{"id":2513,"date":"2019-03-26T09:04:38","date_gmt":"2019-03-26T12:04:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=2513"},"modified":"2019-03-26T09:04:39","modified_gmt":"2019-03-26T12:04:39","slug":"terror-em-casa-ele-me-bateu-me-seguia-na-rua-quebrou-meu-carro-me-deixou-de-olho-roxo-depoimentos-de-campanha-chocam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/03\/26\/terror-em-casa-ele-me-bateu-me-seguia-na-rua-quebrou-meu-carro-me-deixou-de-olho-roxo-depoimentos-de-campanha-chocam\/","title":{"rendered":"Terror em casa! \u201cEle me bateu, me seguia na rua, quebrou meu carro, me deixou de olho roxo\u201d, depoimentos de campanha chocam!"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cPor ci\u00fames, ele me deu um soco no rosto. Diziam que era minha culpa. Ele me seguiu na rua, quebrou meu carro, me tirou as chaves de casa e meu cart\u00e3o do banco. Eu sempre escondendo aquele olho roxo. Sofri amea\u00e7a virtual. Ele jogou um copo de caf\u00e9 quente nas minhas costas, ateou fogo nas minhas coisas. Dizia que ia me matar, que ia se matar, que ia matar nossa filha. At\u00e9 o dia que apanhei tanto a ponto de perder meu beb\u00ea\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O compilado de fortes depoimentos ver\u00eddicos foi transcrito do v\u00eddeo institucional da campanha \u201cVire a P\u00e1gina\u201d, lan\u00e7ada na \u00faltima quarta-feira pela Prefeitura de Curitiba por interm\u00e9dio da Casa da Mulher Brasileira de Curitiba, com apoio da Patrulha Maria da Penha e da ONG Mais Marias. Com objetivo de combater a viol\u00eancia contra a mulher, a iniciativa viabilizada por meio de uma plataforma online re\u00fane 19 hist\u00f3rias reais de supera\u00e7\u00e3o, vividas por mulheres que passaram por unidades municipais de acolhida como a Casa da Mulher Brasileira e a Pousada de Maria, entidades de acolhimento que, juntas, ajudam milhares da fam\u00edlias a recome\u00e7arem a vida, longe da viol\u00eancia.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.tribunapr.com.br\/cacadores-de-noticias\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/03\/sandra-praddo.jpg\" alt=\"Sandra Praddo, coordenadora-geral da Casa da Mulher Brasileira. Foto: Felipe Rosa.\" class=\"wp-image-27826\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Sandra Praddo, coordenadora-geral da Casa da Mulher Brasileira. Foto: Felipe Rosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Manh\u00e3 de ter\u00e7a-feira. A coordenadora geral da Casa da Mulher Brasileira, Sandra Praddo, recebe sorridente a nossa equipe de reportagem. H\u00e1 um dia do lan\u00e7amento do livro virtual cujo conte\u00fado ajudou a produzir, ela se v\u00ea orgulhosa. \u201cDe um lado da p\u00e1gina o leitor ver\u00e1 a c\u00f3pia do boletim de ocorr\u00eancia registrado pela v\u00edtima no dia da den\u00fancia. Do outro, o depoimento de como superou tudo aquilo e reconstruiu a vida. Mais que hist\u00f3rias de vit\u00f3ria, esses relatos servem para mostrar para muitas mulheres que existe sa\u00edda do abuso. Que d\u00e1 pra recome\u00e7ar a partir do nada. Basta querer\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 frente da entidade desde a inaugura\u00e7\u00e3o em junho de 2016, Sandra contabiliza o que chama de \u201ccases de sucesso\u201d, nos quais in\u00fameras mulheres que recorreram ao servi\u00e7o da administra\u00e7\u00e3o municipal conseguiram se recolocar no mercado de trabalho e, o mais importante, abandonar realidades de extrema viol\u00eancia f\u00edsica e psicol\u00f3gica. Vit\u00f3ria constru\u00edda em equipe, entre as paredes de cor lil\u00e1s da casa de acolhimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde a \u00faltima visita da Tribuna \u00e0 Casa da Mulher Brasileira, no ano passado, muita coisa mudou por l\u00e1. Uma das principais novidades \u00e9 a instala\u00e7\u00e3o da Delegacia da Mulher no local desde mar\u00e7o deste ano. Com isso, segundo Sandra, o n\u00famero de atendimentos di\u00e1rios da entidade saltou de 70 para 130. \u201cEssa novidade veio a facilitar a viabiliza\u00e7\u00e3o de alguns servi\u00e7os dentro da casa como quando, por exemplo, se exige registro de boletim de ocorr\u00eancia para emiss\u00e3o de medida protetiva de urg\u00eancia. Al\u00e9m disso, com o servi\u00e7o de delegacia, h\u00e1 garantia mais concreta de que, em alguns casos, o agressor permane\u00e7a detido\u201d, disse Sandra.