{"id":27939,"date":"2020-07-01T21:20:37","date_gmt":"2020-07-02T00:20:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=27939"},"modified":"2020-07-01T21:20:41","modified_gmt":"2020-07-02T00:20:41","slug":"nietzsche-o-roba-brisa-jovem-de-paulinia-usa-girias-da-quebrada-para-explicar-filosofia-e-viraliza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2020\/07\/01\/nietzsche-o-roba-brisa-jovem-de-paulinia-usa-girias-da-quebrada-para-explicar-filosofia-e-viraliza\/","title":{"rendered":"&#8216;Nietzsche, o roba brisa&#8217;: jovem de Paul\u00ednia usa g\u00edrias da quebrada para explicar filosofia e viraliza"},"content":{"rendered":"\n<p>Marcelo Marques, de 18 anos, cursa hist\u00f3ria e sonha em ser professor. Para ele, quebrar barreiras de linguagem permite que a filosofia chegue \u00e0 periferia, onde ainda n\u00e3o tem espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Poucos acad\u00eamicos definiriam Friedrich Nietzsche como um &#8220;roba brisa&#8221;. O estudante de hist\u00f3ria Marcelo Marques, no entanto, viralizou na web ap\u00f3s usar o termo para se referir ao fil\u00f3sofo em um v\u00eddeo que j\u00e1 soma mais de 70 mil visualiza\u00e7\u00f5es. Natural de Paul\u00ednia (SP), o jovem de 18 anos usa g\u00edrias &#8220;da quebrada&#8221; para explicar conceitos filos\u00f3ficos em seus v\u00eddeos e sonha em se tornar professor.<\/p>\n\n\n\n<p>A alcunha de &#8220;roba brisa&#8221; atribu\u00edda a Nietzsche, Marques explica em seu v\u00eddeo, \u00e9 porque, para ele, os pensamentos do autor alem\u00e3o despertam reflex\u00f5es mesmo nos momentos de descanso da mente. &#8220;Hoje n\u00f3s vai trazer o vil\u00e3o. Aquele cara que vai roubar sua brisa. O mano que, voc\u00ea vai t\u00e1 l\u00e1, curtindo, da hora, c\u00ea vai lembrar dele e falar: P&#8230;! Esse mano roubou minha brisa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob o nome art\u00edstico de \u201cAudino\u201d, o estudante utiliza as redes sociais para transmitir o conhecimento adquirido desde 2016, quando come\u00e7ou a se interessar pela filosofia. Juntos, os recentes v\u00eddeos \u201cTraduzindo Karl Marx para g\u00edrias paulistas\u201d e \u201cO mito da caverna para becos e vielas\u201d, por exemplo, somam mais de 90 mil visualiza\u00e7\u00f5es no YouTube.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cPrimeiramente, era uma inten\u00e7\u00e3o c\u00f4mica, mas, na hora que eu gravei o v\u00eddeo, eu vi que ficou muito did\u00e1tico, ficou tipo uma v\u00eddeoaula, mas uma v\u00eddeo aula bem interativa, bem din\u00e2mica. Fui l\u00e1, postei e viralizou. Estourou, estourou, estourou. N\u00e3o esperava n\u00e3o, mano. De forma alguma. Nunca esperei isso na minha vida\u201d, relata.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sonho de crian\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p>Marcelo conta que o interesse por hist\u00f3ria come\u00e7ou ainda na inf\u00e2ncia. Nascido e criado nos fundos da casa da av\u00f3, na Vila Monte Alegre, em Paul\u00ednia, o jovem recorda que, quando crian\u00e7a, costumava ganhar da m\u00e3e diversas esp\u00e9cies de dinossauros em miniatura.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Eu comecei a me apaixonar por dinossauro, por hist\u00f3ria, e, a\u00ed, depois eu comecei a ver uns filmes de Egito, de m\u00famia&#8230; Eu sou apaixonado pelo Egito at\u00e9 hoje. Minha \u00e1rea de pesquisa, se eu fosse entrar pra uma \u00e1rea acad\u00eamica, eu queria fazer egiptologia ou assiriologia&#8221;, conta.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Atualmente, Audino mora com a m\u00e3e no Residencial Vida Nova, na periferia do munic\u00edpio. Ao finalizar o ensino m\u00e9dio, foi aprovado na Faculdade Anhanguera, com sede em Campinas (SP), onde cursa a licenciatura em hist\u00f3ria \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;A \u00fanica pessoa que me apoiava nos estudos mesmo era meu pai. Meu pai s\u00f3 queria que eu estudasse, independente do que fosse, ele queria que eu estudasse. Ele fala assim: &#8216;O estudo \u00e9 a \u00fanica coisa que vai te dar alguma coisa na vida'&#8221;, relembra o graduando.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>No futuro, Marcelo sonha em se tornar professor do ensino m\u00e9dio em escolas p\u00fablicas. &#8220;Eu gosto de trabalhar com a galera mais velha, os adolescentes, que, tipo assim, acho que \u00e9 a galera mais incompreendida, n\u00e9?