimento dedicam 24,1 horas semanais a essas mesmas atividades.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os dados s\u00e3o do estudo&nbsp;<em>Estat\u00edsticas de g\u00eanero: indicadores sociais das mulheres no Brasil<\/em>, cuja segunda edi\u00e7\u00e3o foi publicada nesta quinta-feira (4\/3) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica).<\/p>\n\n\n\n<p>No levantamento, a fatia de 20% mais\u00a0pobres\u00a0considera fam\u00edlias com renda per capita (por pessoa) de at\u00e9 R$ 350. J\u00e1 os 20% mais ricos t\u00eam uma grande desigualdade interna, indo desde domic\u00edlios com rendimento per capita de R$ 1,7 mil at\u00e9 R$ 164 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>A diferen\u00e7a de quase seis horas no tempo dedicado ao servi\u00e7o dom\u00e9stico entre mulheres ricas e pobres se explica, segundo o IBGE, porque as de maior renda terceirizam parte dessas tarefas para as de menos recursos, atrav\u00e9s do trabalho dom\u00e9stico de bab\u00e1s, faxineiras e cozinheiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, as mulheres mais abastadas podem pagar por creches privadas para seus filhos pequenos, num pa\u00eds que sofre com a defici\u00eancia cr\u00f4nica de vagas em creches p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>A desigualdade no acesso a creches tamb\u00e9m se revela nas diferentes taxas de ocupa\u00e7\u00e3o entre mulheres brancas e negras com crian\u00e7as pequenas em casa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/ADBF\/production\/_100097444_gettyimages-609687390.jpg\" alt=\"Mulher limpando sala\"\/><figcaption>Legenda da foto,Mulheres de maior renda terceirizam parte das tarefas dom\u00e9sticas para as de menos recursos, atrav\u00e9s da contrata\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os como de bab\u00e1s, faxineiras e cozinheiras<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Menos da metade (49,7%) das mulheres pretas ou pardas com crian\u00e7as de at\u00e9 3 anos de idade no domic\u00edlio estavam ocupadas em 2019, enquanto entre as mulheres brancas, a propor\u00e7\u00e3o era de 62,6%.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados revelam que, al\u00e9m da hist\u00f3rica desigualdade entre homens e\u00a0mulheres, tamb\u00e9m s\u00e3o grandes as iniquidades entre as pr\u00f3prias mulheres, considerando recortes de renda, cor ou ra\u00e7a, regi\u00f5es do pa\u00eds e \u00e1reas urbanas e rurais, por exemplo. Segundo o IBGE, essas diferen\u00e7as devem ser levadas em contas na elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para mitigar desigualdades.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Trabalho-feminino-\u00e9-fundamental-para-redu\u00e7\u00e3o-da-pobreza-\">Trabalho feminino \u00e9 fundamental para redu\u00e7\u00e3o da pobreza<\/h2>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o do acesso das mulheres ao mercado de trabalho \u00e9 fundamental. Isso porque a impossibilidade de muitas delas de trabalhar ou a disponibilidade para trabalhar apenas em tempo parcial prejudica o acesso de diversas fam\u00edlias a patamares mais elevados de renda.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os fatores que ainda impedem uma maior participa\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho est\u00e3o a insufici\u00eancia de creches e de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de cuidado para idosos, al\u00e9m da desigualdade salarial e de acesso aos cargos mais bem remunerados entre homens e mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa discrep\u00e2ncia muitas vezes faz com que as fam\u00edlias, quando defrontadas com a necessidade de um dos pais deixar de trabalhar para se dedicar ao cuidado dos filhos, no geral, esse sacrif\u00edcio seja feito pelas mulheres, j\u00e1 que os homens costumam ganhar mais. Esse tipo de situa\u00e7\u00e3o ficou ainda mais evidente na pandemia, devido ao fechamento das escolas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o estudo do IBGE publicado nesta quinta-feira, a taxa de participa\u00e7\u00e3o feminina na for\u00e7a de trabalho em 2019 ainda era quase 20 pontos percentuais menor do que a masculina.