{"id":29732,"date":"2020-11-27T16:30:49","date_gmt":"2020-11-27T19:30:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=29732"},"modified":"2020-11-27T16:30:53","modified_gmt":"2020-11-27T19:30:53","slug":"as-criancas-estao-menos-doentes-do-que-antes-as-doencas-infecciosas-comuns-que-sumiram-com-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2020\/11\/27\/as-criancas-estao-menos-doentes-do-que-antes-as-doencas-infecciosas-comuns-que-sumiram-com-a-pandemia\/","title":{"rendered":"&#8216;As crian\u00e7as est\u00e3o menos doentes do que antes&#8217;: as doen\u00e7as infecciosas comuns que &#8216;sumiram&#8217; com a pandemia"},"content":{"rendered":"\n<p>Em meio \u00e0s enormes dificuldades enfrentadas pelas crian\u00e7as na quarentena \u2014 desde o isolamento at\u00e9 a interrup\u00e7\u00e3o nas aulas presenciais \u2014, ao menos a maioria das fam\u00edlias teve um al\u00edvio: doen\u00e7as infecciosas infantis simples, como resfriados, ou graves, como bronquiolite, que lotam hospitais pedi\u00e1tricos, deram uma tr\u00e9gua em 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o que mostram estudos cient\u00edficos e relatos de hospitais e pediatras \u2014 que apontam como esse benef\u00edcio indireto dentro de um per\u00edodo extremamente dif\u00edcil pode trazer li\u00e7\u00f5es para redes, escolas, gestores e cidad\u00e3os comuns de olho no calend\u00e1rio escolar de 2021, em um momento de novos picos de cont\u00e1gio pela covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Fran\u00e7a, o m\u00e9dico especialista em emerg\u00eancias pedi\u00e1tricas Fran\u00e7ois Angoulvant e 12 colegas come\u00e7aram a coletar informa\u00e7\u00f5es sobre visitas a seis pronto-socorros infantis de Paris e arredores a partir de mar\u00e7o, quando o governo franc\u00eas determinou um lockdown parcial e o fechamento das escolas por conta da chegada do novo coronav\u00edrus \u00e0 Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>Vacina de Oxford\/AstraZeneca: sucess\u00e3o de erros p\u00f5e em xeque resultados<br>\nO que faz algumas crian\u00e7as praticarem bullying pesado em outras<br>\nA partir dos dados hospitalares de mais de 871,5 mil pacientes entre 2017 e 2020, Angoulvant e seus colegas observaram que as visitas e interna\u00e7\u00f5es em pronto-socorros pedi\u00e1tricos ca\u00edram, respectivamente, 68% e 45% durante os meses de lockdown na Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados foram publicados em junho no peri\u00f3dico Clinical Infectious Diseases.<\/p>\n\n\n\n<p>Pule Talvez tamb\u00e9m te interesse e continue lendo<br>\nTalvez tamb\u00e9m te interesse<br>\nRonald Reagan<br>\n4 presidentes dos EUA que sofreram s\u00e9rios problemas de sa\u00fade durante o mandato<br>\nM\u00e9dica usando m\u00e1scara<br>\nA geografia das pandemias: o que faz um novo v\u00edrus surgir em determinado lugar do mundo?<br>\nHomem com covid atendido em UTI<br>\nCoronav\u00edrus: A longa lista de poss\u00edveis sequelas da covid-19<br>\nM\u00e9dica usando m\u00e1scara de prote\u00e7\u00e3o<br>\n&#8216;Estamos apavorados&#8217;: o drama de m\u00e9dicos na linha de frente do atendimento ao coronav\u00edrus no Brasil<br>\nFim do Talvez tamb\u00e9m te interesse<br>\nInfec\u00e7\u00f5es do trato urin\u00e1rio, que n\u00e3o s\u00e3o transmitidas pelo contato com crian\u00e7as, foram usadas como grupo de controle \u2014 e n\u00e3o tiveram varia\u00e7\u00e3o substancial durante a pandemia. Por conta disso, os pesquisadores acham improv\u00e1vel que a redu\u00e7\u00e3o nos casos das demais doen\u00e7as se deva a restri\u00e7\u00f5es nos transportes ou ao medo de levar as crian\u00e7as aos hospitais.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais especificamente, notou-se uma queda substancial (de mais de 70%) nos casos de doen\u00e7as virais e bacterianas altamente contagiosas entre crian\u00e7as, como gastroenterite aguda, resfriado comum, otite aguda e bronquiolite, em compara\u00e7\u00e3o com o que seria esperado para aqueles meses do ano caso n\u00e3o tivesse havido a quarentena e o isolamento social.