<\/p>\n\n\n\n<p>Terceira unidade em funcionamento no Brasil, a sede da Casa da Mulher de Curitiba viabiliza o acesso a medidas de enfrentamento da viol\u00eancia e oferece servi\u00e7os especializados como apoio psicossocial, delegacia, juizado, Minist\u00e9rio P\u00fablico, Defensoria P\u00fablica e promo\u00e7\u00e3o de autonomia econ\u00f4mica. Com uma equipe de 35 profissionais incluindo psic\u00f3logos, advogados, motoristas e agentes da Guarda Municipal, a casa oferece atendimento 24h. Entre os servi\u00e7os mais procurados est\u00e3o a emiss\u00e3o de medidas protetivas que impe\u00e7am a aproxima\u00e7\u00e3o f\u00edsica dos agressores e registro de Boletim de Ocorr\u00eancia. Em alguns casos, a \u201cPatrulha Maria da Penha\u201d, realizada por equipes especializadas da Guarda Municipal, garante que as medidas protetivas est\u00e3o sendo aplicadas por meio de visitas peri\u00f3dicas \u00e0s resid\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Somente nos dois primeiros meses deste ano a entidade registrou mais de 2 mil atendimentos. No total, 29 mil mulheres j\u00e1 passaram pela casa desde a sua inaugura\u00e7\u00e3o. V\u00e1rias destas, al\u00e9m de terem contado com os servi\u00e7os da Casa da Mulher Brasileira, foram acolhidas tamb\u00e9m pela Pousada de Maria, unidade de acolhimento institucional que, desde 1993, oferece abrigo provis\u00f3rio para mulheres \u201cfugidas\u201d de situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ref\u00fagio secreto<\/h2>\n\n\n\n<p>O endere\u00e7o \u00e9 sigiloso. Ao chegarmos \u00e0 Pousada de Maria nos deparamos com uma casa ampla e bem iluminada. C\u00f4modos limpos, decora\u00e7\u00e3o singela e, na cozinha, cheiro de almo\u00e7o fresquinho saindo dos fog\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Inaugurada h\u00e1 26 anos, a Pousada de Maria \u00e9 a primeira casa de acolhimento para mulheres do Brasil. O local foi idealizado pela primeira dama, Margarita Sansone ainda na primeira gest\u00e3o do atual prefeito Rafael Greca (PMN), em tempos nos quais os direitos das mulheres estavam longe das pautas pol\u00edticas. Destinada ao abrigo de mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica, a Pousada de Maria tem capacidade de receber at\u00e9 20 pessoas, incluindo os filhos das v\u00edtimas. Com apoio de equipes de educadores e assistentes sociais, o objetivo principal da institui\u00e7\u00e3o \u00e9 promover a supera\u00e7\u00e3o e o rompimento dos ciclos de viol\u00eancia, auxiliando as v\u00edtimas a reconstru\u00edrem suas vidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme explicou a coordenadora da unidade, Adriana Castro Lopes, o local recebe mulheres de diversas faixas et\u00e1rias e condi\u00e7\u00f5es sociais que ali chegam encaminhadas pelos Centros de Refer\u00eancia Especializados em Assist\u00eancia Social (CREAS), pela Casa da Mulher Brasileira. \u201cMuitas chegam aqui s\u00f3 com a roupa do corpo. Amedrontadas, desamparadas, sem esperan\u00e7a. Ap\u00f3s passarem por uma triagem junto \u00e0 assist\u00eancia social da casa, instalamos essas mulheres em alojamentos separados por fam\u00edlia e iniciamos o trabalho de recupera\u00e7\u00e3o por meio de palestras, atividades socioeducativas, orienta\u00e7\u00e3o financeira e capacita\u00e7\u00e3o profissional\u201d, explica. Em m\u00e9dia, as mulheres acolhidas podem permanecer no local por at\u00e9 3 meses, recebendo , no local toda assist\u00eancia psicossocial, al\u00e9m de itens de vestu\u00e1rio e alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.tribunapr.com.br\/cacadores-de-noticias\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/03\/vire-a-pagina.jpg\" alt=\"Adriana Lopes explicou que o local recebe mulheres de diversas faixas et\u00e1rias e condi\u00e7\u00f5es sociais que ali chegam encaminhadas pelos Centros de Refer\u00eancia Especializados em Assist\u00eancia Social (CREAS). Foto: Felipe Rosa.