{"id":28846,"date":"2020-09-09T13:45:46","date_gmt":"2020-09-09T16:45:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=28846"},"modified":"2020-09-09T13:45:49","modified_gmt":"2020-09-09T16:45:49","slug":"aguas-produtivas-do-litoral-paranaense-atraem-animais-marinhos-em-periodo-de-migracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2020\/09\/09\/aguas-produtivas-do-litoral-paranaense-atraem-animais-marinhos-em-periodo-de-migracao\/","title":{"rendered":"\u00c1guas produtivas do litoral paranaense atraem animais marinhos em per\u00edodo de migra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>O litoral paranaense recebe a visita constante de turistas do mundo inteiro. Mesmo nos meses frios, de inverno, esses visitantes fazem longas viagens para aproveitar as praias aconchegantes e produtivas do estado. Entre os h\u00f3spedes mais comuns est\u00e3o os pinguins-de-magalh\u00e3es, os lobos-marinhos, as tartarugas-verdes, as baleias e os bobos-pequenos (esp\u00e9cie de ave marinha).<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do gosto pelas \u00e1guas da costa paranaense ser comum entre esses animais, as origens e os motivos que os trazem at\u00e9 aqui s\u00e3o bastante diversos. Os pinguins-de-magalh\u00e3es, por exemplo, s\u00e3o presen\u00e7as cativas todos os anos na costa sul e sudeste brasileira e v\u00eam das \u00e1reas reprodutivas no Estreito de Magalh\u00e3es, Patag\u00f4nia Argentina, em busca de alimento. J\u00e1 as baleias, francas e jubartes, fazem o processo inverso: alimentam-se nas zonas frias da regi\u00e3o ant\u00e1rtica e patag\u00f4nica e buscam as \u00e1guas paranaenses para se reproduzirem e cuidarem de seus filhotes.<\/p>\n\n\n\n<p>Os lobos-marinhos-subant\u00e1rticos (Arctocephalus tropicalis) s\u00e3o outros visitantes ass\u00edduos. Este ano, o Laborat\u00f3rio de Ecologia e Conserva\u00e7\u00e3o (LEC) da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) est\u00e1 acompanhando um indiv\u00edduo dessa esp\u00e9cie, que \u00e9 origin\u00e1ria das ilhas subant\u00e1rticas localizadas ao norte da Ant\u00e1rtica, desde o dia 29 de julho. At\u00e9 o momento, esse \u00e9 o maior per\u00edodo que um animal marcado pelos especialistas passou em \u00e1guas paranaenses. O turista tem aproveitado a estadia para descansar e procurar alimentos. Atualmente, ele segue a regi\u00e3o costeira rumo ao norte e repousa nas praias do Parque Nacional do Superagui.<\/p>\n\n\n\n<p>O indiv\u00edduo, atendido e marcado h\u00e1 cerca de 30 dias, continua com um quadro positivo de sa\u00fade e est\u00e1 sendo monitorado diariamente pela equipe da UFPR.<\/p>\n\n\n\n<p>Do hemisf\u00e9rio sul, o estado tamb\u00e9m recebe os lobos-marinhos-do-sul (Arctocephalus australis), cujas col\u00f4nias reprodutivas s\u00e3o no Uruguai e na Argentina. As focas-caranguejeiras (Lobodon carcinophagus) e as focas-leopardos (Hydrurga leptonyx) v\u00eam da regi\u00e3o ant\u00e1rtica, muito mais ao sul.<\/p>\n\n\n\n<p>A bi\u00f3loga e coordenadora do LEC, Camila Domit, explica que esses animais que v\u00eam do sul normalmente chegam \u00e0 costa brasileira entre os meses de maio e julho e ficam at\u00e9 setembro e outubro e que existe uma varia\u00e7\u00e3o no tempo de deslocamento deles entre as \u00e1reas ao sul e o litoral do Paran\u00e1. \u201cNo caminho, alguns encontram regi\u00f5es com muitas presas e passam um per\u00edodo maior se alimentando para, ent\u00e3o, subirem \u00e0 costa. Outros passam mais tempo na busca de alimento ou encontram \u00e1reas de descanso. Em geral, eles n\u00e3o fazem uma viagem em linha reta, mas com v\u00e1rias paradas, e cada indiv\u00edduo leva seu tempo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Condi\u00e7\u00f5es da \u00e1gua<\/p>\n\n\n\n<p>A temperatura e a salinidade da \u00e1gua s\u00e3o alguns dos fatores que determinam a distribui\u00e7\u00e3o da fauna marinha e, portanto, influenciam na migra\u00e7\u00e3o. \u201cOs animais s\u00e3o sens\u00edveis a esses par\u00e2metros e, normalmente, buscam condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis\u201d, aponta o professor e respons\u00e1vel pelo Laborat\u00f3rio de Oceanografia Costeira e Geoprocessamento no Centro de Estudos do Mar (CEM), Maur\u00edcio Almeida Noernberg.