{"id":24401,"date":"2019-12-18T17:54:39","date_gmt":"2019-12-18T20:54:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=24401"},"modified":"2019-12-18T17:54:40","modified_gmt":"2019-12-18T20:54:40","slug":"brasil-tem-o-maior-sistema-publico-de-transplantes-de-orgaos-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/12\/18\/brasil-tem-o-maior-sistema-publico-de-transplantes-de-orgaos-do-mundo\/","title":{"rendered":"Brasil tem o maior sistema p\u00fablico de transplantes de \u00f3rg\u00e3os do mundo"},"content":{"rendered":"\n<p>Cerca de 96% dos transplantes de \u00f3rg\u00e3os s\u00e3o feitos pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), de acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. At\u00e9 setembro deste ano, foram 6.719 transplantes de \u00f3rg\u00e3os s\u00f3lidos, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Transplantes de \u00d3rg\u00e3os (ABTO). O n\u00famero salta para 17.714, quando inclu\u00eddos os de c\u00f3rneas, o que faz do Brasil o segundo pa\u00eds que mais transplanta, depois dos Estados Unidos, em n\u00fameros absolutos, por\u00e9m, considerando a taxa de 17 transplantes por milh\u00e3o de pessoas (pmp), o Brasil \u00e9 o 23\u00ba colocado. Mas, no acesso, \u00e9 l\u00edder. O maior sistema p\u00fablico do mundo de transplantes enfrenta dois desafios: falta de doa\u00e7\u00f5es e de financiamento.<\/p>\n\n\n\n<p> \u201c\u00c9 uma atividade de alta complexidade, que exige muita compet\u00eancia m\u00e9dica e da equipe, al\u00e9m de estrutura hospitalar. O SUS estruturou uma rede de assist\u00eancia no pa\u00eds inteiro. O transplante \u00e9 aquela pontinha da alta complexidade para toda essa demanda\u201d, diz Daniela Ferreira Salom\u00e3o, coordenadora do Sistema Geral de Transplantes.<br>At\u00e9 setembro, a ABTO registrou 36.468 pessoas em lista de espera, mas, na sexta-feira, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade informou que a lista de outubro fechou com 45.714 pacientes. Os n\u00fameros, por\u00e9m, ainda n\u00e3o foram desmembrados por tipos de \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Segundo Daniela, a demanda \u00e9 sempre crescente, principalmente porque a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 vivendo mais e os idosos, precisando, cada vez mais, de terapia renal. \u201cQuando a gente tem uma doa\u00e7\u00e3o, vai um rim para cada paciente, mesmo assim \u00e9 a maior fila. \u00c9 a primeira demanda de transplante de \u00f3rg\u00e3os s\u00f3lidos disparado\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Ela afirma que \u00e9 preciso sensibilizar as pessoas para serem doadoras e para reduzir a necessidade de transplantes. \u201cTem que conscientizar a popula\u00e7\u00e3o da necessidade de fazer check-up, avalia\u00e7\u00f5es e seguir os tratamentos adequadamente, para evitar a progress\u00e3o de doen\u00e7as que um dia v\u00e3o requerer um transplante\u201d, aconselha. Segundo o chefe do Servi\u00e7o de Urologia e m\u00e9dico transplantador do Hospital Bras\u00edlia, Fransber Rodrigues, doen\u00e7as como diabetes e press\u00e3o alta podem evoluir para uma insufici\u00eancia renal, o que pode levar \u00e0 necessidade de um transplante.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Na opini\u00e3o do presidente da ABTO, Paulo P\u00eago, o copo est\u00e1 meio vazio e meio cheio. \u201cO Sistema P\u00fablico de Sa\u00fade tem uma grande vantagem. Todos t\u00eam acesso e \u00e9 transparente. A desvantagem \u00e9 que \u00e9 subfinanciado. Boa parte dos hospitais p\u00fablicos est\u00e1 em crise, com problemas de leitos, com UTIs desativadas e, obviamente, isso impacta. V\u00e1rios hospitais n\u00e3o t\u00eam interesse em fazer transplante para n\u00e3o ter preju\u00edzos\u201d, explica.O or\u00e7amento para transplantes este ano \u00e9 de R$ 1 bilh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Segundo P\u00eago, transplantes de c\u00f3rnea s\u00e3o os mais baratos e o custo de manter pacientes em hemodi\u00e1lise \u00e9 maior do que o do transplante. Por isso, esses procedimentos s\u00e3o cobertos pelos Planos de Sa\u00fade. De acordo com a Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS), o rol da Ag\u00eancia \u201cdetermina a cobertura de transplantes de rim, c\u00f3rnea e medula \u00f3ssea aut\u00f3logo (medula do pr\u00f3prio indiv\u00edduo) ou alog\u00eanico (medula de doador vivo); nesses dois \u00faltimos casos, sob condi\u00e7\u00f5es, e h\u00e1 cobertura de