{"id":30694,"date":"2021-02-16T14:56:22","date_gmt":"2021-02-16T17:56:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=30694"},"modified":"2021-02-16T14:56:24","modified_gmt":"2021-02-16T17:56:24","slug":"pesquisa-paranaense-analisa-modificacoes-geneticas-do-novo-coronavirus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2021\/02\/16\/pesquisa-paranaense-analisa-modificacoes-geneticas-do-novo-coronavirus\/","title":{"rendered":"Pesquisa paranaense analisa modifica\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas do novo coronav\u00edrus"},"content":{"rendered":"\n<p>Um estudo in\u00e9dito investiga as caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas do novo coronav\u00edrus (SARS-CoV-2), relacionadas \u00e0s diferentes manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas em pacientes infectados, assim como os fatores de resist\u00eancia e suscetibilidade \u00e0 Covid-19. A pesquisa est\u00e1 vinculada ao Projeto Genoma Covid-19, conduzido pela Rede de Estudos Gen\u00f4micos do Paran\u00e1, no \u00e2mbito do Novo Arranjo de Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o em Gen\u00f4mica (Napi Gen\u00f4mica). O projeto re\u00fane mais de 200 pesquisadores de institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa p\u00fablicas e privadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob a supervis\u00e3o do coordenador do Curso de Medicina da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), m\u00e9dico e professor David Livingstone Alves Figueiredo, a pesquisa tem como objetivo contribuir para a compreens\u00e3o dos mecanismos gen\u00e9ticos que regulam essa infec\u00e7\u00e3o viral, auxiliando nas decis\u00f5es m\u00e9dicas e nas condutas terap\u00eauticas mais apropriadas para os pacientes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa abordagem pode possibilitar, futuramente, uma an\u00e1lise mais acurada do impacto epidemiol\u00f3gico das cepas circulantes no territ\u00f3rio paranaense, assim como o impacto cl\u00ednico, de acordo com aspectos gen\u00e9ticos de cada paciente\u201d, afirma o professor, destacando a import\u00e2ncia do sequenciamento gen\u00e9tico em massa dos v\u00edrus circulantes para a vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica e subs\u00eddios cient\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 meados de outubro do ano passado o Paran\u00e1 havia sequenciado o genoma do novo coronav\u00edrus em 10 amostras de pacientes acometidos com a Covid-19. Com o desenvolvimento da pesquisa foi poss\u00edvel ampliar a investiga\u00e7\u00e3o, aumentando esse n\u00famero para 78 amostras, inicialmente sequenciadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo revelou que 11% dessa amostragem pertencem \u00e0 linhagem identificada como P.2 (B.1.1.28.2), detectada oficialmente no m\u00eas passado, no Rio de Janeiro. Com ampla circula\u00e7\u00e3o no Brasil, as altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas dessa cepa podem potencializar a velocidade de transmiss\u00e3o do v\u00edrus. As amostras analisadas nessa primeira fase s\u00e3o oriundas de Curitiba e Londrina. Nas pr\u00f3ximas etapas a pesquisa deve contemplar amostras de pacientes de Cascavel, Foz do Igua\u00e7u, Maring\u00e1 e Ponta Grossa, com possibilidade de alcan\u00e7ar at\u00e9 300 pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma das muta\u00e7\u00f5es identificadas, a E484K, caracter\u00edstica na linhagem P.2, pertence a uma amostra coletada em outubro de 2020, enquanto as demais s\u00e3o de pessoas acometidas pela doen\u00e7a em janeiro de 2021. Esse dado aponta que a circula\u00e7\u00e3o dessa linhagem do novo coronav\u00edrus j\u00e1 estava ocorrendo no Paran\u00e1, antes mesmo da primeira notifica\u00e7\u00e3o no Pa\u00eds\u201d, pontua o pesquisador Wilson Ara\u00fajo Silva J\u00fanior, geneticista e diretor cient\u00edfico do Instituto para Pesquisa do C\u00e2ncer (Ipec), em Guarapuava, onde o estudo est\u00e1 sendo desenvolvido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa pesquisa \u00e9 fundamental para demonstrar se realmente as linhagens identificadas no Paran\u00e1 podem estar associadas ao pior progn\u00f3stico e evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, bem como ao agravamento da pandemia registrado&nbsp;nos \u00faltimos meses\u201d, afirma a professora Andr\u00e9a Name Colado Sim\u00e3o, pesquisadora e coordenadora do Laborat\u00f3rio de Pesquisa em Imunologia Aplicada da UEL, que tamb\u00e9m atua como bioqu\u00edmica do Laborat\u00f3rio de Diagn\u00f3stico Molecular do Hospital Universit\u00e1rio de Londrina.<\/p>\n\n\n\n<p>As muta\u00e7\u00f5es podem trazer importante repercuss\u00e3o na evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, seja na gravidade ou na sua perpetua\u00e7\u00e3o. \u201cAltera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas podem ser respons\u00e1veis pelo prolongamento de pandemias e pela adapta\u00e7\u00e3o do v\u00edrus ao hospedeiro humano, dificultando ainda mais as a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo de vacinas\u201d, alerta Felipe Tuon, professor e pesquisador do Laborat\u00f3rio de Infec\u00e7\u00f5es Emergentes da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1 (PUCPR).