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas dessas doen\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o apenas inc\u00f4modas, como causam um grande n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es em UTIs pedi\u00e1tricas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em geral, hospitais ficam cheios de pacientes de bronquiolite, mas n\u00e3o vimos isso neste ano&#8221;, diz Angoulvant \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 interessante porque n\u00e3o sei como vamos traduzir isso para depois (da pandemia de covid-19), mas sabemos que temos como reduzir essa doen\u00e7a anualmente. N\u00e3o \u00e9 que eu ache que a sociedade deva viver em lockdown para sempre, mas isso levanta boas quest\u00f5es. As crian\u00e7as est\u00e3o menos doentes do que antes.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados da Fran\u00e7a s\u00e3o consistentes com o que Angoulvant diz ter ouvido de seus colegas pediatras em outros pa\u00edses da Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>E parecem ter se repetido tamb\u00e9m no Brasil. Casos de bronquiolite e de outras doen\u00e7as respirat\u00f3rias e de contato ca\u00edram em \u00edndices semelhantes (em torno de 80%) neste ano em um dos principais hospitais infantis de S\u00e3o Paulo, o Sabar\u00e1, informa \u00e0 BBC News Brasil o infectologista Marco Aur\u00e9lio Palazzi S\u00e1fadi, coordenador do servi\u00e7o de infectologia pedi\u00e1trica do hospital.<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro, reportagem do jornal Agora S\u00e3o Paulo apontou redu\u00e7\u00f5es em interna\u00e7\u00f5es infantis tamb\u00e9m em unidades de refer\u00eancia do SUS na capital, como o Hospital Municipal Menino Jesus e o Hospital do Servidor P\u00fablico Estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>As li\u00e7\u00f5es: da higiene ao papel dos adultos na transmiss\u00e3o<br>\nE quais as li\u00e7\u00f5es disso para quando houver a retomada das aulas presenciais em larga escala?<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os m\u00e9dicos consultados pela reportagem, o primeiro aprendizado diz respeito a tornar permanentes as medidas de higiene adotadas durante a pandemia, de forma a proteger n\u00e3o s\u00f3 as crian\u00e7as, mas educadores e demais adultos em contato com elas no dia a dia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As medidas de higiene e distanciamento vieram para ficar e podem ser ben\u00e9ficas&#8221; mesmo depois que o novo coronav\u00edrus for superado, afirma S\u00e1fadi.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso inclui aprendermos a usar m\u00e1scaras sempre que tivermos sintomas gripais, assim como j\u00e1 costumavam fazer os asi\u00e1ticos, e manter as m\u00e3os longe do rosto quando elas n\u00e3o est\u00e3o limpas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Por sinal, lavar muito mais as m\u00e3os (preferencialmente com \u00e1gua e sab\u00e3o em vez de apenas passar \u00e1lcool) do que faz\u00edamos antes tamb\u00e9m \u00e9 um dos maiores ensinamentos da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estudos mostram que, se atendentes de creches e ber\u00e7\u00e1rios lavassem mais as m\u00e3os, reduziriam muito os casos de bronquiolite e gastroenterite nas crian\u00e7as, porque (ao encostar em uma e depois em outra) passam o v\u00edrus entre elas&#8221;, afirma o pediatra Daniel Becker, do Instituto de Pediatria da UFRJ.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A covid-19 traz agora para nossa consci\u00eancia os conhecimentos sobre essas medidas de preven\u00e7\u00e3o que podemos incorporar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A din\u00e2mica de transmiss\u00e3o da covid-19 \u2014 com risco maior em lugares fechados e com aglomera\u00e7\u00f5es, e por meio n\u00e3o apenas de got\u00edculas de saliva, mas tamb\u00e9m pelas part\u00edculas de aeross\u00f3is que ficam suspensas no ar \u2014 evidencia, ainda, o valor dos espa\u00e7os abertos na preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O aerossol \u00e9 uma fumacinha da nossa respira\u00e7\u00e3o que pode flutuar durante horas no ar. Precisamos lembrar disso quando pensamos em atividades escolares: o melhor \u00e9 que sejam ao ar livre, porque ali o aerossol \u00e9 dispersado com o vento&#8221;, afirma Becker.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se a atividade n\u00e3o puder ser ao ar livre, que seja em salas bem ventiladas, (simultaneamente a) medidas de higiene respirat\u00f3ria e distanciamento social.