{"id":26273,"date":"2020-02-25T11:19:12","date_gmt":"2020-02-25T14:19:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=26273"},"modified":"2020-02-25T11:20:26","modified_gmt":"2020-02-25T14:20:26","slug":"balas-de-banana-e-cachaca-valorizam-cidades-historicas-do-litoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2020\/02\/25\/balas-de-banana-e-cachaca-valorizam-cidades-historicas-do-litoral\/","title":{"rendered":"Balas de banana e cacha\u00e7a valorizam cidades hist\u00f3ricas do litoral"},"content":{"rendered":"\n<p>As balas de banana de Antonina e a cacha\u00e7a de Morretes s\u00e3o marcas fortes das duas&nbsp;cidades hist\u00f3ricas do Litoral do Paran\u00e1, que ajudam a valorizar a cultura da regi\u00e3o. Elas t\u00eam em comum a fabrica\u00e7\u00e3o caprichada e dedicada dos produtores.<\/p>\n\n\n\n<p>De Morretes, Sadi Poletto fala com entusiasmo sobre a cacha\u00e7a que leva o seu sobrenome durante uma visita guiada que n\u00e3o demora mais do que vinte minutos. Cada frase parece treinada, cada barril de carvalho emula uma hist\u00f3ria, e cada m\u00ednimo detalhe tem um porqu\u00ea dentro da cacha\u00e7aria, onde antes a Faber Castell mantinha uma ind\u00fastria de l\u00e1pis.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Morretes era um polo nacional de cacha\u00e7a&#8221;,&nbsp;&#8220;morretiano, veja s\u00f3, \u00e9 sin\u00f4nimo de cacha\u00e7a&#8221;, &#8220;produzimos cacha\u00e7a com grau de profissionalismo e cuidado pouco reconhecido no Pa\u00eds&#8221;, &#8220;temos que encarar a cacha\u00e7a como um bom u\u00edsque, por que n\u00e3o?&#8221; e&nbsp;&#8220;poder\u00edamos at\u00e9 mesmo ter uma Oktobertfest da cacha\u00e7a por aqui&#8221; s\u00e3o alguns dos aforismas de&nbsp;Poletto.<\/p>\n\n\n\n<p>E o que parece conto de vendedor de frases urgentes \u00e9, na verdade, uma declara\u00e7\u00e3o de amor de um catarinense pela cidade graciosa &#8211; e, v\u00e1 l\u00e1, ao produto.<\/p>\n\n\n\n<p>A cacha\u00e7a tem registros de produ\u00e7\u00e3o no Litoral paranaense desde 1733, \u00e9poca do Brasil Imperial, quando Dom Pedro II permitiu a instala\u00e7\u00e3o de um engenho em Morretes. No s\u00e9culo 19, com a imigra\u00e7\u00e3o italiana, mais de 50 produtores caseiros passaram a tirar da cana-de-a\u00e7\u00facar a sua ess\u00eancia, rito que perdura at\u00e9 os dias de hoje, em menor quantidade, mas mais refinada. N\u00e3o \u00e0 toa, alguns dicion\u00e1rios brasileiros indicam o verbete morretiana como sin\u00f4nimo do tradicional produto do Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MERCADO &#8211;&nbsp;<\/strong>Morretes lidera a produ\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a do Litoral e contribui com cerca de 30% de todo mercado estadual. A cidade de 15 mil habitantes conta com tr\u00eas produtores com todos os registros oficiais do Minist\u00e9rio da Agricultura e produz cerca de 10 mil litros por m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Poletto \u00e9 um dos principais personagens da retomada dessa hist\u00f3ria e da conquista internacional das canas litor\u00e2neas, com os pr\u00eamios belgas que divide com a marca Porto Morretes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMorretes \u00e9 o ber\u00e7o da cacha\u00e7a, foi um polo de valor inestim\u00e1vel. T\u00ednhamos 62 produtores dentro da cidade e registros documentados do s\u00e9culo 16. Eu anseio por esse novo momento. Quero montar uma cooperativa da cacha\u00e7a, algo com notoriedade, e fazer uma Okfoberfest da cacha\u00e7a no Litoral\u201d, diz Poletto. \u201cCome\u00e7ando com caldo de cana, e oferecendo gradua\u00e7\u00f5es alco\u00f3licas de 0% a 40% para as pessoas, conforme o processo de degusta\u00e7\u00e3o, nos mesmos moldes da cerveja. Mas infelizmente perdemos todo esse