{"id":28629,"date":"2020-08-11T11:23:43","date_gmt":"2020-08-11T14:23:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=28629"},"modified":"2020-08-11T11:23:45","modified_gmt":"2020-08-11T14:23:45","slug":"procura-por-organicos-cresce-com-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2020\/08\/11\/procura-por-organicos-cresce-com-a-pandemia\/","title":{"rendered":"Procura por org\u00e2nicos cresce com a pandemia"},"content":{"rendered":"\n<p>A procura por alimentos org\u00e2nicos, que j\u00e1 vinha aumentando, acelerou com a pandemia. O que se percebe s\u00e3o consumidores mais conscientes, preocupados em saber a origem dos alimentos que consomem e dispostos a comerem de forma mais saud\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Para dar conta do aumento da demanda, a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento est\u00e1 implementando o programa Paran\u00e1 Org\u00e2nico.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo \u00e9 fomentar com mais intensidade a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica de alimentos em todo o Estado. \u201cCom o aumento da demanda do consumo de alimentos org\u00e2nicos, estamos acelerando os trabalhos de apoio ao produtor\u201d, afirmou o engenheiro agr\u00f4nomo Andr\u00e9 Luis Alves Miguel, coordenador do projeto de Agroecologia do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paran\u00e1 \u2013 IDR.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta do novo programa \u00e9 incorporar mais 7 mil produtores \u00e0 atividade org\u00e2nica, totalizando em torno de 10 mil produtores em todo o Estado. O IDR uniu a pesquisa agroecol\u00f3gica e a extens\u00e3o rural para ajudar os produtores a fazerem a reconvers\u00e3o das propriedades, e ajudar a construir as bases para atender o mercado e a merenda escolar.<\/p>\n\n\n\n<p>O programa prev\u00ea a\u00e7\u00f5es na assist\u00eancia t\u00e9cnica, pesquisa, certifica\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o dos agricultores e da produ\u00e7\u00e3o e aperfei\u00e7oamento permanente de um cadastro. Tamb\u00e9m vai atuar junto com a iniciativa privada para agilizar o aumento da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Paran\u00e1 \u00e9 o l\u00edder nacional na produ\u00e7\u00e3o de alimentos org\u00e2nicos com quase 4 mil produtores certificados e em processo de certifica\u00e7\u00e3o. No Minist\u00e9rio da Agricultura est\u00e3o cadastrados 3.502 produtores paranaenses, que representa uma participa\u00e7\u00e3o de 17,54% no n\u00famero de produtores de org\u00e2nicos em todo o Pa\u00eds. Ainda segundo o Minist\u00e9rio, s\u00e3o 3.363 unidades produtivas que trabalham com org\u00e2nicos no Paran\u00e1, presentes em 177 munic\u00edpios.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Andr\u00e9 Luis Alves Miguel, muitos produtores j\u00e1 estavam acostumados a entregar a produ\u00e7\u00e3o a domic\u00edlio, atrav\u00e9s de cestas ou sacolas de produtos. Por causa da pandemia, houve uma adapta\u00e7\u00e3o e essa modalidade de venda ultrapassou as expectativas. Outra percep\u00e7\u00e3o \u00e9 que o consumo de org\u00e2nicos aumentou tamb\u00e9m nos supermercados, inclusive nas grandes redes varejistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, os produtores de org\u00e2nicos foram os menos afetados com o novo cen\u00e1rio de isolamento das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAgora o Paran\u00e1 est\u00e1 diante desse desafio de fomentar o aumento de produ\u00e7\u00e3o. O interesse dos produtores est\u00e1 crescendo ainda mais\u201d, disse. Eles querem ampliar a \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o, mas esbarram na suspens\u00e3o do processo de certifica\u00e7\u00e3o por causa da pandemia. Segundo Miguel, esse processo requer a reuni\u00e3o de produtores e t\u00e9cnicos para avalia\u00e7\u00e3o dos processos e visitas \u00e0s propriedades e por causa da aglomera\u00e7\u00e3o eles foram suspensos.<\/p>\n\n\n\n<p>Muita coisa est\u00e1 sendo feita online, mas est\u00e1 mais lento, admite o t\u00e9cnico.