{"id":28232,"date":"2020-07-10T14:34:09","date_gmt":"2020-07-10T17:34:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=28232"},"modified":"2020-07-10T14:34:13","modified_gmt":"2020-07-10T17:34:13","slug":"amazonia-legal-perde-mais-de-3-mil-km2-no-primeiro-semestre-de-2020","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2020\/07\/10\/amazonia-legal-perde-mais-de-3-mil-km2-no-primeiro-semestre-de-2020\/","title":{"rendered":"Amaz\u00f4nia Legal perde mais de 3 mil km2 no primeiro semestre de 2020"},"content":{"rendered":"\n<p>Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgados nesta sexta-feira (10) apontam que de 1 de janeiro a 30 de junho deste ano, 3.070 quil\u00f4metros quadrados de floresta foram desmatados, 26% a mais do que o mesmo per\u00edodo do ano passado. Os n\u00fameros referem-se aos 11.822 alertas de desmatamento nos primeiros seis meses do ano. Somente em\u00a0junho, foram desmatados\u00a01.034 km2, uma \u00e1rea 11% superior a junho de 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o pior resultado para o primeiro semestre no m\u00ednimo da \u00faltima d\u00e9cada, lembrando que houveram mudan\u00e7as na metodologia do Deter em 2015. \u00c9 ainda, o segundo ano consecutivo de aumento do desmatamento na floresta desde a posse de Jair Bolsonaro, eleito com um discurso que acenava para madeireiros, grileiros e garimpeiros, principais agentes do desmatamento na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMesmo que n\u00e3o se queime nenhum metro quadrado na atual temporada de fogo que vai at\u00e9 setembro \u2013 como espera o vice-presidente da Rep\u00fablica Hamilton Mour\u00e3o ao propor novamente a morat\u00f3ria das queimadas na Amaz\u00f4nia Legal este ano \u2013, o maior estrago j\u00e1 foi feito\u201d, diz o diretor do WWF-Brasil para Conserva\u00e7\u00e3o e Restaura\u00e7\u00e3o, Edegar Rosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Se toda a vegeta\u00e7\u00e3o cortada vai se tornar cinzas, piorando com a fuma\u00e7a a polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e\u00a0agravando os problemas respirat\u00f3rios\u00a0da popula\u00e7\u00e3o no auge da pandemia de Covid-19 depende de como ser\u00e1 a rea\u00e7\u00e3o no campo. \u201cO fato \u00e9 que uma imensa parcela da floresta amaz\u00f4nica j\u00e1 est\u00e1 no ch\u00e3o\u201d, afirma Rosa.<\/p>\n\n\n\n<p>O desmatamento ocorreu em toda a Amaz\u00f4nia Legal, mas foi\u00a0pior no Par\u00e1\u00a0(1.212 km2), Mato Grosso (715 km2) e Amazonas (539 km2). Os munic\u00edpios campe\u00f5es do desmatamento foram os paraenses Altamira (351 km2) e S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu (201 Km2), seguidos por Apu\u00ed (155 Km2), no sul do Amazonas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs alertas do Inpe foram registrados em propriedades privadas e terras p\u00fablicas, mas o espantoso \u00e9 que o desmatamento tamb\u00e9m ocorreu em Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, nas quais deveria haver mais controle e rigor\u201d, diz Mariana Napolitano, gerente do WWF-Brasil para Ci\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>As unidades de conserva\u00e7\u00e3o mais desmatadas foram a Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim e a de Altamira, e a \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) do Tapaj\u00f3s, a Reserva Biol\u00f3gica Nascentes da Serra do Cachimbo, todas no Par\u00e1. O Inpe j\u00e1 vinha indicando alta de desmatamento nessas \u00e1reas. Mesmo assim, a fiscaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o chegou a tempo de evitar o desastre, embora o governo tenha acesso antecipado aos dados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rea\u00e7\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>Historicamente cr\u00edtica para o fogo na regi\u00e3o, a temporada que vai de agora a setembro prometia repetir as chamas que tomaram conta da Amaz\u00f4nia no ano passado e escureceram o c\u00e9u de S\u00e3o Paulo, torrando a imagem do Brasil no exterior. A rea\u00e7\u00e3o de investidores estrangeiros e empres\u00e1rios brasileiros ao descontrole do desmatamento na Amaz\u00f4nia veio um ano depois.