{"id":23220,"date":"2019-11-20T10:04:49","date_gmt":"2019-11-20T13:04:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=23220"},"modified":"2019-11-20T10:04:51","modified_gmt":"2019-11-20T13:04:51","slug":"abismo-social-separa-negros-e-brancos-no-brasil-desde-o-parto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/11\/20\/abismo-social-separa-negros-e-brancos-no-brasil-desde-o-parto\/","title":{"rendered":"Abismo social separa negros e brancos no Brasil desde o parto"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">No pa\u00eds da ascens\u00e3o da ultradireita, cujos pol\u00edticos contestam dados que escancaram a desigualdade racial, os dados retratam a maior taxa de analfabetismo, os menores sal\u00e1rios e a maioria das mortes violentas entre pretos e pardos<\/h4>\n\n\n\n<p>Cento e trinta e um anos se passaram desde a aboli\u00e7\u00e3o da\u00a0escravid\u00e3o, mas o Brasil ainda est\u00e1 longe de ser uma democracia em termos raciais. As marcas da explora\u00e7\u00e3o que durou mais de tr\u00eas s\u00e9culos e a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas de repara\u00e7\u00e3o em n\u00famero suficiente est\u00e3o refletidas nos baixos \u00edndices de bem-estar da maioria da popula\u00e7\u00e3o composta por pretos e pardos (uma fatia que corresponde a 55,8% dos brasileiros), se comparada \u00e0 m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o e aos brancos. Ainda assim, o pa\u00eds que nas \u00faltimas d\u00e9cadas viu irromper como nunca o debate sobre o racismo e suas implica\u00e7\u00f5es, agora convive com a ultradireita no poder. Integrantes do partido do presidente\u00a0Jair Bolsonaro\u00a0usam o discurso contra a repara\u00e7\u00e3o das minorias, e dos negros em especial, e a nega\u00e7\u00e3o das estat\u00edsticas e dos efeitos do preconceito como uma ruidosa bandeira pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta ter\u00e7a-feira, v\u00e9spera do Dia da Consci\u00eancia Negra, o deputado do PSL Delegado Tadeu (SP), decidiu rasgar um cartaz que mostrava a imagem de um homem negro ferido por uma bala de um policial em uma exposi\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara. Tadeu disse que a ilustra\u00e7\u00e3o ofendia os policiais \u2014as v\u00edtimas da pol\u00edcia brasileira s\u00e3o homens (99%), negros (75%), jovens (78%),\u00a0segundo a Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica\u2014. Enquanto a oposi\u00e7\u00e3o pedia que Tadeu fosse levado ao Conselho de \u00c9tica da Casa por\u00a0racismo, seu colega de partido, Daniel Silveira (PSL-RJ), subiu \u00e0 tribuna para dizer que os negros morriam mais nas m\u00e3os dos agentes porque s\u00e3o &#8220;maioria no tr\u00e1fico&#8221;.\u00a0&#8220;N\u00e3o venha atribuir \u00e0 Pol\u00edcia Militar do Rio de Janeiro as mortes porque um\u00a0<em>negrozinho<\/em>\u00a0bandidinho tem que ser perdoado.&#8221; Racismo \u00e9 crime no Brasil, inafian\u00e7\u00e1vel e imprescrit\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Abaixo, algumas das estat\u00edsticas que desconstroem a ideia de que n\u00e3o h\u00e1 custos espec\u00edficos de ser negro no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Das primeiras horas de vida \u00e0 morte violenta<\/h3>\n\n\n\n<p>O Brasil tem hoje a maioria da popula\u00e7\u00e3o (55,8%) composta por pretos e pardos, mas \u00e9 justamente esse grupo que tem a maior taxa de analfabetismo, os menores sal\u00e1rios e sofre mais com a viol\u00eancia e o desemprego. A desigualdade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o branca come\u00e7a desde o nascimento, j\u00e1 que a mortalidade entre crian\u00e7as negras e pardas brasileiras \u00e9 bastante superior \u00e0 da popula\u00e7\u00e3o branca da mesma idade. Em 2017, 50,7% das crian\u00e7as at\u00e9 5 anos que morreram por causas evit\u00e1veis eram pardas e pretas, enquanto 39,9% eram brancas, segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>A disparidade educacional no pa\u00eds tamb\u00e9m tem cor. Apesar de uma s\u00e9rie de indicadores educacionais da popula\u00e7\u00e3o preta ou parda terem melhorado gradativamente nos \u00faltimos anos, reflexo de pol\u00edticas p\u00fablicas afirmativas como o sistema de cotas, a desvantagem desta popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 branca continua evidente. Ainda que o n\u00famero de analfabetos tenha registrado uma queda entre 2016 e 2018, a taxa de analfabetismo das pessoas pretas ou pardas foi de 9,1% no Brasil, quase tr\u00eas vezes maior que a de brancos (3,9%), segundo dados do IBGE.<\/p>\n\n\n\n<p>Concluir o ensino m\u00e9dio ainda \u00e9 uma realidade distante para muitos brasileiros, mas o desafio&nbsp; \u00e9 maior para a popula\u00e7\u00e3o parda e preta. A taxa de conclus\u00e3o do ensino m\u00e9dio (propor\u00e7\u00e3o de pessoas de 20 a 22 anos que conclu\u00edram esse n\u00edvel) deste grupo era de 61,8%, enquanto a dos dos brancos era de 76,8%.<\/p>\n\n\n\n<p>O abandono escolar tamb\u00e9m reflete a disparidade entre os dois grupos. A propor\u00e7\u00e3o de pessoas pretas ou pardas de 18 a 24 anos de idade com menos de 11 anos de estudo e que n\u00e3o frequentavam escola caiu ligeiramente de 30,8% para 28,8%, por\u00e9m a propor\u00e7\u00e3o de pessoas brancas na mesma situa\u00e7\u00e3o, em 2018, era bem menor, de 17,4%.