<\/p>\n\n\n\n<p>A taxa de participa\u00e7\u00e3o na for\u00e7a de trabalho \u00e9 o percentual de pessoas em idade de trabalhar (15 anos ou mais) empregadas ou em busca de trabalho, em rela\u00e7\u00e3o ao total de pessoas nessa faixa et\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, a taxa de participa\u00e7\u00e3o na for\u00e7a de trabalho total no pa\u00eds era de 63,6%, mas chegava a 73,7% entre os homens e era de apenas 54,5% entre as mulheres. A diferen\u00e7a entre os g\u00eaneros vinha diminuindo gradual e lentamente &#8211; era de 23,1 pontos percentuais em 2012, in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica do IBGE, recuando a 19,2 pontos percentuais em 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pandemia, no entanto, essa diferen\u00e7a voltou a crescer, chegando a 19,7 pontos, segundo dados de novembro de 2020 da Pnad Covid-19, pesquisa criada pelo IBGE para mensurar os efeitos da crise de sa\u00fade p\u00fablica sobre o mercado de trabalho e a sa\u00fade dos brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"S\u00e3o-necess\u00e1rias-pol\u00edticas-para-expans\u00e3o-de-creches-\">&#8216;S\u00e3o necess\u00e1rias pol\u00edticas para expans\u00e3o de creches&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/17095\/production\/_117375349_gettyimages-1291523508.jpg\" alt=\"Desenho de casa e fam\u00edlia com tra\u00e7os infantis fixado em porta de sala de aula\"\/><figcaption>Legenda da foto,Andr\u00e9 Geraldo de Moraes Sim\u00f5es, pesquisador do IBGE, destaca import\u00e2ncia da expans\u00e3o de creches para que mulheres tenham maiores chances de ascens\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Olhando para o n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o &#8211; que mede o percentual de pessoas efetivamente ocupadas entre aquelas em idade de trabalhar -, o IBGE observa que a presen\u00e7a de crian\u00e7as pequenas reduz drasticamente a possibilidade de ocupa\u00e7\u00e3o das mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Em domic\u00edlios com crian\u00e7as de at\u00e9 3 anos de idade, o n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o das mulheres de 25 a 49 anos era de 54,6% em 2019, comparado a 67,2% entre as mulheres da mesma faixa et\u00e1ria sem crian\u00e7as pequenas em casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os homens, o indicador era de 89,2% e 83,4%, respectivamente, nestas mesmas duas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, em lares com crian\u00e7as pequenas, a diferen\u00e7a na ocupa\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres superava os 30 pontos percentuais. A discrep\u00e2ncia \u00e9 reduzida a pouco mais de 16 pontos nos domic\u00edlios sem essas crian\u00e7as que exigem mais aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso n\u00e3o significa que a presen\u00e7a de crian\u00e7as \u00e9 negativa&#8221;, observa Andr\u00e9 Geraldo de Moraes Sim\u00f5es, pesquisador do IBGE. &#8220;Mas aponta para a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas de expans\u00e3o de creches e de oportunidades para que as mulheres, que s\u00e3o as mais demandadas nas tarefas de cuidado, possam se inserir mais no mercado de trabalho.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Sim\u00f5es destaca ainda a import\u00e2ncia do compartilhamento das atividades de cuidado entre homens e mulheres nos domic\u00edlios.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, as mulheres dedicavam quase o dobro de horas semanais entre afazeres dom\u00e9sticos e cuidados, em rela\u00e7\u00e3o aos homens. Para elas, essas tarefas consumiam 21,4 horas em m\u00e9dia por semana, comparado a 11 horas dedicadas a esses afazeres pelos homens.