{"id":23207,"date":"2019-11-19T15:52:28","date_gmt":"2019-11-19T18:52:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=23207"},"modified":"2019-11-19T15:52:30","modified_gmt":"2019-11-19T18:52:30","slug":"as-cartas-das-criancas-da-mare-nao-gosto-do-helicoptero-porque-ele-atira-e-as-pessoas-morrem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/11\/19\/as-cartas-das-criancas-da-mare-nao-gosto-do-helicoptero-porque-ele-atira-e-as-pessoas-morrem\/","title":{"rendered":"As cartas das crian\u00e7as da Mar\u00e9: \u201cN\u00e3o gosto do helic\u00f3ptero porque ele atira e as pessoas morrem\u201d"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Crian\u00e7as do Complexo de Favelas da Mar\u00e9 descrevem horror da vida sob fogo cruzado em mais de 1.500 cartas enviadas para a Justi\u00e7a do Rio, que restabelece regras m\u00ednimas para opera\u00e7\u00f5es policiais no local. Seis jovens morrem nos \u00faltimos cinco dias em outras comunidades fluminenses<\/h4>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/dialog\/share?display=popup&amp;app_id=94039431626&amp;href=https%3A%2F%2Fbrasil.elpais.com%2Fbrasil%2F2019%2F08%2F14%2Fpolitica%2F1565803890_702531.html%3Fssm=FB_CC&amp;quote=As%20cartas%20das%20crian%C3%A7as%20da%20Mar%C3%A9%3A%20%E2%80%9CN%C3%A3o%20gosto%20do%20helic%C3%B3ptero%20porque%20ele%20atira%20e%20as%20pessoas%20morrem%E2%80%9D\" target=\"_blank\"><\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?url=https%3A%2F%2Fbrasil.elpais.com%2Fbrasil%2F2019%2F08%2F14%2Fpolitica%2F1565803890_702531.html%3Fssm=TW_CC&amp;text=As%20cartas%20das%20crian%C3%A7as%20da%20Mar%C3%A9%3A%20%E2%80%9CN%C3%A3o%20gosto%20do%20helic%C3%B3ptero%20porque%20ele%20atira%20e%20as%20pessoas%20morrem%E2%80%9D&amp;via=elpais_brasil&amp;lang=pt-br\" target=\"_blank\"><\/a><a href=\"mailto:?subject=As%20cartas%20das%20crian%C3%A7as%20da%20Mar%C3%A9%3A%20%E2%80%9CN%C3%A3o%20gosto%20do%20helic%C3%B3ptero%20porque%20ele%20atira%20e%20as%20pessoas%20morrem%E2%80%9D&amp;body=https%3A%2F%2Fbrasil.elpais.com%2Fbrasil%2F2019%2F08%2F14%2Fpolitica%2F1565803890_702531.html%3Fprm=enviar_email\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A favela sangra. \u201cN\u00e3o gosto do helic\u00f3ptero porque ele atira para baixo e as pessoas morrem\u201d, escreveu uma crian\u00e7a, que n\u00e3o especifica nome ou idade, para os desembargadores do Tribunal de Justi\u00e7a do\u00a0Rio de Janeiro. O colorido desenho que acompanha a mensagem mostra um helic\u00f3ptero da pol\u00edcia com agentes armados atirando em dire\u00e7\u00e3o ao solo, onde h\u00e1 um traficante mas tamb\u00e9m crian\u00e7as.\u00a0Elas correm. No desenho e na vida real. &#8220;Isso \u00e9 errado&#8221;, completou o pequeno morador do Complexo de Favelas da Mar\u00e9, um conjunto de 16 comunidades pobres da zona norte da capital onde cerca de 140.000 pessoas moram. Mais de 1.500 cartas e desenhos foram reunidos pela\u00a0ONG Redes da Mar\u00e9\u00a0e entregues \u00e0 Justi\u00e7a na \u00faltima segunda-feira junto com\u00a0a peti\u00e7\u00e3o de que fosse restabelecida uma A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica\u00a0que regula e restringe as opera\u00e7\u00f5es policiais no lugar. Aceita pela Justi\u00e7a no segundo semestre de 2017, ajudou a diminuir todos os \u00edndices de viol\u00eancia ao longo de um ano. Mas acabou suspensa em junho de 2019. Diante do apelo dos moradores, acabou revalidada nesta quarta-feira, restabelecendo par\u00e2metros m\u00ednimos para as a\u00e7\u00f5es, como a exig\u00eancia da presen\u00e7a de uma ambul\u00e2ncia e o veto a opera\u00e7\u00f5es durante o hor\u00e1rio de entrada e sa\u00edda de alunos das escolas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/JcdmJlphkOPfTZUQ5RBpDwtNF6Q=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/TZ34IRM64G5BY7VTVGUSXBBVG4.