{"id":25874,"date":"2020-02-17T18:07:28","date_gmt":"2020-02-17T21:07:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=25874"},"modified":"2020-02-17T18:07:29","modified_gmt":"2020-02-17T21:07:29","slug":"congresso-pode-liberar-fazendas-para-desmatar-ate-50-de-terras-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2020\/02\/17\/congresso-pode-liberar-fazendas-para-desmatar-ate-50-de-terras-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Congresso pode liberar fazendas para desmatar at\u00e9 50% de terras na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"\n<p>O Congresso Nacional analisa uma medida provis\u00f3ria (MP) que pode aumentar o desmatamento na floresta amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto, que est\u00e1 pronto para ser votado no plen\u00e1rio da C\u00e2mara, aumenta para at\u00e9 50% a \u00e1rea que pode ser desmatada em fazendas de Roraima e do Amap\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, os donos de fazendas nestes dois Estados precisam manter pelo menos 80% de \u00e1rea de floresta em seus im\u00f3veis. Se a MP 901 for aprovada como se encontra, o percentual cair\u00e1 para apenas 50% \u2014 ou seja, at\u00e9 metade da \u00e1rea das propriedades rurais poder\u00e1 ser desmatada.<\/p>\n\n\n\n<p>Este trecho da medida provis\u00f3ria faz uma altera\u00e7\u00e3o no C\u00f3digo Florestal, e ambientalistas temem que a mudan\u00e7a acabe se espalhando por outros Estados da regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>A MP 901 estava na pauta de vota\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara na \u00faltima ter\u00e7a-feira (11), mas foi adiada. Agora, o\u00a0texto\u00a0deve voltar a ser discutido pelos deputados nesta semana, ainda antes do feriado de Carnaval. A proposta tramita em regime de urg\u00eancia no Congresso.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), \u00e9 um dos principais defensores da medida, segundo apurou a BBC News Brasil. Se aprovado na C\u00e2mara, o texto segue para a Casa comandada pelo amapaense.PROPAGANDA<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Jabuti<\/h2>\n\n\n\n<p>A medida provis\u00f3ria 901 foi discutida por deputados com o presidente da C\u00e2mara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em uma reuni\u00e3o na manh\u00e3 da \u00faltima quarta (12).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo um dos participantes, Rodrigo Agostinho (PSB-SP), Maia n\u00e3o discutiu o m\u00e9rito da proposta, mas se comprometeu a rejeitar trechos da MP que sejam considerados &#8220;contrabandos&#8221; legislativos \u2014 isto \u00e9, inser\u00e7\u00f5es de outros assuntos que n\u00e3o tenham a ver com o tema original da MP, os chamados &#8220;jabutis&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Agostinho \u00e9 o atual presidente da Comiss\u00e3o de Meio Ambiente da C\u00e2mara e tem trabalhado contra as mudan\u00e7as na medida provis\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7E5C\/production\/_110884323_hi056580286.jpg\" alt=\"Inc\u00eandio na floresta amaz\u00f4nica na regi\u00e3o de Porto Velho\"\/><figcaption>Image captionOriginalmente, a MP editada pelo governo de Jair Bolsonaro dizia respeito \u00e0 transfer\u00eancia de terras da Uni\u00e3o para os governos dos Estados do Amap\u00e1 e de Roraima<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Originalmente, a MP editada pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido) dizia respeito \u00e0 transfer\u00eancia de terras da Uni\u00e3o para os governos dos Estados do Amap\u00e1 e de Roraima \u2014 e n\u00e3o trazia qualquer refer\u00eancia a mais desmatamento em propriedades rurais.<\/p>\n\n\n\n<p>A doa\u00e7\u00e3o das terras aos Estados j\u00e1 estava aprovada em lei desde 2009, mas estava travada por causa de exig\u00eancias burocr\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>O &#8220;jabuti&#8221;, para permitir mais desmatamento na Amaz\u00f4nia foi inserido no texto durante a fase da Comiss\u00e3o Mista, quando deputados e senadores sugerem altera\u00e7\u00f5es no texto da MP. O aumento da \u00e1rea desmatada em fazendas surgiu em uma emenda do senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR). O texto final foi confeccionado pelo relator, o deputado Edio Lopes (PL-RR).<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem da BBC News Brasil procurou o senador Mecias de Jesus e o deputado Edio Lopes \u2014 ambos negaram se tratar de &#8220;contrabando&#8221; legislativo ou jabuti.