{"id":24226,"date":"2019-12-10T13:52:00","date_gmt":"2019-12-10T16:52:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=24226"},"modified":"2019-12-10T13:52:01","modified_gmt":"2019-12-10T16:52:01","slug":"oportunidades-para-o-brasil-no-setor-de-transporte-maritimo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/12\/10\/oportunidades-para-o-brasil-no-setor-de-transporte-maritimo\/","title":{"rendered":"Oportunidades para o Brasil no setor de transporte mar\u00edtimo"},"content":{"rendered":"\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima Internacional (IMO, da sigla em ingl\u00eas), em Londres, tem uma nova rodada de discuss\u00f5es de medidas concretas para a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa (GEE) no transporte mar\u00edtimo. Essas discuss\u00f5es ocorrem no \u00e2mbito do compromisso firmado em abril de 2018 pela ind\u00fastria mar\u00edtima internacional, que comprometeu-se a reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa pela metade em 2050, em compara\u00e7\u00e3o com os n\u00edveis de 2008. Esse compromisso \u2013 chamado de Estrat\u00e9gia Inicial \u2013 prev\u00ea a defini\u00e7\u00e3o pelos pa\u00edses-membro da IMO de medidas a serem adotadas para a descarboniza\u00e7\u00e3o do transporte mar\u00edtimo. Hoje, o setor \u00e9 respons\u00e1vel por cerca de 3% das emiss\u00f5es globais de GEE &#8211; o que equivale a mais do que o total de emiss\u00f5es de alguns pa\u00edses desenvolvidos, como a Alemanha, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o mais imediata, no entanto, est\u00e1 voltada para o cumprimento das metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de enxofre, j\u00e1 a partir de 1o de janeiro de 2020. Isso porque, de acordo com outro compromisso assumido pelos membros da IMO (IMO 2020), os navios ser\u00e3o obrigados a reduzir suas emiss\u00f5es de enxofre em mais de 80%. Nesse cen\u00e1rio, o tipo de petr\u00f3leo bruto que o Brasil produz, com baixo teor de enxofre, tende a ser valorizado no mercado internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ser apontado como uma poss\u00edvel alternativa para a redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de enxofre no curto e m\u00e9dio prazos, o uso do GNL na navega\u00e7\u00e3o mar\u00edtima n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com o atingimento das metas de descarboniza\u00e7\u00e3o estabelecidas na Estrat\u00e9gia Inicial da IMO. O GNL fornece redu\u00e7\u00f5es limitadas de gases do efeito estufa, ap\u00f3s contabilizar emiss\u00f5es de metano no seu processo de produ\u00e7\u00e3o. Ou seja, as emiss\u00f5es de metano na cadeia de produ\u00e7\u00e3o de GNL &#8211; e no pr\u00f3prio motor &#8211; s\u00e3o altas e neutralizam os ganhos potenciais na redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de CO2 pela troca para GNL.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/revive.portosenavios.com.br\/www\/delivery\/lg.php?bannerid=334&amp;campaignid=244&amp;zoneid=110&amp;loc=https%3A%2F%2Fwww.portosenavios.com.br%2Fartigos%2Fartigos-de-opiniao%2Foportunidades-para-o-brasil-no-setor-de-transporte-maritimo&amp;referer=https%3A%2F%2Fwww.portosenavios.com.br%2F&amp;cb=4b7e58cd99\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>O aspecto econ\u00f4mico \u00e9 igualmente relevante. A convers\u00e3o de motores de navios existentes para GNL exigiria investimentos significativos. Um estudo da Oxford Institute for Energy Studies divulgado no in\u00edcio de 2019 estima esses custos entre 6 e 22 milh\u00f5es de d\u00f3lares, a depender do tamanho do navio. Para novos navios, o argumento \u00e9 semelhante: embarca\u00e7\u00f5es costumam ter longa dura\u00e7\u00e3o &#8211; cerca de 25 anos, \u00e0s vezes mais, o que as torna investimentos de longo prazo. Em um contexto de evolu\u00e7\u00e3o de tecnologias de motores e combust\u00edveis limpos, aliado \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es cada vez mais arrojadas pela IMO, o GNL pode ter vida curta como combust\u00edvel de transi\u00e7\u00e3o para redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de transporte mar\u00edtimo. Assim, pode n\u00e3o fazer sentido econ\u00f4mico investir em novos navios a GNL, principalmente para navega\u00e7\u00e3o internacional, de longo percurso.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, descarbonizar o setor de transporte mar\u00edtimo n\u00e3o ser\u00e1 uma tarefa f\u00e1cil. O transporte mar\u00edtimo \u00e9 a base do com\u00e9rcio internacional, e mais de 80% do transporte de mercadorias \u00e9 feito por navios. Eventuais mudan\u00e7as no setor podem ter impacto no com\u00e9rcio global, afetando o equil\u00edbrio entre os pa\u00edses. H\u00e1 ainda desafios de ordem tecnol\u00f3gica, que envolvem o desenvolvimento de novas tecnologias de propuls\u00e3o e de novos designs, al\u00e9m da pesquisa de novos combust\u00edveis limpos que sejam adequados \u00e0 navega\u00e7\u00e3o e que possam ser viabilizados comercialmente, em escala global.