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A favela chora. Nesta mesma quarta-feira, soube-se que, nos \u00faltimos cinco dias, seis jovens entre 17 e 21 anos morreram baleados durante v\u00e1rias opera\u00e7\u00f5es policiais em comunidades do Estado do Rio. As principais suspeitas recaem sobre as for\u00e7as policiais. Rodou pelo pa\u00eds a imagem de um av\u00f4, Crist\u00f3v\u00e3o Xavier de Brito, com a camisa ensopada do sangue do neto Dyogo, de 16 anos, que morreu em seus bra\u00e7os. Ele seguia para o treino de futebol quando levou um tiro de fuzil nas costas da pol\u00edcia, segundo testemunhas. A menina Leticia, outra moradora da Mar\u00e9 que enviou uma carta \u00e0 Justi\u00e7a,\u00a0sabe o que \u00e9 perder um familiar pr\u00f3ximo. &#8220;Boa tarde, eu queria que parasse a opera\u00e7\u00e3o porque muitas fam\u00edlias ser\u00e3o mortas e, agora, estou sem quarto porque voc\u00eas destru\u00edram na opera\u00e7\u00e3o&#8221;, escreveu. &#8220;Todo mundo na minha escola chora. Meu irm\u00e3o por causa dos policiais. E eles bateram no meu primo. Ent\u00e3o, n\u00e3o quero mais ver minha fam\u00edlia morrendo quando entram. Voc\u00eas avisem, t\u00e1? Obrigada por ler minha carta. Assinado, Let\u00edcia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/gXF7OM3BFWV3aqm9L-5LBHoDigQ=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/QMAAPE3DFOY3FWFM7VE3QPZ4H4.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A favela conta seus mortos. Um\u00a0boletim semestral publicado pela Redes da Mar\u00e9\u00a0nesta semana mostra que 27 pessoas morreram apenas no primeiro semestre de 2019, 10% a mais que ao longo de todo o ano de 2018, quando 24 pessoas foram mortas. Al\u00e9m disso, 15 pessoas faleceram durante as 21 opera\u00e7\u00f5es policiais ocorridas no primeiro semestre; as outras 12 morreram durante os 10 confrontos entre fac\u00e7\u00f5es criminosas que dominam as comunidades da Mar\u00e9. &#8220;Eu tenho a dizer que as opera\u00e7\u00f5es matam muita gente e \u00e9 muito triste&#8221;, relata o menino William em sua carta\u00a0\u2014 como as demais, ela foi transcrita em estilo formal para que se fizessem compreender melhor. Ao longo de 2017, antes de a A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica entrar em vigor pela primeira vez, 42 pessoas morreram, uma a cada nove dias, e 57 ficaram feridas. Naquele ano, foram realizadas 41 opera\u00e7\u00f5es policiais, enquanto que as fac\u00e7\u00f5es criminosas entraram em confronto entre si 16 vezes. &#8220;Uma vez minha m\u00e3e saiu para ver minha av\u00f3 e deu tanto tiro que me escondi atr\u00e1s da m\u00e1quina de lavar. \u00c9 isso o que tenho a dizer&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/Udcz_IDvH14Q5WTfpvYXrITkbzc=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/FUUDYB3B4IGBOERHFLA2AVAV3I.