<\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00eas passado, 32 gestoras de investimentos internacionais, que mobilizam US$ 4,5 trilh\u00f5es, apontaram em carta enviada a embaixadas brasileiras no exterior \u201cincerteza generalizada sobre as condi\u00e7\u00f5es para investir ou oferecer servi\u00e7os financeiros no Brasil\u201d em consequ\u00eancia do aumento do desmatamento na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta semana, l\u00edderes de 38 grandes empresas e quatro entidades setoriais que atuam no pa\u00eds pediram em carta ao presidente do Conselho Nacional da Amaz\u00f4nia Legal, o vice-presidente Hamilton Mour\u00e3o, provid\u00eancias contra o desmate, entre outras medidas que incluem descarboniza\u00e7\u00e3o da economia e apoio a povos e comunidades tradicionais. Ontem (9), Mour\u00e3o foi se explicar aos investidores durante videoconfer\u00eancia. O Senado tamb\u00e9m chamou o vice de Bolsonaro para dar satisfa\u00e7\u00f5es ao Parlamento. O encontro ser\u00e1 no dia 14 de julho, tamb\u00e9m por videoconfer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desempenho<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma das d\u00favidas \u00e9 quanto \u00e0 efic\u00e1cia da a\u00e7\u00e3o das\u00a0For\u00e7as Armadas na Amaz\u00f4nia\u00a0por meio de uma opera\u00e7\u00e3o de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no \u00e2mbito da opera\u00e7\u00e3o Brasil Verde-2, uma reprise do ano passado, quando se tentou desde a proibi\u00e7\u00e3o do fogo at\u00e9 a\u00e7\u00f5es mirabolantes de fiscaliza\u00e7\u00e3o que colocaram o Ibama \u2013 que tem autoridade para autuar, multar e apreender materiais usados em crimes ambientais \u2013 como coadjuvante na cena.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo o governo tendo anunciado R$ 60 milh\u00f5es como \u201caporte inicial\u201d para tocar a opera\u00e7\u00e3o, o desempenho \u00e9 visto com desconfian\u00e7a. O Minist\u00e9rio P\u00fablico chegou a pedir ao Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) abertura de um processo para investigar a execu\u00e7\u00e3o financeira da opera\u00e7\u00e3o. Os procuradores querem saber se o dinheiro est\u00e1 sendo gasto \u201cde modo a atender interesses p\u00fablicos, com efici\u00eancia e responsabilidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio deste m\u00eas a imprensa revelou que a opera\u00e7\u00e3o militar na Amaz\u00f4nia para reduzir o desmatamento havia empenhado \u2013 separado para o uso \u2013 somente R$ 2,3 milh\u00f5es do or\u00e7amento, ou seja 3,8% do total planejado. Do valor empenhado, apenas R$ 454 mil j\u00e1 tinham sido efetivamente pagos, menos de 1% do montante.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo a imprensa, em comunicado enviado esta semana \u00e0 sala de situa\u00e7\u00e3o e controle do Ibama, agentes em campo informaram que, desde a \u00faltima sexta-feira (3), o Ex\u00e9rcito, por meio do 51\u00ba Batalh\u00e3o de Infantaria de Selva, \u201csuspendeu o apoio \u00e0s a\u00e7\u00f5es de desmontagem das serrarias do munic\u00edpio de Uruar\u00e1 (PA), conforme programa\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es da GLO (Garantia da Lei e da Ordem) nesta regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A paralisa\u00e7\u00e3o, confirmada pelo Ibama, desperdi\u00e7a dinheiro p\u00fablico. Servidores pagam di\u00e1rias de hotel e alimenta\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o fazem o trabalho, enquanto as madeireiras desmontam bases para escapar da fiscaliza\u00e7\u00e3o. Antes da GLO na Amaz\u00f4nia, o Ibama, sem a tutela dos militares, conseguia desempenho melhor.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi o que ocorreu na Terra Ind\u00edgena Ituna-Itat\u00e1, no Par\u00e1. Alvo de grileiros desde 2017, a reserva chegou a perder 17 mil campos de futebol em floresta at\u00e9 o ano passado. Com a\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia, os fiscais do Ibama conseguiram conter o crime. Agora o controle \u00e9 dos comandados de Hamilton Mour\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ciclo Vivo<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgados nesta sexta-feira (10) apontam que de 1 de janeiro a 30 de junho deste ano, 3.070 quil\u00f4metros quadrados de floresta foram desmatados, 26% a mais do que o mesmo per\u00edodo do ano passado. 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