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o inverno, a m\u00e9dia de temperatura das \u00e1guas que banham o litoral paranaense \u00e9 de 19 a 20 graus Celsius. Enquanto nas regi\u00f5es mais ao sul do hemisf\u00e9rio, \u00e9 mais baixa. Nas Ilhas Malvinas, na Patag\u00f4nia, por exemplo, a temperatura varia entre 5 e 7 graus, dependendo da latitude.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e9dia das temperaturas da superf\u00edcie do mar no m\u00eas de julho.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Noernberg, a massa de \u00e1gua que vem do sul \u00e9 mais fria, menos salina e rica em nutrientes. \u201cEla tem influ\u00eancia da desembocadura do Rio da Prata, na Argentina\u201d. Em fun\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o de ventos e do relaxamento da corrente do Brasil, essas \u00e1guas atingem latitudes menores na esta\u00e7\u00e3o mais fria do ano, chegando ao litoral do Paran\u00e1.  \u201cNo final do inverno, essa massa de \u00e1gua come\u00e7a a ter menos influ\u00eancia e a diminui\u00e7\u00e3o da intensidade das frentes frias favorece o retorno dos animais ao sul\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A configura\u00e7\u00e3o da costa litor\u00e2nea do Paran\u00e1 faz dela uma regi\u00e3o mais abrigada e a presen\u00e7a de estu\u00e1rios, isto \u00e9, ambientes aqu\u00e1ticos de transi\u00e7\u00e3o entre rio e mar, tornam a \u00e1gua mais produtiva, propiciando a busca dos animais pelo local.<\/p>\n\n\n\n<p>Monitoramento<\/p>\n\n\n\n<p>Por meio do monitoramento realizado por equipes de pesquisadores do mundo inteiro, \u00e9 poss\u00edvel observar os trajetos realizados por alguns animais. \u00c9 o caso das tartarugas-verdes, cujo programa de marca\u00e7\u00e3o se estende ao longo de toda a costa brasileira e uruguaia. \u201c\u00c9 um trabalho que o Projeto Tamar faz h\u00e1 mais de 30 anos, que n\u00f3s tamb\u00e9m fazemos aqui no Paran\u00e1 desde 2015, al\u00e9m de outros projetos pelo pa\u00eds que v\u00eam desenvolvendo ferramentas de mapeamento da fauna marinha\u201d, conta Camila.<\/p>\n\n\n\n<p>De janeiro a agosto de 2020, o LEC registrou aproximadamente 60 tartarugas marinhas. Na foto, tartarugas-verdes.<\/p>\n\n\n\n<p>As marca\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas com a coloca\u00e7\u00e3o de anilhas e brincos com c\u00f3digos ou, ainda, por microchips subcut\u00e2neos. A equipe da UFPR tamb\u00e9m utiliza transmissores satelitais, hastes de fibra ou carbono que enviam sinais para sat\u00e9lites, permitindo triangular a localiza\u00e7\u00e3o dos animais rastreados e retransmitindo a informa\u00e7\u00e3o aos pesquisadores em terra (sistema Argos).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse trabalho desenvolvido no Paran\u00e1 com as tartarugas juvenis \u00e9 pioneiro. \u201cDos 20 transmissores fixados em juvenis de tartarugas-verdes, pudemos notar que alguns indiv\u00edduos se deslocaram entre Bahia, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, mas muitos foram parcialmente residentes em nosso litoral\u201d, destaca Camila. O estudo \u00e9 parte da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado da ocean\u00f3grafa Tawane Nunes e pretende verificar como as tartarugas dessa fam\u00edlia utilizam o litoral do estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra esp\u00e9cie que viaja com frequ\u00eancia para o Paran\u00e1 \u00e9 a dos bobos-pequenos (Puffinus puffinus), que vem da regi\u00e3o do Reino Unido no hemisf\u00e9rio norte. Pelo fato de muitos deles serem anilhados nas \u00e1reas reprodutivas, \u00e9 poss\u00edvel saber que alguns fizeram esse longo trajeto em aproximadamente 60 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>As anilhas s\u00e3o divididas por tamanho e todas possuem um c\u00f3digo, que \u00e9 vinculado ao animal em um banco de dados e pode ser compartilhado mundialmente.