despesas com doadores vivos, benefici\u00e1rios ou n\u00e3o do plano do receptor\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Mais de cinco mil disseram n\u00e3o\u00a0<\/strong><br>Receptora de um novo cora\u00e7\u00e3o h\u00e1 dois anos e meio, a economista Patr\u00edcia Fonseca, de 32 anos, teve sua vida radicalmente mudada depois de receber o \u00f3rg\u00e3o. A not\u00edcia sobre o novo cora\u00e7\u00e3o chegou exatamente no dia do seu anivers\u00e1rio de 30 anos, em uma das in\u00fameras interna\u00e7\u00f5es no Instituto do Cora\u00e7\u00e3o, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Patricia tornou-se uma ativista em campanhas pela doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os e, nessa jornada, conheceu Tatiane Ingrid Penhalosa, 32 anos. Diagnosticada com miocardiopatia hipertr\u00f3fica, uma doen\u00e7a cong\u00eanita que aumenta a espessura do cora\u00e7\u00e3o, Tatiane fazia hemodi\u00e1lise para manter os rins e aguardava um novo cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o houve tempo, por\u00e9m, em abril, Tatiane morreu antes de o cora\u00e7\u00e3o chegar.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Inconformada com a morte da amiga, de quem havia se tornado inspiradora, Patr\u00edcia publicou um post nas redes sociais que viralizou e atingiu 15 milh\u00f5es de pessoas, segundo conta. Na postagem, ela informou que 5.491 fam\u00edlias haviam dito n\u00e3o durante os dois anos em que Tatiane havia esperado pelo transplante.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Lei Tatiane<\/strong><br>Patr\u00edcia n\u00e3o parou no post. Ela escreveu um projeto de lei que institui o Programa de Ensino e Conscientiza\u00e7\u00e3o sobre Doa\u00e7\u00e3o e Transplante de \u00d3rg\u00e3os e Tecidos no curr\u00edculo escolar, que batizou de \u201cLei Tatiane\u201d. O projeto (PL 2839\/2019), apresentado em julho na C\u00e2mara dos Deputados pelo deputado Ricardo Izar (PP-SP), aguarda parecer da Comiss\u00e3o de Seguridade Social e Fam\u00edlia. \u201cJ\u00e1 falei com o presidente Rodrigo Maia e a ideia e coloc\u00e1-lo em pauta ainda este ano\u201d, disse o deputado, que tamb\u00e9m trabalha em um estatuto para homogenizar procedimentos em toda a cadeia de transplantes no pa\u00eds, junto com o Conselho Regional de Medicina de S\u00e3o Paulo (Cremesp), onde conheceu Patr\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O tema gera tanto interesse que, atualmente, h\u00e1 23 PLs tramitando na C\u00e2mara e tr\u00eas, no Senado, que tratam de aspectos relacionados a transplante de \u00f3rg\u00e3os. Um deles \u00e9 de autoria do senador Lasier Martins (Podemos-RS). O PL 453\/17 determina que a fam\u00edlia n\u00e3o pode interferir na retirada de \u00f3rg\u00e3os, caso a pessoa tenha manifestado em vida a vontade de ser doadora. Aprovado na comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a do Senado em junho, o PL seguiu para a C\u00e2mara.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Em outro projeto, o deputado F\u00e1bio Trad (PSD-MS) sugere tornar lei que empresas com 100 ou mais empregados sejam obrigadas a preencher de 2% a 5% dos seus cargos com benefici\u00e1rios reabilitados ou pessoas portadoras de defici\u00eancia ou transplantadas. O projeto tem o apoio do presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Transplantados (ABTx), Edson Arakaki, que \u00e9 transplantado de rim. Ele afirma que h\u00e1 muito preconceito no mercado de trabalho. Segundo ele, dos 2.539 transplantados cadastrados na associa\u00e7\u00e3o, 1.775 n\u00e3o trabalham.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>\u00c0 espera de um rim<\/strong><br>A lista para receber a doa\u00e7\u00e3o de um rim \u00e9 a maior. At\u00e9 setembro, 23.630 pessoas aguardavam pelo \u00f3rg\u00e3o no Brasil, 382 no Distrito Federal. Uma delas \u00e9 C\u00edcero Rodrigues, morador de \u00c1guas Lindas. Diagnosticado com insufici\u00eancia renal h\u00e1 seis anos, ele entrou na lista em 2016, mas teve que sair para tratar de uma infec\u00e7\u00e3o e voltou h\u00e1 tr\u00eas meses. \u201cOs m\u00e9dicos acreditam que eu tenha desenvolvido insufici\u00eancia renal porque era hipertenso e n\u00e3o tratava\u201d, conta. \u201cAtualmente, meu n\u00famero \u00e9 80. Eu tenho percebido que tem andado mais r\u00e1pido, mas n\u00e3o \u00e9 uma sequ\u00eancia linear, depende de compatibilidade e do estado da pessoa. Os mais graves t\u00eam prioridade. Quando a fila anda r\u00e1pido, nem sempre \u00e9 porque tem \u00f3rg\u00e3os chegando. \u00c0s vezes \u00e9 porque pessoas morreram na fila\u201d, lamenta. C\u00edcero disse que seu irm\u00e3o se ofereceu para doar um rim, mas n\u00e3o houve compatibilidade. De acordo com a legisla\u00e7\u00e3o, a doa\u00e7\u00e3o em vida, de um dos rins ou parte do f\u00edgado, pode ocorrer entre pessoas at\u00e9 o quarto grau de parentesco ou casais com a rela\u00e7\u00e3o registrada. No caso de amigos, a doa\u00e7\u00e3o requer autoriza\u00e7\u00e3o judicial.