<\/p>\n\n\n\n<p>A Secretaria da Agricultura e o IDR est\u00e3o empenhados em ajudar esse setor, com o treinamento e capacita\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos e produtores. Tamb\u00e9m v\u00e3o ampliar as unidades de refer\u00eancia para que sejam feitos dias de campo e estimulem o produtor a adotar essa modalidade de cultivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o engenheiro agr\u00f4nomo e assessor regional de Agroecologia do IDR, Julio Carlos Bittencourt Veiga Silva, \u00e9 n\u00edtida a busca do consumidor por alimentos mais saud\u00e1veis, livre de res\u00edduos qu\u00edmicos. \u201cEstamos vendo um novo olhar da sociedade sobre a produ\u00e7\u00e3o de org\u00e2nicos\u201d, disse ele. \u201cAs pessoas sabem que precisam fortalecer seus sistemas imunol\u00f3gicos como uma das formas para enfrentar a pandemia e que as mol\u00e9culas qu\u00edmicas derivadas dos agrot\u00f3xicos sobrecarregam o sistema imunol\u00f3gico e produzem doen\u00e7as\u201d, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p>BOX<\/p>\n\n\n\n<p>Produtores aderem aos servi\u00e7os de entrega a domic\u00edlio<\/p>\n\n\n\n<p>Os produtores e feirantes que atendem em Curitiba e Regi\u00e3o Metropolitana j\u00e1 sentiram os efeitos dos novos tempos. Antes, acostumados em vender seus produtos em feiras livres tiveram que se adaptar rapidamente para atender seus consumidores onde eles estavam, ou seja, em casa. E assim, as entregas desses produtos na forma delivery disparou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que j\u00e1 vinha pensando em fazer antes da pandemia, que \u00e9 a entrega de produtos em casa, tive que acelerar\u201d, disse o produtor e feirante Lourival Vieira de Jesus, que vende seus produtos na feirinha em frente a Emater de Curitiba, no bairro do Ah\u00fa, e na Pra\u00e7a do Expedicion\u00e1rio, durante a semana. E aos s\u00e1bados atende na tradicional feira de org\u00e2nicos do Passeio P\u00fablico (desativada na pandemia).<\/p>\n\n\n\n<p>Nos meses de mar\u00e7o e abril, Lourival conta que ficou preocupado por conta do fechamento das feiras livres, para evitar as aglomera\u00e7\u00f5es. Mas as vendas delivery aumentaram, \u00e0 medida que ele ia divulgando o site para compras pela internet.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o produtor, na primeira semana que come\u00e7ou atender os clientes pela internet e entrega de produtos em casa, recebeu 30 pedidos; na segunda semana recebeu 80 pedidos e na terceira semana j\u00e1 estava com 100 pedidos por semana. Depois dessa alta, o movimento recuou e agora est\u00e1 estabilizado entre 50 e 60 por semana.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Lourival, esse recuo foi encarado com muita tranquilidade porque esse consumidor voltou para as feiras. \u201cTem consumidor que prefere a feira\u201d. Mas ele acredita na consolida\u00e7\u00e3o das entregas a domic\u00edlio porque a maioria est\u00e1 pedindo. \u201cConsolidou uma situa\u00e7\u00e3o que a gente j\u00e1 queria antes\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Lourival explica que se os neg\u00f3cios na feira de s\u00e1bado diminu\u00edram em torno de 50%, e essa perda \u00e9 compensada com o aumento nas vendas delivery de 30% a 50%. Ele entrega mais de 100 produtos entre frutas, verduras, legumes, ovos e produtos processados como gr\u00e3os e farinhas. Lourival disse que a venda de ovos org\u00e2nicos chegou a dobrar com a pandemia. Os produtos s\u00e3o oriundos de sua ch\u00e1cara em Almirante Tamandar\u00e9, Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba, e \u00e1reas arrendadas para o cultivo org\u00e2nico. De frutas, s\u00f3 cultiva morango e lim\u00e3o. Os demais produtos ele compra de produtores parceiros de S\u00e3o Paulo, tamb\u00e9m certificados em org\u00e2nicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das feiras, Lourival \u00e9 um fornecedor de produtos org\u00e2nicos para os programas institucionais PNAE e PAA. Seus produtos tamb\u00e9m v\u00e3o para Londrina, j\u00e1 que ele tem distribuidores na cidade. Lourival trabalha com org\u00e2nicos desde o ano 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi capacitado pelo Senar e Emater num curso de tr\u00eas dias de dura\u00e7\u00e3o onde descobriu a agricultura org\u00e2nica. Ele disse que teve crise de consci\u00eancia quando nasceram os filhos e j\u00e1 estava saturado de usar defensivos qu\u00edmicos em sua produ\u00e7\u00e3o. Atualmente tamb\u00e9m trabalha com sementes pr\u00f3prias e produz feij\u00e3o, canjica, milho. Possui sementes crioulas de 14 variedades de feij\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A pandemia tamb\u00e9m mudou o sistema de funcionamento da Marfil Alimentos Agroecol\u00f3gicos, disse Jos\u00e9 Antonio da Silva Marfil, presente na feira do Passeio P\u00fablico desde sua funda\u00e7\u00e3o em 1994. \u201cN\u00e3o posso reclamar. A pandemia criou um novo mercado que antes n\u00e3o tinha. As vendas diretas ao consumidor, feita nas feiras cedeu lugar ao delivery\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, foi uma surpresa porque aumentou o n\u00famero de pessoas buscando produtos saud\u00e1veis. Inclusive aumentou o n\u00famero de clientes. Muita gente que nem ia para a feira passou a comprar pelo delivery. Em abril e maio, in\u00edcio da pandemia, aumentou bastante a procura pelas entregas em casa. Em junho o movimento caiu uns 20%.