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o monitoramento em animais cuja marca\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel, como as feitas por microchips, \u00e9 mais dif\u00edcil. Entretanto, h\u00e1 bons resultados que demostram os deslocamentos ao longo da regi\u00e3o sul e o tempo de migra\u00e7\u00e3o. \u201cH\u00e1 relato de um lobo-marinho-do-sul marcado no Paran\u00e1 que foi avistado na zona reprodutiva, no Uruguai, cerca de cinco meses ap\u00f3s a marca\u00e7\u00e3o. Ainda temos muito a avan\u00e7ar nestes estudos, mas as t\u00e9cnicas est\u00e3o sendo aprimoradas\u201d, comenta a bi\u00f3loga. Ela refor\u00e7a que muitas hist\u00f3rias sobre a biologia destes animais s\u00f3 podem ser conhecidas pela ci\u00eancia devido ao uso deste processo de marca\u00e7\u00e3o e recaptura.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho de marca\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para conhecer as \u00e1reas de deslocamento dos animais, quais s\u00e3o as regi\u00f5es de alimenta\u00e7\u00e3o e de reprodu\u00e7\u00e3o e entender n\u00e3o s\u00f3 o padr\u00e3o biol\u00f3gico e ecol\u00f3gico dessas esp\u00e9cies, mas de que maneira est\u00e3o expostas a atividades humanas. A pesquisadora conta que o entendimento comum \u00e9 de que o impacto causado pelo ser humano \u00e9 maior dentro de estu\u00e1rios ou ba\u00edas e na zona costeira, mas que \u00e9 importante tamb\u00e9m proteger os animais ao longo de seus processos migrat\u00f3rios. \u201cEntender quais \u00e1reas sobrep\u00f5em regi\u00f5es pesqueiras ou portu\u00e1rias e quais s\u00e3o os locais de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s \u00e9 essencial para que os processos de licenciamento e ordenamento dessas atividades sejam executados de maneira a conservar essas esp\u00e9cies marinhas com quem compartilhamos os oceanos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Projeto<\/p>\n\n\n\n<p>O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) \u00e9 uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produ\u00e7\u00e3o e escoamento de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural na Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse projeto tem como objetivo avaliar os poss\u00edveis impactos das atividades de produ\u00e7\u00e3o e escoamento de petr\u00f3leo sobre as aves, tartarugas e mam\u00edferos marinhos, atrav\u00e9s do monitoramento das praias e do atendimento veterin\u00e1rio aos animais vivos e necropsia dos animais encontrados mortos.<\/p>\n\n\n\n<p>O PMP-BS \u00e9 realizado desde Laguna\/SC at\u00e9 Saquarema\/RJ, sendo dividido em 15 trechos. O Laborat\u00f3rio de Ecologia e Conserva\u00e7\u00e3o da UFPR monitora o Trecho 6, compreendido entre os munic\u00edpios de Guaratuba e Guaraque\u00e7aba.<\/p>\n\n\n\n<p>UFPR<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O litoral paranaense recebe a visita constante de turistas do mundo inteiro. Mesmo nos meses frios, de inverno, esses visitantes fazem longas viagens para aproveitar as praias aconchegantes e produtivas do estado. Entre os h\u00f3spedes mais comuns est\u00e3o os pinguins-de-magalh\u00e3es, os lobos-marinhos, as tartarugas-verdes, as baleias e os bobos-pequenos (esp\u00e9cie de ave marinha). 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