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso masculino, a diferen\u00e7a de renda pouco afeta a quantidade de horas dedicadas \u00e0s tarefas dom\u00e9sticas. Os mais pobres dedicavam 11 horas a elas e os mais ricos, 10,8 horas semanais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Mulheres-s\u00e3o-mais-educadas-mas-ainda-t\u00eam-empregos-piores-\">Mulheres s\u00e3o mais educadas, mas ainda t\u00eam empregos piores<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/14ED\/production\/_117375350_cde2898c-46c5-48dd-9ff3-6a4cdbbe2184.jpg\" alt=\"Professora escreve no quadro\"\/><figcaption>Legenda da foto,O IBGE afirma que discrep\u00e2ncias entre homens e mulheres n\u00e3o s\u00e3o explicadas pela educa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que as mulheres no geral s\u00e3o mais instru\u00eddas do que os homens<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de terem maior dificuldade de entrar no mercado de trabalho, as mulheres tamb\u00e9m ocupam posi\u00e7\u00f5es mais prec\u00e1rias. Segundo o IBGE, em 2019, cerca de um ter\u00e7o delas (29,6%) estavam ocupadas em tempo parcial &#8211; at\u00e9 30 horas semanais -, quase o dobro dos homens (15,6%) que viviam essa realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As mulheres acabam indo para esse tipo de ocupa\u00e7\u00e3o porque precisam conciliar a profiss\u00e3o com o trabalho dom\u00e9stico&#8221;, observa Sim\u00f5es. &#8220;S\u00e3o trabalhos mais vulner\u00e1veis, com maior possibilidade de serem demitidas, maior informalidade e menor acesso a direitos previdenci\u00e1rios e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o social.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Na regi\u00e3o Norte, quase 40% das mulheres estavam ocupadas apenas em tempo parcial e no Nordeste, 37,5%. Em compara\u00e7\u00e3o, esse percentual cai a 26,2% no Sudeste e a 25% no Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>A inser\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho atrav\u00e9s de ocupa\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias tamb\u00e9m ajuda a explicar a diferen\u00e7a salarial entre os g\u00eaneros, diz o pesquisador. Em 2019, os rendimentos das mulheres equivaliam a 77,7% dos ganhos dos homens. Aqui, novamente, a evolu\u00e7\u00e3o ao longo dos anos \u00e9 lenta e gradual: em 2012, a raz\u00e3o era de 73,6%.<\/p>\n\n\n\n<p>O IBGE destaca, por\u00e9m, que essas discrep\u00e2ncias entre homens e mulheres n\u00e3o s\u00e3o explicadas pela educa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que as mulheres no geral s\u00e3o mais instru\u00eddas do que os homens.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, considerando as pessoas com 25 anos ou mais, 15,1% dos homens tinham ensino superior completo, comparado a 19,4% das mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Elas, no entanto, ainda s\u00e3o minoria entre os docentes de ensino superior. As mulheres eram 46,8% dos professores de faculdades e universidades em 2019, tamb\u00e9m uma lenta evolu\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos 43,2% de 2003. Os dados s\u00e3o do Censo do Ensino Superior do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Mulheres-ainda-t\u00eam-menor-presen\u00e7a-nos-espa\u00e7os-de-poder-\">Mulheres ainda t\u00eam menor presen\u00e7a nos espa\u00e7os de poder<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora sejam mais escolarizadas do que os homens, as mulheres ainda t\u00eam menos acesso aos espa\u00e7os de poder na vida p\u00fablica e privada, destaca ainda o estudo do IBGE.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ainda temos apenas 14,8% de deputadas federais em exerc\u00edcio&#8221;, destaca Luanda Chaves Botelho, analista do IBGE, citando dado de setembro de 2020. &#8220;Com esses 14,8%, o Brasil tem a menor propor\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul e fica na posi\u00e7\u00e3o de n\u00famero 142 em um ranking de 190 pa\u00edses, atr\u00e1s de pa\u00edses muito caracterizados por viol\u00eancia de g\u00eanero.