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>De volta ao estudo realizado na Fran\u00e7a, a li\u00e7\u00e3o mais importante destacada pelo m\u00e9dico Fran\u00e7ois Angoulvant diz respeito ao papel dos adultos nessa cadeia de transmiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A continua\u00e7\u00e3o de sua pesquisa, ainda n\u00e3o publicada, aponta que, no fim do lockdown franc\u00eas, entre junho e julho, infec\u00e7\u00f5es virais voltaram a subir em hospitais pedi\u00e1tricos, \u00e0 medida que as pessoas relaxaram no distanciamento social e as aulas foram retomadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O mais importante, por\u00e9m, \u00e9 que as infec\u00e7\u00f5es voltaram a cair em outubro, quando a Fran\u00e7a voltou a adotar medidas de quarentena \u2014 mas manteve suas escolas abertas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Angoulvant, o motivo disso \u00e9 que, mesmo frequentando as escolas, as crian\u00e7as est\u00e3o interagindo com menos adultos por causa das medidas de isolamento social, impedindo que diversos v\u00edrus consigam circular em grande escala.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Claro que depende do v\u00edrus. Para o Sars-CoV-2 (v\u00edrus que causa a covid-19), vimos que as crian\u00e7as s\u00e3o menos afetadas e menos contagiosas do que os adultos. Em outros v\u00edrus, \u00e9 o oposto: elas s\u00e3o mais contagiosas e espalham mais. Mas mesmo assim acho que (a escola) n\u00e3o causaria uma grande epidemia, porque n\u00e3o se trata apenas de crian\u00e7as infectando crian\u00e7as, \u00e9 o adulto ajudando nessa cadeia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso, por\u00e9m, desde que sejam mantidas as demais medidas de higiene e distanciamento, inclusive entre adultos no dia a dia, opina Angoulvant.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o sou t\u00e3o otimista, porque vi o que aconteceu na Fran\u00e7a em junho, quando tudo voltou ao normal (e o distanciamento e o uso de m\u00e1scaras foram relaxados). Mas acho que temos de aprender essas li\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Crian\u00e7as e covid-19<br>\nNo caso espec\u00edfico da covid-19, o papel das crian\u00e7as na cadeia de transmiss\u00e3o ainda n\u00e3o foi plenamente esclarecido, &#8220;mas as evid\u00eancias at\u00e9 agora apontam que as pequenas (menores de dez anos) n\u00e3o foram identificadas como grandes vetores da doen\u00e7a&#8221;, afirma S\u00e1fadi, do Hospital Sabar\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Hoje, os principais vetores s\u00e3o os adultos jovens. A maioria n\u00e3o evolui mal (ou seja, tem apenas sintomas leves da covid-19) e assume atitudes de maior risco de cont\u00e1gio (como festas e aglomera\u00e7\u00f5es).&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 as crian\u00e7as maiores de dez anos parecem ter capacidade de transmiss\u00e3o parecida \u00e0 dos jovens adultos.<\/p>\n\n\n\n<p>De modo geral, por\u00e9m, alguns estudos apontam que a intera\u00e7\u00e3o segura entre crian\u00e7as (e com crian\u00e7as) parece ser menos preocupante do que se pensava no in\u00edcio da pandemia, segundo um artigo publicado em julho na revista Pediatrics, da Academia Americana de Pediatria.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo compilou pesquisas cient\u00edficas feitas na Su\u00ed\u00e7a, na China e na Austr\u00e1lia nas quais crian\u00e7as diagnosticadas com covid-19 tiveram seus contatos rastreados para tentar identificar poss\u00edveis cont\u00e1gios futuros.<\/p>\n\n\n\n<p>E poucos foram os epis\u00f3dios confirmados de transmiss\u00e3o crian\u00e7a-adulto. A partir do estudo su\u00ed\u00e7o, deduziu-se que &#8220;as crian\u00e7as mais frequentemente adquirem a covid-19 de adultos do que a transmitem a eles&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Com base nesses dados, a transmiss\u00e3o do Sars-CoV-2 em escolas parece ser menos importante na transmiss\u00e3o comunit\u00e1ria do que se temia inicialmente&#8221;, diz o artigo, de julho de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso seria uma outra maneira como o Sars-CoV-2 difere drasticamente do influenza (v\u00edrus da gripe), cuja transmiss\u00e3o em escolas \u00e9 bastante reconhecida como um motor de doen\u00e7as epid\u00eamicas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Em contrapartida, um estudo de agosto dos Centros de Preven\u00e7\u00e3o e Controle de Doen\u00e7as dos EUA (CDC) analisou os dados de um acampamento de ver\u00e3o no Estado da Ge\u00f3rgia no m\u00eas anterior, em que 76% das crian\u00e7as e monitores acabaram sendo infectados pelo coronav\u00edrus depois de uma semana de atividades e brincadeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Um ponto-chave, aqui, parecem ser as medidas de higiene, ventila\u00e7\u00e3o e distanciamento social: segundo o estudo dos CDCs, as crian\u00e7as do acampamento americano n\u00e3o usavam m\u00e1scaras, os espa\u00e7os internos n\u00e3o tiveram sua ventila\u00e7\u00e3o natural aumentada e os participantes faziam &#8220;vigorosos cantos e gritos de torcida&#8221; todos os dias, potencialmente espalhando got\u00edculas e aeross\u00f3is contaminados.