{"id":2357,"date":"2019-03-25T11:02:00","date_gmt":"2019-03-25T14:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=2357"},"modified":"2019-03-25T11:02:03","modified_gmt":"2019-03-25T14:02:03","slug":"barragem-radioativa-em-mg-custara-us-500-mi-em-40-anos-para-ser-desativada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/03\/25\/barragem-radioativa-em-mg-custara-us-500-mi-em-40-anos-para-ser-desativada\/","title":{"rendered":"Barragem radioativa em MG custar\u00e1 US$ 500 mi em 40 anos para ser desativada"},"content":{"rendered":"\n<p> A barragem de rejeitos de min\u00e9rio radioativo da INB (Ind\u00fastrias Nucleares do Brasil) em Caldas (MG) n\u00e3o \u00e9 utilizada desde meados dos anos 1990 e n\u00e3o tem atestado de estabilidade v\u00e1lido. A despeito do potencial dano em caso de vazamento ou rompimento da estrutura, uma solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida para dar fim \u00e0 barragem \u00e9 algo considerado invi\u00e1vel. O processo de desativa\u00e7\u00e3o deve consumir US$ 500 milh\u00f5es em investimentos (ou cerca R$ 1,9 bilh\u00e3o) e levar 40 anos de trabalho. \u00c9 o que indicam estudos da pr\u00f3pria INB para a desmontagem de toda a mina &#8211; incluindo a barragem, que \u00e9 a parte mais cara e complicada.  <\/p>\n\n\n\n<p><br>No entanto, na companhia n\u00e3o h\u00e1 prazo ou investimento previsto para este trabalho come\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p> A barragem continua parada, assustando cidades e comunidades das redondezas. Apesar de n\u00e3o possuir um atestado de estabilidade v\u00e1lido desde 2015, a INB diz que isso n\u00e3o significa que a barragem tenha algum problema e que a estrutura \u00e9 monitorada e segura.<\/p>\n\n\n\n<p> \u00c1gua escura brotando Em setembro do ano passado, um &#8220;evento n\u00e3o usual&#8221; chamou a aten\u00e7\u00e3o: \u00e1gua de colora\u00e7\u00e3o escura brotou e escorreu pela calha lateral da barragem, que serve para escorrer o excesso de \u00e1gua da superf\u00edcie e impedir que este acumule-se dentro da barragem. T\u00e9cnicos da Universidade Federal de Ouro Preto foram contratados pela estatal para verificar o problema.  <\/p>\n\n\n\n<p><br>Ap\u00f3s n\u00e3o encontrarem a origem da \u00e1gua escura -que a INB afirma nunca mais ter aparecido-, os especialistas recomendaram a troca completa da estrutura da calha, obra que a INB efetua neste momento e espera encerrar em maio. Ao estudar a barragem, os engenheiros da universidade federal chamaram a aten\u00e7\u00e3o para a falta de elementos para que pudessem assegurar que estava tudo bem com a estrutura. Ou seja, n\u00e3o garantiram sua estabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p> A INB diz que um estudo para a Inspe\u00e7\u00e3o de Seguran\u00e7a Regular est\u00e1 em curso, feita por uma consultoria contratada para este fim, e que o \u00faltimo laudo de estabilidade foi emitido em 2015. Antes disso, em 2012. De acordo com a empresa, at\u00e9 2017 o laudo devia ser entregue de tr\u00eas em tr\u00eas anos, e a partir dessa data passou a ser de obrigatoriedade anual.<\/p>\n\n\n\n<p> Plano de emerg\u00eancia ainda n\u00e3o foi implementado<\/p>\n\n\n\n<p> Em fevereiro deste ano, o MPF (Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal) em Minas Gerais cobrou a pronta implanta\u00e7\u00e3o do PAEBR (Plano de A\u00e7\u00e3o de Emerg\u00eancia para a Barragem de Rejeitos), que foi elaborado no final de 2017, quando ent\u00e3o um decreto os tornou obrigat\u00f3rios para este tipo de estrutura. A INB afirma que at\u00e9 essa data eles n\u00e3o eram obrigat\u00f3rios, e por isso nunca tinha feito um. O prazo de implanta\u00e7\u00e3o concedido no decreto era de dois anos e vai at\u00e9 o final deste semestre. <\/p>\n\n\n\n<p> A INB afirma que a implanta\u00e7\u00e3o &#8212; com sirenes, cria\u00e7\u00e3o de rotas de fuga, cadastramento das popula\u00e7\u00f5es afetadas e realiza\u00e7\u00e3o de simulados de emerg\u00eancia &#8212; ser\u00e1 conclu\u00edda dentro do prazo. Segundo a empresa, o plano de emerg\u00eancia elaborado para a barragem de Caldas n\u00e3o inclui nenhuma medida especial pelo fato dos rejeitos de min\u00e9rio serem radioativos &#8212; ur\u00e2nio foi minerado no local at\u00e9 1995, quando a mina foi fechada.<\/p>\n\n\n\n<p> &#8220;As medidas de prote\u00e7\u00e3o radiol\u00f3gica em casos de eventuais acidentes ser\u00e3o executadas pela equipe do Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o Radiol\u00f3gica da unidade&#8221;, afirma a nota da assessoria de imprensa da INB. &#8220;\u00c9 importante ressaltar que a radioatividade deste material \u00e9 baixa, pois \u00e9 a mesma do min\u00e9rio que \u00e9 retirado da natureza.