<\/p>\n\n\n\n<p>Edio Lopes disse que seu texto n\u00e3o traz inova\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao que o C\u00f3digo Florestal j\u00e1 determina. J\u00e1 Mecias de Jesus argumentou que apenas uma pequena parte do Estado de Roraima est\u00e1 dispon\u00edvel para a agricultura \u2014 e que o objetivo da medida \u00e9 dar seguran\u00e7a aos produtores locais, e n\u00e3o incentivar o desmatamento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Entrave<\/h2>\n\n\n\n<p>A ideia de diminuir (ou acabar) com a chamada &#8220;reserva legal&#8221; das propriedades rurais n\u00e3o \u00e9 nova no Congresso. Em meados do ano passado, o senador Fl\u00e1vio Bolsonaro (sem partido-RJ) apresentou um\u00a0projeto de lei\u00a0em parceria com o tamb\u00e9m senador Marcio Bittar (MDB-AC) para acabar com a obriga\u00e7\u00e3o dos propriet\u00e1rios de manter trechos preservados em suas fazendas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na justificativa do projeto, o filho mais velho do presidente da Rep\u00fablica escreveu que o objetivo era remover um &#8220;entrave&#8221; e &#8220;expandir a produ\u00e7\u00e3o&#8221; de produtos agr\u00edcolas no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>A obriga\u00e7\u00e3o de manter reservas legais nas fazendas varia de acordo com o bioma no qual a propriedade est\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos Estados da Amaz\u00f4nia Legal, 80% da \u00e1rea precisa ficar protegida. Este percentual cai para 35% no Cerrado e 20% em outras regi\u00f5es do pa\u00eds, como a Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n\n\n\n<p>A MP 901 tamb\u00e9m est\u00e1 longe de ser a \u00fanica medida controversa em temas ambientais em discuss\u00e3o em Bras\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em dezembro passado, o governo editou a MP 910 de 2019, apelidada por cr\u00edticos de &#8220;MP da grilagem&#8221;. Este segundo texto, que ainda est\u00e1 sendo discutido por uma comiss\u00e3o mista de deputados e senadores, anistia pessoas que tenham\u00a0desmatado e ocupado irregularmente terras p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais recentemente, no come\u00e7o de fevereiro, o governo tamb\u00e9m enviou um\u00a0projeto de lei\u00a0que regulamenta a Constitui\u00e7\u00e3o para permitir atividades como a minera\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o de recursos h\u00eddricos em terras ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como a mudan\u00e7a de &#8216;e&#8217; para &#8216;ou&#8217; pode atingir a floresta<\/h2>\n\n\n\n<p>O texto atual da MP 901 muda um trecho do C\u00f3digo Florestal que trata da reserva legal nas fazendas.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, o Art. 12 do C\u00f3digo exige duas condi\u00e7\u00f5es para que a \u00e1rea preservada nas fazendas de um determinado Estado possa ser diminu\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo estadual precisa realizar um tipo de estudo chamado Zoneamento Ecol\u00f3gico-Econ\u00f4mico (ZEE); e \u00e9 preciso ainda que mais de 65% do territ\u00f3rio do Estado seja ocupado por unidades de conserva\u00e7\u00e3o e terras ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>A MP 901 basicamente muda o &#8220;e&#8221; pelo &#8220;ou&#8221;: o Estado pode realizar o Zoneamento Ecol\u00f3gico-Econ\u00f4mico ou ter mais de 65% de sua \u00e1rea ocupada por reservas.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o estudo ZEE deixa de ser necess\u00e1rio \u2014 e a redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea preservada nas fazendas passaria a ser poss\u00edvel nos Estados do Amap\u00e1 e de Roraima.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/157DF\/production\/_110913088_hi055968294.jpg\" alt=\"Inc\u00eandio na floresta amaz\u00f4nica na regi\u00e3o de Porto Velho\"\/><figcaption>Image caption\u00c1reas militares e outros locais controlados pela Uni\u00e3o tamb\u00e9m passam a ser contabilizados para atingir os 65% exigidos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c1reas militares e outros locais controlados pela Uni\u00e3o tamb\u00e9m passam a ser contabilizados para atingimento dos 65%.