{"id":27996,"date":"2020-07-02T11:08:11","date_gmt":"2020-07-02T14:08:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=27996"},"modified":"2020-07-02T11:08:14","modified_gmt":"2020-07-02T14:08:14","slug":"ciclone-bomba-como-choque-de-massas-formou-fenomeno-que-devasta-sul-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2020\/07\/02\/ciclone-bomba-como-choque-de-massas-formou-fenomeno-que-devasta-sul-do-pais\/","title":{"rendered":"Ciclone bomba: como choque de massas formou fen\u00f4meno que devasta Sul do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"\n<p>Nos \u00faltimos dois dias, moradores da regi\u00e3o Sul do Brasil, principalmente de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, contabilizam preju\u00edzos ap\u00f3s a passagem de um ciclone extratropical pela regi\u00e3o, o &#8220;ciclone bomba&#8221;, como foi batizado. Apreensiva, a popula\u00e7\u00e3o ainda se preocupa com os efeitos que o fen\u00f4meno, que j\u00e1 chegou ao oceano, ainda pode causar nos pr\u00f3ximos dias.<\/p>\n\n\n\n<p>A previs\u00e3o \u00e9 de que ele ainda provoque ventos fortes desde o sul do Rio Grande do Sul at\u00e9 o Rio de Janeiro, al\u00e9m de queda na temperatura at\u00e9 o fim de semana.<\/p>\n\n\n\n<p>Meteorologistas ouvidos pela BBC News Brasil disseram que \u00e9 comum que ciclones como esse atinjam o Brasil, principalmente durante a primavera e o outono. Mas por que este foi t\u00e3o forte e causou tantos estragos?<\/p>\n\n\n\n<p>O meteorologista, Francisco de Assis, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), afirmou que a for\u00e7a do fen\u00f4meno foi determinada pelo grande contraste entre as temperaturas que formaram o ciclone.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ele se formou a partir de uma massa de ar quente que estava perto do Mato Grosso do Sul e Paraguai com outra de ar frio vinda do norte da Argentina, na regi\u00e3o que chamamos de ciclogen\u00e9tica. Foi registrada uma queda de press\u00e3o muito forte do ar quente e isso deu mais for\u00e7a para a atua\u00e7\u00e3o da alta press\u00e3o da massa de ar frio&#8221;, afirmou Assis.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele disse, por\u00e9m, que os efeitos do fen\u00f4meno ser\u00e3o mais leves nos pr\u00f3ximos dias, mas ainda causar\u00e3o instabilidade clim\u00e1tica. As \u00e1reas litor\u00e2neas, principalmente em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, ainda ter\u00e3o ventos fortes e mar agitado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As temperaturas v\u00e3o cair bastante. H\u00e1 a possibilidade de neve nas serras ga\u00fachas. Isso ocorre porque a instabilidade na atmosfera causa a forma\u00e7\u00e3o de nuvens e chuva intensa no in\u00edcio do ciclo. Quando ele se estabiliza a temperatura cai bastante e a chuva diminui&#8221;, afirmou o especialista no Inmet.<\/p>\n\n\n\n<p>Os meteorologistas disseram que \u00e9 comum que tornados menores se formem durante a passagem de ciclones como esse.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Mar\u00e9.-2.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-27702\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Furac\u00e3o Catarina<\/h2>\n\n\n\n<p>O meteorologista explica que o furac\u00e3o Catarina, que atingiu mais de 30 mil casas, matou 11 pessoas e feriu outras centenas no Sul em 2004, tamb\u00e9m era um ciclone extratropical.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele conta que, na \u00e9poca, o sistema passou pelo Rio Grande do Sul, Uruguai e chegou ao oceano Atl\u00e2ntico, assim como o &#8220;ciclone bomba&#8221;. A diferen\u00e7a \u00e9 que o Catarina encontrou mais ar quente no mar, onde ganhou energia e voltou para o continente.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso causou ventos muito fortes na costa de Santa Catarina. Mas depois que ele volta para o continente, perde a energia da \u00e1gua do mar que o alimentava e morre. Mas se houver correntes sempre o alimentando, ele pode ir at\u00e9 a \u00c1frica&#8221;, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele disse que esse fen\u00f4meno n\u00e3o causa turbul\u00eancias em avi\u00f5es, por exemplo, pois s\u00f3 chega a 5 mil metros de altitude. Um avi\u00e3o costuma trafegar a mais de 10 mil metros durante as viagens. J\u00e1 um furac\u00e3o pode atingir alturas de at\u00e9 15 mil metros \u2014 ou 15 km.