{"id":2434,"date":"2019-03-25T17:39:23","date_gmt":"2019-03-25T20:39:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=2434"},"modified":"2019-03-25T17:39:27","modified_gmt":"2019-03-25T20:39:27","slug":"brasil-so-perde-para-cuba-na-lista-de-paises-da-america-latina-que-mais-pagam-impostos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/03\/25\/brasil-so-perde-para-cuba-na-lista-de-paises-da-america-latina-que-mais-pagam-impostos\/","title":{"rendered":"Brasil s\u00f3 perde para Cuba na lista de pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina que mais pagam impostos"},"content":{"rendered":"\n<p>O Brasil tem a segunda maior carga tribut\u00e1ria da Am\u00e9rica Latina. O pa\u00eds s\u00f3 perde para Cuba.<\/p>\n\n\n\n<p>A carga tribut\u00e1ria brasileira chegou a 32,4% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2017, segundo dados da Receita Federal. Na compara\u00e7\u00e3o com 2016, a carga teve uma leve alta de aproximadamente 0,2 ponto percentual, puxada, principalmente, pelo aumento dos impostos sobre combust\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Cuba, pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina onde os cidad\u00e3os mais pagam impostos em compara\u00e7\u00e3o ao PIB, esse percentual atingiu 41,7% em 2016, de acordo com o ranking da OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico).<\/p>\n\n\n\n<p>Em Davos, durante sua primeira viagem internacional como presidente, Jair Bolsonaro repetiu uma promessa de campanha: reduzir e simplificar a carga tribut\u00e1ria brasileira. Logo nos primeiros dias do governo Bolsonaro chegou a anunciar aumento da al\u00edquota do IOF (Imposto sobre Opera\u00e7\u00f5es Financeiras) a uma fra\u00e7\u00e3o m\u00ednima \u2013 o presidente, contudo, foi desmentido por integrantes de sua equipe, que disseram Bolsonaro se equivocou.<\/p>\n\n\n\n<p>A elevada carga tribut\u00e1ria brasileira sempre foi vista como um problema.<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas dizem que uma redu\u00e7\u00e3o ajudaria, por exemplo, a melhorar o ambiente de neg\u00f3cios, restaurar a produtividade e ampliar o potencial de crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas se paga muito ou pouco imposto na Am\u00e9rica Latina?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Carga tribut\u00e1ria na Am\u00e9rica Latina<\/h2>\n\n\n\n<p>(% do PIB)<\/p>\n\n\n\n<table class=\"wp-block-table\"><thead><tr><th>Lugar<\/th><th>Pa\u00eds<\/th><th>Impostos<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td>1<\/td><td>Cuba<\/td><td>41,7<\/td><\/tr><tr><td>2<\/td><td>Brasil<\/td><td>32,2<\/td><\/tr><tr><td>3<\/td><td>Argentina<\/td><td>31,3<\/td><\/tr><tr><td>4<\/td><td>Uruguai<\/td><td>27,9<\/td><\/tr><tr><td>5<\/td><td>Bol\u00edvia<\/td><td>26<\/td><\/tr><tr><td>6<\/td><td>Nicar\u00e1gua<\/td><td>22,6<\/td><\/tr><tr><td>7<\/td><td>Costa Rica<\/td><td>22,2<\/td><\/tr><tr><td>8<\/td><td>Honduras<\/td><td>21,4<\/td><\/tr><tr><td>9<\/td><td>Equador<\/td><td>20,5<\/td><\/tr><tr><td>10<\/td><td>Chile<\/td><td>20,4<\/td><\/tr><tr><td>11<\/td><td>Col\u00f4mbia<\/td><td>19,8<\/td><\/tr><tr><td>12<\/td><td>El Salvador<\/td><td>17,9<\/td><\/tr><tr><td>13<\/td><td>Paraguai<\/td><td>17,5<\/td><\/tr><tr><td>14<\/td><td>M\u00e9xico<\/td><td>17,2<\/td><\/tr><tr><td>15<\/td><td>Panam\u00e1<\/td><td>16,6<\/td><\/tr><tr><td>16<\/td><td>Peru<\/td><td>16,1<\/td><\/tr><tr><td>17<\/td><td>Venezuela<\/td><td>14,4<\/td><\/tr><tr><td>18<\/td><td>Rep\u00fablica Dominicana<\/td><td>13,7<\/td><\/tr><tr><td>19<\/td><td>Guatemala<\/td><td>12,6<\/td><\/tr><tr><td>20<\/td><td>Haiti<\/td><td>sem info<\/td><\/tr><\/tbody><\/table>\n\n\n\n<p>Fonte: OCDE (2016, \u00faltimos dados dispon\u00edveis)<\/p>\n\n\n\n<p>A carga m\u00e9dia dos pa\u00edses da OCDE, o grupo que re\u00fane os pa\u00edses mas ricos do mundo, foi de 34,3% do PIB em 2016. O valor est\u00e1 acima dos 32,2% contabilizados no Brasil naquele ano. Mas a m\u00e9dia dos pa\u00edses latino-americanos e caribenhos \u00e9 de 23%, o que p\u00f5e o Brasil no segundo lugar do ranking regional.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pa\u00edses onde se pagam menos impostos na Am\u00e9rica Latina s\u00e3o: Guatemala (12,6% do PIB), Rep\u00fablica Dominicana (13,7%) e Peru (16,1%), de acordo com os dados de 2016, os \u00faltimos disponibilizados pela OCDE.