<\/p>\n\n\n\n<p>Na semana passada, o IBGE\u00a0 informou que, pela primeira vez,\u00a0os pretos ou pardos passaram a ser 50,3% dos estudantes de ensino superior da rede p\u00fablica, no entanto, como formam a maioria da popula\u00e7\u00e3o, eles continuam sub-representados. Os dados do instituto mostraram tamb\u00e9m que, entre a popula\u00e7\u00e3o preta ou parda de 18 a 24 anos que estudava, o percentual cursando ensino superior aumentou de 2016 (50,5%) para 2018 (55,6%), mas, novamente, ainda ficou abaixo do percentual de brancos da mesma faixa et\u00e1ria (78,8%).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Pretos e pardos s\u00e3o maioria na fila do desemprego<\/h3>\n\n\n\n<p>A desigualdade educacional acaba se refletindo tamb\u00e9m nas disparidades do mercado de trabalho e de rendimentos. Pretos ou pardos somavam 64,2% da popula\u00e7\u00e3o desocupada e 66,1% da popula\u00e7\u00e3o subutilizada. O rendimento m\u00e9dio mensal das pessoas brancas ocupadas foi de 2.796 reais, no ano passado, 73,9% superior ao da popula\u00e7\u00e3o preta ou parda que,em m\u00e9dia, obteve 1.608 reais.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso das mulheres negras o abismo da desigualdade \u00e9 ainda maior. No ano passado, elas receberam, em m\u00e9dia,\u00a0menos da metade dos sal\u00e1rios dos homens brancos (44,4%),\u00a0que ocupam o topo da escala de remunera\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem mesmo quando o n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o \u00e9 igual entre pretos, pardos e brancos a disparidade desaparece. Os brancos com n\u00edvel superior completo ganhavam, por hora, 45% a mais do que os pretos ou pardos com o mesma escolaridade. A desigualdade tamb\u00e9m \u00e9 enorme quando o tema \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o de cargos gerenciais, que demandam maior qualifica\u00e7\u00e3o: somente 29,9% deles foram exercidos por pessoas pretas ou pardas no ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto dois ter\u00e7os dos negros est\u00e3o entre os 10% com menores rendimentos na popula\u00e7\u00e3o, nem um ter\u00e7o deles faz parte do grupo dos 10% com maiores rendimentos. Segundo pesquisa do IBGE, a propor\u00e7\u00e3o de pretos ou pardos com rendimento inferior \u00e0s linhas de pobreza, propostas pelo Banco Mundial, foi mais que o dobro da propor\u00e7\u00e3o de brancos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Viol\u00eancia atinge mais pardos e negros<\/h3>\n\n\n\n<p>A diferen\u00e7a racial tamb\u00e9m n\u00e3o escapa das desoladoras estat\u00edsticas sobre a viol\u00eancia no Brasil. Em todos os grupos et\u00e1rios, a taxa de homic\u00eddios dos pretos ou pardos superou a dos brancos. Em 2017, uma pessoa preta ou parda tinha 2,7 vezes mais chances de ser v\u00edtima de homic\u00eddio intencional do que uma pessoa branca. A s\u00e9rie hist\u00f3rica revela ainda que, enquanto a taxa m\u00e9dia manteve-se est\u00e1vel na popula\u00e7\u00e3o branca entre 2012 e 2017, ela aumentou na popula\u00e7\u00e3o preta ou parda nesse mesmo per\u00edodo, passando de 37,2 para 43,4 homic\u00eddios por 100 mil habitantes desse grupo populacional.<\/p>\n\n\n\n<p>As diferen\u00e7as s\u00e3o ainda mais acentuadas na popula\u00e7\u00e3o jovem. A taxa de homic\u00eddios chega a 98,5 por 100 mil habitantes entre pessoas pretas ou pardas de 15 a 29 anos. Entre jovens brancos na mesma faixa et\u00e1ria, a taxa de homic\u00eddios \u00e9 de 34 por 100 mil habitantes. Os n\u00fameros ainda mostram que estudantes pretos ou pardos do 9\u00b0 ano do ensino fundamental vivenciavam mais experi\u00eancias violentas do que os brancos. Frequentar escolas situadas em \u00e1reas de risco de viol\u00eancia, ter sido agredido por algum adulto da fam\u00edlia, envolvimento em briga com uso de arma de fogo ou de arma branca \u2013 todas essas vari\u00e1veis estavam presentes mais intensamente no dia a dia de pretos ou pardos.<\/p>\n\n\n\n<p>El Pa\u00eds<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No pa\u00eds da ascens\u00e3o da ultradireita, cujos pol\u00edticos contestam dados que escancaram a desigualdade racial, os dados retratam a maior taxa de analfabetismo, os menores sal\u00e1rios e a maioria das mortes violentas entre pretos e pardos Cento e trinta e um anos se passaram desde a aboli\u00e7\u00e3o da\u00a0escravid\u00e3o, mas o Brasil ainda est\u00e1 longe de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":23221,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"advanced_seo_description":"","jetpack_seo_html_title":"","jetpack_seo_noindex":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":{"0":"post-23220","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/racismo.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23220"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23220"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23220\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23222,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23220\/revisions\/23222"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23220"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23220"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23220"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}