\" class=\"wp-image-27827\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Adriana Lopes explicou que o local recebe mulheres de diversas faixas et\u00e1rias e condi\u00e7\u00f5es sociais que ali chegam encaminhadas pelos Centros de Refer\u00eancia Especializados em Assist\u00eancia Social (CREAS). Foto: Felipe Rosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Com uma equipe enxuta por\u00e9m dedicada, a Pousada de Maria j\u00e1 atendeu, desde a sua inaugura\u00e7\u00e3o, 7 mil fam\u00edlias. Somente no ano passado, 230 pessoas incluindo mulheres e crian\u00e7as passaram pelos quartos da casa. \u201cAl\u00e9m da pr\u00f3pria reconstru\u00e7\u00e3o pessoal, o fato dessas mulheres sa\u00edrem daqui e conseguirem ressignificar suas vidas \u00e9 o que torna esse servi\u00e7o t\u00e3o especial. N\u00e3o se trata apenas dos fatores externos necess\u00e1rios \u00e0 supera\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, mas \u00e0 pr\u00f3pria reconstru\u00e7\u00e3o da identidade dessas mulheres que deixam de ser v\u00edtimas e descobrem que t\u00eam toda a capacidade de viverem bem, seguras e terem sucesso longe dos abusadores\u201d, afirma a supervisora do n\u00facleo regional da FAS no bairro port\u00e3o, Maria Vanderleia Garcia Santos.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi o que aconteceu com Ana*, que para conversar com a reportagem da Tribuna pediu sigilo de sua identidade. Alojada na Pousada de Maria desde fevereiro com os dois filhos pequenos, a dona de casa conta que demorou um tempo para se adaptar \u00e0 rotina da casa de acolhimento, totalmente diferente do que estava habituada. \u201cDemorei um pouco para me acostumar a levantar cedo. Mesmo assim, qualquer coisa era melhor do que eu estava vivendo\u201d, revelou.<\/p>\n\n\n\n<p>Segura para contar um pouco da sua hist\u00f3ria, Ana relatou que, ap\u00f3s 15 anos numa rela\u00e7\u00e3o na qual era agredida f\u00edsica e psicologicamente, ela decidiu procurar ajuda antes que o pior acontecesse. \u201cEle bebia demais e um dia ele chegou completamente fora de si e veio direto me agredir. Aquele dia eu cheguei no meu limite\u201d, conta. O ultimato foi preciso: \u201caproveita e bate na minha cara porque essa ser\u00e1 a \u00faltima vez que voc\u00ea vai me agredir\u201d, disse Ana antes de procurar o CREAS da regional do bairro onde morava.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.tribunapr.com.br\/cacadores-de-noticias\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/03\/pousada-de-maria.jpg\" alt=\"A Pousada de Maria j\u00e1 atendeu, desde a sua inaugura\u00e7\u00e3o, 7 mil fam\u00edlias, disse Maria Vandeleia. Foto: Felipe Rosa.\" class=\"wp-image-27825\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A Pousada de Maria j\u00e1 atendeu, desde a sua inaugura\u00e7\u00e3o, 7 mil fam\u00edlias, disse Maria Vandeleia. Foto: Felipe Rosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Acolhida pela equipe da Pousada de Maria, Ana afirma que os \u00faltimos 2 meses t\u00eam sido de paz para ela e seus filhos. \u201cAqui eu durmo tranquila. Sei que ele n\u00e3o pode fazer nada contra n\u00f3s e mesmo depois que eu sair daqui ele n\u00e3o ter\u00e1 mais nenhuma chance, pois estamos protegidos legalmente. O mais importante disso tudo \u00e9 o que aconteceu em mim mesma. Me sinto mais calma, mais tranquila, mais segura. Meu desejo \u00e9 que, um dia, a equipe aqui da pousada olhe pra mim com orgulho e veja que gra\u00e7as a elas eu sobrevivi\u201d, diz emocionada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Dados nacionais<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo o IBGE, a cada ano, mais de um milh\u00e3o de mulheres s\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica no pa\u00eds. Para um ter\u00e7o das v\u00edtimas, as agress\u00f5es come\u00e7am por volta dos 19 anos. De cada 100 brasileiras, pelo menos 25 foram ou s\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica. 70% dos agressores s\u00e3o maridos, companheiros ou ex-companheiros. Conhe\u00e7a a campanha\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/vireapagina.com.br\/\" target=\"_blank\">\u201cVire a P\u00e1gina\u201d<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>G1PR<\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cPor ci\u00fames, ele me deu um soco no rosto. Diziam que era minha culpa. 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