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, Ruanda \u00e9 o pa\u00eds com mais mulheres no parlamento (61,3%), mas o Brasil tamb\u00e9m fica atr\u00e1s de vizinhos como Bol\u00edvia (53,1%), Argentina (40,9%), Peru (26,2%), Chile (22,6%) e Uruguai (21,2%). Nos Estados Unidos, o percentual \u00e9 de 23,4%.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2018, as mulheres representaram 32,2% das candidaturas a deputado federal, o que ajuda a explicar a baixa presen\u00e7a delas na C\u00e2mara. Mas n\u00e3o explica totalmente, j\u00e1 que o percentual de eleitas \u00e9 ainda menor do que o de candidatas.<\/p>\n\n\n\n<p>O IBGE destaca ent\u00e3o a participa\u00e7\u00e3o das mulheres nas candidaturas por receita de campanha. Isso porque estudos acad\u00eamicos indicam que candidaturas com maior disponibilidade de recursos financeiros t\u00eam mais chance de sucesso.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as candidaturas com receita superior a R$ 1 milh\u00e3o, apenas 18% eram de mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Botelho destaca ainda que ser parlamentar \u00e9 tamb\u00e9m um elemento que favorece o sucesso das candidaturas. &#8220;Esse \u00e9 outro elemento desfavor\u00e1vel para as mulheres, quase como um ciclo vicioso, j\u00e1 que elas s\u00e3o a minoria dos parlamentares em exerc\u00edcio&#8221;, destaca a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p>No n\u00edvel municipal, em 2020, somente 16% dos vereadores eleitos eram mulheres. As mulheres pretas, apesar de serem 9,2% do total das mulheres, foram apenas 5,3% das vereadoras eleitas. J\u00e1 as mulheres pardas s\u00e3o 46,2% das mulheres, mas alcan\u00e7aram apenas 33,8% das cadeiras obtidas por elas nas elei\u00e7\u00f5es municipais mais recentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, olhando para cargos gerenciais nos setores p\u00fablico e privado, o IBGE observa que as mulheres ocupavam apenas 37,4% dessas posi\u00e7\u00f5es em 2019. O percentual pouco avan\u00e7ou em rela\u00e7\u00e3o aos 36,8% registrados em 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos cargos gerenciais de maior remunera\u00e7\u00e3o, a presen\u00e7a das mulheres \u00e9 ainda menor, de 22,3% no dado mais recente.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os ministros do governo, as mulheres eram apenas duas &#8211; Damares Alves (Mulher, Fam\u00edlia e Direitos Humanos) e Tereza Cristina (Agricultura) &#8211; entre 22 ministros.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A elei\u00e7\u00e3o de mulheres para os cargos legislativos apresenta melhora discreta, mas ainda longe de corresponder \u00e0 metade feminina da popula\u00e7\u00e3o brasileira e ainda em situa\u00e7\u00e3o muito desfavor\u00e1vel quando comparada a outros pa\u00edses&#8221;, observa o IBGE.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A maior participa\u00e7\u00e3o nesses cargos \u00e9 importante n\u00e3o apenas em termos de representatividade, mas para aumentar as chances de pautar a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de suporte \u00e0s agendas de promo\u00e7\u00e3o de equidade, de acesso a oportunidades e de prote\u00e7\u00e3o contra viol\u00eancia dom\u00e9stica, ass\u00e9dio e abusos de toda ordem&#8221;, conclui o instituto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mulheres que pertencem aos 20% de maior renda da popula\u00e7\u00e3o brasileira gastam em m\u00e9dia 18,2 horas por semana cuidando de outras pessoas ou realizando afazeres dom\u00e9sticos. Enquanto isso, as mulheres que est\u00e3o entre os 20% de menor rendimento dedicam 24,1 horas semanais a essas mesmas atividades.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os dados s\u00e3o do estudo&nbsp;<em>Estat\u00edsticas de g\u00eanero: indicadores sociais das mulheres no Brasil<\/em>, cuja segunda edi\u00e7\u00e3o foi publicada nesta quinta-feira (4\/3) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica).<\/p>\n\n\n\n<p>No levantamento, a fatia de 20% mais\u00a0pobres\u00a0considera fam\u00edlias com renda per capita (por pessoa) de at\u00e9 R$ 350. J\u00e1 os 20% mais ricos t\u00eam uma grande desigualdade interna, indo desde domic\u00edlios com rendimento per capita de R$ 1,7 mil at\u00e9 R$ 164 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>A diferen\u00e7a de quase seis horas no tempo dedicado ao servi\u00e7o dom\u00e9stico entre mulheres ricas e pobres se explica, segundo o IBGE, porque as de maior renda terceirizam parte dessas tarefas para as de menos recursos, atrav\u00e9s do trabalho dom\u00e9stico de bab\u00e1s, faxineiras e cozinheiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, as mulheres mais abastadas podem pagar por creches privadas para seus filhos pequenos, num pa\u00eds que sofre com a defici\u00eancia cr\u00f4nica de vagas em creches p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>A desigualdade no acesso a creches tamb\u00e9m se revela nas diferentes taxas de ocupa\u00e7\u00e3o entre mulheres brancas e negras com crian\u00e7as pequenas em casa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/ADBF\/production\/_100097444_gettyimages-609687390.jpg\" alt=\"Mulher limpando sala\"\/><figcaption>Legenda da foto,Mulheres de maior renda terceirizam parte das tarefas dom\u00e9sticas para as de menos recursos, atrav\u00e9s da contrata\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os como de bab\u00e1s, faxineiras e cozinheiras<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Menos da metade (49,7%) das mulheres pretas ou pardas com crian\u00e7as de at\u00e9 3 anos de idade no domic\u00edlio estavam ocupadas em 2019, enquanto entre as mulheres brancas, a propor\u00e7\u00e3o era de 62,6%.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados revelam que, al\u00e9m da hist\u00f3rica desigualdade entre homens e\u00a0mulheres, tamb\u00e9m s\u00e3o grandes as iniquidades entre as pr\u00f3prias mulheres, considerando recortes de renda, cor ou ra\u00e7a, regi\u00f5es do pa\u00eds e \u00e1reas urbanas e rurais, por exemplo. Segundo o IBGE, essas diferen\u00e7as devem ser levadas em contas na elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para mitigar desigualdades.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Trabalho-feminino-\u00e9-fundamental-para-redu\u00e7\u00e3o-da-pobreza-\">Trabalho feminino \u00e9 fundamental para redu\u00e7\u00e3o da pobreza<\/h2>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o do acesso das mulheres ao mercado de trabalho \u00e9 fundamental. Isso porque a impossibilidade de muitas delas de trabalhar ou a disponibilidade para trabalhar apenas em tempo parcial prejudica o acesso de diversas fam\u00edlias a patamares mais elevados de renda.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os fatores que ainda impedem uma maior participa\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho est\u00e3o a insufici\u00eancia de creches e de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de cuidado para idosos, al\u00e9m da desigualdade salarial e de acesso aos cargos mais bem remunerados entre homens e mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa discrep\u00e2ncia muitas vezes faz com que as fam\u00edlias, quando defrontadas com a necessidade de um dos pais deixar de trabalhar para se dedicar ao cuidado dos filhos, no geral, esse sacrif\u00edcio seja feito pelas mulheres, j\u00e1 que os homens costumam ganhar mais. Esse tipo de situa\u00e7\u00e3o ficou ainda mais evidente na pandemia, devido ao fechamento das escolas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o estudo do IBGE publicado nesta quinta-feira, a taxa de participa\u00e7\u00e3o feminina na for\u00e7a de trabalho em 2019 ainda era quase 20 pontos percentuais menor do que a masculina.