{"id":2607,"date":"2019-03-26T14:39:08","date_gmt":"2019-03-26T17:39:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=2607"},"modified":"2019-03-26T14:47:06","modified_gmt":"2019-03-26T17:47:06","slug":"elas-contam-transavam-sem-vontade-por-violencia-psicologica-dos-parceiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/03\/26\/elas-contam-transavam-sem-vontade-por-violencia-psicologica-dos-parceiros\/","title":{"rendered":"Elas contam: Transavam sem vontade por viol\u00eancia psicol\u00f3gica dos parceiros"},"content":{"rendered":"\n<p> O primeiro namoro da pedagoga Marcela Nunes, de 22 anos, acabou depois de muita press\u00e3o e viol\u00eancia psicol\u00f3gica. Ela tinha 17 anos e o namorado a pressionava muito para que rolasse.<\/p>\n\n\n\n<p> Quando ela se negava, ele dizia que Marcela &#8220;deveria se tratar, j\u00e1 que todo mundo gosta de transar&#8221;. &#8220;Eu sentia que tinha algo de errado comigo e, por isso, me for\u00e7ava a fazer algo que n\u00e3o queria. Tinha medo de que ele terminasse o namoro, j\u00e1 que dizia o tempo todo que ningu\u00e9m ia me querer e que a ex dele era muito melhor do que eu&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p> &#8220;Eu cedia. Quando ele me penetrou pela primeira vez, doeu e sangrou muito. Ele n\u00e3o pensava no meu prazer, s\u00f3 no dele e nem se preocupava se eu estava com dor. Eu n\u00e3o me impunha, n\u00e3o pedia que ele parasse. Ficamos juntos por um ano e, em nenhum momento, transei com ele por vontade. Acreditava no que ele dizia, que eu era problem\u00e1tica. Um dia, est\u00e1vamos transando, eu estava me sentindo triste, e ele parou no meio e disse: &#8216;Voc\u00ea n\u00e3o sabe fazer, voc\u00ea \u00e9 um lixo, n\u00e3o quero mais esse relacionamento&#8217;. E terminou comigo&#8221;, conta Marcela.<\/p>\n\n\n\n<p> O psic\u00f3logo e especialista em relacionamentos pela Universidade de Miami, Alexandre Bez, explica que a for\u00e7a\u00e7\u00e3o de barra, nos casos em que a mulher se sente violentada, normalmente vem acompanhada de agress\u00f5es psicol\u00f3gicas que, ao fim, reduzem a mulher. &#8220;Ela ouve tanto que n\u00e3o \u00e9 merecedora de algo maior, que n\u00e3o \u00e9 capaz de ter algu\u00e9m que a respeite. Acaba achando que \u00e9 normal ceder&#8221;, diz Bez.<\/p>\n\n\n\n<p> Foi o que aconteceu com a advogada Maria Laura, de 30 anos. Ela passou dois anos em um relacionamento abusivo com uma mulher, em que o sexo muitas vezes acontecia sem que ela consentisse. &#8220;Quando eu dizia que n\u00e3o queria, ela falava que se eu n\u00e3o fizesse, faria com outra mulher. Virou uma amea\u00e7a. Cheguei a acordar durante a noite com ela transando comigo enquanto eu dormia. Ela j\u00e1 usou tanta for\u00e7a, que eu acordei sangrando&#8221;, conta. <\/p>\n\n\n\n<p> Paula diz que, \u00e0s vezes, descobria que havia sido estuprada pela namorada no dia seguinte, quando acordava com dores na vagina. Apesar de se sentir violentada, ela continuou com o namoro. &#8220;\u00c0s vezes, eu cedia. Tinha medo que ela achasse que eu estava com outra, mas eu s\u00f3 n\u00e3o queria mais ficar com ela. Ainda assim, me sentia presa, achava que eu n\u00e3o era digna de algu\u00e9m que me amasse e respeitasse&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p> &#8220;Esse tipo de viol\u00eancia acaba com a autoestima de uma mulher e isso vira um c\u00edrculo vicioso. Ela se sente t\u00e3o descart\u00e1vel que acha que n\u00e3o pode abrir m\u00e3o daquela pessoa&#8221;, explica Alexandre Bez. Ele diz, ainda, que n\u00e3o se importar com a vontade da mulher vem de uma estrutura machista que coloca o homem como a prioridade no sexo. &#8220;Ent\u00e3o, muitos n\u00e3o se importam se a parceira est\u00e1 sentindo prazer. O que importa \u00e9 o prazer deles&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p> Com a secret\u00e1ria L\u00edvia, de 25, a insist\u00eancia pelo sexo vinha acompanhada de agress\u00f5es f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas. Ao telefone, ela chora enquanto relembra os tr\u00eas meses de namoro, ao qual ela deu fim h\u00e1 mais de um ano. &#8220;Eu me sentia muito mal do lado dele, mas sempre ouvi que eu n\u00e3o era suficiente, que ningu\u00e9m se interessaria por mim. Ele dizia isso. E eu tinha medo da rejei\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o fazia tudo o que ele queria, inclusive sexo&#8221;, diz. <\/p>\n\n\n\n<p> L\u00edvia conta que o namorado a amea\u00e7ava dizendo que se ela n\u00e3o fosse boa de cama, se n\u00e3o quisesse transar todos os dias, ele abriria m\u00e3o dela. &#8220;Ele dizia que estava fazendo um favor ao namorar comigo. Eu era virgem. Ele for\u00e7ava para me penetrar, eu sentia dor, chorava, mas me calava. Falava para mim mesma que eu tinha que aguentar aquilo e valorizar aquele homem&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p> Foi durante uma conversa com uma amiga que L\u00edvia descobriu que estava em um relacionamento em que n\u00e3o era respeitada. Ela, ent\u00e3o, decidiu dar um fim. &#8220;Depois, descobri o feminismo e entendi que, mesmo sendo meu namorado, eu posso e devo dizer &#8216;n\u00e3o&#8217; quando eu quiser. Na \u00e9poca, eu achava que tinha que fazer tudo o que ele queria, que isso era namoro&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p> A sex\u00f3loga e terapeuta de casais Margareth Signorelli explica o limite da insist\u00eancia na hora do sexo. Ela afirma que muitas mulheres, mesmo estando cansadas ou pensando em outra coisa, deixam o parceiro beijar, come\u00e7ar a pega\u00e7\u00e3o, e que, depois, come\u00e7am a curtir. <\/p>\n\n\n\n<p> &#8220;Ainda assim, se n\u00e3o tiver vontade, tem que parar imediatamente. E se o homem n\u00e3o reagir bem \u00e0 informa\u00e7\u00e3o de que ela n\u00e3o quer transar, significa que \u00e9 hora de repensar o relacionamento. O sexo \u00e9 uma troca&#8221;, afirma a terapeuta. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"800\" src=\"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Karranka.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2457\" srcset=\"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Karranka.jpg 800w, https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Karranka-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Karranka-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Karranka-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Karranka-696x696.jpg 696w, https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Karranka-420x420.jpg 420w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>UOL<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O primeiro namoro da pedagoga Marcela Nunes, de 22 anos, acabou depois de muita press\u00e3o e viol\u00eancia psicol\u00f3gica. 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