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A favela tem medo. E vive situa\u00e7\u00f5es de verdadeiro p\u00e2nico. Ainda segundo o boletim publicado pela ONG, quatro opera\u00e7\u00f5es policiais utilizaram helic\u00f3pteros \u2014 o chamado &#8220;caveir\u00e3o voador&#8221; \u2014 como plataforma de tiro apenas no primeiro semestre de 2019. \u00c9 o mesmo n\u00famero de opera\u00e7\u00f5es de 2017 e 2018 somados. &#8220;Senhores ju\u00edzes, quando voc\u00eas mandam ter opera\u00e7\u00e3o aqui na Mar\u00e9, os policiais nem avisam. Eles entram de helic\u00f3ptero dando tiro de uma cima para baixo. Parece que n\u00e3o tem educa\u00e7\u00e3o com os moradores&#8221;, escreveu outra crian\u00e7a. Das 15 mortes ocorridas em dias de opera\u00e7\u00e3o policial neste ano, 14 ocorreram quando utilizavam a aeronave. &#8220;Quando tem opera\u00e7\u00e3o, nenhum dos moradores fica na rua porque j\u00e1 sabe que os policiais v\u00e3o mat\u00e1-los. Tamb\u00e9m pensam que n\u00f3s somos bandidos&#8221;, conclui a crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/ijPYQQ9_vCQUvpYVTnkNXomxOco=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/FMPO6J2GD463XGKLQOBOIHCMLI.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A favela est\u00e1 assustada. &#8220;As crian\u00e7as se escondem atr\u00e1s dos c\u00f4modos de casa com medo. A forma de bater em nossas resid\u00eancias j\u00e1 \u00e9 assustadora. Batem, quase derrubam a porta, fazem uma zona na casa dos moradores que est\u00e3o trabalhando&#8221;, escreve outro morador para os magistrados do Rio. Est\u00e3o submetidos a toda sorte de abusos cometidos pelas autoridades. &#8220;At\u00e9 mesmo quando n\u00f3s estamos em casa somos ref\u00e9ns desse esculacho que fazem com a gente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/M3PnbkO0beyWjY8qB8r9uPad8yA=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/MGVWSDCGWJMHOOL2SDP4NWQIBI.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A favela \u00e9 o alvo.\u00a0Wilson Witzel\u00a0deixou a toga de juiz federal no in\u00edcio ano passado para se candidatar a governador nas elei\u00e7\u00f5es gerais. Venceu prometendo abater criminosos armados &#8220;na cabecinha&#8221;, uma esp\u00e9cie de mantra que segue repetindo. Dito e feito. Desde que assumiu o posto e passou a comandar as pol\u00edcias Civil e Militar do Rio, vem colocando em pr\u00e1tica uma pol\u00edtica p\u00fablica criticada por estimular a viol\u00eancia policia, atingindo sobretudo os jovens negros que vivem nas periferias do Estado. Rotineiramente posa para fotografias ao lado de policiais portando fuzis.\u00a0Tamb\u00e9m j\u00e1 subiu em um helic\u00f3ptero da Pol\u00edcia Civil em Angra dos Reis, \u00e0s v\u00e9speras de mais uma opera\u00e7\u00e3o na Mar\u00e9, e presenciou um agente atirando em dire\u00e7\u00e3o ao solo. Witzel respalda publicamente essa pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/CNqLj0VHzF6Phx6-k1EYA39djKA=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/XKA6ZYBKY5EXRVEOIVBBTG3VDU.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A favela est\u00e1 na mira. Dados do Instituto de Seguran\u00e7a P\u00fablica, autarquia do Governo, registrou 3.048 letalidades violentas em todo o Estado de janeiro a junho de 2019. Desse total, 881 s\u00e3o mortes cometidas por agentes do Estado. Isto \u00e9, 29%. Quase um ter\u00e7o. Recordes hist\u00f3ricos s\u00e3o atingidos m\u00eas a m\u00eas e n\u00e3o contabilizam as mortes cometidas por milicianos ou policiais matadores que n\u00e3o assumem suas a\u00e7\u00f5es no boletim de ocorr\u00eancia. &#8220;O caveir\u00e3o, quando entra aqui, \u00e9 para nos matar. Ele n\u00e3o entra aqui para uma simples interven\u00e7\u00e3o. O Estado mata sonhos, mata vidas, mata o futuro de pessoas que um dia poderiam estar no lugar da senhora ju\u00edza&#8221;, escreveu outro morador.