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p> Combust\u00edvel nuclear para Angra 1 <\/p>\n\n\n\n<p> Enquanto a mina esteve em opera\u00e7\u00e3o, de 1982 a 1995, produzia concentrado de ur\u00e2nio para ser enriquecido e usado de combust\u00edvel na usina nuclear de Angra 1, no Rio de Janeiro, e para ser vendido a outros pa\u00edses. Quando a mina foi encerrada, n\u00e3o houve descontamina\u00e7\u00e3o das \u00e1reas exploradas nem foram seguidos padr\u00f5es internacionais que garantiriam a preserva\u00e7\u00e3o ambiental e seguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o local &#8212; um processo na Justi\u00e7a mineira sobre esse problema arrasta-se at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p> Ao todo, o local abriga 12,5 mil toneladas de rejeitos de min\u00e9rio radioativo com ur\u00e2nio, t\u00f3rio e r\u00e1dio que nunca foram tratados para poderem ser retirados do local. O volume de rejeitos \u00e9 de cerca de 10% do que havia na barragem da Vale em Brumadinho, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p> &#8220;Infelizmente, a legisla\u00e7\u00e3o brasileira era muito permissiva nesse sentido at\u00e9 o final dos anos 1990, ent\u00e3o temos um passivo ambiental muito grande de antes dessa \u00e9poca&#8221;, afirma o professor Jefferson Pican\u00e7o, do Instituto de Geoci\u00eancias da Unicamp (Universidade de Campinas). &#8220;As barragens s\u00e3o apenas um aspecto disso, mas estes esqueletos no arm\u00e1rio incluem tamb\u00e9m \u00e1reas que era utilizadas como aterros de produtos t\u00f3xicos, n\u00e3o foram descontaminadas e onde hoje vivem pessoas.&#8221; <\/p>\n\n\n\n<p> O min\u00e9rio de ur\u00e2nio emite radia\u00e7\u00e3o ionizante, que faz mal \u00e0 sa\u00fade, mas em pequena quantidade. O risco estaria na exposi\u00e7\u00e3o continuada a essa radia\u00e7\u00e3o, que \u00e9 cumulativa no corpo. A INB afirma que realiza o monitoramento da radia\u00e7\u00e3o na mina em Caldas e rios da regi\u00e3o, e tudo est\u00e1 dentro dos padr\u00f5es normais. O local \u00e9 fiscalizado pela CNEN (Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear).<\/p>\n\n\n\n<p> Algumas pesquisas mostram que em \u00e1reas onde h\u00e1 minera\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio h\u00e1 uma incid\u00eancia maior de radia\u00e7\u00e3o ionizante e, com isso, maior ocorr\u00eancia de alguns tipos de c\u00e2ncer na popula\u00e7\u00e3o local. Outros estudos indicam que os \u00edndices s\u00e3o maiores nestes locais independentemente da minera\u00e7\u00e3o, por causa da exist\u00eancia das jazidas radioativas. <\/p>\n\n\n\n<p> Mina de ur\u00e2nio na Bahia n\u00e3o tem barragem<\/p>\n\n\n\n<p> Ap\u00f3s o fechamento da mina de ur\u00e2nio em Caldas, a INB come\u00e7ou a explorar outra em Caetit\u00e9 (BA). L\u00e1, de acordo com a companhia, n\u00e3o \u00e9 utilizada uma barragem para os rejeitos de ur\u00e2nio. &#8220;A unidade possui um sistema de conten\u00e7\u00e3o e reciclagem de efluentes l\u00edquidos que s\u00e3o tratados e o material s\u00f3lido \u00e9 precipitado e retido no interior de bacias&#8221;, afirma a INB em nota.<\/p>\n\n\n\n<p> Atualmente, a mina de Caetit\u00e9 \u00e9 a \u00fanica mina de ur\u00e2nio ativa no Brasil. Est\u00e1 em processo de licenciamento ambiental a abertura de uma segunda mina, no interior do Cear\u00e1, da INB em parceria com uma empresa estrangeira.<\/p>\n\n\n\n<p> A INB \u00e9 uma empresa estatal de economia mista vinculada, desde 1\u00b0 de janeiro de 2019, ao Minist\u00e9rio de Minas e Energia. A INB atua na cadeia produtiva do ur\u00e2nio, o &#8220;ciclo do combust\u00edvel nuclear&#8221;, que inclui a minera\u00e7\u00e3o, o beneficiamento, o enriquecimento e a fabrica\u00e7\u00e3o de pastilhas e do combust\u00edvel que abastece as usinas nucleares brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p> Al\u00e9m das instala\u00e7\u00f5es em Caldas e Caetit\u00e9, a estatal possui uma f\u00e1brica em Resende (RJ), onde \u00e9 feito o enriquecimento do ur\u00e2nio.<\/p>\n\n\n\n<p>UOL<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A barragem de rejeitos de min\u00e9rio radioativo da INB (Ind\u00fastrias Nucleares do Brasil) em Caldas (MG) n\u00e3o \u00e9 utilizada desde meados dos anos 1990 e n\u00e3o tem atestado de estabilidade v\u00e1lido. 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