<\/p>\n\n\n\n<p>No outro extremo, est\u00e3o Cuba (41,7% do PIB), Brasil (32,2%) e Argentina (31,3%)<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas consideram Cuba uma exce\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o pa\u00eds vive h\u00e1 d\u00e9cadas sob o embargo comercial imposto pelos Estados Unidos e somente nos \u00faltimos dez anos come\u00e7ou intensificar a abertura de sua economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Brasil, Argentina e Uruguai, por sua vez, compartilham caracter\u00edsticas comuns em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 carga tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/395B\/production\/_106038641_gettyimages-964437998.jpg\" alt=\"Mulher caminhando\"\/><figcaption>Image captionA elevada carga tribut\u00e1ria brasileira sempre foi vista como um problema<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Os tr\u00eas t\u00eam altas al\u00edquotas de impostos, tanto o imposto de renda de pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas quanto os impostos sobre bens e servi\u00e7os&#8221;, diz Santiago Diaz de Sarralde, diretor de Estudos e Pesquisas do Centro Interamericano de Administra\u00e7\u00f5es Tribut\u00e1rias (Ciat), com sede no Panam\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Sarralde diz que a elevada carga tribut\u00e1ria permitiu que os tr\u00eas pa\u00edses bancassem mais gastos sociais. &#8220;Mas os efeitos de uma alta carga tribut\u00e1ria s\u00e3o muito variados de acordo com cada pa\u00eds&#8221;, diz ele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;H\u00e1 pa\u00edses mais desenvolvidos que funcionam melhor com impostos mais altos, ou com elevada press\u00e3o fiscal. Outros funcionam com taxas menores&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a OCDE, a Isl\u00e2ndia, Dinamarca, Fran\u00e7a, B\u00e9lgica, Su\u00e9cia e Finl\u00e2ndia est\u00e3o entre os pa\u00edses onde mais se pagam imposto. S\u00e3o tamb\u00e9m lugares conhecidos por oferecer a seus cidad\u00e3os fortes redes de prote\u00e7\u00e3o social e, na avalia\u00e7\u00e3o de Santiago Diaz de Sarralde. Ele diz ainda que essas s\u00e3o economias consideradas bastante competitivas.<\/p>\n\n\n\n<p>O especialista afirma que \u00e9 preciso avaliar n\u00e3o apenas a arrecada\u00e7\u00e3o, mas o tipo de imposto e como esses pa\u00edses gastam e lidam com o d\u00e9ficit p\u00fablico. &#8220;Afinal, s\u00e3o diferentes modelos de sociedade&#8221;, observa Sarralde.<\/p>\n\n\n\n<p>As estat\u00edsticas de 2016 indicaram uma queda da carga tribut\u00e1ria em 0,3 ponto em compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior na Am\u00e9rica Latina. Mas a s\u00e9rie hist\u00f3rica mostra uma tend\u00eancia de crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, a carga tribut\u00e1ria aumentou na regi\u00e3o&#8221;, afirma Sarralde.<\/p>\n\n\n\n<p>Se em 2016, a regi\u00e3o arrecadou, em m\u00e9dia, o equivalente a 23% do PIB em impostos, nos anos 1990 esse montante era 16 pontos percentuais mais baixo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/877B\/production\/_106038643_gettyimages-924202176.jpg\" alt=\"Mulher caminhando na Guatemala\"\/><figcaption>Image captionOs cidad\u00e3os da Guatemala s\u00e3o os que menos pagam impostos na Am\u00e9rica Latina<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desafios tribut\u00e1rios<\/h2>\n\n\n\n<p>Na Am\u00e9rica Latina h\u00e1 uma grande disparidade da carga tribut\u00e1ria. H\u00e1 pa\u00edses em que se pagam mais de 30% do PIB, e lugares onde o valor total equivale a 12%.<\/p>\n\n\n\n<p>A carga tribut\u00e1ria varia de acordo com o n\u00edvel de renda do pa\u00eds. Alberto Barreix, economista-chefe de gest\u00e3o fiscal do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) lembra que o outro lado da moeda s\u00e3o os gastos do governo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/123BB\/production\/_106038647_gettyimages-509558516.jpg\" alt=\"cofrinho ao lado de notas\"\/><figcaption>Image captionEspecialistas avaliam que h\u00e1 espa\u00e7o para cobrar mais impostos na Am\u00e9rica Latina<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;As despesas cresceram muito mais e \u00e9 por isso que temos situa\u00e7\u00f5es fiscais complexas&#8221;, disse Barreix, \u00e0 BBC News Mundo, o servi\u00e7o de not\u00edcias em espanhol da BBC. &#8220;H\u00e1 muitos pa\u00edses onde h\u00e1 espa\u00e7o fiscal para aumentar os impostos. Em alguns, o IVA (imposto sobre valor agregado) e, na maioria dos pa\u00edses, \u00e9 o imposto de renda.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos maiores desafios \u00e9, segundo Barreix, reduzir a evas\u00e3o e a sonega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E a tend\u00eancia regional \u00e9 aumentar, aos poucos, os impostos \u00e0 medida que a renda dos pa\u00edses aumenta. Barreix, no entanto, adverte: &#8220;o problema com o imposto de renda pessoal \u00e9 que, se eu tiver taxas muito altas, vou contra a poupan\u00e7a&#8221;. &#8220;\u00c9 por isso que h\u00e1 espa\u00e7o para aumentar os impostos, mas voc\u00ea precisa fazer isso com cuidado.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte:BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil tem a segunda maior carga tribut\u00e1ria da Am\u00e9rica Latina. O pa\u00eds s\u00f3 perde para Cuba. A carga tribut\u00e1ria brasileira chegou a 32,4% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2017, segundo dados da Receita Federal. 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