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, estudos e experi\u00eancias recentes trazem grande otimismo \u00e0 ind\u00fastria frente aos desafios da redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es GEE em navios. Uma dessas iniciativas foi o lan\u00e7amento, em setembro desse ano, durante a semana do Clima de Nova Iorque, de uma alian\u00e7a entre empresas do setor mar\u00edtimo, de energia e financeiro, com o apoio de governos e organiza\u00e7\u00f5es internacionais \u2013 a Getting to Zero Coalition. A coaliz\u00e3o anunciou o compromisso volunt\u00e1rio de colocar em opera\u00e7\u00e3o at\u00e9 2030 embarca\u00e7\u00f5es de longo percurso com emiss\u00e3o zero, abastecidas por combust\u00edveis alternativos limpos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outra frente, um estudo lan\u00e7ado recentemente pela empresa de navega\u00e7\u00e3o Maersk mostrou que, com base nas proje\u00e7\u00f5es de mercado, as alternativas mais bem posicionadas para a pesquisa e desenvolvimento de novos combust\u00edveis para o setor mar\u00edtimo s\u00e3o o \u00e1lcool, biometano e am\u00f4nia. Segundo o estudo, essas tr\u00eas rotas de combust\u00edvel s\u00e3o as mais promissoras, apresentando proje\u00e7\u00f5es de custos relativamente semelhantes, mas diferentes desafios e oportunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados divulgados do estudo sinalizam uma \u00f3tima not\u00edcia para o Brasil. Em fun\u00e7\u00e3o de nossa experi\u00eancia com biocombust\u00edveis \u2014 e tamb\u00e9m da nossa matriz renov\u00e1vel \u2014, o Brasil tem o potencial de prover solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas sustent\u00e1veis para a descarboniza\u00e7\u00e3o do setor de transporte mar\u00edtimo. Dois dos principais setores de produtos agr\u00edcolas podem se beneficiar da atual tend\u00eancia global em dire\u00e7\u00e3o a padr\u00f5es mais limpos de transporte mar\u00edtimo: biodiesel, produzido principalmente a partir de soja, e etanol, produzido principalmente a partir da cana-de-a\u00e7\u00facar. Para que contribuam de maneira para a descarboniza\u00e7\u00e3o do setor, no entanto, essa produ\u00e7\u00e3o deve ser sustent\u00e1vel. Essas poss\u00edveis vantagens comparativas do Brasil na produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis com zero emiss\u00f5es para a navega\u00e7\u00e3o s\u00e3o objeto de an\u00e1lise de um estudo comissionado pelo Instituto Clima e Sociedade junto ao Instituto de Pesquisa em Engenharia da UFRJ (Coppe).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Ag\u00eancia Internacional de Energia &#8211; IEA, o mercado de combust\u00edveis para navega\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 de 300 milh\u00f5es de toneladas m\u00e9tricas por ano, 100% em combust\u00edveis f\u00f3sseis \u2014 ou 5% da demanda global de petr\u00f3leo. Isso representa um valor de mais de 150 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano. Esse mercado est\u00e1 prestes a ter um padr\u00e3o de combust\u00edvel muito mais limpo j\u00e1 partir do pr\u00f3ximo ano, devido aos limites adotados pela IMO para as emiss\u00f5es de enxofre. Diante das metas de descarboniza\u00e7\u00e3o acordadas em 2018, novas possibilidades de substitui\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis para transporte mar\u00edtimo dever\u00e3o surgir. Para viabilizar o alcance dessa meta at\u00e9 2050 ou antes, \u00e9 importante que as metas de curto prazo para descarboniza\u00e7\u00e3o do setor mar\u00edtimo sejam ambiciosas o suficiente para incentivar as pesquisa e acelerar o desenvolvimento de novos combust\u00edveis mar\u00edtimos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma coisa \u00e9 certa: os navios e os combust\u00edveis v\u00e3o mudar muito ao longo dos pr\u00f3ximos anos. A ind\u00fastria de navega\u00e7\u00e3o e o setor de transporte mar\u00edtimo em todo o mundo ter\u00e1 que se adaptar, e os agentes do setor j\u00e1 come\u00e7am a pensar quais combust\u00edveis s\u00e3o adequados para descarbonizar. Resta saber como o Brasil ir\u00e1 aproveitar essas oportunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Portos e Navios<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima Internacional (IMO, da sigla em ingl\u00eas), em Londres, tem uma nova rodada de discuss\u00f5es de medidas concretas para a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa (GEE) no transporte mar\u00edtimo. 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