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a capacidade de escolas adotarem um conjunto semelhante de medidas preventivas \u2014 desde acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel e a higieniza\u00e7\u00e3o constante at\u00e9 pr\u00e9dios com \u00e1reas livres e boa ventila\u00e7\u00e3o natural \u2014 \u00e9 justamente a preocupa\u00e7\u00e3o de especialistas e professores, principalmente em um momento em que as interna\u00e7\u00f5es e as mortes por covid-19 t\u00eam crescido em grande parte do pa\u00eds e UTIs voltam a ficar lotadas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em escolas que tenham todas as condi\u00e7\u00f5es adequadas, o que infelizmente n\u00e3o \u00e9 a realidade no Brasil no momento, professores n\u00e3o ser\u00e3o grupo de risco maior do que outros profissionais&#8221;, opina Daniel Becker.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Por isso, eu e um grupo de pediatras estamos em campanha por adequa\u00e7\u00f5es urgentes nas escolas p\u00fablicas. Em escolas degradadas, sem condi\u00e7\u00f5es de higiene ou \u00e1gua, sab\u00e3o, papel toalha, \u00e1lcool gel, equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual, poucos professores para muitos alunos, a\u00ed sim o risco \u00e9 maior, porque n\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para o respeito aos protocolos de seguran\u00e7a.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando que as crian\u00e7as podem estar entre os \u00faltimos grupos a receberem as vacinas, quando estas forem devidamente aprovadas, &#8220;se nada for feito, as crian\u00e7as podem ficar mais um ano sem aulas, o que seria um crime contra a inf\u00e2ncia no Brasil&#8221;, prossegue.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 muito importante investir pesado em escola p\u00fablica agora. Temos dois ou tr\u00eas meses para isso, mas estamos bem em um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o de governos (municipais). Mas \u00e9 a coisa mais importante que o Brasil pode fazer neste momento.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, o grupo interdisciplinar Rede Escola P\u00fablica e Universidade fez, em agosto, simula\u00e7\u00f5es sobre a dispers\u00e3o do v\u00edrus em ambientes escolares, usando S\u00e3o Paulo como exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Levando-se em conta que popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis est\u00e3o mais expostas ao v\u00edrus e a densidade de pessoas (alunos e funcion\u00e1rios) nas escolas, o grupo concluiu que seria necess\u00e1rio reduzir para muito al\u00e9m dos 35% de estudantes permitidos pelo governo em aulas presenciais para evitar altos \u00edndices de cont\u00e1gio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Al\u00e9m da inviabilidade pr\u00e1tica, esta condi\u00e7\u00e3o hipot\u00e9tica de reabertura &#8216;mais segura&#8217; das escolas implicaria no aprofundamento das desigualdades educacionais em desfavor de estudantes e escolas em piores condi\u00e7\u00f5es&#8221;, diz a nota t\u00e9cnica do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>Escolas pelo mundo<br>\nE como conciliar essas dificuldades com mais um fator: a alta de casos no Brasil e no mundo? At\u00e9 o momento, diferentes pa\u00edses t\u00eam dado diferentes respostas.