<\/p>\n\n\n\n<p>Marfil vende seus produtos nas feiras de quinta-feira e aos s\u00e1bados. Vende frutas, hortali\u00e7as e alimentos processados como doces geleias gr\u00e3os e farin\u00e1ceos. Hoje tem uma lista com 35 itens. Grande parte dos produtos vem da Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba e tamb\u00e9m de outros estados como Santa Catarina, Rio Grande do Sul e S\u00e3o Paulo. S\u00e3o produtos certificados de produtores certificados, garante.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom a pandemia, fortaleceu a modalidade das entregas em casa e abriu um mercado que a gente n\u00e3o tinha Estou entregando entre 70 a 80 cestas por semana. D\u00e1 muito trabalho porque tem que controlar os pedidos, entregar e controlar os pagamentos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas disse que est\u00e1 satisfeito porque uma modalidade substituiu a outra e n\u00e3o teve que dispensar nenhum colaborador. Continua com a feira porque acredita que \u00e9 local importante para troca de informa\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o dos produtos org\u00e2nicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra que teve que se adaptar aos pedidos delivery foi Claudia Capeletti, propriet\u00e1ria da Amabile Org\u00e2nicos. Como os outros colegas, s\u00f3 atendia em feiras e passou enfrentar o desafio da pandemia com a entrega de produtos nas casas. Percebi muitos clientes novos, que n\u00e3o nos conheciam mas sempre tinham a indica\u00e7\u00e3o de um amigo ou parente. Sentiu, nessas pessoas, uma preocupa\u00e7\u00e3o maior em se alimentar melhor, de forma mais saud\u00e1vel. \u201cN\u00e3o temos mais que gastar em sa\u00eddas ent\u00e3o vamos melhorar a alimenta\u00e7\u00e3o, comer melhor\u201d, \u00e9 o que ouve dos clientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas melhorias garantiu um novo \u00e2nimo \u00e0s vendas da Amabile que produz p\u00e3es, bolachas, biscoitos, molho de tomates, geleias. Tamb\u00e9m \u00e9 fornecedora da merenda escolar. Seus produtos s\u00e3o oriundos da Colonia Faria, em Campina Grande do Sul, limite com Colombo na RMC. Na ch\u00e1cara pr\u00f3pria tem a cozinha onde faz os produtos pr\u00f3prios. Trabalha na feira do Passeio P\u00fablico, aos s\u00e1bados e na Pra\u00e7a do Jap\u00e3o, \u00e0s quintas-feiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Seus produtos podem ser encontrados no facebook e Instagran como Amabile Org\u00e2nicos. Vende tamb\u00e9m arroz, farinhas, a\u00e7\u00facar. Ela acredita na continuidade das vendas a domic\u00edlio porque muitas pessoas descobriram esse fil\u00e3o no consumo de org\u00e2nicos. O interessante \u00e9 que n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 consumidores de classe alta que procuram esses produtos. Pelo contr\u00e1rio, na pandemia aumentou o n\u00famero de pessoas simples em busca desses produtos, sem aditivos qu\u00edmicos em sua composi\u00e7\u00e3o. Elas se dizem preocupados com a alimenta\u00e7\u00e3o. Compram menos mas compram. Muitos dos produtos vendidos vem do Sudoeste do Paran\u00e1, Rio Grande do Sul. Nas feiras caiu o movimento, mas o servi\u00e7o de entrega em casa compensou. N\u00e3o d\u00e1 para reclamar, resumiu D\u00e1 mais trabalho \u00e9 verdade mas mant\u00e9m os neg\u00f3cios girando e o mesmo n\u00famero de empregados.<\/p>\n\n\n\n<p>A produtora Nilza Izalberti, propriet\u00e1ria da ch\u00e1cara Flor e Ser, no bairro do Campo Comprido, em Curitiba, notou que aumentou em pelo menos 30% o n\u00famero de novos clientes. Ela vende folhosas como alface, r\u00facula, couve, espinafre, cebolinha, salsinha, beterraba e outros produtos e atende uma m\u00e9dia de 100 a 150 clientes por semana. Seus produtos pode ser encontrados no Instagran: Ch\u00e1cara Flor e Ser.<\/p>\n\n\n\n<p>AEN<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A procura por alimentos org\u00e2nicos, que j\u00e1 vinha aumentando, acelerou com a pandemia. 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