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o virologista e professor da Unicentro, Emerson Carraro, na medida em que a popula\u00e7\u00e3o come\u00e7a a ser vacinada, novas variantes podem surgir com perfil de replica\u00e7\u00e3o que escape desta imunidade induzida. \u201cUm exemplo pr\u00e1tico \u00e9 o que ocorre com o v\u00edrus influenza, que necessita de atualiza\u00e7\u00e3o anual da vacina para acompanhar o surgimento de novas variantes virais\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa paranaense tamb\u00e9m revelou a presen\u00e7a da cepa inglesa, a VOC Variante SARS-CoV-2 emergente 202012\/01, tamb\u00e9m chamada de B.1.1.7, em uma amostra de paciente com manifesta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica grave. Essa variante, detectada tanto no Reino Unido quanto na \u00c1frica do Sul e no Brasil, tem sido caracterizada por uma dissemina\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida que as outras, cerca de 70% mais transmiss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PESQUISA&nbsp;<\/strong>\u2013 O Projeto Genoma Covid-19 envolve mais de 200 pesquisadores, de 17 institui\u00e7\u00f5es de ensino superior, que estudam o comportamento do novo coronav\u00edrus em pacientes com quadros cl\u00ednicos graves, mantidos na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) com ventila\u00e7\u00e3o pulmonar; em pacientes com quadros cl\u00ednicos moderados, internados na enfermaria; em pacientes curados sem a necessidade de transfer\u00eancia para a UTI; e em pacientes com quadros cl\u00ednicos leves ou assintom\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para realizar a pesquisa, iniciada em julho de 2020, foram coletadas amostras de sangue e de tecidos de pacientes com a Covid-19, obtidas de v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, inclusive do Instituto de Biologia Molecular do Paran\u00e1 (IBMP) e do Laborat\u00f3rio Central do Estado do Paran\u00e1 (Lacen), ambos localizados em Curitiba. Em Londrina, no Norte do Estado, a coleta ocorreu no Hospital Universit\u00e1rio da UEL, a partir da sele\u00e7\u00e3o de 14 pacientes com quadro cl\u00ednico leve da doen\u00e7a, 32 casos moderados e mais 84 amostras de pessoas com quadro grave.<\/p>\n\n\n\n<p>O superintendente de Ci\u00eancia, Tecnologia e Ensino Superior do Paran\u00e1, Aldo Nelson Bona, afirma que os resultados desses estudos colocam o Estado na vanguarda do conhecimento cient\u00edfico sobre o novo coronav\u00edrus e, em curto prazo, devem orientar protocolos de tratamento e preven\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor isso, conforme orienta\u00e7\u00e3o do governador Ratinho J\u00fanior, estamos liberando mais recursos financeiros para financiar a amplia\u00e7\u00e3o das pesquisas e a maior cobertura das an\u00e1lises, fundamentalmente com o intuito de melhor compreender as varia\u00e7\u00f5es do v\u00edrus e as diferentes respostas do sistema imunol\u00f3gico dos pacientes\u201d, salienta o superintendente, que atua como articulador da Rede de Estudos Gen\u00f4micos, em n\u00edvel estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstamos financiando uma robusta e capacitada estrutura de recursos materiais e humanos, grandes ativos tecnol\u00f3gicos do Paran\u00e1, para que possamos melhorar o conhecimento da realidade da pandemia e, em consequ\u00eancia, propiciar a atua\u00e7\u00e3o mais adequada das estruturas de sa\u00fade do Estado em benef\u00edcio de todos os paranaenses\u201d, destaca o presidente da Funda\u00e7\u00e3o Arauc\u00e1ria de Apoio ao Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico do Paran\u00e1, Ramiro Warhaftig.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FINANCIAMENTO<\/strong>&nbsp;\u2013 O Projeto Genoma Covid-19 disp\u00f5e de recursos financeiros da ordem de R$ 800 mil, sendo metade desse montante viabilizada pelo Fundo Paran\u00e1, operacionalizado pela Superintend\u00eancia Geral de Ci\u00eancia, Tecnologia e Ensino Superior. O restante do aporte financeiro, R$ 400 mil, tem como fonte o munic\u00edpio de Guarapuava, por meio da Secretaria Municipal de Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa conta ainda com bolsas de doutorado e p\u00f3s-doutorado custeadas pela Funda\u00e7\u00e3o Arauc\u00e1ria (FA) e Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes).<\/p>\n\n\n\n<p>AEN<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo in\u00e9dito investiga as caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas do novo coronav\u00edrus (SARS-CoV-2), relacionadas \u00e0s diferentes manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas em pacientes infectados, assim como os fatores de resist\u00eancia e suscetibilidade \u00e0 Covid-19. 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