<\/p>\n\n\n\n<p>Pa\u00edses europeus em geral t\u00eam mantido as escolas abertas (em alguns casos, sob protestos de professores), mesmo tendo endurecido seus lockdowns novamente e restringido servi\u00e7os n\u00e3o essenciais. Em estudo de agosto, o Centro Europeu de Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as reportou que o fechamento de escolas &#8220;dificilmente daria prote\u00e7\u00e3o adicional \u00e0 sa\u00fade das crian\u00e7as&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Em defesa das escolas abertas, o premi\u00ea irland\u00eas, Micheal Martin, afirmou que &#8220;n\u00e3o permitiremos que o futuro de nossas crian\u00e7as e jovens seja mais uma v\u00edtima dessa doen\u00e7a&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No Reino Unido, em 27 de novembro, o epidemiologista Michael Tildesley, membro do conselho cient\u00edfico governamental, admitiu que houve um aumento de casos de coronav\u00edrus em escolas em algumas partes do pa\u00eds, mas agregou que n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de &#8220;uma transmiss\u00e3o em larga escala&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o estamos vendo casos das escolas se espalhando para a comunidade&#8221;, afirmou. &#8220;Na verdade, h\u00e1 mais evid\u00eancias do contr\u00e1rio: de casos na comunidade levarem a casos nas escolas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Nova York, que havia sido a primeira grande cidade americana a reabrir suas escolas p\u00fablicas, decidiu fech\u00e1-las de novo a partir de 19 de novembro, diante de um grande pico de novas infec\u00e7\u00f5es na cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Coreia do Sul, escolas foram temporariamente fechadas entre agosto e setembro depois de quase 200 alunos e funcion\u00e1rios em Seul e arredores terem sido infectados.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8216;Bolhas de assepsia&#8217; e natureza<br>\nEnquanto permanece o debate em torno das escolas, especialistas defendem que o contato das crian\u00e7as com a natureza seja mantido sempre que poss\u00edvel (e com as devidas medidas de seguran\u00e7a) durante a pandemia \u2014 tamb\u00e9m para o bem da sa\u00fade infantil. Nesse sentido, n\u00e3o \u00e9 ben\u00e9fico colocar as crian\u00e7as em &#8220;bolhas de assepsia&#8221;, livres de qualquer tipo de contato com micr\u00f3bios, defende Daniel Becker.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A maioria das infec\u00e7\u00f5es virais, passadas pela transmiss\u00e3o inter-humana, s\u00e3o consequ\u00eancia da vida em aglomera\u00e7\u00f5es nas cidades. Por um lado, isso \u00e9 bom porque, na inf\u00e2ncia, essas infec\u00e7\u00f5es (nem todas: a influenza, por exemplo, pode ser muito s\u00e9ria) s\u00e3o geralmente mais leves do que na vida adulta&#8221;, diz o m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;E temos de tomar cuidado para n\u00e3o colocar as crian\u00e7as em bolhas de assepsia: as que nunca t\u00eam contato com a lama, com a terra, n\u00e3o brincam na areia ou com cachorros e com a sujeira natural tendem a ficar mais doentes mais tarde. A sujeira natural \u00e9 ben\u00e9fica ao organismo, melhora nosso microbioma e fun\u00e7\u00f5es corporais. Temos de evitar aglomera\u00e7\u00f5es e manter distanciamento, mas n\u00e3o evitar nosso conv\u00edvio com a natureza, que \u00e9 fundamental para a sa\u00fade (f\u00edsica e mental) das crian\u00e7as \u2014 traz alegria, aprendizado, coragem e capacidade de avalia\u00e7\u00e3o de risco.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>BBC Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio \u00e0s enormes dificuldades enfrentadas pelas crian\u00e7as na quarentena \u2014 desde o isolamento at\u00e9 a interrup\u00e7\u00e3o nas aulas presenciais \u2014, ao menos a maioria das fam\u00edlias teve um al\u00edvio: doen\u00e7as infecciosas infantis simples, como resfriados, ou graves, como bronquiolite, que lotam hospitais pedi\u00e1tricos, deram uma tr\u00e9gua em 2020. \u00c9 o que mostram estudos cient\u00edficos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":29733,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"advanced_seo_description":"","jetpack_seo_html_title":"","jetpack_seo_noindex":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":{"0":"post-29732","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/115671497_getty.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29732"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29732"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29732\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29734,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29732\/revisions\/29734"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29733"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29732"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29732"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29732"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}