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><br>Afinal, at\u00e9 quantos se beneficiam?\u00a0<br>Com a morte cerebral do apresentador Gugu Liberato, em decorr\u00eancia de uma queda nos Estados Unidos, e a autoriza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia para a doa\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os do apresentador, o tema virou assunto nacional na semana passada.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O Hospital Orlando Health Medical Center divulgou que at\u00e9 50 pessoas seriam beneficiadas. O professor titular de cirurgia tor\u00e1cica do Instituto do Cora\u00e7\u00e3o e presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Transplante de \u00d3rg\u00e3os (ABTO), Paulo P\u00eago, esclarece, por\u00e9m, que o n\u00famero divulgado n\u00e3o representa a realidade no Brasil e em v\u00e1rios pa\u00edses. Segundo ele, quando uma fam\u00edlia aceita doar todos os \u00f3rg\u00e3os que podem ser aproveitados, at\u00e9 oito pessoas se beneficiam e, em alguns casos espec\u00edficos, 14.<\/p>\n\n\n\n<p><br>\u201cS\u00e3o duas c\u00f3rneas, dois rins, dois pulm\u00f5es, o cora\u00e7\u00e3o, e o p\u00e2ncreas. Em um caso muito bem-sucedido, oito pessoas podem ser beneficiadas\u201d, explica. \u201c\u00c9 poss\u00edvel alcan\u00e7ar outras pessoas, aproveitando pele e ossos, mas, peles geralmente s\u00e3o usadas para casos de queimaduras em \u00e1reas extensas, portanto, n\u00e3o costumam ir para muitos pacientes. Restam os ossos, que podem ser aproveitados, em casos de traumas, mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o frequente, nem t\u00e3o amplo\u201d, disse, ao ressaltar que n\u00e3o conhece as t\u00e9cnicas do hospital americano.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Doa\u00e7\u00f5es efetivas<\/strong><br>At\u00e9 setembro deste ano, foram notificados 8.469 poss\u00edveis doadores, dos quais 2.775 foram efetivos. No Brasil, s\u00f3 podem ser notificados como poss\u00edveis doadores pacientes que tiveram morte cerebral, de acordo com a Lei n\u00ba 9.434, de fevereiro de 1997, que regulamenta os transplantes. Do total de notifica\u00e7\u00f5es, em 1.981 casos, a fam\u00edlia se recusou a doar. Este \u00e9 o caso de cerca de 40% das fam\u00edlias abordadas, em m\u00e9dia, segundo a ABTO. Outras raz\u00f5es para a doa\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser efetivada s\u00e3o contraindica\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas captadas por exames no paciente doador, quando n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel manter a atividade card\u00edaca do doador de forma mec\u00e2nica a tempo de captar o \u00f3rg\u00e3o ou mesmo quando o protocolo de morte encef\u00e1lica \u00e9 aberto, no momento da notifica\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 confirmado ao final do processo.<\/p>\n\n\n\n<p><br>No Brasil, a legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 superconservadora. Faz-se o diagn\u00f3stico cl\u00ednico indicando morte cerebral, depois um dopler de car\u00f3tida ou um eletroencefalograma, para comprovar. E um terceiro exame cl\u00ednico. Portanto, \u00e9 um processo longo, que pode demorar at\u00e9 24 horas. Mas \u00e9 importante para manter a confian\u00e7a no sistema, condi\u00e7\u00e3o para aumentar as doa\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o muito necess\u00e1rias\u201d, explica P\u00eago.<\/p>\n\n\n\n<p>Di\u00e1rio de Pernambuco<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cerca de 96% dos transplantes de \u00f3rg\u00e3os s\u00e3o feitos pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), de acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. At\u00e9 setembro deste ano, foram 6.719 transplantes de \u00f3rg\u00e3os s\u00f3lidos, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Transplantes de \u00d3rg\u00e3os (ABTO). 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