{"id":27865,"date":"2020-06-30T15:27:55","date_gmt":"2020-06-30T18:27:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=27865"},"modified":"2020-06-30T15:28:02","modified_gmt":"2020-06-30T18:28:02","slug":"brasil-responde-por-um-quinto-das-novas-mortes-por-coronavirus-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2020\/06\/30\/brasil-responde-por-um-quinto-das-novas-mortes-por-coronavirus-no-mundo\/","title":{"rendered":"Brasil responde por um quinto das novas mortes por coronav\u00edrus no mundo"},"content":{"rendered":"\n<p>Com menos de 3% da popula\u00e7\u00e3o mundial, o Brasil responde hoje por um quinto das novas mortes causadas pelo novo coronav\u00edrus no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Do total de mortes por coronav\u00edrus no mundo na semana passada (33.808), segundo dados do Centro Europeu de Preven\u00e7\u00e3o e Controle das Doen\u00e7as, 20,7%, ocorreram no Brasil. Foram 7.007 novas mortes registradas.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00edndice \u00e9 semelhante ao da \u00c1sia, que respondeu por 19% das novas mortes na semana passada, e ao da Am\u00e9rica do Norte, com Estados Unidos e Canad\u00e1, respons\u00e1veis por 18%. J\u00e1 a Europa respondeu por 9% e, a \u00c1frica, 4%.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12B3F\/production\/_113170667_covid_semana_death_brasil-nc.png\" alt=\"gr\u00e1fico mostra mortes semanais por covid-19 no Brasil e no mundo\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>As semanas consideradas para an\u00e1lise come\u00e7am aos domingos e terminam aos s\u00e1bados &#8211; o \u00faltimo, no dia 27 de junho.<\/p>\n\n\n\n<p>Somando os dados do Brasil aos da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, conclui-se que a regi\u00e3o responde por quase a metade, ou 49,1%, dos novos \u00f3bitos semanais pela covid-19 no mundo (16.625 na semana passada). A regi\u00e3o \u00e9 considerada o novo epicentro da pandemia, e tem tido um aumento acentuado em casos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<p>null.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Nos dados analisados, a Am\u00e9rica Latina refere-se a todos os pa\u00edses abaixo do M\u00e9xico, incluindo pa\u00edses n\u00e3o hisp\u00e2nicos, como a Guiana Francesa e o Suriname.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, Brasil e M\u00e9xico, os mais populosos da regi\u00e3o, s\u00e3o tamb\u00e9m os pa\u00edses com maior n\u00famero de infec\u00e7\u00f5es e mortes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&#8216;Cada lugar ter\u00e1 sua vez&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>No caso do Brasil, \u00e9 a sexta semana seguida em que o pa\u00eds se mant\u00e9m em um patamar acima de 20% em rela\u00e7\u00e3o ao total de mortes semanais em todas as outras regi\u00f5es, sendo que na primeira semana de junho chegou a responder por 25%, ou um quarto do total de novas mortes no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Da segunda \u00e0 \u00faltima semana de maio, o pa\u00eds pulou de 10% a 20% das novas mortes semanais por covid-19 em compara\u00e7\u00e3o com o resto mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A covid-19, doen\u00e7a causada pelo coronav\u00edrus, j\u00e1 matou mais de meio milh\u00e3o de pessoas no mundo inteiro. O total de mortes no Brasil chegou a 58.314. O de infec\u00e7\u00f5es, 1,3 milh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/29AB\/production\/_112476601_manaus4.png\" alt=\"Enterro em Manaus\"\/><figcaption>Image captionMais de 58 mil pessoas j\u00e1 morreram no Brasil<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Qualquer lugar \u00e9 um lugar f\u00e9rtil para o v\u00edrus se espalhar. Alguns pa\u00edses foram bem-sucedidos em fechar tudo e n\u00e3o permitir que se espalhasse pela comunidade, mas enquanto n\u00e3o tivermos uma vacina, o v\u00edrus far\u00e1 o que as doen\u00e7as respirat\u00f3rias fazem. Cada lugar ter\u00e1 sua vez&#8221;, diz Rafael Meza, professor associado de epidemiologia e sa\u00fade global da Universidade de Michigan.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Primeiro, foi a China e depois a Europa quem respondia pela maioria dos casos e mortes. Depois, a Am\u00e9rica do Norte e, agora, a Am\u00e9rica Latina. O crescimento de casos na Am\u00e9rica Latina coincide com o decr\u00e9scimo de casos em outras regi\u00f5es, onde a epidemia chegou antes.