{"id":22625,"date":"2019-11-04T16:49:48","date_gmt":"2019-11-04T19:49:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=22625"},"modified":"2019-11-04T16:49:50","modified_gmt":"2019-11-04T19:49:50","slug":"brasil-nunca-enfrentou-vazamento-de-oleo-como-o-atual-dizem-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/11\/04\/brasil-nunca-enfrentou-vazamento-de-oleo-como-o-atual-dizem-especialistas\/","title":{"rendered":"Brasil nunca enfrentou vazamento de \u00f3leo como o atual, dizem especialistas"},"content":{"rendered":"\n<p>Mais de dois meses ap\u00f3s as primeiras manchas de \u00f3leo terem sido encontradas nas praias do Nordeste, ainda s\u00e3o muitas as d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o ao vazamento que amea\u00e7a os ecossistemas litor\u00e2neos da regi\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que o Brasil se depara com uma situa\u00e7\u00e3o desse tipo, mas uma coisa \u00e9 certa: o pa\u00eds nunca esteve diante de um desastre como o atual.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 hoje, o acidente na refinaria Presidente Get\u00falio Vargas (Repar), no Paran\u00e1, em 2000, \u00e9 considerado o maior vazamento de petr\u00f3leo em territ\u00f3rio brasileiro. Foram despejados em solo cerca de 4 milh\u00f5es de litros. O acidente aconteceu quando o \u00f3leo cru era transferido do terminal mar\u00edtimo da Petrobras em S\u00e3o Francisco do Sul (SC) para a Repar. Os danos foram gigantescos. A superf\u00edcie contaminada foi de 17,70 hectares. E dois rios \u2014 o Barigui e o Igua\u00e7u \u2014, al\u00e9m de len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos foram afetados.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, o derramamento na costa nordestina preocupa mais porque ocorre em um sistema mais aberto e n\u00e3o se sabe de onde partiu o \u00f3leo. &#8220;A gente j\u00e1 teve alguns derramamentos de \u00f3leo, mas nenhum caso semelhante a esse do Nordeste. Em termos de quantidade, o vazamento da Repar foi maior, mas ocorreu em terra, situa\u00e7\u00e3o que \u00e9 mais facilmente controlada. O caso atual atinge uma \u00e1rea muito mais delicada. Al\u00e9m da costa, t\u00eam os manguezais, que s\u00e3o ambientes sens\u00edveis&#8221;, explica a coordenadora do Laborat\u00f3rio de Monitoramento Ambiental da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Clarissa Melo.<br><br>O professor Renato Eug\u00eanio de Lima, diretor do Centro de Apoio Cient\u00edfico em Desastres da Universidade Federal do Paran\u00e1, concorda com a avalia\u00e7\u00e3o de Melo. &#8220;Acidentes com dispers\u00e3o de \u00f3leo em sistemas abertos s\u00e3o de enfrentamento dif\u00edcil. Vazamentos em uma ba\u00eda, em um navio identificado ou mesmo em uma plataforma j\u00e1 s\u00e3o desafios imensos. A situa\u00e7\u00e3o de agora, pelas informa\u00e7\u00f5es preliminares, tem caracter\u00edsticas ainda mais desafiadoras&#8221;, opina.Publicidade<br><\/p>\n\n\n\n<p>Ba\u00eda de Guanabara<br>Quando se fala de vazamento de petr\u00f3leo no mar, o mais expressivo no Brasil ocorreu na Ba\u00eda de Guanabara, no Rio de Janeiro, tamb\u00e9m em 2000. Na ocasi\u00e3o, um duto da Petrobras que ligava a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) ao terminal Ilha d\u2019\u00c1gua, na Ilha do Governador, se rompeu. O vazamento foi de aproximadamente 1,3 milh\u00e3o de litros de \u00f3leo combust\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cApesar de ser um volume menos expressivo, ele foi muito pior, por ter atingido uma \u00e1rea muito sens\u00edvel\u201d, afirma Clarissa Melo. &#8220;A partir de ent\u00e3o, a legisla\u00e7\u00e3o se tornou mais rigorosa, expressando uma maior preocupa\u00e7\u00e3o e prevendo san\u00e7\u00f5es para os danos ambientais provocados por desastres desse tipo&#8221;, observa.<\/p>\n\n\n\n<p>O acidente do Rio causou graves impactos socioambientais e provocou a redu\u00e7\u00e3o de 90% da pesca na regi\u00e3o. A Petrobras destinou R$ 15 milh\u00f5es para projetos de revitaliza\u00e7\u00e3o ambiental e assinou um conv\u00eanio de mais R$ 40 milh\u00f5es. Em 2011, a mesma regi\u00e3o sofreu novamente com novo vazamento. Dessa vez, foram 500 mil litros de \u00f3leo.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o professor Renato Lima, o Brasil tem duras li\u00e7\u00f5es a tirar do desastre atual. \u201cDevemos utilizar toda nossa capacidade para enfrentar o problema neste momento, mas temos tamb\u00e9m a obriga\u00e7\u00e3o de aprender as li\u00e7\u00f5es que vierem dessa experi\u00eancia\u201d, destaca. Para isso, ele ressalta a import\u00e2ncia da pesquisa. \u201cInvestimentos em conhecimento cient\u00edfico para preven\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o para resposta s\u00e3o sempre menores que os custos de qualquer desastre.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Correio Braziliense<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de dois meses ap\u00f3s as primeiras manchas de \u00f3leo terem sido encontradas nas praias do Nordeste, ainda s\u00e3o muitas as d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o ao vazamento que amea\u00e7a os ecossistemas litor\u00e2neos da regi\u00e3o. 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