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ar quente e frio<\/h2>\n\n\n\n<p>Os especialistas ouvidos pela BBC disseram que a forma\u00e7\u00e3o desses ciclones intertropicais ocorre por conta do encontro de duas massas: uma de ar quente e outra de ar frio. A for\u00e7a desse sistema depende basicamente do contraste entre elas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esse (ciclone bomba) teve uma queda de press\u00e3o mais intensa e, al\u00e9m da diferen\u00e7a de temperatura, o gradiente de press\u00e3o era muito alto. Existe um ar frio vindo por cima, mais pesado e seco, contra um ar quente de baixo, leve e \u00famido. O frio cai enquanto o quente quer subir, o que for\u00e7a um movimento no sentido hor\u00e1rio que vai aumentando de intensidade conforme as massas se juntam&#8221;, afirmou o especialista do Inmet.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele disse ser prov\u00e1vel que um fen\u00f4meno como esse se repita ainda neste m\u00eas. Mas isso n\u00e3o significa que ter\u00e1 a mesma intensidade. Ele contou que, em junho, j\u00e1 havia ocorrido um, e em maio, outro mais forte. A diferen\u00e7a \u00e9 que n\u00e3o havia um contraste de temperatura e press\u00e3o t\u00e3o grande \u2014 e por isso n\u00e3o causaram tantos estragos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Normalmente eles (ciclones) causam ventos entre 60 e 70 km\/h. Dessa vez foi quase o dobro. \u00c9 poss\u00edvel inclusive que tenha formado tornados (mais de 120 km\/h) entre o Paran\u00e1 e S\u00e3o Paulo. N\u00e3o sabemos por que eles ocorrem dentro das tempestades e fica dif\u00edcil visualizar&#8221;, afirmou Francisco de Assis.<\/p>\n\n\n\n<p>O meteorologista do Centro de Gerenciamento de Emerg\u00eancias da Prefeitura de S\u00e3o Paulo (CGE) Michael Pantera disse que os ventos frios em altitude, chamados de correntes de jato, tamb\u00e9m foram um fator determinante na pot\u00eancia do ciclone.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 um vento localizado quase perto da estratosfera. A baixa press\u00e3o em superf\u00edcie puxa o ar do lado e sobe no meio porque \u00e9 leve. Se eu tenho uma for\u00e7a tirando o ar de cima, como uma seringa, isso intensifica a subida do vento e a for\u00e7a do ciclone&#8221;, afirmou Pantera.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele disse que esse fen\u00f4meno costuma ocorrer na regi\u00e3o Sul do pa\u00eds, em latitudes menores que 20\u00ba. S\u00e3o Paulo est\u00e1 a 23\u00ba, por exemplo. Mas disse que, ainda assim, o Estado \u00e9 suscet\u00edvel a esse tipo de sistema.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele lembra que, em junho de 2015, diversas cidades do interior paulista, como Jarinu, S\u00e3o Roque e Campinas, registraram tornados.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso n\u00e3o ocorre nas outras regi\u00f5es do pa\u00eds porque na linha do Equador \u00e9 mais quente e n\u00e3o tem tanto esse choque de uma massa muito fria com outra muito quente&#8221;, disse Pantera.<\/p>\n\n\n\n<p>O meteorologista do Centro de Gerenciamento do CGE Michael Pantera disse que a passagem do ciclone provocou uma frente fria em S\u00e3o Paulo que deve derrubar as temperaturas pelo menos at\u00e9 o fim de semana.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ele causou uma forte chuva em S\u00e3o Paulo e a tend\u00eancia \u00e9 esfriar. A previs\u00e3o \u00e9 de que S\u00e3o Paulo registre uma m\u00ednima de 8\u00baC. Mesmo com sol ao longo do dia, a temperatura n\u00e3o passa de 18\u00ba C na quinta e sexta-feira&#8221;, afirmou Pantera.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos dois dias, moradores da regi\u00e3o Sul do Brasil, principalmente de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, contabilizam preju\u00edzos ap\u00f3s a passagem de um ciclone extratropical pela regi\u00e3o, o &#8220;ciclone bomba&#8221;, como foi batizado. 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