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados mostram que do fim de fevereiro para o come\u00e7o de mar\u00e7o, a Europa passou de 3,9% de novos \u00f3bitos semanais em rela\u00e7\u00e3o ao resto do mundo (naquela \u00e9poca, todo o restante era s\u00f3 na \u00c1sia) para 33,9%, e, na segunda semana de mar\u00e7o, para 67,8%.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00famero chegou a atingir 81,1% (quando o Brasil ainda representava 0,5%) e foi regredindo, dando espa\u00e7o para a Am\u00e9rica do Norte, que em seu ponto mais alto atingiu 38,4%, na \u00faltima semana de abril.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/DD1F\/production\/_113170665_covid_semana_death_por-nc.png\" alt=\"gr\u00e1fico mostra mortes semanais por covid-19 no Brasil e no mundo\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Outras regi\u00f5es podem ser as pr\u00f3ximas, e algumas das regi\u00f5es que j\u00e1 tiverem tido suas &#8216;primeiras ondas&#8217; podem ver segundas ondas, ent\u00e3o esses n\u00fameros e rankings ainda deve mudar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Meza, o lado positivo \u00e9 que, em geral, n\u00e3o houve surtos explosivos na Am\u00e9rica Latina como os que aconteceram na It\u00e1lia, que saturaram o sistema &#8211; embora, no Equador e em regi\u00f5es do Brasil, sistemas de sa\u00fade tenham sido saturados. O n\u00famero de casos e mortes cresceu na regi\u00e3o, mas de forma mais lenta que na Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em pa\u00edses como o Peru, o Chile, o M\u00e9xico e a Col\u00f4mbia, houve um crescimento progressivo no n\u00famero de casos, mas inicialmente administr\u00e1vel, segundo ele. &#8220;Isso resultou em um longo e constante surto, e pode ser que, por isso, demore para que vejamos seu decl\u00ednio.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a subida de casos foi mais lenta que nos Estados Unidos, e a curva de inclina\u00e7\u00e3o foi menor que de v\u00e1rios pa\u00edses da Europa, observa Mar\u00edlia S\u00e1 Carvalho, pesquisadora da Fiocruz. &#8220;Chegamos a um certo plat\u00f4&#8221;, diz ela, ainda que um plat\u00f4 alto.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o saberemos como cada pa\u00eds ou regi\u00e3o foi atingido pela pandemia em rela\u00e7\u00e3o aos outros at\u00e9 que a pandemia finalmente acabe, diz Meza.<\/p>\n\n\n\n<p>Para entender como chegamos at\u00e9 aqui, \u00e9 preciso voltar no tempo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pandemia na Am\u00e9rica do Sul<\/h2>\n\n\n\n<p>O primeiro paciente diagnosticado com coronav\u00edrus na Am\u00e9rica Latina foi no dia 26 de fevereiro, no Brasil. Antes disso houve &#8220;tempo h\u00e1bil para tentar evitar que nossa curva fosse t\u00e3o ascendente quanto tem sido&#8221;, diz a epidemiologista e bi\u00f3loga Edlaine Vilela, professora de epidemiologia da Universidade Federal de Jata\u00ed, no Estado de Goi\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela coordena o projeto brasileiro do International Citizen Project Covid-19 (ICPCovid), um cons\u00f3rcio internacional formado por 20 pa\u00edses que investiga como a popula\u00e7\u00e3o local responde \u00e0s medidas recomendadas pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) e por autoridades locais para controlar o coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo pa\u00eds da regi\u00e3o a registrar um caso foi o M\u00e9xico, dois dias depois do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/FD9F\/production\/_112972946_e88b1c87-a813-44e1-96ba-be6148df2156.jpg\" alt=\"Jair Bolsonaro\"\/><figcaption>Image captionBolsonaro minimizou a gravidade da pandemia e em diversas ocasi\u00f5es descumpriu distanciamento social<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Foi o tempo para que alguns pa\u00edses adotassem medidas de restri\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus &#8211; mas nem todas as regi\u00f5es adotaram quarentenas ou restri\u00e7\u00f5es eficazes.