{"id":24144,"date":"2019-12-09T12:31:39","date_gmt":"2019-12-09T15:31:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=24144"},"modified":"2019-12-09T12:31:40","modified_gmt":"2019-12-09T15:31:40","slug":"fotos-de-vazamento-de-oleo-sao-expostas-na-cop-25","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/12\/09\/fotos-de-vazamento-de-oleo-sao-expostas-na-cop-25\/","title":{"rendered":"Fotos de vazamento de \u00f3leo s\u00e3o expostas na COP-25"},"content":{"rendered":"\n<p>Em outubro, durante o maior vazamento de \u00f3leo da hist\u00f3ria do Brasil, uma foto correu o mundo pelo impacto que gerou. O registro, feito pelo fot\u00f3grafo pernambucano L\u00e9o Malafaia, trazia Everton Miguel dos Anjos, de apenas 13 anos de idade, saindo do mar coberto de \u00f3leo. O menino queria ajudar a m\u00e3e, que trabalhava em um quiosque na beira da praia de Itapuama, no Cabo de Santo Agostinho.<\/p>\n\n\n\n<p>A foto que retrata Everton e outras duas fotos de L\u00e9o foram levadas pela Arayara,&nbsp;<a href=\"https:\/\/350.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">350.org<\/a>&nbsp;e COESUS para uma exposi\u00e7\u00e3o que as entidades promovem na Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas de 2019 (COP-25), que acontece em Madri (Espanha). A exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 chamada de #MarSemPetr\u00f3leo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os objetivos da exposi\u00e7\u00e3o s\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Chamar aten\u00e7\u00e3o de representantes de governo, ONGs e organiza\u00e7\u00f5es multilaterais para um dos maiores desastres ambientais da hist\u00f3ria recente do Brasil;<\/li><li>Reconhecer o esfor\u00e7o de prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente por ativistas e moradores das \u00e1reas afetadas;<\/li><li>Estimular o debate sobre a necessidade de o Brasil e de todos os pa\u00edses do mundo frearem a produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis e intensificarem urgentemente a transi\u00e7\u00e3o rumo a uma economia baseada em energias limpas e socialmente justas.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 aberta a todos os interessados que tenham acesso \u00e0 Zona Azul da COP25.<\/p>\n\n\n\n<p>Confira, a seguir, um bate-papo com Malafaia sobre o vazamento e suas impress\u00f5es do desastre.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como foi o teu primeiro contato com as praias sujas pelo \u00f3leo? E quais praias fotografaste?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Estava a servi\u00e7o da Folha de Pernambuco. O primeiro contato foi o mais intenso, primeiro pelo volume de \u00f3leo que chegou nas praias, e, segundo, pela presen\u00e7a massiva de volunt\u00e1rios trabalhando. Isso aconteceu no dia 21 de outubro, nas praias do Paiva, Itapuama e Pedra do Xar\u00e9u. Retornei para essas mesmas praias no dia 22, para acompanhar a chegada da Marinha e do Ex\u00e9rcito. Esperava-se uma quantidade razo\u00e1vel de agentes, por\u00e9m, encontramos 60 homens, o equivalente a 1,2% do efetivo disponibilizado pelo presidente em exerc\u00edcio, Hamilton Mour\u00e3o, que era de 5.000. No dia 23, o \u00f3leo chegou na Praia do Janga, em Paulista\/PE. Foi quando percebi os sintomas relatados por tantos outros volunt\u00e1rios: dor de cabe\u00e7a, tontura e n\u00e1useas. Fiquei pouco tempo no Janga, mas a situa\u00e7\u00e3o era muito semelhante a que encontrei no litoral sul. Al\u00e9m de Pernambuco, fotografei as praias de Maragogi e Japaratinga, no estado de Alagoas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Falaste que as praias pareciam um cen\u00e1rio de guerra. O que viste por l\u00e1? Tinha poder p\u00fablico, ONGs, volunt\u00e1rios, imprensa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Era muito similar ao que assistimos em filmes, e, em cenas de guerra. Havia uma presen\u00e7a do estado, mas esta era \u00ednfima e desencontrada. Isso porque n\u00e3o havia um protocolo a ser seguido. Da mesma forma, n\u00e3o havia informa\u00e7\u00f5es suficientes e equipamentos de prote\u00e7\u00e3o adequados. O que vi foi um n\u00famero muito grande de volunt\u00e1rios, moradores locais e de ONGs atuando onde o poder p\u00fablico deveria atuar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que as pessoas que estavam l\u00e1 ajudando a limpar as praias relatavam?