<\/p>\n\n\n\n<p>A observa\u00e7\u00e3o est\u00e1 em uma nota t\u00e9cnica do Instituto Socioambiental (ISA), uma ONG da \u00e1rea de meio ambiente que primeiro observou a altera\u00e7\u00e3o feita na medida provis\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o se trata de Zoneamento Ecol\u00f3gico-Econ\u00f4mico aprovado ou 65% do territ\u00f3rio ocupado por unidades de conserva\u00e7\u00e3o ou terras ind\u00edgenas, como quer o (relat\u00f3rio) da MP 901 e sim a soma desses dois crit\u00e9rios. Nem se admite, no C\u00f3digo Florestal, no c\u00f4mputo de 65%, as &#8216;terras das for\u00e7as armadas, per\u00edmetros das rodovias federais e outras que a Uni\u00e3o venha a instituir&#8217; como apresentado no PLC (relat\u00f3rio) da MP 901&#8221;, diz a nota t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p>O advogado Mauricio Guetta, consultor jur\u00eddico do ISA, diz ainda que se trata de &#8220;contrabando legislativo&#8221; ou &#8220;jabuti&#8221; discutir um tema relacionado ao C\u00f3digo Florestal em uma MP que n\u00e3o trata originalmente deste assunto. Como tal, o tema deveria ser retirado do texto, diz ele.<\/p>\n\n\n\n<p>O relator da MP, Edio Lopes, nega que se trate de &#8220;contrabando&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O C\u00f3digo Florestal j\u00e1 assegura essa redu\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o estou criando nada (&#8230;). N\u00e3o estou aumentando nada (em \u00e1rea desmatada), \u00e9 uma legisla\u00e7\u00e3o antiga&#8221;, diz ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Edio Lopes diz ainda que as pr\u00f3prias ONGs ambientalistas, inclusive o ISA, atuam com os ind\u00edgenas para impedir a realiza\u00e7\u00e3o do ZEE.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Este trabalho (o ZEE) \u00e9 imposs\u00edvel fazer por conta da n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o das comunidades ind\u00edgenas (&#8230;). Eu estou retirando a exig\u00eancia do ZEE. N\u00f3s n\u00e3o temos como fazer no Estado (o estudo)&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O Estado de Roraima batalha h\u00e1 anos, e n\u00e3o consegue porque as pr\u00f3prias organiza\u00e7\u00f5es, inclusive o ISA, trabalham junto aos ind\u00edgenas, e estes n\u00e3o permitem que o Estado proceda ao levantamento dentro de suas \u00e1reas&#8221;, disse ele \u00e0 BBC News Brasil. As terras ind\u00edgenas s\u00e3o \u00e1reas federais, e n\u00e3o controladas pelos Estados, diz ele.<\/p>\n\n\n\n<p>O autor da emenda, senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR), argumenta que apenas uma pequena parte do territ\u00f3rio do Estado de Roraima est\u00e1 dispon\u00edvel para a agricultura \u2014 apenas 8% do territ\u00f3rio. O restante est\u00e1 ocupado por terras ind\u00edgenas homologadas (47%) e reservas ambientais (20%).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o estamos trazendo nenhuma inova\u00e7\u00e3o, nem autorizando a desmatar ou a queimar, muito pelo contr\u00e1rio. N\u00f3s aqui na Amaz\u00f4nia temos o maior interesse em preservar a floresta. Ningu\u00e9m, no Brasil e no mundo tem mais interesse em preservar do que n\u00f3s amaz\u00f4nidas&#8221;, diz ele. &#8220;Tudo que n\u00f3s queremos \u00e9 tirar o povo de Roraima da ilegalidade, da inseguran\u00e7a jur\u00eddica sobre a nossa terra&#8221;, defende o senador.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da quest\u00e3o envolvendo as propriedades rurais, a MP tamb\u00e9m transfere para o governo do Estado de Roraima uma \u00e1rea de quase 5 mil hectares que hoje \u00e9 protegida \u2014 faz parte da Floresta Nacional (Flona) de Roraima.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o texto da MP, o local seria destinado ao &#8220;assentamento de pequenos agricultores&#8221;. De acordo com o ISA, por\u00e9m, a \u00e1rea abrange locais que s\u00e3o do interesse de garimpeiros. Uma parte do trecho que deixaria de integrar a Floresta Nacional \u00e9 alvo de pedidos de minera\u00e7\u00e3o junto ao Departamento Nacional de Produ\u00e7\u00e3o Mineral (DNPM).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12073\/production\/_110934837_778748c5-4aa5-4945-89a7-fc19d7587dfe.jpg\" alt=\"Mapa mostrando \u00e1reas de interesse de minera\u00e7\u00e3o em Roraima\"\/><figcaption>Image captionTracejado em amarelo indica as \u00e1reas que s\u00e3o de interesse da minera\u00e7\u00e3o na Floresta Nacional de Roraima<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&#8216;Preconceito ambiental&#8217; ou &#8216;inseguran\u00e7a jur\u00eddica&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>Ambientalistas e deputados contr\u00e1rios ao texto atual da MP 901 dizem que a proposta cria inseguran\u00e7a jur\u00eddica \u2014 se for aprovada como se encontra, fazendeiros de outros Estados da chamada Amaz\u00f4nia Legal poderiam pleitear o direito de diminuir a \u00e1rea de reserva legal em suas pr\u00f3prias fazendas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O C\u00f3digo Florestal n\u00e3o trata da Amaz\u00f4nia do ponto de vista dos Estados, e sim por biomas. Ent\u00e3o, esse ponto gera muita inseguran\u00e7a jur\u00eddica sobre o que acontecer\u00e1 nos outros Estados da regi\u00e3o, se o relat\u00f3rio passar tal como se encontra&#8221;, disse \u00e0 BBC News Brasil o deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP).<\/p>\n\n\n\n<p>Para Mauricio Guetta, do ISA, o texto atual da MP representa &#8220;um retrocesso grave&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esta emenda permitiria que as propriedades privadas nesses dois Estados (Amap\u00e1 e Roraima) preservassem apenas 50%. Trinta por cento a mais de desmatamento. E esse precedente aberto pelos Estados poderia abrir caminho para que outros Estados da Amaz\u00f4nia fa\u00e7am press\u00e3o para novas altera\u00e7\u00f5es. Poderia desencadear um aumento do desmatamento que j\u00e1 se observa hoje&#8221;, diz ele.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/CC7C\/production\/_110884325_hi056217137.jpg\" alt=\"Inc\u00eandio em Rond\u00f4nia\"\/><figcaption>Image captionA Frente Parlamentar da Agropecu\u00e1ria (FPA) \u00e9 contra a exig\u00eancia dos mesmos 80% de reserva legal em toda a Amaz\u00f4nia Legal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O presidente da bancada ruralista, Alceu Moreira (MDB-RS), diz que o grupo n\u00e3o tem ainda uma posi\u00e7\u00e3o fechada sobre a MP.<\/p>\n\n\n\n<p>A princ\u00edpio, diz ele, a Frente Parlamentar da Agropecu\u00e1ria (FPA) \u00e9 contra a exig\u00eancia dos mesmos 80% de reserva legal em toda a Amaz\u00f4nia Legal, pois a regi\u00e3o abrange locais muito diferentes entre si.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em alguns lugares \u00e9 necess\u00e1rio que a reserva seja de X, e em outros n\u00e3o necessariamente. A Amaz\u00f4nia Legal \u00e9 um conceito fiscal, que abrange \u00e1reas diferentes entre si. Ela n\u00e3o \u00e9 homog\u00eanea, envolve solos distintos. Tratar a Amaz\u00f4nia Legal como se fosse um s\u00f3 bioma \u00e9 algo que acaba prejudicando o uso da terra&#8221;, disse Alceu Moreira \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Estados da Amaz\u00f4nia Legal, onde a reserva \u00e9 de 80%, abrangem terras que s\u00e3o id\u00eanticas a outras onde a reserva exigida \u00e9 bem menor, defende Moreira. A exig\u00eancia indiscriminada de 80% de reserva pune propriedades que poderiam ter uma \u00e1rea maior utilizada e \u00e9 fruto de &#8220;preconceito ambiental&#8221;, diz ele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria) tem condi\u00e7\u00f5es exatas de fazer o zoneamento e dizer qual \u00e9 a necessidade de reserva em cada peda\u00e7o de ch\u00e3o do Brasil. O que n\u00e3o se pode \u00e9 transformar isso num cavalo de batalha, dizendo que &#8216;tal e tal coisa n\u00e3o pode&#8217;. N\u00e3o. A argumenta\u00e7\u00e3o tem que ser feita de forma t\u00e9cnica. \u00c9 isso que vai balizar a vota\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Moreira.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Degrada\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia<\/h2>\n\n\n\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o da floresta n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica coisa que vem preocupando os cientistas que a estudam: a degrada\u00e7\u00e3o do bioma amaz\u00f4nico representa hoje uma amea\u00e7a t\u00e3o grave quanto a destrui\u00e7\u00e3o da floresta, segundo\u00a0estudiosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Degrada\u00e7\u00e3o \u00e9 o fen\u00f4meno que se d\u00e1 quando um trecho de floresta sofre v\u00e1rias perturba\u00e7\u00f5es (como ca\u00e7a descontrolada, garimpo, inc\u00eandios, corte de madeira) que impedem o seu funcionamento natural.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Falar s\u00f3 de desmatamento quando falamos da destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia \u00e9 o que eu chamo de a grande mentira verde&#8221;, disse o climatologista Antonio Donato Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).<\/p>\n\n\n\n<p>A floresta amaz\u00f4nica \u00e9 atualmente a maior e mais diversa floresta tropical do mundo. S\u00e3o mais de 6,8 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados espalhados por nove pa\u00edses, e nos quais vivem 33 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Congresso Nacional analisa uma medida provis\u00f3ria (MP) que pode aumentar o desmatamento na floresta amaz\u00f4nica. O texto, que est\u00e1 pronto para ser votado no plen\u00e1rio da C\u00e2mara, aumenta para at\u00e9 50% a \u00e1rea que pode ser desmatada em fazendas de Roraima e do Amap\u00e1. 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