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de come\u00e7ar mais tarde na Am\u00e9rica do Sul, a regi\u00e3o est\u00e1 nesse quadro &#8220;dif\u00edcil&#8221;, segundo S\u00e1 Carvalho, em parte porque n\u00e3o foi controlada no Brasil, &#8220;que \u00e9 o maior pa\u00eds da regi\u00e3o, e por consequ\u00eancia j\u00e1 teria mais casos, e pouco fez para controlar o v\u00edrus&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, pa\u00edses latino-americanos que come\u00e7aram bem em suas respostas \u00e0 pandemia hoje veem um aumento de infec\u00e7\u00f5es. \u00c9 o caso do Chile, que decretou quarentenas no in\u00edcio e fortaleceu os testes no pa\u00eds, mas que hoje v\u00ea um expressivo aumento nas taxas de infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos primeiros e piores surtos na Am\u00e9rica Latina foi no Equador, onde fam\u00edlias demoraram a conseguir a enterrar seus mortos por causa do elevado n\u00famero de mortos. Agora, no pa\u00eds, a situa\u00e7\u00e3o vem se estabilizando &#8211; mas esse n\u00e3o \u00e9 o caso do restante de pa\u00edses da regi\u00e3o, onde o pico ainda n\u00e3o foi atingido, segundo especialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>O Peru \u00e9 o pa\u00eds mais afetado da Am\u00e9rica Latina, com mais mortes per capita, depois do Brasil. Chile e M\u00e9xico est\u00e3o atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Trabalho informal e cidades densas<\/h2>\n\n\n\n<p>Um dos grandes problemas no Brasil e outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina s\u00e3o economias em que &#8220;grande parte da popula\u00e7\u00e3o vive com o que ganha no dia e trabalha de maneira informal&#8221;, diz Meza. Por isso, segundo ele, elas basicamente n\u00e3o t\u00eam como ficar em casa e respeitar lockdowns completos. \u00c9 por isso que o v\u00edrus continua a se espalhar e n\u00e3o cair rapidamente como foi visto na Europa e na \u00c1sia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/9302\/production\/_112943673_gettyimages-1211475507.jpg\" alt=\"Mercado popular en Per\u00fa.\"\/><figcaption>Image captionEn los mercados populares es muy dif\u00edcil mantener el distanciamiento social.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, diz ele, a Am\u00e9rica Latina tem cidades grandes com alta densidade, &#8220;onde muitas pessoas moram sob o mesmo teto&#8221;, e uma popula\u00e7\u00e3o com muitos problemas de sa\u00fade cr\u00f4nicos, pobreza e sistemas de sa\u00fade p\u00fablica com problemas em algumas regi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso far\u00e1 com que as consequ\u00eancias da pandemia na Am\u00e9rica Latina sejam &#8220;muitas e dif\u00edceis&#8221;. &#8220;Os que v\u00e3o sofrer mais s\u00e3o as pessoas em \u00e1reas com condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas mais pobres.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, cita Meza: &#8220;com o foco na covid-19 e nos lockdowns, tendemos a colocar as coisas de lado, como o tratamento de condi\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas&#8221;. Com as taxas altas de diabetes na Am\u00e9rica Latina e o fato de que muitos n\u00e3o est\u00e3o tendo o tratamento de que necessitam, haver\u00e1 repercuss\u00f5es na sa\u00fade que ir\u00e3o al\u00e9m da covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto que a pandemia suscitar\u00e1 na Am\u00e9rica Latina \u00e9 a desigualdade econ\u00f4mica. &#8220;H\u00e1 pessoas que podem trabalhar de casa, mas muitas n\u00e3o podem, precisam sair de casa. Quem tem mais recursos, se sair\u00e1 melhor. E quem est\u00e1 em desvantagem, em piores condi\u00e7\u00f5es, se sair\u00e1 pior.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/127D6\/production\/_112943757_gettyimages-1226085307.jpg\" alt=\"Para epidemiologista, pandemia na Am\u00e9rica Latina vai aprofundar desigualdades econ\u00f4micas j\u00e1 bastante profundas\"\/><figcaption>Image captionPara epidemiologista, pandemia na Am\u00e9rica Latina vai aprofundar desigualdades econ\u00f4micas j\u00e1 bastante profundas<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ou seja, na avalia\u00e7\u00e3o de Meza, haver\u00e1 um aumento nas desigualdades em \u00e1reas onde j\u00e1 h\u00e1 desigualdades enormes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c0 medida que a pandemia avan\u00e7a na Am\u00e9rica Latina, especialmente entre as pessoas com menos vantagens econ\u00f4micas, s\u00e3o elas que ser\u00e3o