protagonismo para Minas Gerais, que tomou conta do processo de produ\u00e7\u00e3o e dos bares\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFINADA &#8211;&nbsp;<\/strong>A casa Poletto funciona com visita\u00e7\u00e3o sem a necessidade de reserva antecipada e tamb\u00e9m como hotel. Essa \u00e9 uma tentativa de explicar de perto a cultura, o plantio e o processo profissional de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstamos trabalhando para trazer o Centro de Morretes para essa regi\u00e3o rural. E a procura tem aumentado nos \u00faltimos anos, apesar de ser um trabalho mais dif\u00edcil, com um modelo mais complicado. A Europa nos ensinou que cada uva d\u00e1 um vinho, e que tal falar que cada cana-de-a\u00e7\u00facar expressa uma cacha\u00e7a diferente, com personalidade pr\u00f3pria? \u00c9 o que fazemos aqui na cidade\u201d, conta Poletto.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o tour, ele tamb\u00e9m explica que a casa procurou assessoria t\u00e9cnica para se especializar e refinar o produto. As canas s\u00e3o filtradas e os fermentos utilizados exigem \u00e1gua dionizada (neutralizada), al\u00e9m do controle de temperatura e de gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica conforme as prerrogativas do Minist\u00e9rio da Agricultura e do Abastecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A bebida passa por testes para garantir presen\u00e7a \u00ednfimas de metais pesados, al\u00e9m de n\u00e3o sofrer adi\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar, conforme as vers\u00f5es mais populares. Todo processo foi auditado pelo Instituto de Tecnologia do Paran\u00e1 (Tecpar).<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas das suas cacha\u00e7as s\u00e3o envasadas em barris de 225 litros de carvalho, ararib\u00e1 e amburana por at\u00e9 dez anos, e a exig\u00eancia \u00e9 alta. No ano passado, um lote inteiro de um modelo que adormecia h\u00e1 dez anos foi direcionado ao ralo porque o gosto final n\u00e3o se provou satisfat\u00f3rio para venda. \u201cTemos que encarar a cacha\u00e7a como um u\u00edsque ou um bom vinho, que s\u00e3o bebidas de porte. A cacha\u00e7a deve ser al\u00e7ada a essa categoria, principalmente porque temos esse hist\u00f3rico com ela. \u00c9 uma luta que vale a pena travar\u201d, afirma Poletto.<\/p>\n\n\n\n<p>Na loja da cacha\u00e7aria, ele tamb\u00e9m vende licores de produtos locais como gengibre e banana, e a cacha\u00e7a de cataia, que \u00e9 uma planta t\u00edpica do litoral paranaense. Aqueles que a sentem na l\u00edngua&nbsp;chamam de u\u00edsque do cai\u00e7ara. \u201cAlgumas pessoas ainda n\u00e3o descobriram essa planta, mas, sozinha, ela pagaria a d\u00edvida interna e externa de toda a Am\u00e9rica Latina\u201d, brinca. A planta \u00e9 utilizada, tamb\u00e9m, para cicatrizar ferimentos e para tratar problemas estomacais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BALA DE BANANA &#8211;<\/strong>&nbsp;As balas de banana de Antonina, outro produto t\u00edpico do Litoral, tamb\u00e9m pleiteiam o reconhecimento do processo iniciado em 1979 e aprimorado na d\u00e9cada de 80. As duas principais empresas da cidade produzem cerca de 16 toneladas por m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o das Balas Bananina, as de embalagem laranjinha, ainda respeita uma tradi\u00e7\u00e3o familiar, apesar de a empresa ter adotado um tom mais moderno com a adi\u00e7\u00e3o de sabores e o mix das balas de banana com goiabada, amendoim, abacaxi, pimenta, c\u00f4co e gengibre.