<\/p>\n\n\n\n<p>A taxa de participa\u00e7\u00e3o na for\u00e7a de trabalho \u00e9 o percentual de pessoas em idade de trabalhar (15 anos ou mais) empregadas ou em busca de trabalho, em rela\u00e7\u00e3o ao total de pessoas nessa faixa et\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, a taxa de participa\u00e7\u00e3o na for\u00e7a de trabalho total no pa\u00eds era de 63,6%, mas chegava a 73,7% entre os homens e era de apenas 54,5% entre as mulheres. A diferen\u00e7a entre os g\u00eaneros vinha diminuindo gradual e lentamente &#8211; era de 23,1 pontos percentuais em 2012, in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica do IBGE, recuando a 19,2 pontos percentuais em 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pandemia, no entanto, essa diferen\u00e7a voltou a crescer, chegando a 19,7 pontos, segundo dados de novembro de 2020 da Pnad Covid-19, pesquisa criada pelo IBGE para mensurar os efeitos da crise de sa\u00fade p\u00fablica sobre o mercado de trabalho e a sa\u00fade dos brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"S\u00e3o-necess\u00e1rias-pol\u00edticas-para-expans\u00e3o-de-creches-\">&#8216;S\u00e3o necess\u00e1rias pol\u00edticas para expans\u00e3o de creches&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/17095\/production\/_117375349_gettyimages-1291523508.jpg\" alt=\"Desenho de casa e fam\u00edlia com tra\u00e7os infantis fixado em porta de sala de aula\"\/><figcaption>Legenda da foto,Andr\u00e9 Geraldo de Moraes Sim\u00f5es, pesquisador do IBGE, destaca import\u00e2ncia da expans\u00e3o de creches para que mulheres tenham maiores chances de ascens\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Olhando para o n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o &#8211; que mede o percentual de pessoas efetivamente ocupadas entre aquelas em idade de trabalhar -, o IBGE observa que a presen\u00e7a de crian\u00e7as pequenas reduz drasticamente a possibilidade de ocupa\u00e7\u00e3o das mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Em domic\u00edlios com crian\u00e7as de at\u00e9 3 anos de idade, o n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o das mulheres de 25 a 49 anos era de 54,6% em 2019, comparado a 67,2% entre as mulheres da mesma faixa et\u00e1ria sem crian\u00e7as pequenas em casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os homens, o indicador era de 89,2% e 83,4%, respectivamente, nestas mesmas duas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, em lares com crian\u00e7as pequenas, a diferen\u00e7a na ocupa\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres superava os 30 pontos percentuais. A discrep\u00e2ncia \u00e9 reduzida a pouco mais de 16 pontos nos domic\u00edlios sem essas crian\u00e7as que exigem mais aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso n\u00e3o significa que a presen\u00e7a de crian\u00e7as \u00e9 negativa&#8221;, observa Andr\u00e9 Geraldo de Moraes Sim\u00f5es, pesquisador do IBGE. &#8220;Mas aponta para a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas de expans\u00e3o de creches e de oportunidades para que as mulheres, que s\u00e3o as mais demandadas nas tarefas de cuidado, possam se inserir mais no mercado de trabalho.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Sim\u00f5es destaca ainda a import\u00e2ncia do compartilhamento das atividades de cuidado entre homens e mulheres nos domic\u00edlios.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, as mulheres dedicavam quase o dobro de horas semanais entre afazeres dom\u00e9sticos e cuidados, em rela\u00e7\u00e3o aos homens. Para elas, essas tarefas consumiam 21,4 horas em m\u00e9dia por semana, comparado a 11 horas dedicadas a esses afazeres pelos homens.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso masculino, a diferen\u00e7a de renda pouco afeta a quantidade de horas dedicadas \u00e0s tarefas dom\u00e9sticas. Os mais pobres dedicavam 11 horas a elas e os mais ricos, 10,8 horas semanais.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres que pertencem aos 20% de maior renda da popula\u00e7\u00e3o brasileira gastam em m\u00e9dia 18,2 horas por semana cuidando de outras pessoas ou realizando afazeres dom\u00e9sticos. Enquanto isso, as mulheres que est\u00e3o entre os 20% de menor rendimento dedicam 24,1 horas semanais a essas mesmas atividades. 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