mais afetadas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Vilela destaca como, ao recomendar que as pessoas higienizassem as m\u00e3os com frequ\u00eancia, &#8220;provavelmente nos esquecemos que muitas pessoas n\u00e3o t\u00eam acesso a saneamento b\u00e1sico&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e1 Carvalho, da Fiocruz, diz que &#8220;mesmo que tiv\u00e9ssemos excelentes pol\u00edticas p\u00fablicas, haveria dificuldades no Brasil&#8221;. &#8220;Poucos recursos foram investidos em aliviar a situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica do povo&#8221;, diz ela. No Brasil, foram R$ 600 por m\u00eas para trabalhadores informais. &#8220;A desigualdade social e a pobreza dificultam.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o latino-americana tampouco se destaca em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 testagem da popula\u00e7\u00e3o. Mas o fato de que a regi\u00e3o tem menos testes do que pa\u00edses como a Nova Zel\u00e2ndia, a Alemanha e pa\u00edses asi\u00e1ticos &#8220;n\u00e3o \u00e9 uma surpresa, e precisamos entender que pa\u00edses t\u00eam diferentes capacidades e infraestrutura&#8221;, diz Meza. &#8220;Talvez nem sejam pa\u00edses compar\u00e1veis.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, dentro da Am\u00e9rica Latina, o Peru foi destacado como um pa\u00eds que respondeu com efic\u00e1cia, assim como a Col\u00f4mbia (a cidade de Medell\u00edn \u00e9 um exemplo de rastreamento agressivo, testagem e administra\u00e7\u00e3o de casos).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Falta de clareza e articula\u00e7\u00e3o das orienta\u00e7\u00f5es no Brasil<\/h2>\n\n\n\n<p>Mas houve regi\u00f5es da Am\u00e9rica Latina em que autoridades ajudaram menos que as outras, como o Brasil, observa Meza. &#8220;Isso causa confus\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o e faz o respeito \u00e0s regras ser menor.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Pode ser apontado como a raz\u00e3o pela qual vemos agora particularmente um grande surto como estamos vendo no Brasil, compar\u00e1vel s\u00f3 aos Estados Unidos &#8211; e compar\u00e1vel tamb\u00e9m em uma administra\u00e7\u00e3o e resposta ruins do governo federal, deixando tudo para os governos e Estados locais.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio da pandemia no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro tem se colocado contr\u00e1rio \u00e0s medidas tomadas por governadores, como lockdowns ou suspens\u00e3o de atividades. Al\u00e9m disso, houve diverg\u00eancias com ministros da Sa\u00fade &#8211; dois deles deixaram o cargo, que est\u00e1 vago, apenas com um ministro interino, h\u00e1 mais de um m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>A diverg\u00eancia entre autoridades pol\u00edticas de cada regi\u00e3o do Brasil e a Presid\u00eancia faz as pessoas deixarem de seguir orienta\u00e7\u00f5es, opina Vilela. &#8220;Em pandemias, \u00e9 importante ter um papel de lideran\u00e7a muito claro. N\u00e3o pode haver diverg\u00eancia de orienta\u00e7\u00e3o, ou a popula\u00e7\u00e3o fica confusa e n\u00e3o sabe como agir. Precisamos de informa\u00e7\u00e3o clara, objetiva e de qualidade&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>As propostas foram contradit\u00f3rias, diz S\u00e1 Carvalho, e faltou articula\u00e7\u00e3o entre diferentes n\u00edveis. &#8220;No in\u00edcio da pandemia o ministro da Sa\u00fade teve um conjunto de propostas que teve um impacto, e a epidemia cresceu de forma mais lenta que nos Estados Unidos. A partir de um certo momento, entra outro ministro, e o presidente considera que a covid-19 n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a importante.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Futuro<\/h2>\n\n\n\n<p>Eventualmente, haver\u00e1 um decr\u00e9scimo de casos e mortes na Am\u00e9rica Latina, diz Meza. &#8220;Um dos maiores desafios, particularmente em pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, onde h\u00e1 segmentos da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o podem ficar em casa, haver\u00e1 muita press\u00e3o para encerrar lockdowns e reabrir a economia. E, com isso, aumento de novos casos enquanto o sistema se acomoda novamente&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>E esses novos casos poder\u00e3o ser vistos, provavelmente, em novas regi\u00f5es. Por exemplo: se a capital paulista viu um grande surto de casos, eventualmente isso vai diminuir na cidade e outras cidades podem virar o foco.