&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Entre becos e vielas<\/h2>\n\n\n\n<p>Nos v\u00eddeos, Marcelo utiliza g\u00edrias e dialetos comuns na periferia como forma de democratizar o conte\u00fado e torn\u00e1-lo acess\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tem muita gente que mora pr\u00f3ximo \u00e0 periferia que talvez n\u00e3o se reconhe\u00e7a como perif\u00e9rico, mas fala a g\u00edria paulista, fala a nossa l\u00edngua. Eu fa\u00e7o meus v\u00eddeos mais voltado para os jovens da classe baixa, t\u00e1 ligado?&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Estabelecer um di\u00e1logo com os jovens \u00e9 uma das metas que norteiam os planos de Audino. De origem humilde, o estudante do quinto semestre de gradua\u00e7\u00e3o vislumbra um futuro onde o jovem perif\u00e9rico possa incorporar os conceitos filos\u00f3ficos ao dia a dia.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Chegar num s\u00e1bado qualquer, ir numa barbearia, estar os moleques cortando o cabelo e falando de Kant, discutindo uma vis\u00e3o que \u00e9 embasada no Kant, que \u00e9 embasada no Hume, no Freud, no Espinoza, no Schopenhauer. Eu queria ver os moleques trocando as ideias deles, com o embasamento te\u00f3rico desses caras. Eu queria ver esses moleques aplicarem a filosofia desses caras nos corres deles, na vida deles&#8221;, diz.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quebrando barreiras<\/h2>\n\n\n\n<p>Para Marcelo, a sociologia e a hist\u00f3ria t\u00eam se infiltrado nas favelas por meio do funk e do rap, mas ainda n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o suficiente para o di\u00e1logo sobre a filosofia.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201c[A filosofia] se tornou uma linguagem elitista, que cria uma barreira lingu\u00edstica muito grande para quem n\u00e3o tem acesso a uma educa\u00e7\u00e3o de extrema qualidade. At\u00e9 a molecada se interessar de entender aquilo, os caras desistem, mano. Ent\u00e3o meu trabalho nada mais \u00e9 que facilitar pra essa molecada entender o que aqueles &#8216;velhinho falava&#8217;\u201d, afirma.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ele defende que seu papel tamb\u00e9m \u00e9 o de valoriza\u00e7\u00e3o da cultura da periferia, em especial por meio da valoriza\u00e7\u00e3o da linguagem.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Para a periferia, principalmente pra juventude, a lingu\u00edstica, a g\u00edria, o dialeto, o &#8216;podep\u00e1&#8217;, \u00e9 um patrim\u00f4nio. \u00c9 um patrim\u00f4nio da favela, \u00e9 um patrim\u00f4nio nosso&#8217;, analisa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/DvHIC29hdR4oZnv7YENyK1MmcIY=\/0x369:720x840\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/w\/K\/4bVoiuThaDE19JSp1bIw\/whatsapp-image-2020-06-27-at-14.56.39-1-.jpeg\" alt=\"Marcelo quer quebrar as barreiras entre a filosofia e a periferia: 'linguagem elitista' \u2014 Foto: Marcelo Marques\/Arquivo Pessoal\"\/><figcaption> Marcelo quer quebrar as barreiras entre a filosofia e a periferia: &#8216;linguagem elitista&#8217; \u2014 Foto: Marcelo Marques\/Arquivo Pessoal<br><br><br> <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cr\u00edticas<\/h2>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quem critique a iniciativa. Segundo relata o estudante de hist\u00f3ria, o pai, leitor \u00e1vido dos coment\u00e1rios deixados nos v\u00eddeos, se deparou recentemente com um usu\u00e1rio que acusava Marcelo de tratar os conceitos filos\u00f3ficos de forma muito simples, afirmando que isso estaria &#8220;empobrecendo a filosofia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEu n\u00e3o respondi esse coment\u00e1rio porque eu n\u00e3o achei, mas eu penso&#8230; A filosofia t\u00e1 a\u00ed para voc\u00ea ficar olhando pra ela como uma parada bonita, bem falada, ou voc\u00ea t\u00e1 ali pra estudar e aplicar ela na sua vida?\u201d, rebate.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcelo Marques, de 18 anos, cursa hist\u00f3ria e sonha em ser professor. Para ele, quebrar barreiras de linguagem permite que a filosofia chegue \u00e0 periferia, onde ainda n\u00e3o tem espa\u00e7o. 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