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De modo geral, o sentimento era de revolta. As pessoas n\u00e3o estavam com medo da contamina\u00e7\u00e3o e, acredito, naquele momento, n\u00e3o se pensava muito nisso. O desejo maior era o de limpar, ao menos, superficialmente o local onde muitos de n\u00f3s, pernambucanos, crescemos. \u00c9 a nossa hist\u00f3ria manchada de \u00f3leo e fomos n\u00f3s, pernambucanos e nordestinos, que nos arriscamos e tentamos limpar sujeira do mar, no bra\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual a situa\u00e7\u00e3o, hoje, nos locais afetados pelo vazamento de \u00f3leo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 \u00e9poca do incidente, e n\u00e3o por acaso, o governo federal correu para anunciar que o litoral estava seguro. E de fato, por um tempo, as declara\u00e7\u00f5es surtiram efeito. Mas diferente de alguns meses atr\u00e1s, o que acompanho hoje \u00e9 a crescente preocupa\u00e7\u00e3o com a contamina\u00e7\u00e3o das praias e do pescado. Naturalmente, o consumo de frutos do mar caiu e j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel, tamb\u00e9m, sentir uma queda no turismo. Em novembro, amostras de peixes apresentaram n\u00edveis de contamina\u00e7\u00e3o por \u00f3leo. Resta, infelizmente, esperar para ver o que o futuro nos reserva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual a foto tua que mais acreditas que mostre o que de fato aconteceu?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A foto de Everton, sem d\u00favida, sintetiza bem o drama social e ambiental que o nordeste enfrenta. \u00c9 o retrato do descaso, recorrente, dos governos com a nossa gente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A foto do Everton correu o mundo e virou pauta na imprensa do Brasil e do mundo. Quando fizeste aquela foto, qual a tua sensa\u00e7\u00e3o? O que pensaste ao olhar aquela cena, aquele menino saindo do mar coberto de \u00f3leo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acima de tudo, \u00e9 uma crian\u00e7a. Era o dever maior do Estado zelar por sua seguran\u00e7a e seu bem-estar. Mas n\u00e3o foi o que aconteceu. Assim como ele, havia outras tantas espalhadas pelas praias que fotografei, e, certamente, em outras praias do nordeste, lutando para salvar o seu sustento e o sustento da sua fam\u00edlia. Everton representou \u2013 para mim \u2013 volunt\u00e1rios, pescadores e moradores, numa fotografia e imagem longe da que \u2013 at\u00e9 ent\u00e3o \u2013 era romantizada pelos brasileiros nas redes sociais. Ela \u00e9, sim, um retrato cruel do que a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para o meio ambiente pode causar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Acreditas que a imprensa tenha um papel especial em casos de desastres como esse? Queria que falasse um pouco desse papel.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se a hist\u00f3ria est\u00e1 nos mostrando algo \u00e9 que casos como: os rompimentos das barragens de Brumadinho e Mariana, as queimadas na Amaz\u00f4nia e o vazamento de petr\u00f3leo na costa brasileira, n\u00e3o foram desastres naturais. Elas s\u00e3o crimes ambientais. A imprensa tem papel fundamental na exposi\u00e7\u00e3o dos casos como tal. Al\u00e9m disso, \u00e9 nosso papel pressionar os respons\u00e1veis pelo gerenciamento das crises e pela r\u00e1pida elucida\u00e7\u00e3o dos casos. As pessoas \u2013 ainda \u2013 nos cobram e aguardam respostas, devemos isso a elas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E como \u00e9 ver teu trabalho sendo exposto na COP-25 e retratando o maior vazamento de \u00f3leo do Brasil?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 imperativa e urgente uma resposta \u00e0 crise ambiental no Brasil. Toda essa como\u00e7\u00e3o em torno do meu trabalho e do trabalho de outros excelentes fot\u00f3grafos nordestinos deve culminar em a\u00e7\u00f5es concretas de lideran\u00e7as pol\u00edticas. Acredito que estas fotografias est\u00e3o carregadas com a for\u00e7a necess\u00e1ria para permitir que o esfor\u00e7o e, sobretudo, o risco assumido por tanta gente, n\u00e3o tenha sido em v\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ciclo Vivo<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em outubro, durante o maior vazamento de \u00f3leo da hist\u00f3ria do Brasil, uma foto correu o mundo pelo impacto que gerou. O registro, feito pelo fot\u00f3grafo pernambucano L\u00e9o Malafaia, trazia Everton Miguel dos Anjos, de apenas 13 anos de idade, saindo do mar coberto de \u00f3leo. 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