<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa de Antonina abre para visita\u00e7\u00e3o e aos finais de semana a m\u00e9dia \u00e9 de 500 turistas por dia. Um pequeno corredor conta a hist\u00f3ria da fam\u00edlia e alguns param por minutos demais na frente de uma porta que d\u00e1 para a \u00e1rea de embalagem. As vendas s\u00e3o 50%-50% entre as pessoas que compram o produto na loja ou em revendedoras autorizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cS\u00e3o 75 mil balas por m\u00eas. As fam\u00edlias visitam a casa nos passeios de trem, de van, e depois retornam sozinhas com as suas fam\u00edlias. O turismo no Litoral tem crescido muito nos \u00faltimos anos e especialmente nesta temporada, o que puxou esse movimento de aumentar a produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 um produto t\u00edpico que conta a hist\u00f3ria de Antonina, das nossas tradi\u00e7\u00f5es, e tamb\u00e9m da minha fam\u00edlia\u201d, explica Maristela Mendes, a propriet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, a fam\u00edlia abriu um pequeno neg\u00f3cio na margem da bacia de Antonina, no princ\u00edpio como palmitaria. Em 1986 chegaram as balas de banana, mas a empresa j\u00e1 existia h\u00e1 seis anos. Nos anos 2000, depois do falecimento do pai de Maristela e fundador, ela come\u00e7ou a executar uma mudan\u00e7a de local que j\u00e1 estava planejada. A sala de visita\u00e7\u00e3o foi aberta h\u00e1 dez anos&nbsp;como parte dessa hist\u00f3ria de receber todos com um caf\u00e9 quente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA fabrica\u00e7\u00e3o de forma artesanal desperta interesse. Nossos turistas tiram fotos com as balinhas em Dubai (Emirados \u00c1rabes), Paris (Fran\u00e7a) e Brasil afora, e nos marcam nas redes sociais\u201d, conta Maristela. \u201cN\u00f3s tamb\u00e9m buscamos vender em mais cidades para ampliar essa cadeia, algo que ser\u00e1 ampliado a partir da Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica. Valoriza a cidade e o produto. Tem essa tend\u00eancia de turismo, de n\u00e3o mais visitar pontos direcionados, mas alternativas e exclusividades. Antonina, Morretes e at\u00e9 mesmo Guaraque\u00e7aba podem se aproveitar desse cen\u00e1rio nos pr\u00f3ximos anos\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Paran\u00e1 busca o selo que agrega valor aos produtos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cacha\u00e7a, bala&nbsp;de banana, barreado e farinha de mandioca buscam para este ano a chancela de Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), vinculado do Minist\u00e9rio da Economia, porque o selo agrega valor, amplia a visibilidade e abre mercado para os empres\u00e1rios expandirem seus neg\u00f3cios. A Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Emater e a Ag\u00eancia de Defesa Agropecu\u00e1ria (Adapar) d\u00e3o apoio e assist\u00eancia t\u00e9cnica para&nbsp;os produtores.<\/p>\n\n\n\n<p>O Paran\u00e1 conta com oito produtos com Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica reconhecida: o&nbsp;melado de Capanema; a erva-mate de S\u00e3o Mateus do Sul; o caf\u00e9 do Norte Pioneiro; a goiaba de Carl\u00f3polis; o queijo colonial de Witmarsun; as uvas finas de Marialva; e o mel de Ortigueira e tamb\u00e9m da Regi\u00e3o Oeste.<\/p>\n\n\n\n<p>A Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica (IG) nada mais \u00e9 do que a identifica\u00e7\u00e3o que d\u00e1 origem a um produto ou servi\u00e7o. Ap\u00f3s conquistado, somente os produtores e prestadores de servi\u00e7os da regi\u00e3o (em geral, organizados em entidades representativas) podem utilizar o selo.<br><br><br>Fonte: AEN<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As balas de banana de Antonina e a cacha\u00e7a de Morretes s\u00e3o marcas fortes das duas&nbsp;cidades hist\u00f3ricas do Litoral do Paran\u00e1, que ajudam a valorizar a cultura da regi\u00e3o. Elas t\u00eam em comum a fabrica\u00e7\u00e3o caprichada e dedicada dos produtores. 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