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Alguns grandes pa\u00edses com muitas cidades grandes poder\u00e3o ver surtos menores ou regionais que est\u00e3o em diferentes fases&#8221;, diz. &#8220;Nosso foco deve come\u00e7ar a mudar para comparar regi\u00f5es, cidades e estados e n\u00e3o pa\u00edses.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o pr\u00f3ximo m\u00eas levar\u00e1 o inverno para a Am\u00e9rica do Sul, o que pode desempenhar um papel na dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. Pa\u00edses como o Chile e a Argentina, que antes estavam controlando bem o v\u00edrus, j\u00e1 est\u00e3o vendo aumentos, observa Meza.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, regi\u00f5es j\u00e1 v\u00eam relaxando a quarentena. &#8220;A popula\u00e7\u00e3o vai de uma forma gradual abrindo m\u00e3o. De forma lenta, mas progressiva, abrindo m\u00e3o do confinamento porque acham que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio&#8221;, observa Edlaine, da Universidade Federal de Jata\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ela, houve uma &#8220;suspens\u00e3o de atividades n\u00e3o essenciais no pa\u00eds&#8221;, mas nunca foi feito o bloqueio total.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, caminhando para o m\u00eas de julho, &#8220;inverno, com sintomas gripais muito mais recorrentes&#8221;, diz ela, &#8220;n\u00e3o \u00e9 indicado que justamente passemos por uma flexibiliza\u00e7\u00e3o, por um relaxamento das medidas de preven\u00e7\u00e3o e controle&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O ideal \u00e9 que consegu\u00edssemos segurar esse distanciamento f\u00edsico que foi adotado desde o in\u00edcio pelo menos at\u00e9 o final do m\u00eas de julho&#8221;, opina ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Acompanhando a curva epidemiol\u00f3gica em outros pa\u00edses, \u00e9 poss\u00edvel observar que a epidemia, ou pelo menos essa primeira onda, tem uma dura\u00e7\u00e3o de 12 a 14 semanas. &#8220;Se isso foi seguir no nosso pa\u00eds, nada melhor do que seguir com distanciamento at\u00e9 meados de julho para a seguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso n\u00e3o ocorre, \u00e9 preciso lembrar que \u00e0 medida em que o isolamento \u00e9 afrouxado, h\u00e1 uma explos\u00e3o de casos, observa S\u00e1 Carvalho. &#8220;A essa altura do campeonato no Brasil, n\u00e3o temos como adotar a estrat\u00e9gia de impedir a transmiss\u00e3o. A quest\u00e3o \u00e9 administrar. Aumentou a quantidade de casos? Restringe.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 preciso manter a vigil\u00e2ncia. \u00c9 muito dif\u00edcil parar a economia completamente por muitos meses. Ent\u00e3o, voc\u00ea afrouxa um pouco e gradativamente e, sempre que precisar, voc\u00ea recua. Um passo para frente, um passo para tr\u00e1s, mantendo a quantidade de casos no cabresto, preso, para n\u00e3o explodir&#8221;, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<p>O Instituto de M\u00e9tricas e Avalia\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade (IHME), da Universidade de Washington, calcula que o n\u00famero de mortes por coronav\u00edrus na Am\u00e9rica Latina deve chegar a 388 mil em outubro, com Brasil e M\u00e9xico sendo respons\u00e1veis por dois ter\u00e7os das mortes. Segundo a pesquisa, o Brasil deve ultrapassar 166 mil mortes.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Gr\u00e1ficos por Cecilia Tombesi<\/em><br><\/p>\n\n\n\n<p> Juliana Gragnani, Cecilia Tombesi e Camilla CostaDa BBC News Brasil em Londres <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com menos de 3% da popula\u00e7\u00e3o mundial, o Brasil responde hoje por um quinto das novas mortes causadas pelo novo coronav\u00edrus no mundo. Do total de mortes por coronav\u00edrus no mundo na semana passada (33.808), segundo dados do Centro Europeu de Preven\u00e7\u00e3o e Controle das Doen\u00e7as, 20,7%, ocorreram no Brasil. Foram 7.007 novas mortes registradas. 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