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/NLIvChC8kwM_rI2L9J0mAudc1_k=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/SYLGSB2UMD43S4UJ5CNLJHA4QE.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A favela fica sem escola e sem sa\u00fade. O boletim da Redes da Mar\u00e9 tamb\u00e9m informa que, ao longo do primeiro semestre deste ano,\u00a0as escolas e os postos de sa\u00fade tiveram 10 dias de atividades suspensas\u00a0por causa de tiroteios. A cifra \u00e9 a mesma que ao longo de todo 2018. J\u00e1 em 2017, antes da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica, as crian\u00e7as ficaram sem aula durante 35 dias e os postos de sa\u00fade somaram 45 dias fechados. Naquele ano, 41 opera\u00e7\u00f5es policiais foram realizadas. &#8220;Um dia eu estava na escola, no p\u00e1tio, fazendo educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica. A\u00ed de repente o helic\u00f3ptero passou dando tiro para baixo e todo mundo correu para o canto da arquibancada&#8221;, escreveu outra crian\u00e7a. &#8220;Quando passou o tiro a gente correu para dentro da escola at\u00e9 minha m\u00e3e me buscar. Quando d\u00e1 mais tiro eu fico em casa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/FsOZggkvR3p4pnwbHZkQ_lrWYz0=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/XF7U7DWWGFRDNTON6KFCRK36XY.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Mas a favela quer brincar. &#8220;O ruim das opera\u00e7\u00f5es nas favelas \u00e9 porque n\u00e3o d\u00e1 para brincar muito&#8221;, escreveu outro jovem morador. &#8220;Tem muita viol\u00eancia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/Ze9XdHJfbiBam3CRrgLWCU0pZ-4=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/75DXGNAH47AJZCWHJAVHKHVZXA.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A favela quer respeito e liberdade. &#8220;Conseguir ir para a escola, para o curso, ter a liberdade de sair com meus pais ou amigos&#8230; Bom, \u00e9 isso. Que voc\u00eas possam respeitar as pessoas. At\u00e9 porque muitas morrem de bala perdida&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/wzNOy7JHVLZeOobtuPK9ZB4eSuI=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/ZSZMM4LKINVRY4XV3G3EKVEM5E.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A favela quer direitos. &#8220;Acho que se voc\u00ea visse os sorrisos que eu vejo, ouvisse as hist\u00f3rias que eu ou\u00e7o, voc\u00eas decidiriam diferente. E n\u00e3o pensem que isto \u00e9 uma caridade. N\u00e3o chega nem perto disso&#8221;, escreve outro jovem an\u00f4nimo. Termina fazendo um convite para os magistrados. &#8220;A garantia de direitos na Mar\u00e9 \u00e9 a garantia da cidade. Somos a cidade. Por favor, venha. Aceite o convite e venha conhecer o que me faz vibrar todos os dias!!!&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A favela quer paz.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/0YL_itCbfSqKIWezXQqhQ82K6sE=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/BFPZWHYRZA2Z46LZUV2ZUJQY44.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>El Pais<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crian\u00e7as do Complexo de Favelas da Mar\u00e9 descrevem horror da vida sob fogo cruzado em mais de 1.500 cartas enviadas para a Justi\u00e7a do Rio, que restabelece regras m\u00ednimas para opera\u00e7\u00f5es policiais no local. 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